sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PUPILO DE OTÁVIO FRIAS FILHO CONTRA-ATACA


OTÁVIO FRIAS FILHO DEVE ESTAR ORGULHOSO - Pedro Alexandre Sanches segue direitinho as lições da Folha de São Paulo.

Mais uma vez, Pedro Alexandre Sanches, o menino de ouro de Otávio Frias Filho, parte para o ataque. E desta vez foi na Revista Fórum, da edição de outubro de 2010.

Escrevendo sobre o cantor Zeca Baleiro, Sanches mais uma vez misturou alhos com bugalhos na sua abordagem sobre cultura popular, sem distinguir os sucessos comerciais do brega-popularesco da Era Collor com os nomes que se empenharam em zelar pela Música Popular Brasileira autêntica.

Numa mesma lista, ele citou cantores do chamado "pagode mauricinho", ou sambrega - como Alexandre Pires e Leandro Lehart - , que, juntamente com os breganejos Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano, faziam a festa da mídia golpista apadrinhada por Sarney e ACM e depois por Fernando Collor de Mello, com outros nomes que depois vieram para tentar um primeiro basta na hegemonia brega-popularesca vigente até então.

Note o nível da besteira escrita por Sanches: "Artistas como Adriana Calcanhoto, Alexandre Pires, Carlinhos Brown, Cássia Eller, Chico César, Chico Science, Daniela Mercury, Eduardo BiD, Fred Zero Quatro, Ivete Sangalo, Leandro Lehart, Mano Brown, Marcelo D2, Marisa Monte, MV Bill, Netinho de Paula, Pato Fu, Pedro Luís, Rita Ribeiro, Seu Jorge e Zélia Duncan construíram a solidez de suas carreiras sobre os alicerces de sempre, ou pelo menos em suas franjas."

Uma lista de alhos com bregalhos - algo como fazer uma lista de militantes esquerdistas e incluir José Serra, ACM Neto, Jorge Bornhausen, Armínio Fraga, (banqueiro) Daniel Dantas, José Roberto Arruda, Naji Nahas, Yeda Crusius, (senadora) Kátia Abreu e outros. Assim não dá, Sanches!!

Não dá para botar num mesmo balaio da MPB dos anos 90 ícones da mediocridade do sambrega, axé-music etc. Sobretudo os sambregas, gente que apenas traduz em arranjos "sambistas" as influências de Waldick Soriano - compare "Depois do prazer" do Só Pra Contrariar com "Eu Não Sou Cachorro, Não", de Waldick Soriano, cujos primeiros versos têm andamento melódico parecido - , José Augusto e Fábio Jr., ou então de Enrique Iglesias e Bobby Brown.

Faz sentido colocarmos José Serra e Geraldo Alckmin entre os maiores militantes socialistas de autoridade? Nada a ver.

Nomes como Marisa Monte, Chico Science & Nação Zumbi, Pato Fu, Zélia Duncan e outros - como o próprio Zeca Baleiro, apesar dele andar muito condescendente com o brega ultimamente - se tornaram justamente a oposição dos sambregas, breganejos e axezeiros que animaram o espetáculo lúdico da Era Collor e da Era FHC

A MPB autêntica dos anos 90 representou sobretudo a retomada do fôlego cultural depois da cafonice da Era Collor.

Portanto, mais uma vez, Pedro Sanches errou feio, muito feio, mas fez a lição de casa encomendada pelo antigo patrão e para sempre seu mestre, Otávio Frias Filho. Realidade que em nenhum momento, até agora, foi desmentida, por mais que Pedro Sanches esteja de gaiato como colunista da Revista Fórum e Caros Amigos, já que ele desceu na imprensa esquerdista de pára-quedas.

REACIONÁRIOS AINDA ACREDITAM NO "FUNK CARIOCA"


SE FUNK É CULTURA, SÓ SE FOR O FUNK AUTÊNTICO DE NOMES COMO TIM MAIA, CASSIANO E HYLDON.

De repente, vozes reacionárias reaparecem das sombras para defender suas causas com argumentações mesquinhas e pseudo-corretinhas.

Fui só escrever que Marcelo Freixo pode ser o Fernando Gabeira de amanhã para que os pregadores do "funk carioca" (FAVELA BASS) venham com o mesmo discurso de "movimento cultural" e coisa parecida.

