quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SEM SER JOVEM GUARDA, BREGA-POPULARESCO FAZIA REVIVAL NÃO-ASSUMIDO



Os ídolos da música brega-popularesca que se tornaram sucesso nos anos 90 e uns por volta de 2002-2007, sem que tenham caído no ostracismo ou no esquecimento, nos últimos anos haviam se concentrado em materiais revisionistas.

Sem serem como os ídolos da Jovem Guarda, que viram o movimento ser dissolvido em 1968 e relembrado em revivais, tributos e regravações, os ídolos popularescos, mesmo permanecendo no mainstream do entretenimento midiático, eles apelam para o mesmo recurso revivalista, com o desejo mal-disfarçado de voltar aos surtos popularescos das épocas de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.

Isso começou na axé-music, quando, no final dos anos 90, uma sucessão de discos "ao vivo" - na verdade, com muitos overdubs de estúdio - causou muita estranheza. Houve até cantores e grupos cujos álbuns de estreia eram os tais "discos ao vivo", e de repente ficou comum os anúncios de apresentações desses ídolos, seja em Porto Alegre, Belo Horizonte, Santos ou qualquer Cabrobró de Pirijipe da vida, para gravação de CD ou DVD ao vivo.

E isso se estendeu para outras tendências do brega-popularesco. Virou uma praga revisionista de estilos que nem saíram do establishment, mas que apelam para um saudosismo de algo que não é ainda passado.

É uma grande malandragem. Um mesmo medalhão do brega-popularesco, que vende na grande mídia a falsa imagem de "grande criador da música brasileira" - algo comparável ao de chamar José Serra de "grande estadista" - , embalagem luxuosa que não passa de invólucro para promover a reputação de meros lotadores de plateias, acaba usando os CDs e DVDs ao vivo como recurso para se perpetuar na mídia sem muito esforço, mas mantendo o estrelato e até mesmo a legião de talifãs nesse Abreganistão que insiste em não desistir.

Um ídolo brega-popularesco que, até algumas semanas atrás, aparecia toda semana no Domingão do Faustão, geralmente lançava um grande sucesso radiofônico e cerca de três ou quatro vice-sucessos nas rádios de todo o país, num prazo de três a cinco anos. Pode ser um cantor ou grupo de "pagode mauricinho" um cantor ou dupla de "música sertaneja", um ídolo da axé-music ou do chamado "forró eletrônico" (ou forró-brega, oxente-music ou forró-calcinha). Ou um cantor de funk melody, ou um cantor de brega romântico pretensamente "sofisticado".

Passados esse prazo de três a cinco anos, o cantor, cantora, dupla ou grupo vive na síndrome do "quinto LP", prometendo "sofisticação", garantindo a (suposta) entrada no primeiro time da MPB, alegando "estar maduro" para investir numa "música de qualidade", sem os "excessos" dos discos anteriores.

Excessos? Se esses "excessos" é que garantiram os milhões de discos vendidos de fulano, sicrana e beltranos, se é essa cafonice que permitiu o ingresso deles nas rádios de todo o país e fez lotar plateias em vaquejadas, micaretas, rodeios, feiras de agropecuária ou em apresentações em casas noturnas de subúrbios, como é que esses ídolos vão dizer agora que "não cometerão excessos" e agora "passaram a fazer MPB"?

Em primeiro lugar, eles nem de longe atingiram o primeiro time, nem o segundo, nem o enésimo, muito menos a ala de gandulas da Música Popular Brasileira. Até porque seus "quintos LPs", ou seja, os quintos CDs de suas carreiras, não diferem muito dos "excessos" dos discos anteriores. Apenas há diferenças técnicas: melhor produção, melhor mixagem, melhor aparelhagem de som, melhor visual, etc.

A "dupla sertaneja", por exemplo, entra no "quinto LP" não mais com aquele visual de capataz com mullets e roupas desbotadas, em capas insossas com fundo branco e o nome da dupla com um tipo de fonte gráfica qualquer. No "quinto LP", ela reaparece num fundo mais estilizado, vestindo roupas de grife, com um logotipo mais elaborado, como se fazia na fase pasteurizada da MPB, do final dos anos 70 a idos dos anos 80.

