sexta-feira, 8 de outubro de 2010

MARCELO MADUREIRA E DIOGO MAINARDI DÃO RECADO A EUGÊNIO RAGGI

















O que está fazendo Eugênio Arantes Raggi entre os esquerdistas e os adeptos da mídia progressista é um grande mistério. O que esse reacionário de textos raivosos quer com isso não dá para entender. Deve ser porque tem parentes lá e não quer desapontar os amigos dele. Ou então está a serviço de alguém, por conta de alguma carta de recomendação etc.

Mas nosso leitor Lucas Rocha deu a senha, nos lembrando do caso do Cabo Anselmo, na década de 60.

Além disso, seria bom que os esquerdistas mineiros se lembrem da lição de Marcos Valério, que também se mostrou "solidário" às causas esquerdistas mas depois apunhalou a esquerda nas costas.

Segue as mensagens que Marcelo Madureira e Diogo Mainardi (cujo estilo de escrever é bem parecido com o de Eugênio Raggi) para o "professor" mineiro que, passada essa onda toda, um dia irá para a direita, que é o seu lugar.

O FILME QUE LIGOU O "FUNK DE RAIZ" AO PiG



Estreia nos cinemas a continuação do filme Tropa de Elite 2.

A mídia tenta tratá-lo como filme cult

Mas é um filme comercial como os filmes violentos dos EUA.

Além disso, o filme tem uma "proeza".

Estabeleceu ligações entre o "funk de raiz", que tanto clama ser "de esquerda", e o Partido da Imprensa Golpista.

Tropa de Elite 2 é uma co-produção da Globo Filmes, das Organizações Globo.

Sua história é baseada na trajetória dos policiais do Bope.

Um ex-policial do Bope é comentarista dos telejornais da TV Globo Rio.

Por outro lado, Tropa de Elite 2 tirou do esquecimento o esquecível "Rap das Armas".

Era de um tempo em que "rap", no Brasil, era fulano parodiar cantiga de roda com letrinha "maldosa".

E de um tempo em que as mulheres-frutas de hoje mal haviam tirado as fraldas.

Pois, não fosse a ajudinha da Globo, o tal "funk de raiz" não teria sido relembrado.

Os caras sabem disso, mas querem fazer jogo duplo.

Buscam lobby no PDT e PSOL, só para impressionar os caros amigos.

Mas, no fundo, o "funk de raiz" também é parte integrante do Pancadão da Imprensa Golpista.

Por mais que a Valesca Popozuda, ou melhor, Valesca Canhãozuda, puxe o saco do governo petista.

Todo o "pancadão" é PiG. Com direito a acesso VIP na Folha de São Paulo e espaço em tudo que é programa da Rede Globo.

E, ainda por cima, MC Ferrow & MC Deu Mal, do demotucano Casseta & Planeta, mostram o quanto o "funk carioca", no fundo, é demotucano.

Porque faz o que os demotucanos mais querem: domesticar o povo e mantê-lo distraído no entretenimento brega-popularesco.

VELHAS IDEIAS COM VERNIZ PROGRESSISTA



Políticas novas ainda vivem com resíduos de velhas ideias.

Ideias estas que se travestem de "novo", apostando em novas retóricas que justificam apenas o velho, o medíocre, o desgastado.

Não é à toa que vivemos um período de transição, em que novos contextos da política e da economia nacional esbarram em valores e procedimentos conservadores, que apostam em seus últimos recursos para prevalecerem na sociedade.

Muitas dessas ideias e seus defensores são herança dos tempos da ditadura.

E, diante da multidão pouco atenta, esses valores e seus criadores ou adeptos tentam se infiltrar em referenciais progressistas para sobreviverem.

Aí, vale tudo.

Vale vender ideias e personalidades conservadores como se eles estivessem acima de ideologias ou de abordagens políticas.

Vale políticos ou personalidades vinculados à ARENA agora se alojarem na causa progressista, quando alguns deles sentiam nojo da mesma causa, até mesmo nos tempos de João Goulart.

Vale partidos políticos de direita mais flexível, como PMDB, PP e PR (antigo PL - Partido Liberal), se apoiarem numa tendenciosa aliança de centro-esquerda.

Vale qualquer coisa que as circunstâncias permitam.

Por isso, a natureza não dá saltos e as tendências políticas progressistas no Brasil ainda contam com base conservadora, de supostos dissidentes dos grupos direitistas, alguns até desafetos de conservadores declarados, mas que, tendenciosamente, vestem a capa do vanguardismo político que mascara seu passado direitista.