Eles afirmam que o estilo é "perseguido", e duvidam que o "funk carioca" possua empresários. Só que as chamadas "equipes de som" do "funk carioca" são compostas por empresários, sim, e que 99,99% dos ídolos funqueiros são na verdade intérpretes tutelados e até manipulados pelos empresários.

DJ Marlboro e Rômulo Costa são empresários. Como contestar esta tese? Da mesma forma que, no tecnobrega, as "aparelhagens" também consistem numa elite empresarial, gente rica, que nos bastidores atua como dona, mesmo, dos intérpretes que fazem sucesso no estilo.

É muito mais caro montar um grupo com DJ, MC's e popozudas do que botar um favelado para tocar violão, ou montar banda com baixo, guitarra, bateria e órgão para tocar um funk autêntico.

Se o funk é considerado movimento cultural, é através de nomes como Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Banda Black Rio e outros, porque isso que está aí sendo chamado de "funk" não é funk, é miami bass, ou melhor, o "favela bass", termo sugerido pelo amigo Leonardo Ivo.

É bom que se saiba que os fenômenos do brega-popularesco - e isso vale tanto para o "sofisticado" breganejo como para o "engajado" favela bass - não consistem em movimentos culturais de verdade. Considerá-los assim é tendencioso, tanto que o título de "patrimônio" nunca houve, o que o tal "funk carioca" ganhou foi uma classificação genérica, "movimento cultural de caráter popular", obtido de graça por conta de um poderoso lobby político e empresarial.

Portanto, podem escrever muitos e muitos textos, longuíssimos, apelativos, irritados, etc, que não vai adiantar. Um ritmozinho dançante qualquer, artisticamente duvidoso, culturalmente discutível, não pode ser levado assim tão a sério, até porque isso pode repercutir mal. Aí não adianta repetir a ladainha de "perseguição", "preconceito" porque isso até o Paulo Maluf faz.

Tem que se levar em conta a lição que o twist deu nos anos 60. Porque o ritmo foi moda durante um bom tempo mas, quando deixou de fazer sucesso, ninguém se autopromoveu às custas da Contracultura e tentou vender o twist como um "movimento cultural de caráter popular". Chubby Checker foi cuidar de sua empresa de doces e ficou na dele.

Além do mais, o "funk carioca" tem que agradecer à grande mídia golpista que o acolhe feito um filho adotivo. Com tantos anos aparecendo em tudo quanto é veículo das Organizações Globo, essa choradeira de "preconceito", "perseguição" e similares que os defensores do "funk carioca" fazem não passa de malcriação e arrogância.

Me lembro de uma argumentação demagoga de um DJ funqueiro, dado a escrever textos longamente mal-escritos, que disse o seguinte: "melhora a educação que o funk melhora". Só que ele quebrou a cara, porque com a rentabilidade que o ritmo obtém em suas apresentações e eventos - alguns caros, como os que DJ Marlboro fez numa boate zona sul em São Paulo - , daria para botar tudo que é favelado na escola. Por que nada disso foi feito, depois de quase dez anos de campanha pseudo-engajada dos funqueiros?

Melhor aceitarem as críticas e terem mais humildade, do que bancarem os valentões e recusarem ser criticados. Senão vai todo mundo de castigo abraçar seu mestre José Serra depois do próximo domingo.

SABEMOS DE QUEM OS CINQUENTÕES SISUDOS SE INSPIRARAM NO COMPORTAMENTO


HUMPHREY BOGART, ao lado de Audrey Hepburn - Os cinquentões brasileiros na sua última criancice em copiar os homens maduros da Hollywood dos anos 40-50.

Sabemos como os empresários e profissionais liberais nascidos no Brasil da década de 50 se inspiraram para desenvolver um comportamento sisudo e obsessivamente "elegante" e "maduro", que os faz afastar até mesmo das colunas sociais que antes os acolheram com triunfo.

Nas suas últimas reservas de imaturidade, eles se inspiraram na imitação pura e simples dos galãs da Hollywood dos anos 40 e 50. A inspiração veio de filmes que eles viram em reprises televisivas ou cinematográficas na infância e na adolescência, o que os põe em situação complicada sobretudo quando se casam com mulheres bem mais jovens.

