sábado, 2 de outubro de 2010

"MINDUIM" COMEMORA 60 ANOS



A Turma do Charlie Brown comemora 60 anos de publicação. Suas histórias ora eram dotadas de humor sarcástico, ora eram cheias de profundo lirismo, e toda essa obra foi produzida desde 02 de outubro de 1950, quando foi lançada a primeira tira, até 13 de fevereiro de 2000, um dia após o falecimento de seu autor, Charles M. Schulz.

Conhecido como Sparky desde a infância, Schulz, na verdade, havia criado um embrião da Turma do Charlie Brown, chamado Lil'Folks, onde já se via o personagem Charlie Brown e um cachorro com as caraterísticas semelhantes ao Snoopy das primeiras tiras, além de haver um outro personagem fanático pela música de Ludwig Van Beethoven, a exemplo do pianista Schroeder.


LIL' FOLKS: O "EMBRIÃO" DA TURMA, JÁ COM CHARLIE BROWN E SEU CACHORRO, ENTÃO SEM NOME.

Lil' Folks foi publicada entre 22 de junho de 1947 e 22 de janeiro de 1950. Para não ser confundida com obras da história em quadrinhos como Lil'Abner (criação de Al Capp conhecida, no Brasil, como Ferdinando), a Newspaper Enterprised Association, que editava Lil' Folks, sugeriu que Schulz mudasse o nome para Peanuts (nome que foi traduzido aqui como "Minduim", simplificação à mineira de "Amendoim"). Charles Schulz nunca gostou desse nome, achava muito ridículo, mas aceitou.


A PRIMEIRA TIRA.

A primeira fase de Peanuts contava apenas com Charlie Brown e Snoopy como personagens bem conhecidos. Outros personagens, Shermy e Patty (não confundir com Patty Pimentinha, ou Peppermint Patty, que só surgiu em 1966), são menos conhecidos e saíram das tiras oficialmente em meados dos anos 70, embora apareçam nos longa-metragens feitos com a Turma do Charlie Brown.

Com o tempo, outros personagens foram criados: Violeta (Violet, fevereiro de 1951), Schroeder (maio de 1951), Lucy (março de 1952), Lino (Linus, setembro de 1952), Chiqueirinho (Pig Pen, julho de 1954), Sally Brown (agosto de 1959), Patty Pimentinha ("Peppermint" Patty, agosto de 1966), Woodstock (introduzido em abril de 1967; batizado em junho de 1970), Franklin (julho de 1968), Marcie (julho de 1971) e Rerun Van Pelt (março de 1973).

É difícil enumerar todos os detalhes num texto como este, além do mais que é só vendo os desenhos, seja na imprensa, seja na animação, para sentir a delícia de ver os personagens e suas divertidas e, por vezes, reflexivas histórias.

Sabe-se que Charlie Brown é um típico nerd, apaixonado por uma enigmática garota ruiva, dono do esperto cachorro Snoopy. Este, por sua vez, é um personagem dotado de inteligência e auto-suficiência, além de inclinado à imaginação fértil (uma de suas fantasias é sendo o aviador Barão Vermelho, Red Baron no original). Snoopy, mais tarde, também teve como amigo um passarinho que Schulz depois batizou como Woodstock.

Há a temperamental Lucy, o filosófico Lino agarrado ao seu cobertor azul, a masculinizada Patty Pimentinha e sua inseparável amiga, a intelectualizada Marcie, e o sujo Chiqueirinho, cujo paralelo existe entre nós através do Cascão de Maurício de Souza.

Charlie Brown tem uma irmã chamada Sally, enquanto Lucy e Lino são também irmãos e ganhariam mais tarde o caçula Rerun.

A Turma do Charlie Brown é uma obra dotada de lirismo e muito senso de humor. Às vezes é temperada de melancolia. Reflete o mundo dos adultos através dos personagens infantis, enquanto os personagens adultos aparecem apenas pelos pés, no plano inferior. A trilha sonora dos longa metragens animados ficava entre o jazz fusion e a música clássica, além de algumas baladas orquestradas.


