segunda-feira, 11 de outubro de 2010

JOSÉ SERRA ESCREVENDO PARA EUGÊNIO RAGGI



Vamos supor que José Serra tenha um tempinho para escrever para o reacionário professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, que até o mundo mineral sabe que é direitista.

A carta seria certamente assim:

São Paulo, 10 de outubro de 2010.

Prezado Eugênio Arantes Raggi,

Sou José Serra, candidato à Presidência da República, e realizo neste momento uma campanha de segundo turno para finalmente ser eleito pelos brasileiros.

Escrevo-lhe porque gosto muito dos seus textos. Sua ironia, seu sarcasmo, é algo que me revigora e me dá vontade de viver. Seus textos longos parecem tirados da Veja, ou da Folha de São Paulo, conforme pude conversar com o Otávio Frias Filho, que também adorou demais os seus textos.

Você fala muito mal dos nossos rivais, defende os valores que nossa mídia democrática tanto defende, você é um dos nossos. Por isso quero acordá-lo do erro de estar associado a um grupo errado.

Afinal, você não é, de modo nenhum, ligado àquele grupo petista e aqueles jornalistas que nos criticam, que criticam a liberdade de imprensa, que falam mal da nossa democracia, que condenam o direito à propriedade e à livre iniciativa.

É um erro seu você estar com eles, até porque eu sei muito bem que você não se sente à vontade. Talvez você tenha algum colega ou algum protegido trabalhando com eles, ou, por alguma razão corporativa, você tenha medo de assumir suas posturas.

Eugênio, o que eu quero dizer com isso é que você assume sua postura na prática, mas na teoria quer se passar pelo lado oposto. Eu, sinceramente, lhe dou conselho de grande amigo: isso não pode, caro colega.

Seus pensamentos, suas ideias, sua linguagem, tudo isso demonstra que você está com a gente. Sei que você às vezes muda o discurso e fala macio para os petistas por medo de descumprir interesses corporativistas, com medo de desagradar seus parceiros ocasionais.

Olhe, Eugênio Raggi, eu lhe chamo de colega porque eu também sou professor. Sou economista, político experiente, viajei pelo mundo afora. Vejo você como um excelente irmão, um aliado em potencial, e sinto por você uma grande admiração e respeito.

Falei muito com o Aécio Neves, quando eu estive aí em Belo Horizonte, e ele acredita que você só não é tucano por timidez. Você escreve com uma ferocidade que nos fascina, mas na hora de assumir uma postura, você é obrigado a ceder à pressão de colegas de trabalho, por não tomar coragem de romper com eles e seguir o seu caminho, que é ao lado da gente.

Até o modelo de cultura popular que você defende é o nosso, porque, se você prestar bem atenção, foi durante o nosso saudoso governo de Fernando Henrique que seus ídolos musicais cresceram e se fortaleceram. E foi através da nossa mídia democrática, como a Rede Globo, a Folha de São Paulo, a Editora Abril, que seus ídolos musicais, amigo professor, se tornaram alguém na vida. Isso é algo que ninguém pode contestar.

Você está aliado àqueles que na verdade são seus desafetos. Não vejo porque você estar com eles, xingando nossa admirável imprensa de "mídia porca", quando eles defendem tudo o que você não concorda.

Pense muito bem, querido amigo. Eu falo com você como um bom conselheiro. Sei que você está com medo de assumir, mas seus textos irônicos dizem muito. O seu conceito de democracia é igual ao nosso. Pare de fazer jogo de cena, porque eu sei que isso são apenas manobras corporativas. Separe-se desse corporativismo, e assuma que você se identifica com nossas ideias.

Isso, no fundo, vai lhe fazer muito bem, porque você, estando do nosso lado, estará com os setores mais fortes de nossa sociedade organizada. Estará até mesmo com os mais altos representantes da democracia do Primeiro Mundo.

