terça-feira, 5 de outubro de 2010

FOLHA DE SÃO PAULO: DESACONSELHÁVEL PARA MENTES SENSÍVEIS



Segue o que Paulo Henrique Amorim escreveu sobre a Folha de São Paulo, que reproduzimos bem no estilo "navalha" do jornalista e blogueiro:

Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler.

Porque publica palavrões.

Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma.

Que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou;

E que é o que é, porque o dono é o que é;

Nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.


Podemos acrescentar também o seguinte:

A Folha persegue blogueiros.

A Folha defende políticos conservadores, mas diz ser "independente".

A Folha censura blogs que parodiam seu showrnalismo.

A Folha defende tendências brega-popularescas como se fosse "cultura de vanguarda".

A Folha foi a escola de Pedro Alexandre Sanches. Aliás, o tecnobrega que Pedro tanto gosta apareceu livre leve e solto nas páginas do jornal dos Frias.

SE CASSANDRA DE TRÓIA FOSSE BLOGUEIRA



Imaginemos que a bela filha do rei Príamo, de Tróia, a jovem Cassandra, seja uma dedicada blogueira.

Misturando assuntos sociais, políticos e culturais, a dedicada blogueira Cassandra, apesar de sua beleza atraente, não parece empolgar muito os internautas.

Uns acham ela "cabeça" demais para os tempos tuiteiros de hoje.

Outros acham ela "chata" demais, por conta de seu senso crítico afiado.

Certa vez, Cassandra de Tróia escreveu um texto dando conta da alarmante chegada de um gigantesco cavalo de madeira que se chegava a Tróia.

O cavalo, criado pelo guerreiro Ulisses, continha soldados de Esparta destinados a dominar o povo troiano, escravizando-o e destruindo a cidade.

Ninguém se deu conta.

No Twitter, o blogueiro Formiga (o nome foi inspirado numa fábula de Esopo), ironizou o alerta de Cassandra, dizendo que o belíssimo cavalo "nada tinha 'haver' (sic)".

Formiga, além disso, esnobou Cassandra dizendo que "a maioria dos troianos adora esse cavalo e só uma 'alexandremagnização' para conter a força do cavalo e seus ocupantes".

Além disso, o famoso jornalista Petrus Alexandros Sanches escrevia artigos num periódico troiano e seu blog tinha muitos links em outros blogs considerados progressistas.

Petrus havia escrito sobre seu desejo de ver o conjunto espartano Pangarolé, do sucesso "Invasation", ter seu valor reconhecido pela Música Popular Troiana. Assim como ele demonstrava muita admiração pela cantora Gabriela Amarantiakis, estrela espartana que Petrus queria que fosse o ícone maior da cultura troiana.

Cassandra, coitada, não atraía muitos seguidores no seu blog. Escrevia textos sensatos, reproduzia textos que ela lia e achava muito importantes, fazia comentários interessantes até sobre coisas simples do cotidiano.

Mas ela não era lida. Não era ouvida. Alguns a viam como uma "patricinha" metida, dentro do sentido que se dava ao perfil das "patricinhas" na Antiguidade.

Pior ainda quando ela falava da invasão de Tróia através do imponente cavalo.

O desordeiro Olavus Brunus, conhecido como "Olavo, o Bruto", ferrenho defensor das duplas aristonejas e das lutas de gladiadores e hoje desaparecido da rede virtual por ter arrumado encrenca num fórum sobre gladiadores, havia chamado Cassandra de "louca desarvorada", e havia dito que o blog dela estava perdido, condenado ao pior dos fracassos.

O acadêmico Eugenius Augustus Regius, famoso reacionário ateniense, aliado enrustido dos imperadores mas bajulador tendencioso dos escravos e mulheres excluídos da democracia grega, escreveu um texto cansativo esculhambando Cassandra e chamando ela de paranóica e delirante.

O Cavalo de Tróia então chega à cidade, e de lá saem a MC Tatiana Derruba-Colunas, a dupla aristoneja Júlio César & Augusto, o DJ de Creta bass, o DJ Parthenon e o grupo Atenatchan e suas calipígias de glúteos em dimensões olímpicas.

Depois, o próprio Pangarolé, de Leonardus Santanopoulos, foi cantar seu "Invasation" com o pegajoso refrão "Invasation-tion, invasation-tion, invasation é bom-bom-bom, invasation é bom-bom-bom".

