quarta-feira, 29 de setembro de 2010

RURALISTAS INVESTEM PESADO NAS ELEIÇÕES



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A chapa demotucana tem o apoio forte e fiel dos ruralistas. E, da mesma forma que, no âmbito cultural, os ruralistas investem milhões na "música sertaneja" e nos "sertanejos universitários", na política eles também investem na defesa dos seus próprios interesses. Daí o coronelismo ser um grande e antiguíssimo desafio para as autoridades de nosso país, uma vez que a concentração de terras vem desde os tempos coloniais.

Ruralistas investem pesado nas eleições

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

O Portal Terra notícia hoje que a senadora Kátia Abreu, a demo que lidera os latifundiários, enviou oficio aos ruralistas pedindo doações para “senadores e deputados comprometidos com o setor”. Em anexo, também foi enviado boleto bancário para depósito na conta do Diretório Regional do DEM do Tocantins. A campanha financeira faz parte do movimento batizado de “Agricultura Forte”, que visa ampliar a bancada dos ruralistas no Congresso Nacional. O ofício garante que a verba arrecadada será totalmente destinada aos candidatos do setor, mas não cita quais.

Maracutaias e crimes eleitorais

Como observa o portal, a legislação eleitoral obriga a abertura de uma conta bancária específica para doações a candidatos e “proíbe que sejam feitas em contas preexistentes, como é o caso”. Na última sexta-feira (24), uma liminar expedida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Tocantins tirou do ar o site www.agriculturaforte.com.br, que também era usado para coletar doações. O TRE ainda pede o bloqueio de todos os recursos arrecadados pelo diretório do DEM e exige informações do partido sobre qual o volume de dinheiro arrecadado até o agora.

A liminar do TRE foi uma resposta a ação da coligação Força do Povo, que acusa a senadora de realizar “caixa dois”. Em nota pública, a coligação acusa a campanha “Agricultura Forte” de ser uma forma de arrecadar dinheiro para a candidatura para deputado federal de Irajá Abreu (filho de senadora). Na sua prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral, entregue em setembro, Irajá declara que recebeu R$ 100 mil do DEM, de um total de R$ 710 mil já arrecadados.

Obstáculo à reforma agrária

Deixando de lado as possíveis maracutaias e ilegalidades desta campanha financeira, o que se nota no país todo é que as entidades ruralistas estão investindo pesado nestas eleições. Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e integrante da coordenação de finanças de José Serra, a senadora teme que uma mudança na correlação de forças no Congresso acelere os debates sobre reforma agrária, proibição do trabalho escravo e infantil, defesa ambiental, entre outros itens satanizados pelos demos. Daí o forte empenho para ampliar a bancada do latifúndio.

O jornalista Mauro Zanatta, em reportagem do jornal Valor de 14 de setembro, observa que a “bancada ruralista deve crescer de tamanho e ter ainda mais peso nas decisões da Câmara e do Senado... O núcleo mais ativo do ruralismo na Câmara, composto por 30 deputados, deve ser quase todo reeleito em outubro e terá reforços influentes para compor uma frente suprapartidária estimada em 100 parlamentares. No Senado Federal, alguns ex-governadores ajudarão a dobrar o tamanho de um dos maiores grupos de pressão em ação no Congresso”.

A pauta prioritária dos latifundiários

Apesar do barulho e do atraso que representa, a bancada ruralista conta hoje com cerca de 80 deputados e 15 senadores. Para ampliá-la, as campanhas estão sendo “vitaminadas por doações de empresas e associações corporativas do setor rural”, relata a matéria. Na pauta dos ruralistas estão, ainda de acordo com a reportagem, “a alteração do Código Florestal Brasileiro, a revisão dos índices de produtividade usados na reforma agrária e a renegociação das dívidas rurais”.

O cientista político Edélcio Vigna, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), avalia que a bancada deve crescer na próxima legislatura, o que dificultará avanços nos campo. “Os ruralistas avançaram muito durante o governo Lula. Barraram a revisão dos índices da reforma agrária e a votação da PEC do trabalho escravo, e liberaram os transgênicos”, observa. No mesmo rumo, o diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, também projeta que “os ruralistas virão mais fortes, com reeleições e caras novas”.

Elites não subestimam as eleições

Esta perspectiva sombria confirma que as classes dominantes, incluindo seu setor mais atrasado e reacionário, não subestimam as eleições. Os ruralistas estão investindo pesado nesta disputa. E os movimentos sociais do campo? Será que os que lutam pela reforma agrária não têm o que fazer no parlamento? Não seria mais correto combinar as lutas sociais e institucionais, visando avançar nas suas conquistas? A carência de parlamentares comprometidos, de fato, com os explorados do campo e com a luta pela reforma agrária indica a urgência de se repensar tais questões.

