domingo, 19 de setembro de 2010

CARTA CAPITAL: AÉCIO DEIXARÁ O PSDB


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Com o agravamento da crise da dupla PSDB/DEM, o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que chegou a ser cogitado para uma dita chapa "puro sangue" do partido tucano, anunciou que vai deixar o PSDB. Carta Capital conta mais detalhes.

CARTA CAPITAL: AÉCIO DEIXARÁ O PSDB

Por Maurício Dias - Carta Capital - Reproduzido do blog do Miro

Não é por estar envolvido de corpo e alma na campanha para eleger seu substituto, Antonio Anastasia, ao governo de Minas Gerais, e muito menos por distração política, que Aécio Neves deixou de se manifestar sobre as recentes denúncias, encampadas por José Serra, para tentar desestabilizar Dilma Rousseff. É um silêncio significativo. Expressivo como um risco de giz. A metáfora, possível de ser imaginada, que separa o território de atuação da oposição mineira e da oposição paulista. Ambas adversárias do governo Lula. Só que a primeira é democrática e a segunda é golpista.

As duas convivem, no PSDB, por um tempo longo demais, considerando as divergências políticas que emergiram mais claramente quando os paulistas cortaram as asas de Aécio pretendente à candidatura à Presidência pelo partido. Foi a gota d'água para um tucano disposto a voar. José Serra, ainda governador, bloqueou as prévias internas que Aécio propunha e forçou o mineiro a abrir espaço para mais uma candidatura paulista. Aos 68 anos, Serra não tem mais tempo para esperar, porque, conforme anunciou no palanque que a revista Veja lhe ofereceu, preparou-se a vida inteira para ser presidente. E, tudo indica, fracassou.

Há duas semanas, em jantar no Rio de Janeiro, o ex-governador Aécio Neves empolgou-se ao falar da necessidade de reformas políticas no Brasil e, para sustentar os argumentos que desenvolvia junto a um grupo restrito de amigos, ele anunciou: "Eu vou sair do PSDB", na casa de um empresário, em Copacabana, cercado de convidados importantes.

O cenário entre ele e os tucanos é de desgaste absoluto, embora no quadro da campanha presidencial cumpra, em Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, o ritual da fidelidade ao candidato do PSDB. Ele arregaça as mangas por Serra, mas o esforço cessa no momento em que a solidariedade partidária pode pôr em risco o projeto que o ex-governador mineiro tem. Assim, a forte reação do eleitor mineiro excluiu a presença de Serra na propaganda de televisão de Antonio Anastasia, que lidera as pesquisas de intenção de voto no estado.

As eleições mineiras sorriem para Aécio. Ele está praticamente eleito para o Senado e o aliado dele, Itamar Franco, pode ficar com a segunda vaga. Mas os mineiros não sorriem na direção de São Paulo. Pesquisa do instituto Vox Populi mostra que apenas 8% do eleitorado, em Minas, votaria em José Serra "por causa de Aécio". Reflexo: pesquisa do Ibope de 13 de setembro aponta Dilma com 31 pontos à frente de Serra.

Não será surpresa a desfiliação de Aécio do partido. O neto de Tancredo Neves caminha firme nessa direção. Só que em silêncio, como convém à tradição mineira da qual é herdeiro. A novidade é ter anunciado agora. Por descuido? Só acreditará nisso quem admitir que político mineiro se descuida com assunto tão melindroso.

Segundo a conversa desenrolada no jantar em Copacabana, Aécio já tem um novo projeto político na cabeça. Não vai buscar abrigo em nenhum outro partido ao abandonar os tucanos. Com a vitória da candidata do PT, quer estabelecer uma oposição democrática, já que o PSDB renegou esse papel ao preferir abraçar o udenismo golpista.

O oposicionista mineiro sempre se afastou disso. Em 2005, manteve distância do episódio do chamado "mensalão" do PT, quando estava no governo de Minas. Atacou o ocorrido. De forma tão incisiva quanto genérica. Reagiu em nome da ética política. Em momento algum, no entanto, apoiou os movimentos subterrâneos que foram iniciados, sem sucesso, para abrir processo de impeachment contra Lula. E mesmo posteriormente, quando Fernando Henrique Cardoso capitaneou o movimento para que o presidente Lula desistisse de disputar a reeleição, Aécio, no governo de Minas, não misturou leite no café amargo que FHC, oposicionista paulista, oferecia.

