sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ETNOCENTRISMO CRUEL


A INTELECTUALIDADE NÃO ENTENDE OS DRAMAS VIVIDOS PELO POVO DA PERIFERIA.

Um sociólogo universitário, pretenso juíz da cultura das periferias, caminha pelas ruas de noite e observa um mendigo velho, maltrapilho e embriagado, que, com sua garrafa de cachaça na mão, faz uma dança estranha, como que parodiando os passos indígenas e, às vezes, parando para rebolar feito uma paródia andrógina de uma mulata de escolas de samba. Enquanto faz tais danças, balbucia palavras sem nexo, ou então pronuncia de forma frouxa "vem pro colinho do papá, rebola no colinho do papá".

Escrevendo um artigo numa revista de comunicação, o polêmico sociólogo narra o episódio com a alegria de uma criança que viu um espetáculo de circo. Não é preciso dizer que o sociólogo viu o mendigo e não teve escrúpulos em dar uma gargalhada. Cinicamente, o sociólogo, mal disfarçando a cínica abordagem com um discurso politicamente correto e intelectualóide, escreve as seguintes linhas:

"A periferia é pop. Isso não podemos negar. É admirável o poder criativo de nossas periferias, o espetáculo alegre da auto-esculhambação que só o povo, na sua miséria, consegue fazer. Venham o "rebolation", o "tchan" e o "créu" esfregar seus glúteos redondinhos nas caras das elites moralistas, a cultura popular é o remexer dos glúteos, só não vê quem não quer. Até os mendigos compreendem perfeitamente o caleidoscópio pop da periferia, com sua linda bagunça, com sua natural mistura de referências, de signos, símbolos e rituais. Todos conectados com o mundo, já não mais compondo a famigerada aldeia global, mas compondo a gigantesca favela global com suas parabólicas ativas para as novidades do planeta".

Que sórdido desprezo social esconde esse discurso tão animado, tão doce, que provoca aplausos da plateia deslumbrada com toda a retórica "pop" e "globalizada" apresentada no meio acadêmico!

Enquanto o sociólogo fica alegre com a dança patética do mendigo, ele, que se gaba tanto em ser um cientista social de "sérios compromissos com o povo", desconhece todo o drama que está por trás da atitude debilitada do pobre idoso.

O mendigo, na verdade, nunca teve uma boa escola. Aliás, não teve uma escola sequer. Surgido de uma gravidez não desejada, na infância levava surra da mãe, alcoólatra. Foi desprovido de uma boa educação, por isso não pôde compreender sua missão social na vida, e quando podia, ia com os amigos jogar bola e, com o tempo, tomar também suas pingas. Se vadiou devido à sua situação lamentável de infortúnios sociais.

Com o tempo, foi abandonado pelos amigos, enquanto outros morriam cedo pela bebedeira. E, sobrando ele, na mais dramática de sua miséria, há muito pedia dinheiro emprestado para comprar pinga, tornando-se um mendigo insuportável, triste, inútil.

Nada foi feito por ele em sua vida. Se ele tornou-se decadente, foi a sociedade que o fez, pelo seu desprezo e descaso.

E ainda existem intelectuais que tiram sarro dos dramas da periferia, classificando-os de "doce espetáculo". Isso é que é etnocentrismo, dos mais cruéis.

RADIALISMO ROCK DEVE SE ADAPTAR À INTERNET



O grande mal do rádio FM brasileiro é que ele se volta para o próprio umbigo. Sem verificar as novidades nem o contexto atual da Internet, mesmo quando a ela adere formalmente, o rádio brasileiro acaba servindo aos interesses de uma "panelinha" de profissionais e adeptos que, parecendo uma multidão nos fóruns de discussão sobre rádio, na verdade não passam de uma minoria esmagada que não consegue disfarçar sua identificação aos interesses empresariais.

Uma das coisas que deve se levar em conta é que, no que se diz ao radialismo rock, que lida com um público musicalmente exigente (apesar de certos ouvintes que só gostam do "feijão com arroz" roqueiro e acham o ridículo poser metal "genial"), não pode sucumbir à falação em cima das músicas e nem estas devem ser cortadas por vinhetas.