Imagine Humphrey Bogart casado com Jennifer Aniston. Nós temos Almir Ghiaroni e Geórgia Worhman. Ou então James Stewart com Alicia Silverstone. Temos Eduardo Menga e Bianca Rinaldi. Ou então Bing Crosby com Drew Barrymore? Sirva-se de Roberto Justus e Ticiane Pinheiro. E por aí vai.

Fica muito estranho. Homens nascidos nos anos 50 mas que se identificam com os anos 40 não pela nostalgia saudável, mas por um saudosismo pedante que os faça serem mais respeitáveis diante de antigos patrões ou colegas mais velhos. A maturidade forçada, a elegância obsessiva, que eliminam o prazer, a espontaneidade e os torna "sérios demais".

Isso quando eles se casam com mulheres que foram adolescentes nos anos 80 e possuem referenciais culturais bem mais modernos. Eles nem se interessam sequer pelos referenciais delas. Não querem se rejuvenescer.

Talvez seja a ânsia da aposentadoria precoce: caprichar no cabelo grisalho, nos ternos pretos, nos sapatos de verniz bem engraxados, nas regras de etiqueta seguidas com extremo rigor, nas poses imitadoras dos antigos galãs de Rolyud (o termo não é meu, é de Glauber Rocha, crítico do cinema comercial estadunidense - não é, pessoal do TeleCine Cult?).

Festas de carnaval nostálgico no Copacabana Palace, ao som de orquestras tocando "Cheek to Cheek" em arranjos burocráticos. Almoços formais no Yate Clube e similares. Palestras didáticas no Hotel Transamérica. Apropriações pedantes no gosto musical de artistas respeitáveis como Nat King Cole, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald (com Benny Carter e outros, vale lembrar!), Charles Aznavour e outros.

Tudo imitação dos homens chiques e granfinos que eram muito prestigiados até os anos 50, mas que hoje soam muito antiquados, até cafonas. Daí ser menos chocante que um Eduardo Menga tivesse se casado com uma Nana Gouveia, por exemplo, do que por uma Bianca Rinaldi.

Pior é que Justus, Ghiaroni, Menga e qualquer outro similar ainda eram bebês cercados de seus brinquedinhos quando a rebelião juvenil do rock'n'roll deu xeque nos valores da sisudez amadurecida. Numa sociedade cada vez mais próxima de James Dean do que de Humphrey Bogart, o ideal de glamour, maturidade e elegância masculina, que ainda tentou um revival nos anos 70 (do qual a geração Justus-Ghiaroni se inspirou para moldar o comportamento atual), tornou-se datado e antiquado diante das mudanças da sociedade.

Mais grave disso é que, como sabemos aqui, a geração Justus-Ghiaroni é a mesma geração de Evandro Mesquita, Serginho Groisman e Lobão (que, um pouquinho mais moço que o dr. Ghiaroni, com idade para ser amiguinho de brincadeiras, trabalha na MTV). Ou seja, se uns se mantiveram num padrão de "maturidade", "elegância" e "seriedade", outros se amadurecem sendo joviais, elegantes nos trajes informais e sérios mantendo o senso de humor.

Isso tudo nos faz pensar o que é a maturidade. É certo, falam do ridículo da obsessão em parecer jovem a vida toda. Mas não seria isso uma forma apenas equivocada de ser jovial na meia-idade e na velhice?

Afinal, a maturidade obsessiva também tem suas criancices.

Coroas que não querem perder a barriga porque acreditam que ela cresceu sob influência lunar.

Coroas que, em almoços formais, brincam de fazer crônica política e, nas conversas, disputam quem é o mais pedante, seja em qualquer assunto, da História às Artes.

Coroas que imitam os galãs da fase áurea de Hollywood, como se isso pudesse lhes fazer respeitáveis.

Coroas que, na tenra infância, não podiam brincar de bonecas, mas hoje adotam tal atitude, se casando com mulheres mais jovens cujo ideal de juventude lhes causa nojo ou desprezo.

Coroas que até lançam romances para explicar suas ideias sobre Administração, Direito ou Medicina, mas que fogem das colunas sociais para que ninguém compare eles com rapazes como Reinaldo Gianecchini, Selton Mello, Rodrigo Santoro e Fábio Assunção que aparecem constantemente nas colunas sociais.