Mas o repertório é a mesma breguice de sempre, apenas camuflando o péssimo repertório autoral com mixagens e instrumentos melhores. E, além disso, há os covers de MPB, para tentar uma aproximação para plateias qualificadas, e covers de música brega, para se apoiar num referencial mais antigo.

A "brincadeira de MPB" acabou dando certo. Tanto para os ídolos popularescos quanto para a indústria fonográfica. Os cantores da MPB autêntica, por sua vez, descontentes com as pressões que sofriam das gravadoras, saíram delas e foram para selos independentes (mesmo) como Biscoito Fino e Trama, exílios da verdadeira música brasileira de qualidade.

As gravadoras, sem ter um cantor de MPB para ditar suas normas, encontrou nos ídolos neo-bregas (os tais intérpretes de "sertanejo", "pagode romântico" e "música baiana"), sempre servis aos ditames do mercado, as pessoas certas para figurarem uma pseudo-MPB desenvolvida pelos executivos da indústria fonográfica e da grande mídia.

Já os ídolos do brega-popularesco acharam isso ótimo porque assim poderiam atingir, numa natural expansão capitalista, uma demanda mais qualificada, de poder aquisitivo maior. Sobretudo gravando covers que, dependendo do caso, ilustram o oportunismo de cada estilo neo-brega.

Dessa forma, os breganejos (a dita "música sertaneja") apelam para gravar covers de Clube da Esquina, na tentativa de serem associados à mesma poesia bucólica e fraternal dos mineiros. Por razões óbvias, apelam para gravar também clássicos da música caipira original, usando do mesmo raciocínio dos produtos piratas que querem parecer com os produtos originais copiados.

Os ídolos de sambrega (o pagode-mauricinho) apelam para gravar covers de Djavan, na tentativa de se associarem à poesia urbana do cantor alagoano, e, por motivos evidentes, gravam também clássicos do samba autêntico, com o mesmo intuito dos breganejos que gravam o cancioneiro caipira original. E também embarcam em Wilson Simonal, por exemplo, na busca de vincular-se ao estilo pessoal do ídolo brasileiro dos anos 60. E há também a carona que tanto breganejos quanto sambregas fazem sobre o cancioneiro de Lupicínio Rodrigues.

Já a axé-music, que se apoia numa falsa imagem de "mistura de ritmos", apela para tudo. Um mesmo ídolo da axé-music pode pegar carona num tributo de reggae, num de Bossa Nova, num de Rock Brasil, num de música caipira, num de festa junina, num de Clube da Esquina, porque seu oportunismo camaleônico o impele a tais pretensões.

Pegando gosto no oportunismo, os medalhões brega-popularescos acabam por gravar sucessivos discos ao vivo, mesmo quando continuam gravando discos de carreira - que no entanto não são mais do que álbuns rotineiros, sem grandes sucessos, feitos só para dizer que "ainda existem" - , como forma de publicidade ante o grande público.

Por isso, os discos revisionistas acabam sendo o carro-chefe de suas carreiras, e tudo o que eles acabam fazendo é discos com covers, duetos, regravações dos antigos sucessos, na incapacidade de produzir novos sucessos, porque até as músicas novas que gravam são apenas pálidas lembranças dos antigos sucessos. Seus fãs podem negar veementemente, afinal até o espirro de seus ídolos é "sucesso absoluto", mas a fragilidade artística deles - que chamamos de mediocridade - mostra que o tempo deles passou e ninguém percebeu.

No entanto, eles insistem. Enquanto passam a falsa imagem de "grandes criadores da nossa música", de preferência em especiais musicais da TV aberta, ou no tratamento VIP com que são divulgados pela imprensa - a Caras, por exemplo, não cansou de anunciar apresentação de cantor de sambrega em Florianópolis, de dupla breganeja em Florianópolis (puxa, logo na minha terra natal? Ninguém merece!) - , e tapeiam o grande público com discos de regravações lançados enquanto eles se ostentam na grande mídia como super-celebridades, seja dizendo bobagens na imprensa, seja aparecendo em jantares da alta sociedade ou mostrando casarões em Caras e Hola Brasil.

Gravam discos revisionistas como se não passassem de meros crooners amadores. E disfarçam tudo isso com aparições constantes na grande mídia que agora tenta evitá-los. Afinal, a grande mídia vive em guerra com os simpatizantes da candidatura petista de Dilma Rousseff, e o baronato midiático sabe que um Brasil reformista pode ofuscar mais uma vez a música brega-popularesca, daí a tentativa de desvincular os brega-popularescos ao contexto político-midiático conservador que o originou e o fez crescer e aparecer.