Dane-se a tal "agilidade radiofônica", o horário dos anunciantes ou o modelo de edição americano. Nada justifica que uma rádio faça sua programação musical corrida, por questões de contratos publicitários ou porque é assim que se faz nos EUA. Antes dos anunciantes, o rádio é feito para os ouvintes. E a vontade do ouvinte é que prevalece.

Numa época em que é mais comum e crescente o download de músicas, onde LPs inteiros podem ser baixados na Internet e músicas inteiras podem ser acessadas até mesmo nos arquivos estáticos do YouTube (arquivos de vídeo que na verdade consistem numa imagem parada ilustrando o som de áudio, muitos exibindo a capa do álbum da referida faixa), é inadmissível que uma rádio de rock toque, por exemplo, "Smoke On The Water" com a parte final cortada pela vinheta, pelo operador ou pela voz do locutor.

A música tem que ser tocada até o fim, seja que final for. Caso contrário, a rádio não irá conseguir prender a atenção do ouvinte, que pode montar muito bem sua "rádio rock" através de arquivos MP3 que colhe dos sites de download e do YouTube, convertendo as faixas de vídeo em áudio e jogando tudo para seu iPod.

Da mesma forma, as rádios de rock brasileiras têm que parar de sucumbir ao "feijão com arroz". Tocar Bon Jovi é impensável. É quase que tocar Menudo ou Absyntho, porque o poser metal só é "rock clássico" para as mentes das pessoas que imaginam querer o Nobel da Paz para o palhaço Bozo.

As rádios de rock, portanto, devem ir para o menos óbvio, para o Lado B roqueiro. E "lado B roqueiro" não significa tocar o "lado A" do hip hop, do techno ou do reggae, a título de "atitude rock". Há muita coisa boa e desconhecida da história do rock, há muita coisa brilhante. A saída do "feijão com arroz" é indispensável para que o radialismo rock retome o fôlego que sempre o consagrou no passado.

Se adaptar à Internet, no radialismo rock, não quer dizer só pesquisar textos de sites ou botar um canal de transmissão on line. É preciso criar um repertório musical abrangente e tocar as músicas na íntegra, pouco importando interesses de anunciantes ou modismos de técnicas radiofônicas. Ignorar isso é dar tiros no pé. De metralhadora AR-15.

Ficar no "irrit-pareide", seja com o melhor (porém mais manjado) do rock, seja com o pior, é inútil, porque qualquer deslize o fã de rock vai correndo para o YouTube em busca de bandas menos conhecidas e desliga de vez o rádio.

BREGA-POPULARESCO FAZ SOLTEIROS CRESCEREM NO NORTE E CENTRO-OESTE



Dados do recente levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentram maior número de pessoas solteiras no Brasil, enquanto as regiões Sul e Sudeste concentram maior número de casados.

Da população total brasileira, o número de casados é maior que o dos solteiros, 45,8% contra 42,8% respectivamente, em relação aos brasileiros com mais de 15 anos.

A novidade fica por conta das regiões Norte e Centro-Oeste, famosas pela população predominantemente masculina, e que tradicionalmente eram consideradas regiões dificilimas para a vida amorosa dos homens solteiros, e de facilidade extrema no caso das mulheres. Os índices de solteiros contra casados são: Norte (58% contra 35%), Nordeste (47% contra 43%) e no Centro-Oeste (45% contra 43%).

Por outro lado, o Sul e Sudeste, famosos pela população predominantemente feminina, mostra o maior número de pessoas casadas. No Sul, o índice é o maior do país, de 50% de pessoas casadas contra 38% de solteiras. O Sudeste vem depois, com 48% de casados contra 39% de solteiros.

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentram as principais tendências musicais brega-popularescas (breganejo, axé-music, forró-brega e derivados), além de, por serem regiões onde predomina a baixa escolaridade, prospera uma mídia popularesca que influi na crise de valores sociais que intimida a formação de casais nestas regiões. São regiões dominadas pela corrupção política extrema e pela opressão do latifúndio.

O fato de que a maioria dos sucessos musicais das rádios popularescas falarem de traições amorosas de homens e mulheres, juntando ao noticiário popularesco que promove uma imagem pejorativa do homem através da "psicologia do medo" dos noticiários violentos, influi na solteirice dos jovens e adultos nessas três regiões, em que a crise de valores atinge até mesmo a família e a vida amorosa e afeta a autoestima até mesmo das jovens mulheres, diante do assédio dos homens na vida noturna.