segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A RELAÇÃO ENTRE DANIELLA PEREZ E SÉRGIO PORTO



Qual a relação que existe entre a saudosa atriz Daniella Perez e o também saudoso escritor Sérgio Porto, além do falecimento prematuro?

Os dois nunca se encontraram na vida, Sérgio havia morrido quando Daniella nasceu e, aparentemente, nenhum contexto social os uniu mesmo indiretamente.

Aparentemente, porque Daniella Perez tem muito a ver com Sérgio Porto, até mais do que se imagina. E não é porque Daniella daria uma doce e meiga Certinha do Lalau, não.

É porque o alter ego de Sérgio Porto, Stanislaw Ponte Preta, escreveu uma série de livros, interrompida com o adoecimento trágico do autor em 1968, chamada FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País). Os livros mostravam uma série de absurdos ocorridos no território brasileiro, que se tornaram lendários retratos da hipocrisia social tão conhecida no anedotário popular nacional.

Pois mais um episódio se somaria, tranquilamente, a esse FEBEAPÁ: o assassino de Daniella Perez, o ex-ator Guilherme de Pádua, fez uma palestra na Ordem dos Advogados do Brasil, secção Piauí, com o tema "Ressocialização".

É um grande exagero que assassinos, por mais que pareçam arrependidos, sejam considerados ressocializáveis, a ponto de realizarem palestras nesse sentido. Quando os juristas mais renomados falam em ressocialização de criminosos, o máximo que se admite fazer é converter traficantes de drogas em cidadãos honestos.

Crimes como homicídio são por demais chocantes para serem considerados "ressocializáveis". Mas os dribles na lei fazem com que homicídio não seja considerado crime hediondo, mas tão somente "crime doloso", permitindo a assassinos com algum status sócio-econômico sejam definitivamente tirados da prisão, sob o pretexto de "liberdade condicional por serem réus primários" (mas alguns reincidentes são assim beneficiados).

Imagino como Sérgio Porto teria escrito a nota sobre a palestra do assassino de Daniella Perez:

"No último dia 18, esteve sentado, não no banco do réu, mas na cadeira de palestrante, na secção da OAB em Teresina, no Piauí, o cidadão de nome Guilherme de Pádua. Não se trata de um cidadão comum, mas de um outrora ator que tirou a vida da colega Daniella Perez, esposa de outro ator mas colega de Guilherme numa novela então corrente da TV Globo, em fins de 1992.

Guilherme foi convidado porque a OAB entendeu que assassinos impunes são 'ressocializáveis', havendo um certo exagero na hipótese de recuperação de criminosos. Até porque, por outro lado, moleques que roubam frutas no armazém por estarem com fome são condenados, na prática, à prisão perpétua, sem qualquer sentença condicional. Apesar da prisão perpétua não estar prevista na Constituição, mas que se reserva, informalmente, para os pobres cidadãos pobres que cometem certos delitos.

Acrescentamos ao ocorrido uma certa divergência que Guilherme expressa a respeito da nossa palavra "besteira". Este vocábulo, caro leitor, nos é compreendido no sentido de cada absurdo que nossa sociedade têm que engolir no dia-a-dia. Mas Guilherme atribuiu como 'besteira' o assassinato que cometeu contra a jovem inocente e meiga atriz, a pretexto de que cometeu um errinho de nada, um ato de menor importância.

A atitude de Guilherme encontra similar na do jornalista Pimenta Neves, que, quando tirou a vida de sua colega Sandra Gomide, há dez anos, se apressou em telefonar para os colegas do Estadão para dizer que 'cometeu uma besteira'.

Diante do espetáculo do ardente jornalista, só mesmo um colega de sobrenome Vaia foi substituir Pimenta no Estadão. O último ato da tragédia montada por Pimenta não poderia ser sucedido de outra forma: por Vaia."

PARA A FOLHA DE SÃO PAULO, ODAIR JOSÉ É "ARTISTA CULT"



Acabei de escrever, para o blog Mingau de Aço, um texto em que a Editora Record, que publicou o panfletário livro Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César Araújo - que vai virar documentário, sob o nome de Eu Vou Tirar Você Deste Lugar - , se indignou com a premiação dada a um livro escrito por Chico Buarque, pelo Prêmio Jabuti de Literatura.

A Record (que, pela sua iniciativa, fez PC Araújo se transformar em "deus" mesmo com o jeitão canastrão-charlatão de tal escritor), chegou a se aliar a Reinaldo Azevedo - o retrogradíssimo colonista da caquética revista Veja - para pedir a Chico Buarque de Hollanda, uma das brilhantes figuras intelectuais da atualidade, a devolver o prêmio. A Record acusa Chico de ter ganho o prêmio por "favorecimento" e "motivos políticos de diversas naturezas".

Consultando a Folha On Line - tenho que estar a par do PiG, tive que jantar pão com bebida láctea vendo o tecnobrega no Domingão do Faustão (mas aí é porque meus pais assistem ao programa) - , vi que Odair José pretende gravar novo disco.