Por isso, professor Eugênio, eu lhe peço. Fique do lado da gente. Seja sincero, você quer muito isso, mas certos colegas ou parentes não deixam. Ignore eles. Seu pensamento, suas ideias, seu senso de humor, tudo isso mostra que você se identifica com nossa causa, e queremos você para formarmos juntos um grande bloco de resgate à democracia que nosso país tanto precisa.

Ficarei feliz em tê-lo no nosso lado.

Abraços cordiais.

José Serra.

OH, DIA, OH, CÉUS



Mulher comprometida é o que mais existe neste planeta. Pelo menos as legais.

Odette Yustman se casou ontem. Alexa Vega também.

E a supergracinha da novela Ti Ti Ti, a lourinha fascinante Maria Helena Chira, avisou também que é casada.

Enquanto isso, Nicole Bahls recusou a sorte grande, não namorando o Akon (que é o mais boa praça dos cantores black de sucesso nos EUA), e pelo menos três popozudas (Mulher Moranguinho, Priscila Pires e Juliane Almeida) perderam a chance de ter o "tibirabiron" do Léo Santana como sua alma-gêmea.

Nada como começar a semana cantarolando %#@&*&&*@$%§¨ pelas ruas.

De preferência, com a Lei 10.224 no bolso. Para arrancar dinheiro no caso de toda popozuda metida a besta que der cantada num nerd.

Depois, ainda dizem que está faltando homem neste planeta.

JORNAL O FLUMINENSE DEU DESTAQUE AO GRUPO RUSH



Saudades da Fluminense FM. Enquanto os 94,9 mhz do Grande Rio hoje só rolam noticinha, a não ser em horários de corrida de F-1, o jornal O Fluminense, no último domingo, botou na primeira página de seu Segundo Caderno uma reportagem sobre a banda canadense Rush, que veio ao Brasil e se apresentou na Praça da Apoteose.

Certamente meu xará Alexandre Torres Amora tem que engolir isso, enquanto as ondas radiofônicas que antigamente tocavam os clássicos do rock hoje transmitem até o reacionarismo irônico de Bóris Casoy.

Uma das mais conhecidas e prestigiadas bandas de rock dos anos 70, o Rush tem a façanha de ser a única banda de rock progressivo que faz a cabeça dos skatistas e sua peculiaridade é que o letrista do grupo não é o vocalista, mas o baterista Neil Peart, fã de quadrinhos e que passou por uma fase muito difícil de sua vida (ficou viúvo e perdeu a filha num acidente). Os outros integrantes são o baixista-vocalista Geddy Lee e o guitarrista Alex Lifeson.

Claro, o grupo era figurinha fácil na antiga "Maldita". Tanto que até um programa na Fluminense FM teve o mesmo nome do trio. E, sem dúvida alguma, uma das maiores bandas de rock do Canadá, e também do mundo. Sempre mantendo o mesmo estilo, renovando sem aderir a modernices desnecessárias, porque, afinal, como toda grande banda de rock, o Rush só está preocupado em ser tão somente o Rush.

Algum roqueirinho ainda está preocupado com aquela banda de metal farofa que também veio ao Brasil? Para quê, se o veterano trio canadense oferece do bom e do melhor no universo das guitarras?

"SERTANEJO UNIVERSITÁRIO" É A MANIA DE BOAZUDAS E MARIAS-COITADAS



A CULPA NÃO É NOSSA - A dita "música sertaneja" que faz sucesso nas rádios hoje foi apoiada explicitamente pelo poder político, econômico e midiático do latifúndio e da política demotucana.

As marias-coitadas e as boazudas de hoje declaram ouvir o tal "sertanejo universitário".

Que é um engodo que não passa de cópia descarada de country music.

Um "movimento" de jovens riquinhos que rodam de potentes camionetas de pneus enormes, marcas importadas.

Jovens riquinhos que juram estarem sintonizados com a MTV.

Mas que não sabem o que é uma moda de viola.

Só que tem que gravar covers do cancioneiro caipira, se os produtores e arranjadores a serviço deles decidirem, ao sabor das circunstâncias.

