terça-feira, 30 de novembro de 2010

30 ANOS SEM CARTOLA



Os 30 anos de morte de Angenor de Oliveira, o Cartola, um dos mestres do samba brasileiro, faz todo mundo pensar.

Será que somos puristas, quando pedimos que se valorize o samba de qualidade, sem essas bobagens de sambrega e porno-pagode?

Será que somos saudosistas, preconceituosos, ultrapassados, por apenas defender o samba de qualidade?

Por que certos oportunistas cantam "não deixem o samba morrer", se eles matam o samba com suas cafonices sem sentido?

Não somos saudosistas, nem preconceituosos, nem ultrapassados quando defendemos o samba contra sua diluição.

Sabemos que a música de qualidade não fica parada no tempo e nem é isolada das influências do mundo afora.

Isso acontece com todo ritmo, até o samba, por sinal também vindo de fora.

Mas o que queremos frisar é que a evolução do samba não partirá de cantores bregas em ritmo pseudo-sambista, que nunca passam de clones de Usher com Luiz Miguel, de Bobby Brown com Enrique Iglesias, camuflados com um pandeiro e um cavaquinho.

Também a evolução do samba não partirá de conjuntos que fazem pastiche do som de Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, mas não sabem o que é jongo ou caxambu, não sabem a diferença entre um samba de gafieira e um samba-de-roda, um lundu e um maxixe.

E muito menos poderemos apostar na evolução do samba através de grupos de porno-pagode, que apostam em letras chulas e em balbuciação, ou em palavras em portinglês ridículo, enquanto seus vocalistas estão mais preocupados, nas apresentações ao vivo, em enrolar a plateia e ficar sem camisa ou de sunga.

Não. O samba pede respeito.

O samba aceita uma guitarra elétrica, um órgão Hammond, um acento soul, como quiser.

O samba não fica parado, se move, se transforma, só não se perde pelo caminho.

E seu caminho não é decidido por executivos de gravadora, programadores de rádio nem produtores de TV. E nem por cientistas sociais e críticos musicais etnocêntricos.

Se o samba fez mestres como Cartola, é porque eles eram autênticos, eram verdadeiros criadores e não reles lotadores de plateias.

Cartola fazia samba por puro hobby, suas profissões eram outras, como jardineiro, contínuo.

Cartola, portanto, não era um sambista profissional.

Por isso Cartola continua lembrado até hoje. E será lembrado sempre.

HÁ 110 ANOS, MORREU OSCAR WILDE



"Um temido dia de sol / Então eu encontro você nas portas do cemitério / (John) Keats e (William Butler) Yeats estão no seu lado / enquanto (Oscar) Wilde estão no meu / (cale-se)".

Estes versos finais de Stephen Morrissey estão na letra da famosa música "Cemetry Gates", feita com as melodias docemente melancólicas do brilhante guitarrista Johnny Marr, canção gravada no disco da banda de ambos, The Smiths, chamado The Queen Is Dead, de 1986. Mostram o quanto Morrissey, nascido em Manchester mas descendente de irlandeses, admirava muito a obra do escritor Oscar Fingall O'Flahertie Wills Wilde.

Wilde foi um escritor peculiar. Militante de um movimento estético chamado dandismo, defendia a beleza como um antídoto aos horrores da sociedade capitalista. Suas obras eram dotadas de profundo senso crítico, e Wilde era também socialista.

Há 110 anos ele se foi, com apenas 46 anos e surpreendentemente envelhecido para os padrões de hoje (Dinho Ouro Preto, por exemplo, tem a mesma idade e ainda parece um garotão; eu, com 39, pareço uns 15 a menos). Sofreu muito porque, tendo sido Wilde também um homossexual, teve problemas judiciais por causa disso. Mas isso é outra história.

O que falaremos aqui é a literatura de Wilde, pelo menos em seus aspectos principais. Uma de suas obras mais reflexivas é O Retrato de Dorian Gray, uma história de um jovem que não queria envelhecer, queria manter-se belo e jovem a vida toda, enquanto seu retrato pintado em um quadro envelhecia completamente.

