sexta-feira, 17 de setembro de 2010

POR QUE AS MULHERES COMUNS NÃO SE INSPIRAM EM MÁRCIA PELTIER?



Dói saber que o processo de emancipação da mulher tornou-se incompleto. Nos anos 80, o machismo fez das suas para freiar a libertação feminina e limitá-la aos aspectos formais. Nas classes mais instruídas e nas famílias melhor estruturadas, as mulheres conseguiram emancipar-se não somente no aspecto formal da independência econômica ou em algumas garantias sociais formais, mas passaram também a se emancipar na personalidade, na cultura, na capacidade de opinar sobre qualquer coisa e refletir criticamente a sociedade em que vivemos.

Mas nas demais classes, mesmo as classes médias debilitadas social e educativamente, as mulheres só se emanciparam pela metade. Até demais, porque acabam vivendo encalhadas, seja porque muitas delas se recusam a namorar pretendentes tão grotescos ou piegas quanto elas, seja porque sonham demais com homens que nunca aceitariam sequer sair com elas para conversar.

Essas mulheres, das quais se destacam as boazudas, as marias-coitadas, as marias-bobeiras (capazes de recusar sósias de Eduardo Guedes e Rodrigo Faro que as peçam em namoro) e as sub-patricinhas (moças com pinta de patricinhas que gostam de porcarias tipo "funk" e breganejo e odeiam ler livros), são para o feminismo o que os analfabetos funcionais são para a alfabetização.

Como é que mulheres como Márcia Peltier, uma bela jornalista marcada por sua inteligência e independência, pelo seu charme e pelo seu talento, não se tornam exemplos para essas mulheres consideradas comuns? Recentemente, a jornalista, com sua sobriedade, teve até jogo de cintura diante de uma discussão com o entrevistado José Serra, que não gostou das perguntas que ela fez para o candidato.

Porque essas mulheres preferem usar como exemplos pessoas como Xuxa Meneghel, as Sheilas do Tchan, as mulheres-frutas, as ex-BBB's, e se prendem num mundo de breguice, pieguice e vulgaridade? Isso é alienação, sim, porque aqui não tem intelectual etnocêntrico querendo bancar o bonzinho politicamente correto, a jogar os problemas do Brasil para embaixo do tapete.

É preciso dar uma dura sobretudo para a maioria das moças que aparecem no Orkut, que pensam que gostar de brega-popularesco ou se associar em comunidades de besteiras (tipo "Dei pum na cara de meu pai" ou "Fico vermelho quando rio") são o máximo, e que parece não viverem neste planeta, de tão tolas, alienadas e burras que são.

Essas mulheres acabam fazendo o serviço do machismo, embora façam jogo de cena com sua solteirice viciada, pretensiosa e arrogante (as marias-bobeiras são "encalhadas convictas", parece que gostam de dar fora em galã e dar cantada em nerd, por pura sacanagem). Elas brincam com fogo e acham que nunca vão se dar mal com isso. Mas se dão. E causam constrangimento a outras mulheres, pelo péssimo exemplo de alienação e submissão ao "sistema" que as boazudas, marias-coitadas, marias-bobeiras e outras demonstram, mesmo quando tentam desmentir.

O grande erro é que a grande mídia não quis divulgar os bons exemplos de mulheres emancipadas. Preferiu divulgar os maus exemplos. E, agindo assim, fez um grande serviço para a manutenção da hegemonia machista, impedindo que a maioria das mulheres brasileiras tenha uma formação sócio-cultural sólida e relevante.

EDUARDO PAES IMPÔS A PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS


O ESPÍRITO DE JOSÉ SERRA ESTÁ CADA VEZ MAIS FORTE EM EDUARDO PAES, APESAR DELE SER FORMALMENTE DO LADO OPOSTO.

O povo do Grande Rio, sobretudo da Baixada Fluminense, está legalmente autorizado a processar a Prefeitura do Rio de Janeiro, na hipótese de pegar um ônibus errado.

Pode processar o prefeito Eduardo Paes, através do Ministério Público do Rio de Janeiro, do Ministério Público da União ou por intermédio da Defensoria Pública, se caso pegar um ônibus errado, já que o prefeito, em completo DESPREZO ao interesse público, já lançou a padronização visual dos ônibus do Rio.



