sábado, 13 de novembro de 2010

DEBORAH SECCO JÁ GRAVA PERSONAGEM DE RIÉLITE PARA NOVELA



Deborah Secco já começou a gravar a próxima novela das "oito" - que começa às nove - da Rede Globo, Insensato Coração, na qual fará uma personagem de uma celebridade lançada por um riélite chou.

Mas como se trata de ficção, a personagem, Natalie, deseja se casar com um homem rico. Na vida real, as "musas" de riélite só ficam indo a noitadas, e nós, que somos proibidos de sermos nerds - a estética "comercial de cerveja" passou a ser o padrão do "nerd" oficial, o "nerd" do tipo "Judão" - , corremos ainda o risco de sermos assediados por qualquer uma delas, de preferência a mais vazia intelectualmente.

E há o risco de nós, se formos assediados por essas ex-BBB's, ir a esses eventos horríveis com "sertanejo universitário", com aquelas duplas com nomes chupados de artistas de MPB, mas que juram ser nomes verdadeiros. Tipo o quê, mesmo? Renato Russo & Cazuza, Gilberto Gil & Caetano, João Gilberto & Miúcha, Zeca Baleiro & Lenine?

Além do mais, Deborah Secco só fará o papel de uma genérica de "ex-BBB" na ficção. Na vida real, ela melhora a cada dia, ficando mais charmosa e linda. E, pior, ela havia ficado um breve período solteira, mas voltou para o marido, um goleiro de futebol.

Oh dia, oh céus.

FOLHA TENTA ASSOCIAR BREGA À MPB



A Folha de São Paulo, através da Livraria da Folha, vende títulos que de um modo ou de outro a imagem de que o brega-popularesco é a "verdadeira cultura popular".

Lições que o bom aluno de Otávio Frias Filho, Pedro Alexandre Sanches, continua seguindo nos seus deveres de casa.

Tanto que, no campo adversário da grande mídia, Sanches faz gols para seu antigo patrão, sem que a torcida desse conta disso.

Mas aqui o livro em questão é de outro autor, Almanaque da Música Brega, que Antônio Carlos Cabrera lançou há três anos pela editora Matrix.

Antônio Carlos Cabrera nem é lá grande escritor, mais parece um daqueles autores mais festejados do que competentes, algo como um Paulo César Araújo ainda mais piorado.

Cabrera, só para se ter uma ideia, acha que grupos vocais tipo Menudo são "bandas" só porque tem um monte de gente. Sem saber que bandas musicais são aquelas que, vocais ou não, são dotadas de INSTRUMENTISTAS, ainda que haja um ou outro integrante que não toque um instrumento.

Tomando o partido de Cabrera, a Folha, na desesperada tentativa de associar a música brega (com seu caráter comercial, apátrida, caricato e domesticador ao povo pobre) à nata da Música Popular Brasileira, sempre usando a batida, a surradíssima, a saturada e já insuportável alegação de "preconceito". Coisa que faz Millôr Fernandes se virar pela poltrona cada vez que lê sobre alguma tentativa de "romper com o preconceito".

A frase de Cabrera é uma bobagem só, mas faria plateias inteiras se comportarem como focas de circo da maneira que ela foi escrita:

"Há bandas de rock, grupos de samba, sertanejos e artistas aclamados de MPB que caem na tentação popular e abrem os braços ao bom e velho estilo brega, muitas vezes sem perceber que estão pisando em terreno pouco conhecido por eles", detalha Cabrera no capítulo "Brega ou Chique? Quando o preconceito é vencido".

Cabrera tentou associar Caetano Veloso e Gal Costa a universos bregas - a Folha tenta reforçar essa associação no release do livro, citando, do primeiro, os casos das gravações de músicas de Peninha, do dueto com Odair José e da interpretação do sucesso funqueiro "Tapinha" ("Tapinha não dói...Só um tapinha!").

No entanto, Cabrera teve que admitir que Gal Costa se saiu melhor abandonando os covers de música brega - que a cantora hoje renega - nos anos 80 e hoje prefere manter a sofisticação e ousadia que a consagraram no auge do Tropicalismo.

Pois é, mas a Folha de São Paulo que Paulo Henrique Amorim não recomenda leitura para as avós porque publica palavrão e porque trata FHC como "bom caráter" só porque reconheceu tardiamente um filho de uma relação extra-conjugal, quer glorificar a música brega-popularesca de todo jeito.

É uma pena que certos intelectuais "progressistas", neste caso, se identificam plenamente com a causa da Folha. É sinal de que certos "caros amigos" ainda não se desfizeram de suas leituras "rituais" do caderno Ilustrada.