Coroas que aprenderam a lição da maturidade pela metade, porque só aprenderam a respeitar os mais velhos, mas esqueceram que também devem respeitar os mais jovens.

Coroas que, sobretudo, querem ser aos 55 anos homens bem diferentes do que eles eram aos 22 anos, a ponto de consultarem seus álbuns de família e não se reconhecerem mais em fotos do passado.

Para piorar, os coroas "amadurecidos" de 55 anos parecem estar brigados com o que eles mesmo eram aos 22. Parecem pessoas diferentes. Isso não é assumir o amadurecimento. Pelo contrário, mais parece uma paródia daquela ideia mal-interpretada de que todo ser humano tem uma etapa na vida.

Ora, se um dia sou criança, noutro sou jovem, depois sou adulto e velho - e eu estou perto de completar 40 anos, que será no ano que vem - , por que eu tenho que deixar de passear de bermudão e tênis, de cair na gargalhada ao ver um humorístico, de comer biscoitos porque eu gosto?

O fato de que eu tenho diferentes etapas etárias não significa que eu deixe de fazer aos 40 aquilo que me dava prazer de fazer aos 16. Quando ando nas ruas, ando do mesmo jeito que eu andava aos 15 anos. Vejo Vila Sésamo não por saudosismo, mas porque gosto.

Imaturidade não é, portanto, ter espírito jovem a vida toda. Isso é maturidade. É estar em harmonia com as várias etapas da vida, é ser si mesmo, e não querer ser pessoas diferentes em cada etapa de faixa etária.

Imaturo é querer ser velho e maduro na forma, mas imaturo no conteúdo. É ter 55 anos e brincar de ser idoso, querendo impressionar os mais velhos. É carregar demais na elegância e no pedantismo maduro.

Imaturo é querer tapear os mais jovens com uma pretensa sabedoria que é frouxa e sem autoridade, porque profissionalmente é uma beleza, mas na hora do lazer, da vivência social, os cinquentões granfinos e "influentes" se mostram ao mesmo tempo alienados, pedantes e até mesmo os referenciais que eles adquiriram na juventude lhe escapam, pois é possível que eles nem se lembrem de nomes como Gene Krupa, Dwight Eisenhower, Gloria Swanson e Dick Haymes, por exemplo.

Por isso mesmo é que, por mais que Eduardo Menga e Almir Ghiaroni, ou similares, carreguem na sua seriedade e maturidade, num estilo de comportamento tido como "sofisticado" mas que é, no fundo, antiquado, por mais que eles pareçam "comedidos" (mas não o são na sisudez de vestir, de sentir e de agir), são pessoas como Serginho Groisman, que chegou aos 60 anos antes dos sisudos, que amadurecem verdadeiramente.

Posso amadurecer se eu começar a andar de skate aos 40 anos. Se eu ver muitos desenhos animados, se eu dançar o pogo em eventos de rock, se eu tomar refrigerante nas tardes de domingo, se eu ler quadrinhos, se eu rir alto, se eu sair às ruas de bermudão e tênis.

Isso porque amadurecer, mesmo, é ser você mesmo e se evoluir naturalmente no aprendizado da vida. Esqueça o rigor da etiqueta, das posturas forçadamente elegantes, dos clichês de maturidade. Isso não traz lições de vida. Pior do que a "obsessão pela eterna juventude", é a obsessão pelo amadurecimento forçado. Michael Jackson e Almir Ghiaroni são duas faces de uma mesma moeda inútil e sem valor.

Amadurecer não dispensa de curtir os prazeres da vida, nem de seguir a jovialidade a vida toda. Porque o verdadeiro amadurecimento está no desenvolvimento do caráter, do humilde aprendizado, do senso de autocrítica, do desenvolvimento da alegria e do bem-estar espiritual.

Daí que Ferris Bueller, o personagem de Curtindo a Vida Adoidado, é muito maduro. Talvez, aparentemente, se é jovem uma vez na vida, biologicamente falando. Mas é possível ser jovem sempre sem soar imaturo, porque é mais natural viver e estar em harmonia consigo mesmo, do que querer ser outra pessoa em nome do sucesso sócio-profissional.

O amadurecimento sempre anda de mãos dadas com a coerência.