DINOSAUR JR. SE APRESENTOU NO BRASIL


Para alegria de Messias G.B. e outros alternativos baianos, Dinosaur Jr. conseguiu se apresentar na capital baiana.

Dinosaur Jr. é uma das grandes bandas de noisy rock do mundo. Surgido nos anos 80, é contemporâneo do Sonic Youth e o grupo tem também influência de Neil Young. Também é famoso por uma versão hilária de "Show Me The Way", do grande Peter Frampton, mas numa releitura caoticamente "preguiçosa".

Atenção, marias-coitadas: eu gosto do Dinosaur Jr.. Apesar do "sobrenome" parecido, não há o menor parentesco entre o grupo e o pai do Fiuk. Portanto, qualquer hipótese de eu ao menos sair com uma maria-coitada está descartada. Dinosaur Jr. é puro barulho, mas com um forte recheio de melodias.

E também gosto do Sebadoh, banda na qual o baixista do Dinosaur Jr., Lou Barlow, é também vocalista, e também segue a boa linha do noisy rock melodioso que até Bob Mould, ex-Hüsker Dü, adora fazer.

O grupo veio ao Brasil por conta da boa produção do festival independente No Ar Coquetel Molotov que, por sorte, abriu também edição em Salvador, local muito difícil para boas apresentações musicais, seja por causa do violento lobby da axé-music, seja pela mentalidade míope de boa parte dos produtores culturais de lá.

O amigo Messias Guimarães Bandeira, o Messias GB do brincando de deus (nome com minúsculas, mesmo) que é a identidade secreta do professor universitário especializado em cibercultura, deve ter adorado, e muito, a notícia. Creio que ele deve ter aparecido para vibrar na plateia ao som da banda do Estado de Massachusetts, EUA.

Não chega a ser curioso Dinosaur Jr. ter tocado em Salvador. J Mascis (isso mesmo, apenas a letra "J", sem ponto), guitarrista e cantor do grupo (em outras ocasiões ele atuou como multiinstrumentista), é considerado "muito frio" para ser um astro pop. Suas performances no palco são, digamos, econômicas. Em várias apresentações, ele se limita a dizer "muito obrigado" (thank you).

Mas isso é muito positivo porque o grupo apresenta o prato principal, que é a música. Afinal, em Salvador, os jovens alternativos sentem repugnância pelos astros da axé-music que fazem apresentações superproduzidas, com milhares de dançarinos, com muita palavra de ordem (repararam que, na axé-music, quase toda música, antes do refrão, vem com uma palavra de ordem tipo "quero ouvir" ou "comigo"), e no porno-pagode os tolos cantores com suas vozes de pato ficam enrolando a plateia com coisas tipo "cê tá de camisa?", "os meninos vão de banda, as meninas vão de bandinha".

Com J Mascis não tem essa frescura. O grupo toca suas músicas, e pronto. Como o grupo fez em Recife, Salvador e ontem em São Paulo, cidade que terá sua última chance para ver o trio (o Dinosaur Jr. ainda tem Murph na bateria) na noite de hoje. Anteontem, no Espaço Mais Soma, na Vila Madalena, em São Paulo, Lou Barlow fez uma apresentação acústica, e no repertório ele incluiu várias canções do Sebadoh, além de composições da carreira solo.

Dinosaur Jr. fez uma apresentação de repertório pequeno, num evento frequentado por skatistas (skate é um dos esportes favoritos de J Mascis), mas que realmente expressa interação entre grupo e plateia, uma interação que não se faz com pretensas palavras de ordem ou conversa mole, mas que de fato se realiza pelo canal comunicativo que envolve artistas e público: a música, que flui naturalmente, mesmo diante de amplificadores barulhentos e guitarras distorcidas.

Dinosaur Jr. havia voltado à estrada há cinco anos, depois de ter encerrado suas atividades em 1997.

A HERANÇA CAFONA DO PODER DA GRANDE MÍDIA



A velha mídia dominante naufraga, e por isso quer livrar parte do seu peso para outros barcos.

A herança cultural da mídia golpista, coronelista, latifundiária, cúmplice do imperialismo, tem que ser transmitida, para garantir a fortuna de seus barões.

A cafonice dominante, tão defendida por coronéis do latifúndio, especuladores, oligarcas, aristocratas, barões da grande mídia, ditadores, já corria o risco de desaparecer do gosto e dos referenciais das populações pobres.

Daí que veio aquela história digna da Carochinha, de que a cafonice e a mediocridade cultural são "vítimas de preconceito" e "boicotadas" pela mídia.

Como boicotadas, se aparecem na Globo, na Folha, na Contigo, a grande mídia, a mais poderosa, a mais rica, dá todos os seus microfones para ídolos bregas e neo-bregas?

A intelectualidade etnocêntrica, com seu discurso complicado mas temperado com açúcar, aplaudida pelas focas de circo que não entendem bulhufas do que leem, acaba agindo mais contra do que a favor das populações pobres.

