quarta-feira, 6 de outubro de 2010

TIRIRICA: O "VOTO DE PROTESTO" LEVADO A SÉRIO ATÉ DEMAIS



Um dos "fenômenos" das últimas eleições foi o comediante Tiririca, que anos atrás havia feito sucesso nas rádios e rolou até na Jovem Pan 2 (cujo pessoal atirou no próprio pé quando desalojou a Fluminense FM no Grande Rio ao esnobar de nós, antigos ouvintes da rádio).

Pois ele andava sumido, afinal musicalmente era uma nulidade, era mais uma piada em forma de música - como todo ícone brega-popularesco, mesmo aquele que pretende ser reconhecido como "sério" - e voltou à evidência porque se candidatou a deputado federal pelo PR (antigo Partido Liberal).

Em outros tempos, o "voto de protesto", quando muita gente votava em candidatos fictícios para expressar descontentamento com a classe política, era uma boa brincadeira, apesar do evidente desperdício de voto. Não havia urnas eletrônicas, e por isso quem votasse num Cacareco ou Macaco Tião tinha seu voto anulado (não se está falando de possíveis fraudes, que poderiam desviar o voto nulo para o candidato situacionista, porque aí é outra história).

Mas, hoje, o "voto de protesto", por razões determinadas pela tecnologia - que não permite mais escolhermos candidatos fictícios - , acabou sendo expresso por candidatos reais. Tinha de tudo: jogadores de futebol, cantores bregas, mulheres-frutas, fora outros anônimos pitorescos que não tinham programa político, apenas serviam para que o mau gosto fosse visto como uma "alternativa" para a falta de crédito popular à classe política.

Por isso, o "voto de protesto" foi levado a sério demais. Tiririca foi o mais votado não porque tinha um programa de governo. Mas porque era uma forma do povo rir da cara dos políticos.

Por isso não vamos romantizar, comparando Tiririca com Lula, achando que ele é uma grande alternativa política. Só o fato de sua propaganda se limitar ao lema "Pior que está, não fica", diz tudo sobre a situação.

Agora o TSE quer impugnar a candidatura de Tiririca, depois que ele confirmou sua vitória eleitoral. Há denúncias de que ele é analfabeto e pôs outra pessoa para assinar seu nome no lugar. Mas, denúncia por denúncia, a avaliação do caso deveria ter sido feita antes do registro da candidatura.

Mas como o TSE só toma as decisões tardiamente - como no caso da obrigatoriedade do título eleitoral, dispensado quase na última hora - , dá para perceber que as autoridades do juizado eleitoral primeiro esperaram Tiririca se tornar um hype da mídia, sobretudo entre a imprensa populista e a intelectualidade etnocêntrica (com seus delírios "pós-modernos" em torno do comediante, provavelmente descrito como um ícone circense "pós-moderno, concretista e bolivariano"), para depois tentar pôr as coisas em ordem.

Evidentemente, foi prejudicial para ambos os lados.

De um lado, a Justiça Eleitoral deixou de averiguar na hora oportuna as denúncias de analfabetismo de um candidato que, mais tarde, tornou-se um "fenômeno", não pelas ideias apresentadas, mas justamente pela falta de ideias dentro de um contexto de protesto político pelo humor.

De outro, o eleitorado manteve seu "voto de protesto" que em nada vai resolver em relação à corrupção política, e votar por gozação, sem que se valorize a escolha de um candidato pelas ideias e propostas, é apenas uma revolta inútil que não melhora a classe política de nosso país.

Sinceramente, por pior que seja a nossa política, o voto não pode ser visto como uma piada. Porque, depois, quem levará chacota somos nós, eleitores.

JESSICA ALBA COMPROU DISCOS DOS BEATLES



Hilary Duff, fã dos Smiths, Elaine Bast fã de Jesus & Mary Chain, fulana adorando Bossa Nova, sicrana adorando Clube da Esquina, beltrana fascinada por Durutti Column.