Tudo muito produzido, tudo muito arrumadinho.

Perfumes caros, equipamento de som de última geração, luzes, marketing, roupas de grife, instrumentos caros.

Ah, e jagunços digitais a espinafrar quem falar mal dessas duplas.

Se, por exemplo, a dupla goiana Gilberto Gil & Caetano tossir numa apresentação na vaquejada de Cabrobró de Pirijipe, e eu fizer um comentário negativo, vem fulano mandar mensagem me chamando de "desarvorado" e coisa e tal.

Mas a milícia talifã do Abreganistão é isso. Gente reaça, claramente falando.

E depois dizem que a tal "música sertaneja" não é demotucana, porque uma dupla goiana foi votar no PT em 2002. Mas também votou no ruralista Ronaldo Caiado.

E a música brega-popularesca, em geral, está com medo.

Rola o tiroteio na grande mídia, entre progressistas e reacionários, estes com o apoio da UDR, TFP e tudo.

Mas os ídolos brega-popularescos, historicamente sustentatos pela mídia direitista e pelo latifúndio, estão com medo de serem associados ao conservadorismo que os fez crescer e aparecer.

Feito filhote de passarinho aprendendo a voar. Mas certas crias hoje tentam renegar seus berços e ninhos, com medo e receio.

Como um protegido de um chefão da máfia que tem medo de ser preso com ele.

A dita "música sertaneja", essa diluição da música caipira "influenciada" pelo coronelismo de Waldick Soriano e pelo entreguismo de Bee Gees, countrys e mariachis, foi toda patrocinada pelo latifúndio.

As primeiras apresentações dos ídolos breganejos, como os de forró-brega, tecnobrega e tudo o que for cafonalha nas roças e subúrbios do país, sempre são em eventos de pecuária, agronegócio ou festas juninas patrocinadas pelos grandes coronéis do latifúndio.

Ou então em galpões que são propriedade dos latifundiários de cada região.

E são divulgados por emissoras de rádio controladas por grupos políticos dominantes.

Ou por serviços de alto-falantes controlados por "laranjas" dos latifundiários.

Mas como as marias-coitadas, boazudas e coisa e tal são tão infantilizadas, coitadas - Dakota Fanning aos 16 anos é mais madura do que Solange Gomes aos 36 - , tem que se criar um conto de fadas para os ídolos brega-popularescos.

Dar um tempo nas aparições no Domingão do Faustão enquanto o tiroteio ideológico acontece.

E fixar nas rádios FM popularescas, controladas pelo latifúndio - até mesmo o latifúndio fluminense, que carece de investigação jornalística - , e na imprensa populista sempre a dar tratamento "vip" para esses ídolos.

Afinal, não vamos assustar as Nanas, Solanges, Lucilenes, Priscilas (Pires) e Marocas, ou mesmo qualquer maria-coitada meio roliça, às vezes feinha, que choramingam na plateia de breganejos, sambregas, axézeiros e afins.

Elas têm que acreditar que a música que elas curtem não tem a ver com a mídia conservadora que as sustenta. Mas tem.

Pelo jeito essa deve ser a trilha sonora da choradeira dessas moças, que poderiam ter a humildade de se casarem com os empresários, latifundiários ou mesmo capatazes que gostam muito delas.

Elas sonham demais mas vivem com medo. Só são afoitas no Orkut, afinal o Orkut se transformou no mundo da fantasia dos medíocres e reaças.

Nas vaquejadas, têm medo até de aceitar pedido de casamento de sósias do Rodrigo Faro que possuem grandes fazendas no interior goiano.

Mas são metidas a fazer assédio sexual a sósias de John Lydon que aparecem no Orkut mas ainda moram com os pais em apartamentos modestos de classe média baixa.

Elas vivem na ilusão. E sofrem desilusões, sem saber por quê.

Um dia vão saber. Depois que entenderem por que estão em baixa.

E depois que seus ídolos brega-popularescos deixarem de fazer sucesso, de tão medíocres e repetitivos.