quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

JORNALISMO POPULAR?


ESSA É A "SAUDÁVEL VALORIZAÇÃO" DA MULHER, SEGUNDO A ÓTICA DA IMPRENSA JAGUNÇA, O "PiG DA PERIFERIA".

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Raquel Melo lançou esse texto para denunciar a exploração da chamada "imprensa popular" (que na verdade é imprensa jagunça) de explorar de forma degradante mulheres e homossexuais. É uma forma de esfregar na cara dessa intelectualidade etnocêntrica que acha esse tipo de imprensa "divertida" e que não vê sensacionalismo nem vulgaridade nesse espetáculo popularesco dos horrores. Acham que isso é apenas uma "saudável expressão pop da mídia das periferias". Vá entender. O texto abaixo mostra a realidade que a calhordice pensante não consegue ver.

Jornalismo popular?

Por Raquel Melo - Blog Sharing Posts

Caros segue abaixo uma mensagem que a Raquel Melo, jornalista e cidadã, acaba de enviar para a Ouvidoria-Geral da Cidadania da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República no e-mail: direitoshumanos@sedh.gov.br

Boa tarde,

Peço à ouvidoria da Secretaria de Direitos Humanos que esta mensagem chegue ao senhor Gustavo Bernardes da Coordenadoria Nacional de Promoção dos Direitos LGBT.

O jornal Meia Hora, que pertence ao grupo EJESA (Empresa Jornalística Econômico S.A.), é conhecido pela população carioca, e mais recentemente pela paulistana, pelo que seus editores chamam de ‘jornalismo popular’ para retratar situações do cotidiano no país.

O grupo EJESA, segundo o próprio site da empresa, detém três jornais impressos e online: O Dia, Meia Hora e Marca Campeão que juntos chegam a mais de 3,5 milhões de leitores.

Em uma rápida busca no site do jornal considerado mais popular do grupo, o Meia Hora, é possível ter acesso às capas de algumas edições publicadas. Fato é que o que estes senhores chamam de ‘jornalismo popular’ está pautado na mais explícita banalização da violência e violação de direitos das mulheres, homossexuais e outros grupo historicamente vítimas de preconceito neste país.

Em um governo que começa seu mandato afirmando o compromisso de combater a homofobia e outras formas de preconceitos é de extrema urgência que se criem mecanismos que impeçam empresas de comunicação com ou sem concessão pública de perpetuarem a discriminação e incitarem a violência, principalmente contra os homossexuais.

Que criem e garantam nosso direito de resposta às publicações e veiculações absurdas que ferem nossa Constituição e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Abaixo, as capas do jornal Meia Hora publicadas pelo grupo EJESA somente em janeiro de 2011. Reparem nas palavras usadas pelos jornalistas para se referirem às mulheres e aos homossexuais: bibas, gostosa, traveco, piriguete. Imaginem tudo que foi publicado em 2010.

Terça, 18 de janeiro de 2011
http://one.meiahora.com/public/uploads/printcovers/18012011.pdf
Sábado, 15 de janeiro de 2011
http://one.meiahora.com/public/uploads/printcovers/15012011.pdf
Sexta, 14 de janeiro de 2011
http://one.meiahora.com/public/uploads/printcovers/14012011.pdf
Segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
http://one.meiahora.com/public/uploads/printcovers/10012011.pdf
Quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
http://one.meiahora.com/public/uploads/printcovers/06012011.pdf
Terça-feira, 4 de janeiro de 2011
http://one.meiahora.com/public/uploads/printcovers/040120113.pdf


Obrigada,

Raquel Melo
http://twitter.com/rackmelo
http://www.facebook.com/rackmelo
http://rackmelo.blogspot.com/

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

O curioso é que o jornal Meia Hora sempre explorou mulheres peladas ou semipeladas, desde a fundação. O que inclui o período após a morte de Ary Carvalho, quando o jornal (e também O Dia e o então Campeão) foram dirigidos pelas filhas de Ary.

Triste saber que até mulheres exploram e depreciam o próprio gênero.