Por isso, vemos que, sobretudo nas elites tecnocráticas, a revoada de urubus para o ninho progressista anda pregando uma peça em muita gente, criando distorções enormes que só dificultam o avanço das conquistas sociais.

Além disso, dois tipos principais de abordagens tecnocráticas utilizam pretextos que se confundem com alguns princípios do esquerdismo.

A "curitibanização" dos ônibus, por exemplo. Lançado durante o auge da ditadura militar, pelo prefeito "biônico" Jaime Lerner, filiado à ARENA, esse modelo de transporte coletivo se baseia na concentração do poder do Estado, através das secretarias de transporte, que controla as linhas e decide pela renovação das frotas.

Neste modelo, as empresas se reduzem a meras associadas e terão que adotar farda, um visual padronizado supostamente associado a serviços regionais ou de tipos de ônibus e que, na prática, não passa de propaganda da prefeitura a que está vinculada.

O poderio estatal pode ser confundido com o princípio esquerdismo dos serviços públicos, mas a "curitibanização" do transporte coletivo, na verdade, usa a abordagem do controle estatal lançada pelo governo de Castelo Branco, que iniciou a ditadura militar sob o claro apoio de TODAS as instituições de direita existentes no Brasil e contrárias a qualquer tipo de política progressista.

É só comparar o projeto econômico de Roberto Campos e o projeto para o transporte coletivo de Jaime Lerner e se verá um surpreendente e exato paralelo ideológico, além do prestígio que um e outro possuem entre a tecnocracia do Brasil.

Outra abordagem tecnocrática é quanto à avaliação paternalista e elitista da cultura do povo pobre.

Uma abordagem que vem das bancas conservadoras na sua exata concepção planejada durante o governo de Emílio Garrastazu Médici.

É um raciocínio único, defendido por antropólogos, sociólogos, historiadores e críticos musicais, entre outros envolvidos, que claramente exercem uma relação de promiscuidade não-assumida com a grande mídia.

Hoje a bola da vez é Pedro Alexandre Sanches, mas Hermano Vianna já foi o figurão da moda.

E, antes ainda, Paulo César Araújo, emergido das águas tucanas de 2001 promovendo o apagão na história da MPB, foi o figurão da vez, embora ele aparentemente tenha passado incólume durante décadas com o seu charlatanismo cultural.

Mas há vários outros: Rodrigo Faour, Milton Moura, Roberto Albergaria, Ronaldo Lemos, Bia Abramo etc. Todos defendendo uma visão tecnocrática, uma abordagem da cultura da periferia que parece ter vindo das elites burocráticas da USP.

Essa elite intelectual, que no momento dita o padrão oficial de abordagem da cultura popular de nosso país, no fundo só quer defender a chamada "cultura de massa" que aí está. E cria um repertório discursivo que mistura princípios neoliberais aplicados à cultura brasileira (como o "fim da história" de Francis Fukuyama, através da ideia de que a velha canção popular virou coisa do passado) com alegações falsamente progressistas, como creditar ao tecnobrega uma insólita e fictícia associação à antropofagia de Oswald de Andrade.

São alegações delirantes que adotam uma postura cordialmente etnocêntrica. São intelectuais situados no Sul e Sudeste ou que seguem a orientação dessas regiões que, supostamente solidários ao povo da periferia, criam para o povo pobre uma ilusão de autosuficiência e criatividade.

Como todo tecnocrata, que julga a vontade do povo através do julgamento pessoal das elites, o povo pobre, no discurso dos defensores do brega-popularesco, aparece como uma multidão surreal.

Dessa maneira, o povo sofre o problema da ignorância e da desinformação, consequência da miséria e das baixas condições de vida vivenciadas, mas o julgamento etnocêntrico dos cientistas sociais e jornalistas etnocêntricos faz com que essa situação seja travestida de uma suposta riqueza e uma suposta sabedoria.

Assim, o povo é ignorante, mas, estranhamente, atribui-se aos pobres uma "sabedoria" que nem os próprios pobres conhecem.

Afinal, não são os cantores, conjuntos e fãs do tecnobrega que conhecem Oswald de Andrade (facilmente confundível pelo povo da periferia com Mário de Andrade ou Oswald de Souza, igualmente incompreendidos pelos pobres), mas o cientista social ou jornalista que só vê a periferia nos documentários estrangeiros e cuja única vivência em observar a cultura da periferia é nos guetos de Nova York, Paris e Londres.

Por isso, esse julgamento prevalece não pelo sentido de verdade que possui - o povo continua condenado à ignorância, miséria e outros infortúnios - , mas pela imagem "agradável" que se dá ao povo pobre.