A ÚLTIMA TIRA.

A dedicação de Charles Schulz às histórias de seus personagens foi tal que, no final da vida, ele anunciou que sua obra foi encerrada, e que não haveria outro desenhista que desse continuidade aos personagens. Sua preocupação era de que sua obra fosse descaraterizada.

Após sua morte, em 12 de fevereiro de 2000, seus personagens apareceram apenas no longa-metragem He's a Bully, Charlie Brown, de 2006, também última produção de Bill Melendez, responsável pela animação dos personagens de Schulz. Melendez morreu em 2008.

O CONTRADITÓRIO DISCURSO DA TV SOBRE A PERIFERIA


A PESQUISADORA IVANA BENTES, AO LADO DO JORNALISTA ALTAMIRO BORGES, DO BLOG DO MIRO.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: É preciso que a própria mídia esquerdista se lembre de um texto como este, antes de cortejar os movimentos do brega-popularesco, como o "funk carioca" e o tecnobrega, que estão associados a uma imagem idealizada da periferia. Embora a pesquisadora Ivana Bentes admire o antropólogo Hermano Vianna, ela faz críticas ao tipo de abordagem que Central da Periferia, programa produzido por ele, faz em relação ao povo pobre.

Ivana Bentes: o contraditório discurso da TV sobre a periferia

Pesquisadora analisa a contradição do discursos das emissoras de TV sobre a periferia: ou pobre é violento ou é o pacífico criativo

Por Dafne Melo - jornal Brasil de Fato

A periferia está na moda? A julgar pela produção audiovisual, mais do que nunca. Somente a maior emissora do país, a TV Globo, dedicou quatro produções ao cotidiano dos moradores dos grotões das metrópoles nos últimos dois anos: a programa Cidade dos Homens, a série de Regina Cazé para o Fantástico, Central da Periferia e, para o mesmo programa, a exibição do documentário Falcão, Os Meninos do Tráfico. Mais recentemente, houve a exibição do filme Antônia, em forma de minissérie.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Ivana Bentes, professora de Comunicação da UFRJ, analisa o discurso "esquizofrênico" das emissoras de TV: se nos programas jornalísticos o jovem negro continua marginalizado, como o criminoso representado por uma sombra na parede e uma voz metálica, esse mesmo jovem é visto como "o favelado legal" na dramartugia.

O cinema também não fica de fora do que Ivana chama de "cosmética da fome", ou seja, a glamourização da pobreza e da violência das periferias. Sobre esse tema, a professora dedica um dos ensaios de seu novo projeto, uma pesquisa sobre as periferias – ainda não finalizada – em que busca a análise das imagens produzidas nas últimas décadas sobre o tema, analisando as mudanças tecnológicas e do imaginário da sociedade, nesse processo.

Ivana Bentes é professora e pesquisadora de Comunicação, cinema e novas mídias e diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Participa da Rede Universidade Nômade: www.universidadenomade.org.br.

Brasil de Fato - Ultimamente, a televisão tem mostrado interesse em retratar a periferia não só no jornalismo, mas de forma crescente na dramartugia. Por quê?
Ivana Bentes - As favelas e periferias brasileiras e a pele negra, modeladas por séculos de exclusão e criminalização, vêm se tornando uma "mercadoria quente" na cultura urbana jovem, com a disseminação das expressões urbanas e estilos de vida vindos da pobreza que são um fenômeno global com visibilidade na cena cultural mundial. Como aconteceu com a cultura negra dos guetos nos Estados Unidos, a cultura da pobreza e das favelas no Brasil ganha hoje visibilidade como uma fonte de significado e identidade. A publicidade precisa de "estilos de vida" para se espelhar e vender. Paradoxalmente, comportamentos criminalizados pelo Estado – bailes populares nas favelas, pixação, venda de produtos piratas e apropriação de espaços públicos – se tornam "estilo" de vida passíveis de comercialização. Ao se constituírem como consumidores e produtores, pobres e negros passaram a ser considerados cidadãos, o que tem seu lado evidentemente positivo. Se como “mercadoria nova” ou como consumidores, esses novos sujeitos do discurso, saídos das favelas aparecem na mídia de forma isolada, não se pode neutralizar a sua real força. Trata-se de um processo cultural saído das periferias que apreende de forma privilegiada a dinâmica da sociedade brasileira, profundamente desigual e, ao mesmo tempo, aberta para as "misturas" multiculturais.