Nada contra artistas de qualquer nível lançarem novos discos. É direito de qualquer um. Mas o problema é que o Brasil é o único que tenta promover os antigos ídolos da música comercial como se fossem "rebeldes injustiçados", numa campanha cafajeste de evitar que seus discos durmam em lojas de sebos de discos. O problema é a promoção de discos de certos artistas como se tais lançamentos fossem a "salvação da humanidade planetária".

Imagine se Chubby Checker, cantor do tolo mas ainda divertido twist, fosse promovido como "ícone da Contracultura"? Lá nos EUA, ele é tratado como um cantor comercial comum, que faz revival de sua carreira, mas se ele fosse brasileiro só faltaria dizer que ele enfrentou sozinho os tanques que se dirigiram ao comando do 2º Exército, no Rio de Janeiro, no dia do golpe de 1964.

Mas, num país onde os medíocres Ice MC e Double You, se fossem brasileiros, seriam ícones "bolivarianos" por conta da "esquerda festiva" (laboratório dos "neocons" de amanhã) que não desconfia da presença do demotucano Pedro Alexandre Sanches, o sempre discípulo de Otávio Frias Filho, na Caros Amigos e Revista Fórum, é certo que os futuros seguidores do Marcelo Madureira também ficam animadinhos quando alguém fala que a música brega "agora é cult".

Só mesmo a Folha de São Paulo e alguns deslumbrados. Mas a retórica é tão habilidosa que a campanha consegue animar uma boa plateia. Paulo César Araújo nem é lá grande escritor - vai um José Ramos Tinhorão, mesmo com seus ataques à Bossa Nova, e dá um banho - , mostra um semblante pouco confiável e sinistro, mas o cara vira um "deus" aplaudido pelas "focas de circo" que dominam o establishment intelectualóide brasileiro. Tudo porque tentou transformar Waldick Soriano em "cantor de protesto".

Só mesmo a Folha de São Paulo, ela mesma, "paladina da liberdade de imprensa e da democracia", mas que ofereceu seus próprios carros para os torturadores da ditadura militar transportarem presos políticos, para dizer que os ídolos cafonas "lutaram contra a ditadura militar".

Mas ninguém desconfia. Quando o assunto é entretenimento, a Folha de São Paulo parece uma santinha. Mas até no entretenimento ela transmite seus valores retrógrados, com uma sutileza que pouca gente percebe. Até porque os hoje dissidentes já saíram da Folha faz muito tempo.

Só para sentir a gravidade da "cultura" brega, que foi apoiada, sim, pela ditadura militar, as empregadas domésticas, há 50 anos, ouviam música de qualidade: Jorge Veiga, Noite Ilustrada, Dalva de Oliveira, Dóris Monteiro, Robertinho Silva, Agostinho dos Santos, Jackson do Pandeiro. Ouviam até Miles Davis, Louis Armstrong, Nat King Cole.

Mas hoje tudo isso está trancafiado nos armários das madames e dos doutores, temerosos de que o povo, recuperando sua cultura, realize uma revolta popular sem precedentes.

A burguesia, neste sentido, está tranquila. Afinal Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo e companhia se esforçam para tentar evitar que o povo pobre faça cultura popular de qualidade. Sob as bênçãos da Folha de São Paulo, queiram ou não queiram certos "caros amigos".

BIG BONINHO BRASIL



Deu no blog de Fabíola Reipert, do portal R7:

"Boninho é tão raivoso que chega a dar medo...

E quem paga o pato são as pessoas próximas a ele.

A cena deprimente que ele protagonizou neste sábado (20), em um shopping carioca, comprova que o barraqueiro diretor da Globo está cada vez mais descontrolado.

Ele simplesmente saiu correndo atrás de um fotógrafo porque não queria flashes. E ainda ficou discutindo e chamando a atenção em público.

(...)

A mulher dele, Ana Furtado, ficou com tanta vergonha que se escondeu atrás da filha, tadinha."

Se for para ter um comportamento assim, seria melhor que Boninho se separasse de Ana Furtado e se casasse com a ex-BBB Anamara, que, dizem, também é chegada a um pavio curto.

Seria mais adequado: uma ex-integrante do BBB, convertida a primeira-dama do programa. Por outro lado, até eu seria mais discreto e simpático nas minhas saídas com Ana Furtado e sua filha, se caso a apresentadora do Vídeo Show fosse minha mulher.

Boninho é especialista em transformar nulidades anônimas em celebridades, mas ele, como celebridade, não consegue se portar diante da presença dos fotógrafos. Ele até fez o caminho inverso, uma celebridade que se transformou numa nulidade com os mesmos recursos psicológicos da "galera" do BBB.

Não estou defendendo totalmente os fotógrafos, que também cometem seus abusos na captura de imagens de famosos, mas se comportar feito um brucutu só complica a vida do esquentadinho da ocasião, visto como antipático, arrogante e inseguro.

Certamente, as câmeras do tal shopping center devem ter registrado as gafes do irritado diretor, que, certamente, se sentiu o próprio integrante do riélite chou que dirige.