Uma medida que, prevemos, se dará num completo FRACASSO. Sobretudo em tempos em que o transporte coletivo de Curitiba e São Paulo mostram sua explícita decadência.

Eduardo Paes tem que se informar que os estragos que ele causará no transporte coletivo carioca NENHUM BILHETE ÚNICO irá compensar. O desastre que ele causará NÃO TEM PREÇO. E ele será afetado, politicamente, de forma tão negativa quanto a de José Serra na candidatura à Presidência da República.

A medida da padronização parece definitiva. Mas os transtornos e equívocos mostraram o quanto a medida será desastrosa, mesmo quando paliativos serão tentados para minimizar seus efeitos. A medida não vai durar a vida toda, por mais que se insista em prolongar a medida. Só vai durar se as autoridades forçarem a barra.

Agora, somente busólogos "profissionais" poderão reconhecer a empresa de ônibus. Infelizmente os passageiros sairão perdendo com a medida autoritária do sr. Dudu Paes.

Os protestos serão grandes e barulhentos, e desgaste político de Eduardo Paes será certo, diante de medida tão arbitrária inspirada na ditadura militar, no fardamento dos ônibus imposto pelo demotucano enrustido Jaime Lerner, quando ele era prefeito biônico de Curitiba.

Portanto, o prefeito do Rio Eduardo Paes fez um golpe contra o povo e não se deu conta disso.

O QUE DÓI COM O FIM DO JB IMPRESSO



O que dói, de tristeza e até de raiva, é que o fim da versão impressa do Jornal do Brasil, no começo deste mês, não deixou qualquer herdeiro de sua sofisticada linha editorial. O JB era um jornal conservador, mas, a exemplo de O Estado de São Paulo, era ao menos um jornal elegante, sofisticado, não sendo perfeito, é verdade, mas que esbanjava inteligência e bom-senso, mesmo no seu plano ideológico conservador.

Agora, o único concorrente forte do jornal O Globo na imprensa carioca é o jornal O Dia, cuja linha editorial apenas elevou-se de forma pífia em relação à linha sanguinolenta de outrora. E ainda comete a estupidez de divulgar os talentos do brega-popularesco. Por razões óbvias: a horripilante FM O Dia é do mesmo grupo empresarial.

Juro que tentei ver na primeira página de O Dia, na última segunda-feira, uma nota sobre o falecimento do cineasta francês Claude Chabrol. Nada. Se fosse o Jornal do Brasil, havia nota. No site de O Dia, também não tem nota a respeito.

Eu não publiquei nota sobre Claude Chabrol, por um lapso meu. Mas senti muito porque é menos um cineasta de arte que se foi. Mas se eu fosse redator de O Dia teria escrito, sim, e dito para meu editor-chefe que valia a pena escrever sobre ele. Vai alguém botar um filme de qualquer cineasta da nouvelle vague, legendado e de graça, para o pessoal da Zona Norte carioca, ou da Baixada Fluminense, e até o complicado Jean-Luc Godard será tão popular quanto o Daniel Filho cineasta.

O povo pobre, quando tem acesso à cultura de verdade, vai, gosta e aplaude. Com um prazer inimaginável para muitos, mas indiscutível. Enquanto o povo aplaude quase que automaticamente, com a "espontaneidade" de frequentador de sessões de hipnotismo, esses ídolos fajutos do "sertanejo" ou do "pagode romântico" (que aqui chamamos, respectivamente, de breganejo e sambrega), quando o caso é de um artista de verdade, os aplausos são muito mais naturais e entusiasmados.

Recentemente, em Recife, o músico Egberto Gismonti, que faz uma música considerada "difícil", foi aplaudido de pé por uma plateia mais do que entusiasmada. E não tinha só gente de classe média, doutorzinho, madame, não. Tinha também gente do povo, e não eram poucos. Nenhum ídolo do sambrega, por mais badalado que fosse, nem a mais carismática "dupla sertaneja", nem qualquer "diva" da axé-music, nenhum desses arranca aplausos assim com tamanha naturalidade.

