terça-feira, 7 de setembro de 2010

BREGA-POPULARESCO DO CASSETA (E DO PLANETA TAMBÉM)








CALYPSO RECEBE AS GRAÇAS DO HUMOR DEMOTUCANO DOS CASSETAS - Cadê a discriminação da grande mídia?

Enquanto intelectuais etnocêntricos da linha de Pedro Alexandre Sanches tentam afirmar que o brega-popularesco é "subversivo", vamos dar um bom exemplo de como a música brega-popularesca se sente à vontade na grande mídia, seja em programas de auditório conservadores como o Domingão do Faustão, seja em humorísticos outrora bem bacanas que hoje também sucumbiram ao direitismo mal-humorado.

Muito se falou que a Banda Calypso era "indie", que está "à margem da grande mídia", que "fez sucesso sem divulgação" e um monte de lorotas. Mas tão rapidamente o "subversivo" grupo - do qual se espalhou boatos de uma suposta candidatura ao Prêmio Nobel da Paz, indicada por um zé-mané supostamente ligado a "grupos revolucionários" - ganhou as graças das Organizações Globo, a ponto de ganhar contrato pela gravadora Som Livre, sendo colegas de gravadora de outro suposto "sem mídia", o funqueiro DJ Marlboro.

Só a presença da Banda Calypso - grupo centralizado pelo casal Joelma e Chimbinha - , que para quem não sabe também é precursor do tecnobrega (ritmo que agradou muito os Marinho e os Frias, para desespero de certos "caros amigos"), no programa Casseta & Planeta, é algo que até o YouTube mostra da forma mais explícita.

Experimentem consultar as palavras chave "casseta + calypso" no YouTube, que aparecerá o referido humorístico e o referido grupo de neo-brega. São cerca de 57 resultados, a maioria diretamente ligada aos dois fenômenos da grande mídia. Aqui selecionamos imagens de dois vídeos, ambos contando com a presença de Marcelo Madureira, o casseta que é sócio de carteirinha do Instituto Millenium. As imagens estão acima.

Eu só temo se determinados intelectuais "izguerdiztaz" vissem isso e tivessem um pesadelo.

FÚRIA DEMOTUCANA NA RETA FINAL DA CAMPANHA ELEITORAL


VERÔNICA SERRA - A linda filha que acompanha o pai na tarefa de fazer coisa feia.

Quebra de sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do presidenciável José Serra, e indícios de sua suposta ligação com parentes de Daniel Dantas, o banqueiro corrupto do grupo Opportunity. Outros integrantes ligados ao PSDB - até mesmo o próprio José Serra - tiveram seus sigilos fiscais quebrados, e fala-se que o contador que pediu à Receita Federal a quebra de sigilos, Antônio Carlos Atella Ferreira, é supostamente filiado ao PT.

Há também o livro de Amaury Ribeiro Jr., Os Porões da Privataria, sobre os bastidores da privatização durante a Era FHC, com denúncias comprometedoras contra os tucanos. Neste caso eu me lembro muito bem de quando a grande mídia (inclui também a mídia fofinha, com Bandeirantes e tudo) fazia torcida para as privatizações derem certo, enquanto os manifestantes do contra eram vistos como vilões arruaceiros).

Amaury é um renomado jornalista investigativo de Minas Gerais, com larga experiência no Estado de Minas. Chegou a sofrer um atentado em 2007 quando, trabalhando em Brasília, investigava homicídios ligados ao narcotráfico local. Sobreviveu não só para contar história, mas para complicar ainda mais a vida dos demotucanos.

A guerra entre tucanos e petistas se acirrou quando a última pesquisa do Datafolha, certamente a contragosto de seus viscondes (vinculados aos barões da Folha, é claro), divulgou a vantagem de 29% da governista Dilma Rousseff sobre o tucano José Serra na preferência do eleitorado consultado. A falta de um escândalo que demoralizasse a candidatura petista - a exemplo do caso Lurian, durante a campanha de Fernando Collor em 1989 - , mas com a entrada de escândalos que enfraquesessem ainda mais a chapa tucana, irritou os serristas.

Aí a mídia golpista partiu para o ataque. Alega que a quebra dos sigilos fiscais dos tucano teriam sido uma artimanha partidária dos petistas, ou, como disseram, uma investigação de "aloprados petistas". Atella, acusado de filiação ao PT, declarou ser eleitor de José Serra. Mas o PiG bate o pé e diz que Atella é petista, sim.

Sem qualquer sectarismo, mas reconhecendo a inexpressividade e arrogância de José Serra, dá para perceber que os ataques e as acusações de espionagem petista na quebra de sigilos fazem parte de um grande jogo sujo da campanha tucana. É uma reação de quem está em pânico, estressado com tantos anos de poder e tanta corrupção feita nos bastidores durante anos e que começa a vasar agora.

O desespero dos tucanos em querer voltar ao Planalto na marra faz com que o saudável debate eleitoral fosse esquecido, enquanto se parte para a briga propriamente dita. Sobretudo quando a corrupção tucana começa a ser conhecida pela opinião pública.

