quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

CAMPUS PARTY É REDUTO DO PSEUDO-NERD "CERVEJÃO"



Campus Party é um evento nerd? Menos, menos, moçada.

Na verdade, diremos que não é. É apenas um evento de informática, para gente que é muito interessada no setor. E ninguém vira nerd porque é fissurado pela informática.

Os yuppies dos anos 80 - que hoje são cinquentões sisudos a caminho dos 60 e são maridos de moças 15 ou 20 anos mais jovens - também eram fissurados por computador, quando expressões como Macintosh, Apple e aquele visual tela preta e tipos gráficos digitais - não se podia fazer textos com fontes parecidas com as que se lê nos livros, por exemplo - conhecido como MS-Dos, dominavam a informática da época.

Portanto, não dá para dizer que o Campus Party é um evento voltado para os nerds, como se aquela turma que a gente via no filme Vingança dos Nerds e no seriado Big Bang Theory fosse toda se encontrar lá.

Infelizmente, não é esse pessoal que a gente encontra na maioria, não. Há verdadeiros nerds que vão ao Campus Party, mas, na boa, eles são minoria.

Fora alguns playboys que se autoproclamam "nerds" e não conseguem disfarçar seu visual de mauricinho arrogante com um par de óculos, há o que chamamos de pseudo-nerd, nerd-judão - baseado no blog típico dessa patota toda - ou então do nerd "cervejão".

É um perfil baseado naqueles comerciais da cerveja Nova Schin - do lema "cervejão-ão-ão" - ou de filmes como Se Beber Não Case. Aquele falso nerd que não é mais do que um mauricinho atrapalhado, mais preocupado em cultivar uma barba do que em usar um óculos, se bem que, a rigor, a questão visual é algo que pouco importa. Mas, em todo caso, o estado de espírito do falso nerd "cervejão" nada tem a ver com o autêntico nerd, ainda discriminado no Brasil varonil.

Mal comparando, é como se o Booger do filme Vingança dos Nerds, num processo inverso ao do Oger e Stan Gable (atletas fortões que viraram nerds), migrasse da irmandada Lambda Lambda Lambda (nerds) para a Alfa Beta (dos atletas fortões).

O "nerd cervejão" é uma pessoa muito estranha. Adora dizer que é nerd, se comporta como atrapalhado de forma estranhamente proposital, tenta gesticular feito um paranóico, tudo para dar a impressão que é "nerd". Mas gosta de filmes de pancadaria - Cá para nós, as únicas coisas admiráveis em Os Mercenários, por exemplo, são a Giselle Itié e a eterna doçura Brittany Murphy - , toma cerveja até cair, é fanático por futebol, lê imprensa sensacionalista e gosta das metidonas paniquetes.

Isso não é nerd. Nerd para mim lê livros, vê filmes de arte ou comédias estudantis (desde que admita que estes são bons filmes comerciais), se toma cerveja o faz de forma moderada e pouco se interessa por esporte (e, claro, deve sempre achar que o futebol é incapaz de salvar a vida da humanidade).

Lembrando da Brittany Murphy, até o filme As Patricinhas de Beverly Hills, no qual o doce anjo moreno-ou-louro começou a ganhar fama, é muito mais nerd do que Se Beber Não Case. A própria Brittany sempre marcou sua carreira por ser uma deliciosa nerd lindíssima e muito, muito simpática.

Portanto, esse alarde todo da imprensa cada vez mais pedante - que, entre outras bobagens, é viciada em confundir dance music com rock - , em torno da ideia falsa de que o Campus Party é um evento dos nerds, é algo para não ser levado muito a sério.

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