segunda-feira, 20 de setembro de 2010

OTÁVIO FRIAS FILHO: SAUDADES DE PEDRO ALEXANDRE SANCHES NA FOLHA








Grandes tempos, em que um crítico musical que defende o brega-popularesco não fingia ser bolchevique. Escrevia sobre tudo isso dentro do espaço merecido, a mídia golpista.

Vale lembrar que até hoje a Folha de São Paulo dá o maior apoio ao tecnobrega. Apoio até demais para um estilo que certos lunáticos pensam ainda estar fora da grande mídia.

Acima vemos Otávio Frias Filho e seu precioso recado ao seu eterno pupilo, Pedro Alexandre Sanches, que deveria reconhecer no chefão da Folha seu verdadeiro caro amigo.

DOMÉSTICAS MELHORAM PERFIL SOCIAL



Pesquisa do IBGE mostra que as condições de vida e a busca por melhorias das domésticas no Brasil é uma realidade. Em cinco anos, o número de empregadas domésticas com carteiras assinadas aumentou 20%. Além disso, o ganho salarial melhorou consideravelmente - várias domésticas ganham até R$ 15 mil e há diaristas que cobram R$ 100 por dia - e a melhoria social lhes dá condição para estudar na faculdade e até mesmo pensar em montar negócios.

Com isso, aquele perfil inferiorizado da doméstica, resultante das condições de vida que elas eram obrigadas a suportar numa época de desigualdades sociais gritantes, já dá sinais de declínio. O que mostra um dado positivo, uma realidade que antes não era cogitável e que, em boa parte das mulheres, se torna concreta e efetiva. Sem dúvida, uma grande conquista para a sociedade em geral e para as mulheres trabalhadoras em especial.

Agora é torcer para que as domésticas superem também o estigma ligado à breguice e voltem aos parâmetros de 1960, quando as empregadas domésticas do Brasil tinham um gosto musical de primeira, apreciando não só o mais autêntico samba e o mais genuíno baião, mas também maracatu, maxixe e outros ritmos musicais, e elas curtiam até mesmo o jazz estrangeiro, então no auge de sua sofisticação artística.

GRANDE MÍDIA NÃO QUER RECUPERAÇÃO DA CULTURA POPULAR


EGBERTO GISMONTI E ORQUESTRA PRÓ-ARTE - Aplausos sinceros que a mídia golpista e a intelectualidade etnocêntrica não suportam ouvir.

A grande mídia estragou a cultura popular. Nos últimos anos, criou uma falsa "cultura popular", que não produz conhecimento, que não transmite valores sociais sólidos, que nunca passa de um mero criadouro de fetiches, cujo valor está apenas no sucesso financeiro e quantitativo.

A suposta "verdadeira cultura popular", denominação que tem um quê de jocosa diante de nosso natural repúdio ao brega-popularesco, quer se prevalecer numa campanha sórdida, mas docemente tramada, por intelectualóides que estabelecem um texto ora confuso, ora apelativo, e que têm a cara-de-pau de dizer que são textos "científicos" ou "sensatos".

Que sensatez estranha é essa que reafirma toda essa pseudo-cultura transmitida pela mídia golpista? Que não contesta coisa alguma, que apenas reafirma o status quo da suposta "cultura popular" veiculada pela TV aberta, pela imprensa populista e pelas rádios FM? Que validade tem essa atitude de promover a retaguarda cultural brasileira como se vanguarda fosse?

Essa intelectualidade "vanguardista", de Paulo César Araújo a Pedro Alexandre Sanches, de Milton Moura a Ronaldo Lemos, de cientistas sociais frustrados, blogueiros provocadores e críticos musicais pretensiosos, faz muito mais o jogo da direita do que até mesmo o mais raivoso cronista político de Veja.

Mas enquanto os leões feridos são tratados como cachorros mortos, as hienas do entretenimento dão sua mordida voraz na opinião pública. Certos "caros amigos" desconhecem, mas as engraçadas hienas também mordem. Tanto quanto qualquer outro animal selvagem.

Recentemente, vemos a grande mídia e o brega-popularesco tentarem se desvencilhar, porque, apesar de uma e outra terem nutrido um amor de mãe e filho durante décadas, hoje se evitam, como a adolescente que, ao dar a luz ao bebê indesejado, o joga na lata de lixo mais próxima e vai embora.

Diante da repercussão violenta que o reacionarismo da grande mídia sofre, a ponto de José Serra, o candidato da mídia golpista, perder a cabeça numa entrevista a uma rede de TV que não está no olimpo midiático, o brega-popularesco está totalmente transtornado feito fera acuada.

Até os medalhões do brega-popularesco, de repente, tiveram de dar um tempinho nas visitas dominicais em rede nacional ao apresentador Fausto Silva, apelando pela saída de emergência dos comerciais de temperos, remédios e cosméticos, das execuções de seus superproduzidos DVDs e CDs nas Lojas Americanas e nas execuções nas rádios FM de todo o país.

Com o circo pegando fogo, os palhaços deixaram de fazer graça, e os ídolos do breganejo, do sambrega e da axé-music (tendências consideradas "sofisticadas" e mais bem sucedidas comercialmente do brega-popularesco). Uma cantora de axé-music hoje apela para eventos no exterior, vendo que como ídolo nacional não conseguia ser levada a sério.

Alarmados de um maior crescimento político das forças progressistas, que traria mais uma vez a cultura de qualidade para o mainstream da mídia, a mídia golpista tenta empurrar como pode o brega-popularesco e seus totens. A franquia do Grupo Abril da rede MTV lançou mão da vulgaridade da Valesca Popozuda e Larissa Riquelme para "ornamentar" (?!) o Video Music Brasil, contrastando com a matriz, que teve até uma das maiores musas da atualidade, a estonteante atriz Ashley Greene.