Para terminar, o grupo Tomilho com Uva, ícone da kaire music, se apresentou seguido depois da diva do estilo, Minerva Papaniotis, que havia alugado um grande espaço em Cairo, no Egito, para seu DVD ao vivo em produção faraônica. E veio também Gabriela Amarantiakis, a queridíssima de Petrus Alexandros.

Petrus, por sua vez, exaltava a "verdadeira festa" do Cavalo de Tróia, transmitida pelos maiores veículos de mídia da aristocracia grega. Mas a mídia helênica, como essa mídia é conhecida, foi ignorada por Petrus, que preferiu acreditar que o evento foi ignorado pelos patrícios midiáticos do Velho Mundo.

Enquanto isso, soldados espartanos dominam a população em festa, rendendo vários cidadãos nos bastidores, transformando-os em escravos. Algumas troianas foram estupradas pelos soldados de Esparta.

No dia seguinte, os blogueiros troianos, que correram para Chipre produzir seus diários digitais, lamentaram o ocorrido na sua cidade.

Cassandra continuou esquecida. Mas sua mensagem teve que ser reconhecida, depois.

O MUNDO EM REDE É INSTANTÂNEO; O PT, JURÁSSICO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Luiz Carlos Azenha faz uma análise crítica a respeito da campanha de Dilma Rousseff, que não conseguiu garantir a tão imaginada vitória no primeiro turno das eleições.

O mundo em rede é instantâneo; o PT, jurássico

Por Luiz Carlos Azenha - Blog Viomundo

Escrevi, muito antes da eleição brasileira, um artigo em que descrevia a campanha eleitoral dos Estados Unidos em 2008 — eu morava em Washington, então.

Lá, a máquina de moer carne republicana fatiou Barack Obama com o objetivo de atender a preconceitos latentes nos eleitores estadunidenses:

1. Barack Obama, o muçulmano (cujo vice era satanista);

2. Barack Obama, que não nasceu nos Estados Unidos (“o búlgaro”);

3. Barack Obama, associado a um pastor “radical” (lutou contra o regime militar);

4. Barack Obama, o terrorista (recebeu em casa, uma vez, Bill Ayers, que havia integrado um grupo que jogou bombas no Pentágono e no Congresso);

5. Barack Hussein Obama, cujo sobrenome denotava submissão a bin Laden.

6. Barack Obama, que estudou em uma madrassa (a escola religiosa islâmica).

Pouco importava, então, se isso tinha ou não relação com a realidade.

O objetivo, como escrevi, era ter um boato, uma ilação, uma suposição para se encaixar em cada um dos preconceitos já existentes no eleitorado.

Não disseram que Obama era gay, mas disseram que ele apoiava o casamento gay.

Como a campanha de Obama enfrentou a onda de boatos, mentiras, ilações e suposições?

Montou um site na internet exclusivamente dedicado a combater os boatos. Quando o internauta desse um Google atrás da informação, tinha um contraponto à máquina republicana de moer carne.

Além disso, Obama montou uma força-tarefa de militantes virtuais e advogados exclusivamente dedicada a combater os boatos, tentar identificar a origem deles e ingressar na Justiça com as medidas cabíveis.

Por que?

Porque vivemos no mundo da informação instantânea. Porque vivemos no mundo em que aqueles que tem acesso às tecnologias da informação se transformaram em produtores e disseminadores de conteúdo, para o bem e para o mal.

Uma mentira disseminada na internet tem o potencial de se replicar N vezes antes que você seja capaz de articular uma resposta.

No dia do primeiro turno, assisti a um debate inócuo e cheio de lugares-comuns na Globonews. O objetivo do debate era óbvio: dizer que a TV era a grande formadora de opinião e que o papel da internet era ínfimo.

Bobagem. A disseminação de boatos a respeito de Dilma Rousseff pode ter tido um papel central no período que precedeu o primeiro turno.

E o PT com isso? E a campanha de Dilma Rousseff com isso?

Nada.

O PT e a campanha de Dilma são jurássicos, quando se trata do uso da rede para combater a boataria.

O PT ainda é refém do ciclo de notícias dos jornais diários.

Aliás, o partido é fiador da mídia que investiu na destruição de seus candidatos.

Na campanha atual, de Dilma Rousseff, concedeu privilégios em três oportunidades a um repórter da TV Globo, que fez o perfil que estrelou o Jornal Nacional da véspera da eleição. O acesso a Dilma deu legitimidade ao perfil de Marina Silva, uma superprodução hollywodiana que estrelou o JN de sábado passado, com objetivos óbvios.

Aliás, no comício de encerramento da campanha de Dilma em Porto Alegre, um repórter da revista Veja teve acesso privilegiado ao palco.