BF - Como o morador da periferia está sendo retratado nesses programas?
Ivana - De formas distintas. Existe um discurso celebratório da "periferia legal", como se aquelas produções culturais fossem geração espontânea do nosso povo criativo. Admiro as propostas sempre à frente e ousadas de um Hermamo Vianna na Globo, que faz antropologia urbana no Central da Periferia, ou a Tata Amaral, que vem do cinema dar sua contribuição a uma visão menos estereotipada da vida na periferia paulista, em Antonia. O perigo é a gente transformar pobreza em folclore ou em gênero cultural, naturalizar isso, achar que "puxa, é legal ser pobre". Aceitar essa domesticação do racismo, do preconceito, da desigualdade e criar o pobre criativo e feliz, mas fora da universidade, sem disputar emprego com os garotos de classe média. Enfim, o pobre "limpinho" do discurso higienista, pronto para consumo, sem um sobressalto ético, sem perceber a violência física e simbólica a qual esses jovens são submetidos.

BF - E no jornalismo?
Ivana - Aí caímos nos discursos mais retrógrado de criminalização dos moradores das favelas e periferias, da relação entre essa cultura e a criminalidade, na idéia que a violência nasce na favela e que os pobres são a causa da violência urbana e da insegurança. Enfim, nos estereótipos, no racismo, em discursos extremamente conservadores.

BF -O que está por trás deste discurso ambivalente?
Ivana - A bipolaridade esquizofrênica é, por exemplo, apresentar na produção ficcional, um mundo folhetinesco, em que os negros e pobres são bons e honestos, em que se faz uma idealização, quase uma santificação da pobreza feliz. Aí, a mesma "emissora da ética e dos bons costumes premiados" faz editorial contra as cotas no Jornal Nacional, ou seja, contribui para barrar os jovens negros na sua entrada urgente e imediata na Universidade. Então, será que o pobre bom é esse folclórico, não-problemático, destituído de discurso político, que não reivindica nada socialmente? Racismo na novela é visto como uma exceção, quando sabemos que no Brasil é a regra. Quem morre violentamente no Brasil são os jovens negros pobres. Racismo não é um problema individual, de caráter, um "acidente", é um dos fundamentos da desigualdade do Estado, da sociedade brasileira. Pobreza não é um acidente, não é uma exceção, não é um problema individual, é um problema da sociedade. Então, como é que o mesmo jovem negro criminalizado no telejornal - o desordeiro, drogado, traficante, arruaceiro, trabalhador ilegal, invasor - vira o pobre legal da novela? Porque alguns são "bons" e outros "maus"? Ou porque alguns têm "força de vontade" e outros não? Definitivamente não é por ai. Essa ambigüidade reflete e, ao mesmo tempo, produz a violência dos discursos no Brasil, quando a questão são os fenômenos ligados à pobreza.