É bem verdade que a decisão, em 2005, pode ter sido companheira da cautela. Se as lambanças do publicitário mineiro Marcos Valério acertaram em cheio o PT, o mesmo aconteceria, depois, com o senador tucano Eduardo Azeredo, um político com trânsito livre no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Aécio foi atingido apenas por respingos. Ao fim e ao cabo, esse "Valerioduto", que irrigou de dinheiro muitas campanhas eleitorais petistas e tucanas, tem a nascente no território mineiro.

Em 2010, o já então ex-governador de Minas não avaliza o factoide contra a candidatura Dilma, criado a partir da quebra criminosa de sigilos fiscais na Receita Federal. Esquivou-se, também, de fazer coro às acusações contra a ex-ministra Erenice Guerra, da Casa Civil, que novamente tinha como alvo a candidata do PT. Não é de hoje, portanto, que ele evita essa linha de ação. Nesse caminho amadureceu uma decisão que botará em prática em momento mais oportuno após as eleições.

Em 2002, ainda no governo do estado, o tucano Aécio e o petista Fernando Pimentel, prefeito de Belo Horizonte, surpreenderam os respectivos partidos quando anunciaram um acordo em torno da candidatura de Márcio Lacerda, do PSB, para disputar a prefeitura da capital. A aliança, vitoriosa, provocou reações claras no PT e preocupação no PSDB.

O comportamento diferenciado de Aécio, no ninho tucano, o empurrou para o desacordo com os paulistas. É bom lembrar que o mineiro já chegou a pensar vagamente, em 2008, na migração para o PMDB por sugestão do presidente Lula. Não se deixou seduzir pela possibilidade de ser vice de Dilma, como, no futuro, não se encantaria com o convite formal para ser vice de Serra.

Uma possível vitória de Geraldo Alckmin para o governo de São Paulo seria mais uma sinalização a indicar para Aécio a porta de saída. Não haverá outra queda de braço com os paulistas dentro do mesmo partido.

Como sugerem as pesquisas, Aécio sairá turbinado na própria base política dele a partir do pleito de outubro. Ele pode ter uma vitória capaz de adubar o projeto que cultiva. Tancredo, avô de Aécio, tomou decisão semelhante, em 1980, após uma declaração de forte impacto naquela época: "O meu MDB não é o MDB de Arraes". Foi um repúdio à chamada ala "autêntica" do MDB que fazia oposição mais radical à ditadura militar. Reunidos os moderados, Tancredo fundou e presidiu o Partido Popular (PP). A versão atualizada da frase do avô poderia ser adotada assim pelo neto: "O meu PSDB não é o PSDB de Serra". Embora o PSDB dele não seja golpista. Após isso era só bater a porta e sair.

Definida a eleição de 2010, e confirmada a vitória do PT, o ex-governador mineiro já com o título de senador se tornará naturalmente o líder político dos moderados. E igualmente natural será o fato de se tornar o primeiro candidato de oposição à eleição de 2014. A partir da criação de nova legenda a tarefa será a de fisgar correligionários e costurar alianças. Há um amplo horizonte de especulações possíveis. Na mira dele está uma parte do PSB representada por Ciro Gomes, pelo prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda e, quem sabe, Cid Gomes, praticamente reeleito ao governo do Ceará.

Aécio pode buscar aliança com o PP (sigla coincidente com a do partido fundado pelo avô), cuja liderança maior, o senador Francisco Dornelles, além de mineiro é parente dele e serviu como auxiliar de Tancredo, quando esse se tornou primeiro-ministro no regime parlamentar de 1964. Essa contabilidade política do novo partido leva em consideração dissidentes do PMDB e, é claro, do próprio PSDB. Nesse caso é possível pensar no senador cearense Tasso Jereissati em conflito com os tucanos paulistas. A bancada do partido que sair da batalha eleitoral, em Minas, deverá acompanhá-lo.