Tamanho reboliço da mídia golpista faz com que ela apele para o jabaculê intelectual, pagando cientistas sociais e críticos musicais para defenderem o brega-popularesco da maneira que puderem, seja com textos delirantes, seja com desaforos. A milícia talifã, guardiã do Abreganistão que insiste em persistir, rastreia qualquer texto que fale mal dos medalhões brega-popularescos para disparar seus comentários reacionários mal-escritos e raivosos.

É tanta paranóia que os defensores do brega-popularesco também têm que se desvincular da grande mídia, como piratas que fogem de seu navio em chamas para entrarem na embarcação do inimigo.

Dessa forma, Eugênio Raggi, o professor mineiro defensor da música brega, tentou falar mal da Globo, de Collor, Sarney e ACM, com seus textos confusamente longuíssimos, e ainda se infiltrou no portal de Luís Nassif. Não convencendo com sua arrogância esquentadinha, ele logo viu que não seria mais do que um "mala" de pavio curto, Eugênio Raggi teve que voltar atrás e hoje participa de um fórum do portal Globo Esporte para falar de futebol.

Mas também tem o caso de Pedro Alexandre Sanches, cada vez mais aflito nos bastidores, já que o menino de ouro de Otávio Frias Filho começa a ser desmascarado. A revista Caros Amigos ainda não pensou o que fazer com Sanches, mas sem dúvida alguma já começa a haver um certo incômodo com as defesas do crítico folhista ao brega-popularesco, num claro contraste com os textos políticos do periódico da Casa Amarela.

A situação de Pedro Sanches se reflete no fato de que os textos que este blog publica contestando as atividades do jornalista na mídia esquerdista já aparecem a partir da segunda página da busca do Google, quando a palavra-chave é tão somente "Pedro Alexandre Sanches". E, na busca de imagens, já aparecem até mesmo as charges aqui feitas com o demotucanomorista Marcelo Madureira dando possíveis mensagens para o colonista de Caros Amigos.

Também complica cada vez mais a situação de Pedro Alexandre Sanches, cada vez mais convertido a um "José Serra" da crítica musical, na medida em que o estilo que ele mais defende, o tecnobrega - assim como o "funk carioca" por Hermano Vianna - , já aparece livre, leve e solto nas páginas da Folha de São Paulo e na telinha da Rede Globo. Conhecidas pelos caros amigos em geral pelas posturas posições opostas à do periódico da Casa Amarela.

A mídia golpista já provocou seus estragos na cultura popular. Mas aumentam os clamores e os esforços para que a recuperação da cultura brasileira, sobretudo por uma Internet cada vez mais veiculando informações que a grande mídia não veicula, se efetive e expulse do gosto popular a fauna e flora brega-popularesca, a "ditabranda" do mau gosto que a mídia golpista e a intelectualidade (não-assumidamente) associada quer ainda impor.

Décadas de domesticação do povo pobre, ou mesmo da posterior domesticação da classe média ou da farsante "onda universitária" de breganejos, funqueiros, forrozeiros-bregas, arrocheiros e mesmo "bregas de raiz", podem vir por terra abaixo diante do avanço de questionamentos mais aprofundados dos mecanismos do brega-popularesco.

E, a cada dia, embora muitos tapem os ouvidos e olhos, não suportando as denúncias de associação do brega-popularesco à grande mídia - como no caso da associação do "funk carioca" ao mais explícito lobby da Rede Globo, que muitos não queriam admitir, mas cuja repercussão praticamente "queimou o filme" do estilo na opinião pública, obrigando os oportunistas a trocarem o "funk" pelo tecnobrega - , esses questionamentos avançam, e muito.

Isso tira o sono de todos os envolvidos, do produtor do Domingão do Faustão ao discotecário das Lojas Americanas, de Pedro Bial a Pedro Alexandre Sanches, do tecnocrático Gilberto Dimenstein ao tecnocrático Ronaldo Lemos. Todos se revirando de um lado para outro em suas camas, temerosos de que a mediocridade cultural, que movimenta bilhões de reais por ano em todo o Brasil, caia por terra abaixo.

É uma indústria em que várias oligarquias atuam como financiadoras e mentoras num modelo domesticado, apátrido, caricato e estereotipado de "cultura popular", oligarquias que incluem poderosos grupos empresariais, do atacado e do varejo, das casas de espetáculos, dos meios de comunicação nacionais e regionais, dos grupos políticos regionais, dos latifundiários e dos novos-barões do agronegócio, e outros setores do poder político e econômico.

Investigar a atuação dessas oligarquias nessa "cultura popular" que não produz conhecimento, não transmite valores sociais edificantes e tenta justificar a má qualidade com desculpas e ironias, soa muito perigoso. Será demais para as elites do nosso país ver seus ídolos de proveta, há anos vendendo milhões e milhões de CDs, serem jogados ao limbo porque sua música é medíocre e, por mais que se faça sucesso, é insuportável para se ouvir com atenção.

Por isso, mantém-se a mediocridade dominante e o engradado de cerveja e cachaça é servido a preços amigáveis, porque a bebedeira é o combustível exato para a apreciação eficaz da intragável música brega-popularesca. Com uma dose de álcool, a música brega-popularesca desce macio nos ouvidos da rapaziada.

Aliás, o alcoolismo foi uma das atividades pioneiras na popularização da música cafona do Brasil. A origem da música que quer destruir nossa MPB. Mas, para a mídia golpista e sua intelectualidade associada que finge estar dissociada àquela, a prioridade é manter sempre os negócios do empresariado do espetáculo. O espetáculo tem que continuar. A cultura brasileira de verdade que se dane.