Os jovens da periferia vão submissos que nem gado para os clubes suburbanos consumir os chamados "sucessos do povão" (pode ser Wando, Exaltasamba, tecnobrega, o que vier). Mas a intelectualidade etnocêntrica credita esse verdadeiro consumo resignado e obediente como se fosse um suposto "movimento social".

E a mediocridade cultural é defendida não só na música brega-popularesca, mas também na ideologia brega imposta pela mídia populista e policialesca, com seus valores machistas, anti-sociais e elitistas no seu enfoque ao povo pobre disfarçados de um espetáculo "divertido" de "mau gosto" e vulgaridade.

Chegam-se ao ponto de dizer, num tom bem típico de Fukuyama, que hoje não vale mais aquela cultura genuinamente popular de outrora. Hoje o povo pobre não pode mais criar baiões autênticos ou sambas autênticos.

Um exemplo. Os "maiores grupos de samba" da atualidade (conforme a "inocente" imprensa policialesca) são os ídolos de sambrega que apenas copiam clichês lançados por sambistas autênticos (Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, Arlindo Cruz, Jorge Aragão), mas que não sabem a diferença entre maxixe e samba de gafieira e dificilmente conseguem saber o que é jongo, caxambu, coco, maracatu e samba-de-roda, todos variações do antigo semba trazido pelos africanos.

Por outro lado, o povo pobre hoje, proibido de dar continuidade à música de raiz que a eles pertencia, agora é "convidado" pela intelectualidade etnocêntrica a brincar de Beyoncé, de Michael Jackson, de caubói-detetive (como no padrão ideológico de Waldick Soriano), ou de negão-durão do Bronx (como no padrão ideológico do "funk carioca").

Ou seja, em vez de produzir valores próprios, o povo pobre acaba sendo obrigado, por uma intelectualidade que se diz "progressista", a tão somente imitar os padrões dominantes do Primeiro Mundo, e supostamente "recriar" em torno disso.

É uma visão claramente neoliberal aplicada à cultura popular, servida que nem "paçoca" por Pedro Alexandre Sanches e asseclas, sem que haja uma desconfiança em tais posturas.

O pior é que essas posturas tentam poupar, por omissão, os verdadeiros interessados desse espetáculo de deturpação da cultura popular: os barões da mídia, do mercado de atacado e varejo, os coronéis do latifúndio, o baronato da grande mídia.

Isso cria distorções profundas, cuja denúncia não consegue ser contestada de forma alguma.

Afinal, o que Pedro Alexandre Sanches, Rodrigo Faour, Ronaldo Lemos, Milton Moura, Hermano Vianna e tantos outros defendem é o que a grande mídia mostra, até de forma bastante explícita.

São os mesmos "sucessos do povão" que passam no Domingão do Faustão, símbolo maior do entretenimento das Organizações Globo, por sua vez a maior corporação da chamada mídia conservadora de todo o Brasil.

Também são os mesmos "sucessos do povão" que aparecem, com surpreendente facilidade, nas primeiras páginas da Ilustrada da Folha de São Paulo, da Contigo da Editora Abril, do Segundo Caderno de O Globo.

Se Veja e Estadão não aderem com frequência ao brega-popularesco (mas, de qualquer forma, aderem, sim), é porque são veículos que se dirigem diretamente às elites, não se comprometem com o circo da deturpação da cultura popular (com o propósito de transformar o povo pobre em caricatura apátrida de si mesmo) que é missão de veículos mais populares dos grupos Globo, Abril e Folha.

Pior é que, por trás desse processo todo de deturpação da cultura do povo pobre, se escondem mecanismos de eliminação dos valores culturais locais, subordinando o povo pobre ao subemprego, à subordinação aos valores importados, à "pedagogia" da grande mídia, à domesticação que transforma os pobres em caricatura de si mesmo.

O povo não pode fazer baião autêntico, mas um engodo que mistura disco music, ritmos caribenhos, country e acordeão gaúcho rotulado de "forró eletrônico" ou forró-brega. O povo não pode mais produzir conhecimento, mas apenas mexer no que já está pronto, numa cultura "metropolitana" a ser moldada conforme a vontade do freguês.

Só isso breca um pouco os avanços das conquistas sociais recentes. E o que mostra o quanto há de entulhos reacionários e conservadores sob um verniz progressista e moderno.

Esses falsos progressistas, se tivessem um mínimo de sinceridade, estariam nas primeiras bancadas da plateia do Instituto Millenium, em vez de bancarem os pretensos bonzinhos da causa progressista.