A consequência do movimento de re-acomodação partidária, que se prevê para ocorrer no próximo ano, independentemente da dissidência do ex-governador mineiro, com a inevitável desidratação política do PSDB, aponta para um cenário absolutamente novo que sugere uma constatação, não necessariamente marxista, mas obviamente inspirada ligeiramente em uma das passagens mais conhecidas do Manifesto Comunista de Marx e Engels. Nela se prevê que o capitalismo moderno, com a multiplicação do operariado, criaria o seu próprio coveiro.

O cenário político que se forma agora começou no ventre do capitalismo brasileiro moderno. Mais precisamente em meados dos anos 1970 com o movimento sindical, não revolucionário, fermentado nas linhas de produção da indústria automobilística do ABC paulista. Ali o velho Partido Comunista Brasileiro perdeu o controle dos movimentos sindicais. Os integrantes desse novo universo de operários não era também marionete de empresários que cultivavam sindicalistas dóceis chamados de "pelegos".

O que não se previa é que daquele movimento surgiria o "coveiro" do setor reacionário do capitalismo, avesso a uma melhor distribuição das riquezas geradas no País. Ou seja, em favor de uma minoria que recebia a maior parte do bolo. Fica de fora uma parte substancial que, expressada em números, significa hoje 30 milhões de pessoas num total de 190 milhões.

O "coveiro" desse modelo capitalista moribundo é um nordestino, torneiro mecânico, surgido naquelas jornadas operárias do ABC. Apelidado de Lula, sem estar preocupado com a interpretação sobre o que ele faz, promove a maior revolução no capitalismo verde-amarelo do pós-Guerra. E, no plano campo, há campo para a oposição atuar, disputar e ganhar eleições com votos e não com expedientes golpistas.

CARTA MAIOR JÁ AVISOU: EDUARDO PAES É CONSERVADOR


COMENTÁRIO DESTE BLOG: A agência Carta Maior, um dos maiores portais do pensamento crítico de esquerda do Brasil, já avisou, há dois anos atrás, da figura ultra-conservadora do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, então vitorioso na campanha eleitoral para o atual cargo.

O jornalista Antônio Augusto, em artigo lançado em 13 de outubro de 2008, se dedicava a analisar o perfil direitista de Fernando Gabeira e Eduardo Paes. Paes é descrito como integrante da banda mais conservadora do PMDB, cria e hoje desafeto de César Maia, e até mesmo defensor de "milícias". E, como subprefeito da Barra da Tijuca, Maia trabalhou pelos interesses das elites, contrariando os interesses populares.

Retiramos aqui o trecho referente a Eduardo Paes. Sobre Gabeira, convidamos os leitores a clicar no link do parágrafo anterior, para entender a luta "ecológica" do ex-querdista em prol da preservação dos tucanos no Planalto Central.

Paes, o defensor de milícias

Por Antônio Augusto - Agência Carta Maior - 13/10/2008

O melhor colocado na fase inicial da eleição, Eduardo Paes, com cerca de 32% dos votos válidos, é uma cria política do prefeito César Maia. Iniciou sua vida pública como subprefeito da região da Barra da Tijuca, com atuação benéfica à especulação imobiliária e oposta às comunidades pobres da área.

Hoje Maia e ele se detestam, o que não impediu que diversos vereadores ligados ao DEM já o apoiassem desde o primeiro turno. Os partidos não contam para Paes. Em dezesseis anos de vida pública, já trocou de siglas seis vezes, passou pelo PV, PFL, PSDB, PTB e agora está no PMDB. Considera os partidos um detalhe, a ponto de no seu “site” de campanha não haver sequer menção ao PMDB, mas apenas ao número 15, só porque imprescindível ao voto do eleitor.

É o candidato da despolitização, tudo se resume à gerência de demandas locais, atendidas de maneira clientelista. Apresenta-se numa embalagem ao gosto conservador, em que sisudez se confunde com “seriedade” e gestão pública com administração empresarial.

Mas Paes não se resume à aparência de bom-moço inodoro. Em entrevista ao RJ-TV, da Rede Globo, defendeu a ação de milícias, isto é, de grupos de extermínio: “como forma do Estado recuperar sua soberania, a polícia mineira trouxe tranqüilidade para a população”, disse enfático.

