terça-feira, 28 de setembro de 2010

BOAZUDAS EM NOITADAS: ATÉ QUANDO VAMOS AGUENTAR ISSO?



Dá uma grande diferença entre famosos que vão para eventos noturnos mas que se envolvem em outras atividades e, quando dão entrevistas, não falam tão somente de si mesmos nem de sua "galera" e nem de frivolidades fúteis, e pessoas que só vão para eventos noturnos, só falam de si mesmos e de sua "galera" e só falam de frivolidades fúteis.

O grande problema está sobretudo no circo do entretenimento movido pela mídia popularesca - tão ou mais perversa que a mídia política, porque entretenimento também é política, por envolver a sociedade em que vivemos - , sobretudo pela obsessão de noitadas, de praia e do puro culto ao corpo que as boazudas, sejam elas mulheres-frutas, ex-BBB's, paniquetes, dançarinas de porno-pagode e tudo o mais, se limitam a desempenhar.

Aparentemente, elas nada fazem de mais irem às noitadas. O problema é que elas desempenham um papel político nisso tudo. Poderiam muito bem ir às boates no mais puro ostracismo. Mas exibem, ostentam suas noitadas, por pura vaidade. Aí está o grave problema.

As boazudas querem se impor como os modelos a serem seguidos pelas mulheres brasileiras. Ou, quando muito, criar uma polarização com as mulheres-coitadas, estas mais caseiras, mais recatadas e fisicamente menos apelativas.

Pois, de um lado, estão as boazudas que exibem seus corpos "turbinados" nas noitadas, trabalhando uma forma grotesca de sensualidade e desempenhando um estilo cafona de curtição e glamour, e, de outro, estão as marias-coitadas no lar, ouvindo música brega-popularesca, rezando até para não desmanchar o esmalte nas unhas, num culto exagerado de pieguice voltada sobretudo para cantores-galãs do brega, ou mesmo para mauricinhos "sertanejos" com chapéu de caubói ou mulatos sambregas com cabelos falsamente louros.

De um lado, as boazudas impõem a "afirmação feminina" pela exploração do corpo e do espetáculo mercantil das noitadas, vaquejadas, "bailes funk", micaretas etc. De outro, as marias-coitadas impõem o moralismo intimidador da pieguice extrema, da religiosidade exagerada, da personalidade infantilizada, da escravidão do lar.

As boazudas e as marias-coitadas, no entanto, são igualmente servis ao machismo eletrônico da mídia golpista. As primeiras, escravas dos recreios sexuais dos machistas, as segundas escravas do trabalho doméstico e da proteção espiritual das religiões.

Ambas atendem apenas aos desejos e necessidades básicas dos machistas, não passando de mulheres coisificadas, que em nenhum momento podem ser consideradas feministas, mesmo no contexto atual em que elas podem ter empregos próprios. Porque têm sua própria renda e, em certos casos, nem maridos ou namorados possuem, mas são incapazes de pensar a vida de forma crítica e espontânea.

A realidade que essas mulheres compreendem é através do filtro da imprensa populista, da mídia de celebridades. Revistas sobre famosos e granfinos, jornais policialescos em suas sessões "culturais", sites e revistas de fofocas, toda essa mídia, cujo poder manipulador é subestimado por nossos críticos da grande mídia, condiciona as mulheres das classes populares ou mesmo da classe média a optar por esses dois papéis impostos pelo machismo, ou então seguir até o híbrido papel das mulheres-bobeiras.

As mulheres-bobeiras, ou marias-bobeiras, são aquelas que se inclinam ao exibicionismo corporal das boazudas, mas ao celibato viciado e masoquista das marias-coitadas. Recusam até sósias de Eduardo Guedes e Rodrigo Faro, que tenham fazendas, empresas, tudo, que as peçam em casamento nas festas de vaquejadas, agronegócio etc. São traiçoeiras como as boazudas, mas adotam também a pieguice das marias-coitadas.

A mídia golpista, com tudo isso, tenta minimizar os efeitos da transformação social das mulheres pelas conquistas trazidas pelo feminismo. Se não pode impedir as mulheres de se ingressarem no mercado de trabalho, que dificulte sua emancipação social através da manutenção de valores originários do machismo.

Até quando as "atraentes" boazudas e as "românticas" marias-coitadas serão vendidas pela grande mídia como "modelo" para as classes populares não se sabe. A mídia golpista, quando quer empurrar seus valores, não vê limites. E a gente tem que aguentar esse espetáculo do vazio, que vai contra as necessidades naturais das mulheres de nosso país.