E agora Jessica Alba fã dos Beatles. Com direito a Magical Mystery Tour, White Album e até Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, o álbum que o quarteto de Liverpool gravou na mesma época em que Syd Barrett e seu Pink Floyd gravavam, noutra sala do Abbey Road, o Piper At The Gates of Dawn.

E ainda tem a ex-colega minha que é fã de Toninho Horta e Flávio Venturini, o que mostra que seu entendimento de Clube da Esquina vai bem além do "feijão-com-arroz" que a Globo permite passar para o grande público.

Enquanto isso, só temos a lamentar que, enquanto as mulheres comprometidas tendem a possuir um bom gosto musical, as que sobram no "mercado" das solteiras, em sua grande maioria e sobretudo no Brasil, possuem um gosto musical no mínimo tenebroso.

Pouco adianta se essas encalhadas "também gostam de MPB", porque isso, além de demonstrar um apreço secundário aos mestres da nossa música, as músicas são sempre as mesmas que a grande mídia libera para elas curtirem.

Por exemplo, de Milton Nascimento, elas só conhecem "Canção da América". De Elis Regina, umas três músicas. De Djavan, "Oceano", e, quando muito, "Meu Bem Querer" e "Samurai". De Flávio Venturini, se "aquele programa romântico" da FM popularesca se decidir tocar, é tão somente "Todo Azul do Mar", que ele gravou com o 14-Bis.

Beatles, Smiths, John Coltrane, então, são totalmente desconhecidos para essas bobas-alegres que vão para eventos de forró-brega ou compõem as plateias para os DVDs de duplas breganejas, ídolos do sambrega ou cantoras de axé-music.

Isso se torna grave quando no Brasil vemos o império das FMs popularescas, dominados pelas diversas oligarquias regionais do nosso país, e que determinam o gosto musical do povo pobre (e também da classe média baixa), o mesmo que os intelectuais etnocêntricos tão "generosamente" creditam como "a expressão legítima das periferias".

E, quando essas marias-coitadas, marias-bobeiras, boazudas etc. "também ouvem MPB", dá para perceber que não é com entusiasmo. Não é algo que elas veem como próprio de suas vidas. Elas "gostam" de Milton Nascimento como se ele fosse um cantor nascido na Escandinávia, veem como algo distante, alheio a elas.

Enquanto isso, são os horríveis cantores de sambrega, breganejo, forró-brega, tecnobrega, "funk carioca" (as marias-coitadas costumam ouvir o "melody", mas dá no mesmo) e outras barbaridades que se tornam prioridade no gosto musical dessas moças.

Mas os executivos, empresários, profissionais liberais, produtores e diretores de cinema e esportistas, entre outros felizardos, podem ouvir música de qualidade junto com suas belíssimas mulheres.

Nós, homens comuns, até podemos ouvir música de qualidade junto com as garotas jecas, mas no dia seguinte elas fazem questão de transformar o toca-CD num verdadeiro depósito de lixo. E ainda pulam de alegria quando a música de qualidade é depreciada pelos covers tendenciosos dos ídolos do breganejo, forró-brega, axé e sambrega.

Tudo porque elas não passam de marionetes da grande mídia (Domingão do Faustão, sobretudo).

FRANÇOIS-HENRI PINAUT E PAMELA ANDERSON DARIAM ÓTIMO CASAL



Francamente, o "senhor" François-Henri Pinaut, chief executive officer da rede francesa PPR (Pinault-Printemps-Redoute), está casado com a mulher errada.

Seu perfil sisudo de aparência envelhecida - ele não tem 50 anos e parece um idoso - simplesmente NÃO combina com a aparência doce e jovial da atriz Salma Hayek.

Com toda a segurança, se levássemos em conta as afinidades na vida amorosa, o CEO da PPR teria se casado, decididamente, com a atriz Pamela Anderson.

Ela, também, está com uma aparência envelhecida.

E, no âmbito do machismo, François e Pamela cumprem os respectivos papéis que a ideologia machista determina a cada um.