Na questão da segurança, Paes tem, portanto, identidade com o governador Sérgio Cabral, seu atual mentor e cabo eleitoral, promotor da criminalização da pobreza. É a política do “caveirão”, veículo policial blindado semelhante ao usado pelo “apartheid” na África do Sul. Estudo divulgado em setembro pela ONU aponta a polícia do Rio como a que mais mata no mundo, adepta da violência indiscriminada contra a população carente.

Apesar de defender execuções sumárias, Paes recebeu apoio oficioso e eficiente da hierarquia da Igreja Católica contra o senador Crivella, do PRB, coligado ao PR (ex-PL), mas de fato candidato de uma organização religiosa, a Igreja Universal, que chegou em terceiro, com aproximadamente 19% dos votos válidos. Na campanha do candidato de Cabral participam também grupos obscurantistas da Igreja Católica, como o Opus Christi.

O vice de Paes é um ex-militante de esquerda, com passagem pela luta armada, Carlos Alberto Muniz, há muito representante do ex-governador Moreira Franco no PMDB.

BREGA-POPULARESCO, COM MEDO, NÃO ASSUME ASSOCIAÇÃO À GRANDE MÍDIA



Diante do "terremoto" de denúncias e escândalos envolvendo a grande mídia e os políticos conservadores, a música brega-popularesca e seus valores associados, há décadas patrocinado e apoiado pelas forças conservadoras e dominantes de nosso país, corre de medo diante dos efeitos devastadores diante desses escândalos.

Os empresários do espetáculo, no Brasil, deixaram de se concentrar no jabaculê radiofônico - também, a Aemização das FMs complicou o mercado musical de nosso país - e se concentram cada vez mais no jabaculê acadêmico. Financiam críticos musicais e cientistas sociais e especialistas em tecnologia (neste caso, Ronaldo Lemos da Fundação Getúlio Vargas) para escrever sobre brega-popularesco e jogam eles para escreverem nos periódicos de esquerda, na desesperada tentativa de dissociação da grande mídia que fez esse tipo de música aparecer e crescer.

Ameaçada de desaparecimento e sofrendo o natural desgaste semelhante ao que José Serra sofre nas pesquisas eleitorais, a música brega-popularesca tenta desde 2002 criar um discurso que tente disfarçar sua imagem evidente de música comercial, produzida tão somente para o entretenimento mais superficial e provisório.

A campanha já estamos "carecas" de saber. Ela se baseia na alegação de "preconceito" para tentar apagar a natural rejeição que a mediocridade cultural brasileira sofre das pessoas intelectualizadas. E a conversão de setores tendenciosos da intelectualidade - a intelectualidade etnocêntrica, que hoje quer ser a "juíza final" da cultura popular - à propaganda do brega-popularesco é o recurso que hoje está no auge, mas também já antevê seu declínio, vide as reclamações do público comum diante da adoração da intelligentzia à mediocridade cultural dominante no país.

Em primeira instância, a campanha pró-brega foi difundida por veículos como a Ilustrada da Folha de São Paulo, o Segundo Caderno de O Globo, a sessão cultural de Época e Isto É, os programas da Rede Globo, revistas como Quem Acontece e Caras e canais como o Multishow e GNT, da Globosat.

Mas, como a associação da grande mídia tornou-se visada, agora o brega-popularesco tenta se desvincular da grande mídia que o sustentou durante décadas. É como o filho bem nascido e bem criado pelos pais que hoje os renega, até com insistência.

Como se nós fôssemos tolos, os defensores do brega-popularesco agora tentam nos dizer que seus estilos não aparecem na mídia. O tecnobrega, por exemplo, todos nós sabemos que nada seria se não fossem as FMs de Belém do Pará controladas por grupos políticos dominantes. O festival de lorotas, no entanto, avança tão seriamente que já tem blogueiro esperto dizendo que existem "duplas sertanejas" (claro que ele fala de breganejo) que "estão fora da mídia". Isso é o mesmo que dizer que existe oceano sem água.

