terça-feira, 16 de novembro de 2010

FABIANA SCARANZI SE CASOU!!! BUÁÁÁÁ!! BUÁÁÁÁÁ!!!!



Enquanto algumas famosas solteiras já engatam namoros, temos a notícia, via Caras, de que Fabiana Scaranzi se casou com o empresário Álvaro Etchenique.

Sim, a deusa Fabiana está casada novamente. Nação nerd - ou agora "nação sem nome", porque a turma do Jovem Nerd/Judão/Cervejão-ão-ão dos fãs de Stallone nos roubou o nome de nossa humilde "tribo" - , prepare-se para fazer um estoque de lenços e pegar baldes bem enormes, porque os prantos serão enormes.

Oh, dia, oh, céus... E o que nos sobram? Popozudas que cismam com a gente porque temos cara de bonzinhos? Marias-coitadas que recusam tudo quanto é pretendente de "primeira linha" (sósias do Fábio Jr., Rodrigo Faro, Eduardo Guedes, Vítor & Léo, Léo Santana) para compensar a pieguice enjoada delas cismando com nosso jeito excêntrico?

Será que vamos ter que reler aqueles poemas de Álvares de Azevedo e Junqueira Freire que animaram nossa sofrida adolescência? Será que teremos que recorrer aos discos do Joy Division, Bauhaus e Smiths? Será que temos que tomar um porre de Nescau com biscoitos Trakinas para tentar esquecer nossas mágoas?

Será que teremos que ler o blog Conversa Afiada sem lembrar sequer que seu blogueiro é parceiro de Fabiana no Domingo Espetacular?

E agora? As paniquetes não rendem conversa semelhante a de Fabiana Scaranzi! E olha que as paniquetes são tidas como as mais "intelectuais" das chamadas popozudas. Intelectuais, como assim? Fazer "reportagens" sobre esportes radicais com pouco texto, perguntas óbvias e mais imagens em ritmo de vídeoclipe? Mostrar anões escalando o Monte Everest? Tocar percussão em banda de arghxé music? Dar entrevistas sem pé nem cabeça mas que tenham sempre a desgastada gíria "galera"?

O que é melhor para fazer? Botar um empresário, economista, executivo, médico etc para andar de skate ou trancar uma paniquete numa biblioteca para ela ler tudo que for de Ciência Política, História, Sociologia, Filosofia e Artes Plásticas? Botar um empresário para ouvir Rock Brasil ou botar uma paniquete para ouvir jazz dos anos 50?

Uma coisa é certa: os prantos que os fãs de Fabiana Scaranzi sofrerão daria para extinguir completamente a seca no Nordeste brasileiro.

A LACUNA DA BIZZ E A ATUAÇÃO DAS GRINGAS



A lacuna da revista Bizz, uma das mais destacadas revistas sobre música do Brasil, é quase compensada com a atuação de duas revistas sobre música que, na verdade, são franquias de publicações estrangeiras, a Rolling Stone (revista norte-americana que já teve similar nacional "não autorizada") e a Billboard, uma espécie de "Forbes" do hit-parade mundial.

A BIZZ foi uma importante revista musical, cujo surgimento eu, adolescente, pude acompanhar. Meus pais compraram para mim o número zero da Bizz, que tinha até um flexi-disc com trechos de músicas.

Era a segunda publicação no segmento cultural-juvenil da Editora Abril, já que nos anos 70 existiu a revista Geração Pop, mais conhecida como Pop, porque esta palavra aparecia em destaque no logotipo. Eu era criancinha, mas me lembro de ter visto as capas da revista quando saía pelas ruas de Niterói e Rio de Janeiro com meus pais.



A revista Geração Pop era uma revista meio bicho-grilo, surgida pouco depois da versão "não autorizada" da revista norte-americana Rolling Stone (que contou, entre outros, com o pensador da Contracultura, jornalista e diretor teatral Luiz Carlos Maciel), esta lançada em 1971. A Pop veio no ano seguinte, 1972.

A Pop unia comportamento e cultura pop, era bacaninha mas meio safada. Certa vez foi "plantada" uma reportagem sobre punk rock que nada tinha a ver com a realidade. Era o desespero de pessoas que nem conheciam direito o movimento que agitava o Reino Unido e os EUA e que queriam soar "atuais".

Com a repercussão dessa reportagem e outros surtos de tendenciosismo barato, a Geração Pop desapareceu em 1979, enquanto pouco depois surgia a revista Roll, da editora rival da Abril, a Editora Três (da revista Isto É, que, sabemos, é rival de Veja). A Três também tinha a Somtrês, dedicada a assuntos musicais e também sobre instrumentos musicais, que sobreviveu um pouco mais que a Roll, mas também foi extinta.