Acabam dizendo que o povo é "melhor" naquilo que é ruim deles.

A ideologia brega, que condenou o povo ao subemprego, ao alcoolismo, à prostituição, à subordinação social, se perpetua através desse discurso intelectualóide, que, apesar de se dizer do lado do povo, age contra ele.

Tem medo de que a cultura de verdade refloresça nas favelas, roças e sertões.

Amarram uma "MPB de classe média" nas trilhas de novela e colocam seus artistas como coadjuvantes ou figurantes do circo brega-popularesco só para dizer que "ainda dão espaço para a MPB de qualidade", que "não a discriminam".

Mas é a mesma MPB pasteurizada que essa intelectualidade fala mal. E que hoje vive sob a camisa-de-força das trilhas de novelas da Globo.

O grande medo da mídia e seus asseclas de ver essa cultura de cabresto naufragar, depois de gerar um mercado milionário, é muito grande.

Talvez até na surdina a grande mídia financie esses intelectuais e vá para a imprensa de esquerda enganar o povo.

Afinal, essa intelectualidade etnocêntrica muitas vezes é usada como moeda de troca para a DINAP, do Grupo Abril, distribuir os jornais esquerdistas, ou para o UOL, do Grupo Abril e Grupo Folha, hospedarem os sites desta mesma imprensa.

O resto fica por conta das paçocas com sabor de jabá.

Que vendem como "vanguarda" hoje o que vai aparecer tranquilamente no Domingão do Faustão.

E, aparecendo no Domingão do Faustão, chegam sakamotos, patolinos e outros lunáticos dizer que os ídolos brega-popularescos foram lá para destruir a grande mídia.

Tese que não faz o menor sentido, tamanha a felicidade dos ídolos brega-popularescos em visitar o Faustão.

Nos últimos oito anos, sem o apoio tucano no Planalto Central, a ideologia brega-popularesca teve que vender a falsa ideia de "verdadeira cultura popular" para sobreviver.

Tenta justificar o rótulo pela ação dos lotadores de plateias. A "verdadeira cultura" não é mais a que produz conhecimento nem valores sociais, mas aquela que lota plateias com muita rapidez e facilidade.

Quanta mentira, quanta lorota.

Mas a intelectualidade etnocêntrica adota um discurso macio. Como lobos em peles de cordeiros, falam até que o "mau gosto" do pobre tem que levar consideração, numa visão claramente elitista e paternalista, mas docilmente transmitida. Daí os aplausos.

Para a intelectualidade, o povo não presta e seu valor reside nisso. O povo é bom quando dança o "rebolation", quando vai para o clube noturno da periferia consumir os "sucessos do povão". Quando o povo pobre faz passeatas ou fecha rodovias, aí que o povo é abominável.

Sem sabermos, a intelectualidade impõe ao povo pobre a manutenção do papel subordinado, subserviente. Chega de novos Ataulfos, Gonzagões, Marinês. O povo pobre agora só pode brincar de pop norte-americano.

Agora só pode brincar de Michael Jackson, de Beyoncé, de caubói, de detetive, não tem o que comer, mas pode vestir roupas espalhafatosas. Não tem o que dizer, porque não sabe, não recebeu educação. Por isso a grande mídia lhe dá o microfone.

O povo pobre não pode mais criar sambas nem baiões, porque estes agora só podem ser criados em oficinas das escolas de música e dos conservatórios.

O povo pobre não pode produzir conhecimento. Só precisa se arrumar para aparecer bonzinho no Domingão do Faustão. E que se vire nos trinta segundos que lhe deem 15 minutos de fama.

A velha mídia fica grata aos intelectuais etnocêntricos. Estes, que fingem que não gostam da grande mídia, mas lá estão eles assistindo ao Faustão e ao Luciano Huck bem felizes.

Tudo para dizer que os "sucessos do povão" que lá aparecem "não estão" na grande mídia.

Cegos, querem que compartilhemos com sua cegueira, como se fosse a maior lucidez.

Essa intelectualidade só viu a periferia em documentários estrangeiros transmitidos pela TV paga, e escrevem para agradar ao porteiro do prédio, à faxineira, à empregada. Mas que, no fundo, tenta tratar eles como tolos, por não compartilharem da cegueira tecnocrática deles.

Essa intelectualidade acaba sendo herdeira da grande mídia, na divulgação da cafonice dominante.

Afinal, intelectual e elitista da cultura, Otávio Frias Filho, sócio do Instituto Millenium, barão da grande mídia, está por trás dessa pregação que pedros sanches, ronaldos lemos, rodrigos faours, miltons mouras, sakamotos, patolinos, que, dentro de uma retórica intelectualóide, quer reafirmar o império dos "sucessos do povão".

Tudo para manter o povo pobre sempre à margem do grande debate nacional em torno das questões da mídia e da política nacionais.