Era uma obra que denunciava a obsessão pela juventude material, enquanto a velhice espiritual era mantida e até agravada. A "alma" de Dorian Gray, registrada no quadro, ficava velha e podre. Uma boa mensagem para os cinquentões sisudos que tentam camuflar seu envelhecimento existencial com esposas lindas e mais jovens.

Wilde também fez muitos contos que expressavam críticas sociais. "O amigo dedicado", por exemplo, mostra um moleiro rico e esnobe, que se apropriava das lindas flores de um formoso jardim de um rapaz pobre, chamado Johnny.

"O amigo dedicado" é uma crítica às elites, que apreciam a bela cultura do povo pobre, para depois usurpá-las. E, tal qual o moleiro que, em troca das flores, deu um carrinho de mão quebrado e inútil para Johnny, as elites brasileiras, sobretudo a intelectualidade que se diz "solidária" à cultura popular, se apropriam do patrimônio histórico-cultural das classes pobres, enquanto reservam para elas o lixo estrangeiro que irá compor o "cardápio" brega-popularesco dos próximos meses.

Sabemos muito bem que a cultura brega-popularesca que faz sucesso hoje não é a verdadeira cultura popular, mas um processo financiado e produzido pelas elites para promover a domesticação social do povo pobre, cujo antigo patrimônio cultural, obtido há mais de 500 anos (se contarmos sobretudo o legado indígena), foi usurpado por intelectuais que hoje apreciam a antiga cultura popular, trancados nos seus

"O rouxinol e a rosa", por sua vez, critica o caráter interesseiro de boa parte das mulheres e também descreve os sacrifícios do amor, através do canto de beleza triste e doloroso do rouxinol, com o espinho de uma rosa cravado no peito. Dessa forma, o sangue do rouxinol era usado para colorir uma rosa pálida, retomando nela a cor rósea viva. Mas a rosa tornou-se um presente inútil que o jovem apaixonado por uma moça iria lhe oferecer, já que a moça foi conquistada por outro homem, o filho da camareira, que lhe ofereceu diamantes e jóias.

Wilde também escreveu poemas - o primeiro deles, o premiado "Ravenna", inaugurou sua carreira literária - e ensaios sobre socialismo. Fez também palestras bastante aplaudidas, devido à pertinência de suas ideias e à habilidade de seu discurso. Wilde, que naqueles tempos era inglês (a Irlanda estava vinculada ao Reino Unido da Grã-Bretanha), era um dos mais prestigiados intelectuais europeus.

Vale a pena se aprofundar na obra de Oscar Wilde. Além do mais, no Brasil ele teve um grande discípulo, o jornalista, escritor e também dândi João do Rio (ou Paulo Barreto, como ele assinava como repórter), um dos grandes intelectuais brasileiros e brilhante cronista da sociedade fluminense e carioca (a cidade do Rio de Janeiro era o Distrito Federal), e eu pude ler um livro de João do Rio sobre a vida em Petrópolis e a tradução que ele fez de O Retrato de Dorian Gray de Wilde.

EVA LONGORIA PÕE A CAMISA PRA DENTRO



Estas fotos são do ano passado, mas mostram o que uma mulher classuda e fascinante é capaz de fazer.

A deliciosa Eva Longoria, que recentemente retornou à vida de solteira, também é sócia do clube das mulheres que usam a camisa para dentro da calça, equilibrando - não custa repetir - sensualidade e charme.

É um traje considerado comportado, mas que seduz de uma forma leve e bonita. Mostra a formosura física sem exibir demais. É sexy sem sucumbir ao vulgar.

E olha que Eva Longoria possui um estigma de mulher sensual, mas sempre e totalmente fora de qualquer contexto de vulgaridade. A morenaça dá uma boa lição para muitas brasileiras "sensuais", que cansam demais por "mostrar demais" o corpo e ainda expõem o reacionarismo machista de defensores (as) das musas da vulgaridade.