Mas isso só faz igualar aqueles cantores e grupos de sambrega, aqueles cantores e duplas de breganejo e aqueles cantores e grupos de axé-music, além de outros estilos brega-popularescos ("funk", forró-brega, tecnobrega, arrocha, tchê-music, "brega de raiz" etc) à mesma decadência sofrida pelo candidato tucano José Serra.

Brega-popularescos e demotucanos tentam se evitar, como alguém que tem medo de se olhar no espelho. Todos viviam felizes e juntos na Era FHC, tal qual um casal harmonioso e dotado da mais completa felicidade.

Mas hoje a música brega-popularesca está com medo da grande mídia, talvez de sua associação que, num contexto conflitivo como o de hoje, faça os breganejos, sambregas, funqueiros e axézeiros e outros bregas e neo-bregas sejam jogados na mesma vala que José Serra, Índio da Costa, Arthur Vigílio e outros.

No máximo, os brega-popularescos têm que se preparar para um semi-ostracismo estratégico, divulgados apenas pelas redes de lojas de varejo e atacado, pelos grandes supermercados, pelas rádios FM que encabeçam o Ibope, ou até mesmo pelos comerciais de temperos alimentícios, remédios para dor de cabeça ou outros. Até que tentem uma volta à mídia como o choroso Michael Sullivan, o maestro da Música do PiG Brasileira, tenta hoje.

Só que a opinião pública se evolui a cada dia. Se Michael Sullivan hoje não convence com sua falsa imagem de injustiçado, também não convencerão os medalhões do brega-popularesco no futuro vindouro, porque essa lorota de "vítimas de preconceito" já está cansando a paciência até de budista.

CRIADOR DE VISUAL PARA ÔNIBUS DE BH REPROVA UNIFORMIZAÇÃO VISUAL





Armando Villela, profissional que está por trás da Villela Design e um dos grandes designers de pinturas nos ônibus, até realizou trabalhos para sistemas de ônibus que operam com visual padronizado, como os da Grande Belo Horizonte e Grande Vitória, discorda dessa medida.

Ele acha desvantajosa a medida, porque reduz o número de clientes para seu trabalho, e, quando trabalhou para as citadas regiões, procurou fazer um visual mais chamativo para os passageiros. No entanto, ele prefere a diversificação visual dos ônibus.

Cabe aqui reproduzirmos uma mensagem que ele escreveu no fórum do fotolog Ônibus Expresso, hospedado pelo Fotopages:

"Gostaria de comentar sobre o projeto do Rio, porque nem mesmo sei ainda quem o criou. Para falar a verdade, achei que isso não sairia do papel.

Não quero falar com relação ao fato de se ter ou não um projeto padronizado em uma cidade. Várias cidades estão adotando esse padrão, e para mim, que sou designer, financeiramente é ruim porque perco vários clientes.

Sobre o projeto, acho que o Rio de Janeiro perdeu a grande oportunidade de adotar um projeto com a cara da cidade: alegre. Na minha opinião, um projeto padronizado não pode transformar os ônibus em um mero meio de transporte. Pelo grande volume de veículos concentrados em vários pontos, esse projeto tem que alegrar a cidade, tem que fazer parte de um contexto. E nesse caso do Rio nem mesmo somente um elemento gráfico foi usado para isso. Qualquer um que fosse. Somente como referência, o projeto da Expresso Rio de Janeiro, do meu amigo Álvaro Gonzalez, representaria mais a cidade nesse aspecto.

Acho que com o projeto dos Metropolitanos de Belo Horizonte conseguimos fazer com que os veículos chamassem a atenção. O visual faz parte da cidade, e alegra o visual. Sei que vários de vocês não gostam dos 2 projetos de Vitória (Transcol e Seletivo), mas não têm como discordar de que eles têm vida. Os ônibus têm um visual dinâmico, fazendo com que não sejam apenas mais um no ponto.

Imagino que várias pessoas discordarão de mim, mas nesse ponto acho que o Rio de Janeiro, como a grande cidade turística que é, foco internacional, perdeu uma grande oportunidade de ousar nesse novo projeto."