Na boa, o empresário francês e a atriz de Baywatch e Barb Wire dão para formar um perfeito casal.

François Pinaut tem 48 anos e Pamela Anderson tem 43. Nada mal. E pessoas com aparência envelhecida assim, nessa faixa de idade, a gente só via no século XIX, quando a qualidade de vida da espécie humana era bem inferior à atual.

Ainda tem tempo para os dois urub..., quer dizer, pombinhos, se juntarem, né?

Talvez quando os homens sisudos e as mulheres boazudas perderem completamente o sentido como modelos a serem seguidos pela sociedade do futuro.

FILOSOFANDO



Quando esculhambou a MPB autêntica, o "professor" Eugênio Raggi se referiu aos músicos do passado como um "subproduto" da política do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Ou seja, Eugênio Arantes Raggi esculhambou o nacionalismo trabalhista.

Além disso, Raggi esculhambou o socialismo, nos textos que escreveu no fórum Samba & Choro, disponíveis pela busca do Google.

João Goulart, herdeiro político de Vargas, tinha alianças com tendências socialistas.

E Jango tinha um programa de governo semelhante ao que Lula exerceu em seu governo e Dilma Rousseff promete dar continuidade.

Mas o referido professor mineiro, pretenso polemista da pior espécie, disse odiar o socialismo e odiar o nacionalismo.

Que eram representados pela figura política de João Goulart.

Portanto, já dá para perceber de que lado Eugênio Arantes Raggi estaria se vivesse em 1964:






Tendências que atualmente são representadas pelo seguinte político:

PADRONIZAÇÃO VISUAL NO RJ: IMPACTO NAS AVENIDAS SERÁ NEGATIVO



No último dia 21 de setembro, quando fui para a palestra de Luiz Carlos Azenha e Mauro Santayana sobre a imprensa alternativa, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, eu pude observar o trânsito da Av. Pres. Vargas, numa das entradas do referido CCBB.

Imaginei como seria o intenso trânsito depois da padronização visual dos ônibus cariocas, com a frieza objetiva de um técnico, com uma visão objetiva que os tecnocratas do transporte coletivo, isolados em seus escritórios, nos jatinhos particulares e nos seminários da Europa, não possuem.

Pude constatar, tentando analisar os prós e contras da medida do prefeito Eduardo Paes, que a padronização visual terá um impacto bastante negativo, principalmente em avenidas movimentadas e grandes como a Presidente Vargas.

Imaginando duas hipóteses, com a padronização visual restrita às linhas municipais do Rio de Janeiro, e com a mesma medida ampliada para as linhas intermunicipais, em ambos os casos os efeitos seriam extremamente danosos para os passageiros.

Com toda a campanha informativa que a Fetranspor investirá para esclarecer o "novo" esquema, será difícil impedir que os cidadãos que transitam pelas avenidas consigam reconhecer os ônibus que irão pegar, de longe.

Esse impacto negativo já existe em cidades como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, mas os tecnocratas tentam fazer vista grossa e, infelizmente, o povo também não é estimulado a reclamar, preferindo o jogo de cintura para não embarcar no ônibus errado.

Reconhecer o ônibus de longe, ou o ônibus correto diante de diferentes ônibus circulando juntos, será muito difícil com a padronização visual. Causará até mal-estar nos passageiros. No Rio de Janeiro, o impacto será maior ainda, e o passageiro terá que ser mais atento e cauteloso. As desvantagens serão inevitáveis e bem maiores do que se pode imaginar.

Eu não sou arquiteto urbanístico, não sou engenheiro de tráfego, não tenho títulos de pós-graduação nessas áreas, não sou técnico. Mas tenho 36 anos de busologia vivida nas ruas, no cotidiano constante de passageiro, e por isso posso garantir, com toda a segurança de quem obtém a verdadeira técnica na experiência prática de muitos anos, que o projeto de padronização visual a ser imposto por Eduardo Paes está destinado ao pior dos fracassos.