A Roll era uma revista de pop, mas de fato tinha como carro-chefe o rock'n'roll, já que nem todo mundo que é pop é realmente rock (só os leigos não sabem disso). E havia dado o maior apoio à Fluminense FM, inesquecível rádio que marcou minha adolescênci (vamos ver se a Kiss FM segura a onda e expulsa os farofeiros de vez - para mim não vejo diferença em essência entre Guns N'Roses e Restart).

A Roll acabou quando a Bizz surgia, e a Bizz teve uma boa trajetória até 1990, trazendo informações musicais de várias épocas, esclarecendo toda a geração de seus leitores, como eu mesmo. A trajetória da Bizz eu coloco noutra oportunidade.

Mas sabemos que depois de 1990 a Bizz viveu uma fase horrorosa com André Forastieri, depois tornou-se uma revista panaca chamada Showbizz, que gerou tanto prejuízo que, quando a Showbizz tentou virar uma revista legal, entre 1999 e 2001 (com o nome Bizz em destaque no logotipo), faliu. E também não permitiu que a Bizz vingasse no seu breve retorno entre 2005 e 2006.

Este foi um retorno que chegou a reviver a antiga trajetória oitentista da revista, mas nas últimas edições desta fase foi "invadida" por gente da fase Forastieri. Em todo caso, a ressuscitada Bizz morreu de vez antes que o revival de 1985-1990 desse lugar ao revival das fases Forastieri-Showbizz.

Mas várias tentativas foram feitas para cobrir a lacuna da Bizz, descontando outras revistas como Rock Brigade e Roadie Crew (ambas só de rock pesado) e Dymanite (que era de rock alternativo, mas havia se tornado aos poucos "popiróque").

Tinha a General, que era muito pretensiosa porque era como se a grande imprensa brincasse de fanzine universitário. E tinha a moda do grunge e seu pseudo-alternativo, que fazia a grande mídia brasileira brincar de "indie": rádios comerciais brincando de radialismo rock (89 FM acima de tudo), grandes gravadoras forjando selos falsamente indie (como Banguela e Radical), grandes jornalistas brincando de ser zineiros, medalhões do rock se passando por bandas de garagem.

Teve também a Zero, Frente e Vírus, revistas até legais, que seguiam a mesma linha da Showbizz de 1999 a 2001. Mas elas tiveram vida efêmera. E, juntamente com a malograda ressurreição da Bizz, deixaram uma lacuna para o jornalismo musical crítico e abrangente.

ROLLING STONE E BILLBOARD

As revistas de origem estadunidense Rolling Stone e Billboard são bem antigas em seu país de origem. Mas suas versões brasileiras são muito recentes. Mesmo a versão "experimental" da Rolling Stone, entre 1971 e 1972, com uma linha editorial calcada na Contracultura, é recente em quatro anos em relação a matriz. Já a Billboard é ainda mais antiga, tendo sido lançada em 1894, quando o Brasil ainda era um país novato na sua experiência republicana.

É certo que as duas revistas oferecem farta informação sobre o mundo da música, com vantagem maior com a Rolling Stone, não só pelo fato de incluir também assuntos não-musicais, como política, mas por oferecer algum senso crítico mais apurado.

Já a Billboard, por sua vez, é uma revista sobre hit-parade, portanto, embora se esforce na abrangência da informação musical, ou na inclusão de nomes com reconhecido valor artístico, a revista soa como uma espécie de equivalente musical à Forbes, revista que se dedica às personalidades mais ricas e poderosas do mundo.

A Rolling Stone talvez canse pelos textos longos em palavras menores. Mas é a revista que mais se aproxima da abrangência musical da antiga Bizz dos bons tempos, até porque vai levemente além dos nomes de sucesso comercial, podendo, quem sabe, colocar um Hüsker Dü entre uma Beyoncé e um Restart. Ou um João Gilberto entre uma Ivete Sangalo e um Michael Jackson.

A Billboard se dedica mais ao mainstream. Serve apenas para o público médio pós-1978, que pouco conhece além do establishment do hit-parade, mesmo aquele rotulado de "alternativo" (onde a geração pós-1978 dificilmente vai além do feijão-com-arroz grunge-noise).

Portanto, a imprensa musical de hoje está melhor do que a de 2001-2002, quando, em vez de haver revistas especializadas, a juventude só tinha acesso a uns quatro críticos musicais (Tom Leão, Carlos Albuquerque, Lúcio Ribeiro e Álvaro Pereira Jr.), o que era muito pouco na busca de novidades. O que fazia o pessoal nunca ir além de um Pavement ou de um Massive Attack.

No entanto, a antiga Bizz de 1985-1990 faz falta, assim como a Roll. E a Somtrês, no que diz aos instrumentos musicais, até que foi herdada com êxito por revistas especializadas em instrumentos musicais, que continuam firmes e fortes.

E assim segue o caminho de pedras da imprensa musical brasileira.