A DEFESA DO BREGA-POPULARESCO SÓ TEM UM PROPÓSITO



A defesa da intelectualidade etnocêntrica, não só da hegemonia da música brega-popularesca e de seus valores associados da domesticação do povo pobre, como da sua inclusão no panteão da Música Popular Brasileira, não tem outro propósito.

Seu propósito é de reservar, no salão das elites, um canto para a expressão do "mau gosto" no espetáculo chique da alta sociedade.

O que, em outras palavras, significa, para essa intelectualidade, reservar um cantinho de fezes de cachorro no salão do apartamento da madame.

GRANDE MÍDIA AINDA QUER CONTROLE SOCIAL PELO BREGA-POPULARESCO


PARANGOLÉ NO DOMINGÃO DO FAUSTÃO - O controle social da grande mídia através da domesticação do povo pobre.

A mídia golpista quer controlar a cultura do povo pobre.

Mas com o tiroteio político-midiático do momento, fica difícil manter a trilha sonora brega-popularesca.

A mídia grande continua divulgando, mas reduziu a frequência.

Os observadores estão mais atentos. A coisa vai ficar visada.

O desejo dos ídolos brega-popularescos em ingressar na MPB, sem esforço nem mérito, está cada vez mais distante.

O crescimento sócio-econômico do Brasil requer a volta da cultura de verdade.

Mas aí será demais para a mídia golpista: a volta de CPC's, o apareciemento de novos Ataulfos, Cartolas, Joões do Vale, Sidneys Millers, Sérgios Ricardos, Elzas Soares...

Já basta que eles têm que engolir a crise demotucana.

E o mercado milionário do brega-popularesco pode perder muito dinheiro.

Latifundiários envolvidos terão até que vender suas casas noturnas, porque perder terras eles não querem mesmo.

O empresariado do espetáculo também não quer abrir mão do poder econômico.

E os ídolos lotadores de plateias? Num dia lotando vaquejadas, micaretas, "bailes funk", "aparelhagens", feiras de agropecuária, noutro vão para o ostracismo! A mediocridade cultivada há décadas, reduzida a pó! Os poderosos não querem!!

E o povo poderá crescer se for recuperada a cultura popular de verdade.

Uma cultura que não se define por lotadores de plateias nem pelo império do mau gosto, mas uma cultura que produz conhecimentos, valores sociais e não trata o povo como uma multidão domesticada e abobalhada.

Isso poderá ser um perigo para os donos do poder.

Vem aí o curso de MPB nas escolas públicas.

E agora? Favelado tocando como Jacob do Bandolim, favelada cantando como Sílvia Telles...

É demais para o baronato da grande mídia e para a aristocracia do entretenimento.

Por isso, paguem-se intelectuais para apoiar a ditabranda do mau gosto.

Com seus discursos rebuscados, escalafobéticos, mas sentimentais o suficiente para atrair suas focas de circo a aplaudir felizes sem saber por quê.

O temor de que a verdadeira cultura popular - a verdadeira, não a "verdadeira cultura popular" dos meros lotadores de plateias - volte a dominar no gosto das populações pobres faz com que o circo golpista do entretenimento não meça esforços para manter seus interesses.

Porque o que está em jogo para a direita é evitar que o povo pobre se fortaleça culturalmente e substitua os "sucessos do povão" e sua "cultura do cabresto e do consumo" por expressões mais dignas, mais relevantes.

Mas mal sabem que associar o mau gosto às classes populares é um grave preconceito contra o povo.

Mal sabem que terão que ceder um dia, até porque a "cultura" brega-popularesca sempre floresceu em períodos políticos conservadores.

Agora que a política conservadora começa a entrar em declínio, sua trilha sonora cai junto.

É o que os poderosos não querem. Mas é o que eles terão que aceitar.

Afinal, a busca de qualidade de vida também significa a busca da superação das camisas-de-força culturais impostas pelos detentores do poder político e econômico.

Qualidade de vida do povo significa superar sua imagem de "idiota", superar toda a "cultura" do mau gosto, superar sua situação grotesca, patética, domesticada, subordinada.

A melhoria cultural do povo assusta as elites. E muito. Por isso as elites ainda querem o controle social do brega-popularesco. Cabe reagirmos para acabar com isso.