BF - Como falar da realidade social brasileira, retratar a periferia, sem fazer "canibalismo dos fracos"? Quais experiências você cita como positivas?
Ivana - Canibalismo dos fracos é a gente se comer entre nós. Canibalismo potente é o que se apropria das forças, dos instrumentos, do corpo e das tecnologias "inimigas" para fazer algo diferente. Acho que temos que entender os fenômenos da pobreza, do racismo e da potência cultural que vêm dos territórios da pobreza, dentro de um contexto global. São fenômenos do capitalismo contemporâneo. Então, para entender a periferia paulista em um filme como O Invasor (Beto Brant), nos é mostrado a relação que ela tem com a cultura empresarial, com a falta de limites de certo capitalismo brutal, com os métodos gerenciais dos executivos. Ou ainda, o [documentarista] Eduardo Coutinho vai à favela e encontra discursos sofisticados e complexos, visões de mundo que não tem nada a ver com os clichês que construímos. Ou então, vemos alguns clipes como os do MV Bill, dos Racionais MCs, falando de violência policial, tráfico de drogas, da vida cotidiana nos presídios, mas de forma renovada. Ou um documentário como Prisioneiros da Grade de Ferro (Paulo Sacramento), que dá uma câmera para os internos do presídio se expressarem, sem demonizá-los. Isso para ficar na produção audiovisual. Outro filme excelente é Sou Feia Mas Estou na Moda, (Denise Garcia), um documentário sobre o funk feminino no Rio de Janeiro e sua renovação das questões de sexualidade, direito reprodutivo, etc. São muitos os exemplos.

BF -No cinema, um dos últimos filmes de maior sucesso de público e crítica, no Brasil, "Cidade de Deus", retrata esse ambiente da favela. Você disse que ele criava uma "cosmética da fome". Por quê?
Ivana - A expressão "estética da fome" foi proposta por Glauber Rocha, em 1965, justamente para dizer que precisávamos de imagens não estereotipadas da pobreza. Fiz uma paródia, dizendo que Cidade de Deus apontava muito mais para uma "cosmética da fome", ou seja uma forma esvaziada/estilizada de consumir as imagens da violência e da pobreza. Quase fui linchada publicamente em um debate em São Paulo. Isso piorou quando o filme concorreu ao Oscar. Mas a questão dessa cosmética - a glamourização estética da pobreza - está muito mais presente em outros filmes. Em Abril Despedaçado (Walter Salles), por exemplo. Cidade de Deus é um filme com méritos e também com questões ambivalentes. A que apontei era essa demonização do negro favelado, tornado um "assassino por natureza" e a transformação da guerra do tráfico em "gênero", como nos filmes norte-americanos de gangues e máfia. Apontei questões éticas e estéticas, mas é um filme que como espetáculo e linguagem cinematográfica é eficiente e criativo. Filmes existem para ser analisados, não julgados. Trato da cosmética da fome nesse ensaio sobre as periferias, pois considero que essa questão, colocada pelo Glauber no Cinema Novo, não foi superada nem resolvida no contexto internacional, é uma questão global super pertinente.

BF - Você acha que iniciativas de se retratar a realidade da periferia "de fora" estão fadadas a traçar um perfil equivocado dessa população?
Ivana - Não. Se fosse assim escritores não escreveriam sobre situações que não viveram, cineastas só falariam de seus grupos sociais, etc. A questão não é essa, a questão é o quão complexa é a visão de mundo possível nesses filmes e programas. Adoro televisão, vejo inúmeros programas na TV aberta, no cabo, em DVD. É muito difícil restituir, entender, expressar alguns fenômenos e idéias sem cair em clichês. Certamente que a entrada de jovens vindos das periferias na TV, na universidade, nas redações de jornal, nos teatros, nas editoras, nos lugares de decisão política e produção cultural muda muita coisa, muda estereótipos, traz discursos que podem disputar e concorrer com o que está ai já dado.