A coisa está tão complicada para o demotucanato que já se fala numa saia justa entre Aécio Neves e José Serra, devido à pesquisa para o livro de Amaury. Há rumores de que existe um ciúme de Aécio por não ter sido escolhido presidenciável, e não topou integrar a tal chapa "puro sangue" tucana porque não queria ser jogado para segundo plano.

Há também a acusação, lá pelos pampas, de um segurança de Yeda Crusius - acusado também de extorquir donos de máquinas caça-níqueis - de espionar políticos oposicionistas à governadora gaúcha, o que pode complicar ainda mais a imagem já desgastada da "dama de ferro dos pampas" e ao PSDB gaúcho em especial.

Por essas e outras, o PSDB se complica como um partido completamente arrogante, prepotente, se comportando na corrida eleitoral feito o Dick Vigarista da Corrida Maluca. Isso apesar de José Serra ser mais um sósia do Mr. Burns, o ganancioso empresário do seriado Os Simpsons.

Amaury Ribeiro acaba de ser contratado pela TV Record. O mineiro, recebedor de vários prêmios, integrará o quadro de jornalismo investigativo da emissora, e certamente trocará figurinhas com Paulo Henrique Amorim, seu colega e integrante do Grupo de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

O ALARMISMO GOLPISTA DOS DEFENSORES DO BREGA-POPULARESCO


"INCOMODATION-TION" - O publicitário nazi-fascista Josef Göebbels se irritava quando ouvia falar a palavra "cultura".

"Não, você está maluco em achar que o povo dos sertões tem que ouvir baião autêntico". "Que loucura é essa de você querer que novos Ataulfo Alves e Pixinguinha surjam nas favelas?". "O povo pobre quer popozudas, quer espetáculo, quer cafonalha, auto-esculhambação!".

Já ouvimos essas frases ou ideias parecidas. É um tom alarmista, que no mais típico exemplo de "olha só quem fala", parte de pessoas que nos acusam de "alarmistas" quando reprovamos o sucesso das tendências brega-popularescas que domesticam culturalmente as classes populares no Brasil.

E, o que é pior, são declarações feitas por blogueiros, jornalistas e cientistas sociais que se dizem "sinceramente de esquerda" e "naturalmente solidários aos movimentos sociais das classes populares".

Mas tão estarrecedora é a comparação, de chocante exatidão, desses pretensos "amigos da cultura popular", quando suas declarações demonstram estar de acordo com a reação furiosa do publicitário nazista Josef Göebbels, quando este ouvia falar da palavra "cultura".

Pois não é essa mesma reação que nossos "inocentes intelectuais" sentem quando falamos da necessidade que novos Afaulfos, Gonzagões, Jacksons e Pixinguinhas ressurjam das periferias e das áreas pobres de nosso país?

Não é o mesmo horror quando essa intelectualidade, acomodada nos caros condomínios no Leblon e no Morumbi, sente quando um garoto da periferia começa a soltar lindas melodias de piano?

Não é o mesmo horror quando essa intelectualidade tenta creditar como "passado superado" a ideia de um feio e humilde franzino jardineiro vindo do morro, um certo Angenor de Oliveira, produzir maravilhosas melodias que o fazem hoje reconhecido como o mestre Cartola?

Não é esse horror que os faz reclamarem quando dissemos que as prostitutas pobres na verdade querem ser professoras ou costureiras, trabalhar como gente decente e viver dignamente? Essa intelectualidade, tão preocupada com o "social" - talvez sejam discípulos de José Sarney e não sabem - , está na verdade é com medo de que o recreio sexual dos machistas perca seu mercado nas "ruelas vagabundas" da periferia.

Não é o mesmo horror que dondocas sentem quando veem o povo pobre pedindo melhorias de vida? O horror que intelectuais que se dizem "socialistas" só para impressionar os caros amigos de ver os brasileiros fazendo as mesmas coisas que os mapuches chilenos, as Mães de Maio argentinas, o povo palestino, em vez de dançar o "créu", o "tchan" e o "rebolation".

Sim, essa intelectualidade tão "amiga do povo" está com medo. Medo que a cultura popular de verdade, não essa "cultura popular" da grande mídia e seus lotadores de plateias de vaquejadas, micaretas, "bailes funk", "aparelhagens" etc, reapareça com toda sua força. Medo de que a MPB autêntica, a Música Popular Brasileira genuína e não esse Marketing Popular Brasileiro de bregas e neo-bregas, volte a brilhar entre o grande público.

E medo, acima de tudo, que as classes populares no Brasil recuperem a auto-estima e a identidade sócio-cultural, voltem a produzir conhecimento em larga escala e passem a pensar a realidade de nosso país sem depender das lentes míopes da TV aberta, da imprensa populista e das rádios popularescas. Mídia esta que segue muito bem as lições de Göebbels, o patrono da "visibilidade fácil" da grande mídia.

Pois Göebbels afirmou uma vez que toda mentira veiculada mil vezes se transforma em verdade. Pois a mídia popularesca veiculou uma série de mentiras e asneiras em sua gigantesca tiragem, em seu grande raio de transmissão e na comunhão de interesses das grandes mídias regionais, que agora elas são vistas como "verdades". E a intelectualidade atribui essas mentiras tornadas verdades e trabalhadas pela grande mídia como "conhecimentos" gerados no seio das classes populares. Coisa tipicamente de Josef Göebbels.

Lamentável.