Também doeu muito o fato de que a Nova Brasil FM não ter voltado mais. Sua frequência foi ocupada por uma inútil repetidora da Rádio Globo AM, fruto de uma transação privativa entre os irmãos Marinho e Orestes Quércia, só apoiadas pela "panelinha" de radiófilos que não passam de lambedores-de-gravatas, igualzinho à "panelinha" de busólogos que adoram bobagens como o sistema de "pool" nos ônibus e a sua uniformização visual. Com o lamentável Roberto Canázio empurrando música brega goela abaixo para quem é obrigado a ouvir a "Rádio Globo AM" FM, por conta da poluição sonora de algum trouxa de plantão.

Para a mediocridade, tem se todo investimento. É como diz o ditado, para baixo todo santo ajuda. E todo demônio também. Mas, para quem quer algo de qualidade e bem-feito, as escolhas ficam cada vez mais escassas.

O "COMUNISMO PAPAI-NOEL"



A intelectualidade etnocêntrica exalta o espetáculo brega-popularesco.

Coitados, não viram o povo pobre senão nos documentários da TV paga.

Devem ter conhecido a periferia brasileira pelos documentários australianos transmitidos em parceria com a TV norte-americana ou britânica.

Não devem ter andado em ruas esburacadas nem visto barracos condenados pela Defesa Civil.

Acham que o já milionário tecnobrega ainda é pobrinho.

Acham que o milionário tecnobrega que já aparece no Domingão do Faustão da Rede Globo ainda não tem acesso na grande mídia.

Felizes, esses intelectuais anunciam que a cultura brasileira agora está conectada com o mundo Disney. Bem mais do que as Demis, Selenas e Mileys que apenas atuaram em comédias do canal Disney.

Felizes, esses intelectuais anunciam que a cultura popular brasileira também está conectada com o McDonalds, com a Coca-Cola e os tênis Nike.

E ainda fazem questão de se acharem "de esquerda", dizem cultuar Che Guevara e fazem questão de sentar nas primeiras fileiras dos eventos do Centro Barão de Itararé.

Mas não passam de uns capanguetes da Globo, Folha e Abril querendo bancar os "bacanas".

O que eles defendem aparece facilmente na Ilustrada da Folha, no Domingão da Globo.

Mas eles não querem saber.

Vivem no mundo do faz-de-conta. Até criam teses delirantes.

Acham que, se a Banda Calypso está no Domingão do Faustão, é por conta de um secreto plano de destruição da grande mídia através da invasão dos "ídolos populares".

Dá para acreditar? Joelma e Chimbinha felizes diante do Fausto Silva, e não só diante dele, mas da Ana Maria Braga militante do Cansei, do Marcelo Madureira militante do Instituto Millenium... Isso é plano de destruição da grande mídia pela periferia revoltada? Fala sério!!

Juntando essa esquizoesquerda com sua plateia deslumbrada, temos o "comunismo papai-noel".

Algum incauto até disse para seu papai que o Papai Noel se parece com o Karl Marx. E que usa roupas vermelhas porque está a serviço da revolução bolchevique de Moscou.

Esses "comunistas papai-noel" nem de longe se parecem com os comunistas e socialistas sérios do exterior ou mesmo uma minoria no Brasil, que pensam a realidade social do Brasil como coisa séria e não como esse espetáculo tolo do brega-popularesco.

Mas como a criançada é teimosa. O tecnobrega já aparece no Domingão do Faustão e vem Mariana Fonseca, do Le Monde Diplomatique Brasil, afirmar que o tecnobrega está fora da mídia tradicional.

Será que Mariana Fonseca não vê o que milhões de telespectadores do Brasil inteiro consegue ver? Ou será que a presença do tecnobrega na grande mídia é só "mera coincidência"?

Mas o pessoal insiste. Papai Noel é agente de Moscou. Mas até o McDonalds é comunista, a embalagem vermelha da batatinha frita não mente. A Coca-Cola também é comunista, Mickey Mouse é um guerrilheiro cubano.

E essa garotada ainda se sente ofendida quando é chamada de neoliberal.

Vá entender...