BF -Cidade de Deus originou um programa televisivo, Cidade dos Homens, que agora também vai virar filme. Alguns cineastas como Walter Salles, acusam o Globo de empobrecer a linguagem cinematográfica levando a estética televisiva para o cinema. O que você acha disso?
Ivana - O programa de TV Cidade dos Homens foi muito feliz em justamente tentar fugir de alguns estereótipos do próprio filme Cidade de Deus. É um bom exemplo de que a TV pode apostar na inteligência e ser bem sucedida. A priori, não existe problema em combinar tecnologias e estéticas vindas do cinema e da TV, são linguagens que se aproximam. Mas, infelizmente, historicamente, a TV brasileira nunca foi aliada do cinema brasileiro. Isso está mudando, porque hoje o cinema brasileiro ganhou prestígio, tem apoio político e políticas públicas que o valorizam, têm mais financiamentos no Ministério da Cultura, na Secretaria do Audiovisual, nas leis de renúncia fiscal. A própria sociedade brasileira tem hoje uma outra postura diante de seu cinema. O problema é simplesmente a TV parasitar o circuito de cinema duplicando o que deu certo na TV aberta, sem arriscar, apostando nas fórmulas televisivas que deram certo. O cinema tem que ter sua biodiversidade, e não duplicar a monocultura televisiva.

BF - No Brasil, o cinema considerado popular são filmes da Xuxa, Trapalhões, Angélica, etc. Como fazer um cinema popular no Brasil com qualidade?
Ivana - Não existe nenhuma fórmula, existem muitos mitos do que é popular, do que as pessoas "querem" ver. Não acho que a pesquisa de opinião ou testes de platéia resumam as possibilidades da inteligência popular, subestimada nesse discurso paternalista de que "damos o que o povo gosta". Com atores conhecidos da TV, campanhas de mídia agressivas, com merchandising na novela, no programa de auditório, no caderno de cultura da empresa, matéria no telejornal, algum público acaba aparecendo. Mas quem tem R$ 15 para pagar no ingresso? Para ter público para o cinema brasileiro tem que passar os filmes brasileiros de graça na televisão aberta, baixar o preço do ingresso, passar filmes nas escolas, criar uma cultura audiovisual.

BF - Nesse ano, houve a decisão da TV Digital que era visto como um instrumento de grande potencial democratizante, podendo dar vazão à produção independente de audiovisual...
Ivana - Acho que as cartas ainda estão sobre a mesa e se houver pressão e mobilização política, a TV Digital pode se abrir para os movimentos sociais, para o cinema brasileiro, para a produção independente, experimental, universitária, para a produção que vem das periferias. Mas isso não vai acontecer sem pressão. Os interesses são enormes nessa área e vêm de todos os lados. A sociedade tem que intervir e pressionar também, afinal, as TVs são concessões públicas. Nada mais natural que lhe seja restituído o direito de produzir uma comunicação que expresse a sua singularidade e multiplicidade. Se esse governo conseguir mudar a mentalidade corporativa e monopolista dos meios de comunicação, vai ter realizado uma das maiores mudanças na história do país. Mas sem pressão e apoio, nenhum governo faz tamanha mudança.

BF - O que muda com o digital?
Ivana - Com tantas possibilidades tecnológicas de multiplicar os canais de Comunicação com o digital, todos nós nos tornamos potenciais produtores, distribuidores e consumidores de informação, de arte, de linguagem. Isso já está acontecendo com a internet, quebrando consensos, fazendo uma guerrilha semiótica, no campo das idéias. A sociedade tem que estar tecnologicamente equipada para fazer essa que será a grande revolução do capitalismo cognitivo, onde todos nós nos transformamos em unidades móveis de produção e expressão, sem mediadores. Daí a importância hoje de lutar por emissoras de TV públicas – nem privadas e nem estatais – mas da sociedade. Internet pública e gratuita e telefonia também de graça. São as bases da produção contemporânea e da cidadania. Essa cultura da periferia que estamos vendo explodir tem a ver com essa apropriação e subversão da tecnologia. São as tecnologias capazes de criar a “intelectualidade de massas”, como diz Antonio Negri no seu livro Multidão.