Tentam renegar o passado jabazeiro do brega-popularesco. Durante décadas, os ídolos bregas e neo-bregas seguiam felizes e conformados as regras do jabaculê radiofônico, envolvidos tranquilamente no propinoduto dos sucessos musicais. Mas hoje eles mesmos tentam dizer que nunca se envolveram com jabaculê e, se envolveram, foram obrigados a isso. Mas até Paulo Maluf e Joaquim Roriz negam que praticou corrupção.

A associação à grande mídia - reforçada sobretudo pela negativamente histórica farra de concessões de rádio por José Sarney e Antônio Carlos Magalhães - do brega-popularesco também é um fato neuroticamente desmentido pelos ídolos popularescos e por seus defensores, dos talifãs aos intelectuais etnocêntricos.

Tentam dizer apenas que "tiravam proveito" da grande mídia para divulgar sua "mensagem" para o grande público. Alguns intelectuais etnocêntricos, delirando nos seus argumentos de defesa ao brega-popularesco, chegam a dizer que os ídolos brega-popularescos estão "invadindo" a grande mídia para (supostamente) destrui-la. Essa intelectualidade ignora que os ídolos brega-popularescos aparecem felizes demais em programas como o Domingão do Faustão para executarem um suposto plano de destruição da grande mídia.

É compreensível que a esquerda no nosso país tem sua "banda podre". No âmbito político, há o apoio do PMDB e de partidos pequenos de aluguel (PP, PSC, PR) tradicionalmente associados ao direitismo mais cafajeste. Na Bahia, por exemplo, são os mesmos partidos que apoiaram historicamente o carlismo, tendo votado pelas mesmas causas parlamentares dos políticos demotucanos.

Na cultura, esse fisiologismo é também representado por empresários do espetáculo que tentam empurrar o que podem da música brega-popularesca - só não podendo fazer o mesmo com os cantores-medalhões do breganejo, sambrega e axé-music que ocupam o mainstream do establishment lúdico-midiático brasileiro - para o pretexto da anti-mídia.

A grande lição disso tudo é que a mediocridade cultural brasileira sabe que o buraco está mais embaixo e que, com a decadência da Era FHC, os grupos empresariais que financiam a música brega-popularesca perdem noites de sono tentando manter seus negócios. Temem perder dinheiro com o desgaste de um universo musical que há 46 anos movimenta um mercado milionário de entretenimento do povo pobre e que representa o mais eficaz recurso de controle social das massas populares.

Por isso mesmo é que, no país do chamado "jeitinho brasileiro", esse empresariado tenta financiar toda uma campanha discursiva e todo um lobby artístico-intelectual para o brega-popularesco. É uma campanha com o fôlego de um IPES-IBAD, de um Instituto Millenium, mas que tenta expandir seu tráfico de influência na mídia esquerdista. Mas, vendo que os direitistas históricos, como Collor, Sarney e Maluf, hoje se tornaram pretensos simpatizantes da esquerda, dá para perceber o nível da demagogia.

Só que o alarme do desconfiômetro soa sem parar, com seu barulho ensurdecedor que, no entanto, não chega na Casa Amarela e outros ambientes similares. Mas é um barulho que nunca para, na medida em que denuncia a semelhança entre as abordagens de defensores do brega-popularesco na Caros Amigos, Fórum, Carta Capital e até no Le Monde Diplomatique Brasil e o que é defendido sob o rótulo de "cultura popular" na Ilustrada da Folha de São Paulo e nos programas da Rede Globo.

Afinal, chama muito a atenção, de forma negativa, o fato de que a mídia esquerdista se opõe tão radicalmente à mídia dominante, a não ser na trilha sonora, onde a estranha afinidade causa estranheza a todos que tenham o mínimo de senso crítico possível.

REFLEXÕES DE JOSÉ SERRA ACERCA DA "CULTURA POPULAR"








Enquanto o brega-popularesco tem medo de assumir sua associação tradicionalíssima à grande mídia que tanto acolheu e cuidou bem de seus ídolos, o demotucano José Serra precisa do socorro deles para ver se, juntos, brega-popularescos e demotucanos resgatem os "áureos tempos" do neoliberalismo popularesco da Era FHC.