segunda-feira, 6 de setembro de 2010

IMAGINEMOS O ENCONTRO DOS BLOGUEIROS NEOLIBERAIS



Imaginemos o Encontro dos Blogueiros Neoliberais, a ser realizado num grandioso hotel cinco estrelas de São Paulo. A organização estaria a cargo do hipotético braço cultural do Instituto Millenium, que chamamos de Instituto Tropicalium, e até entidades como o movimento Cansei e Blogs pela Democracia apoiariam a iniciativa.

Certamente, em vez de um jornalista tocando chorinho e samba, haveria o Casseta & Planeta com seus personagens musicais. Em vez de uma taxa de apenas R$ 100, haveria uma taxa de R$ 2.500, que poderá ser paga em até oito prestações de R$ 320 (ou seja, vão 60 reais de punição para quem não pagou à vista).

As palestras, seis em cada dia - exceto a sessão inaugural - , estão divididas em duas por cada turno.

Não há comida a quilo, mas um cardápio vip que os presentes terão que pagar para comer. Os preços das refeições variam de R$ 70 (café da manhã), R$ 110 (almoço) e R$ 150 (jantar).

No mais, é verificarmos como seria a agenda de eventos:

1º DIA: Inauguração do Encontro dos Blogueiros Neoliberais.
Mediador: William Waack. Palestrante: Otávio Frias Filho, com o tema "Blogs da grande imprensa: a democracia combate o inimigo usando suas armas".

Apresentação musical (som de playback): Grupo Casseta & Planeta através das seguintes atrações:

- Acarajette Lovve - axé-music;
- MC Ferrow & MC Deu Mal - "funk carioca";
- Sambabaca - sambrega;
- Cagoto Magoto - sambrega "universitário";
- Ricky & Martin - breganejo "universitário".

2º DIA: Palestras:

"MPB: a onda agora é a breglobalização", com Pedro Alexandre Sanches.
"Os Anos Dourados da Música Cafona", com Paulo César Araújo.
"Educação com batidão: diálogo com Marlboro e Rômulo Costa", com Gilberto Dimenstein.
"A autoesculhambação da Música Popular Brasileira", com Roberto Albergaria.
"O caipira brasileiro agora é um caubói americano", com Marco Aurélio Canônico.
"O novo mundo da cultura popular brasileira", com Hermano Vianna.

3º DIA: Palestras:

"Pagodização: dos males, o menor", com Arnaldo Jabor.
"Cheguei, estou no paraíso: É O Tchan volta turbinado com novas e mais dançarinas", com Milton Moura.
"A cafonice como elemento inerente da cultura popular", com Eugênio Arantes Raggi.
"A Amélia morreu! Viva a mulher-fruta!", com Rodrigo Faour.
"Todos nós somos cafonas", com William Waack.
"A periferia vai para a Avenida Paulista", com Otávio Frias Filho.

4º DIA: Palestras:

"A cultura brasileira mergulhou na banheira", com Gugu Liberato.
"Reality show: um fenômeno popular", com Pedro Bial.
"Meu nome não é Johnny, mas pode me chamar de Créu", com Guilherme Fiúza.
"A libertação feminina pelo 'rebolation'", com Bia Abramo.
"O 'mau gosto' é o novo bom gosto", com Nelson Motta.
"A cultura que o povo sabe fazer", com Reinaldo Azevedo.

ESTA PAÇOCA É DEMOTUCANA



Antes que a edição de Caros Amigos chegue às bancas com mais um texto de Pedro Alexandre Sanches e seu Método Folha de analisar a cultura popular, vamos avisando que sua "paçoca" é demotucana.

Pedro Alexandre Sanches - que não tem vergonha em escrever para os caros amigos que Fábio Jr., um dos símbolos do PiG musical brasileiro - , o menino de ouro de Otávio Frias Filho, e que recentemente andou se confraternizando com Gilberto Dimenstein (que os caros amigos conhecem como o inimigo dos professores públicos de SP), faz o mesmo jogo da mídia golpista, e só quem lê este blog sabe muito bem disso.

O que Pedro Alexandre Sanches defende de brega-popularesco vai diretinho para a Rede Globo, para seus coleguinhas da Folha de São Paulo e para as páginas da revista Contigo e de Caras. E Caras mostra justamente os ídolos brega-popularescos. Até mesmo o Latino. Em contrapartida, até agora eu não vi qualquer cantor esquecido da MPB autêntica dos anos 60 nas páginas de Caras.

Pois é bom os caros amigos jogarem fora essa paçoca, porque ela é demotucana. Tem gosto de Ilustrada da Folha de São Paulo e um forte aroma de Domingão do Faustão.

DJAVAN LANÇA NOVO DISCO


Enquanto tenta ser transformado em artista one hit wonder (através de "Oceano") pela mídia golpista, apesar de centenas de grandes músicas compostas, e enquanto é bajulado gratuitamente pelos pseudo-sambistas brega-popularescos, Djavan segue sua carreira dignamente e lança seu novo disco, Ária.

É um disco de covers que inclui regravações de um antigo sucesso de Frank Sinatra, Fly Me To The Moon, até "Palco", de Gilberto Gil, passando por versões de composições de Chico Buarque, Tom Jobim e até uma instrumental de Luiz Gonzaga.

É bom deixar claro que, quando um verdadeiro artista grava discos de covers, além de ser uma atividade eventual - ele não faz isso o tempo todo - , é mais um ato de homenagear os artistas que o influenciaram. É um ato de generosidade, que também pode significar uma pausa nas canções inéditas, como meio de reciclagem artística.

Por isso não dá para levar a sério os ídolos brega-popularescos - nem mesmo os grupos e cantores de sambrega que, no caso, bajulam e usurpam o repertório de Djavan - quando estes gravam sucessivos álbuns de covers, sempre com os mesmos arranjos sem criatividade que imitam muito mal a música de Zeca Pagodinho e diluem o samba de gafieira com clichês estereotipados, por mais que pareçam corretos e tentem soar como "samba sério". Estes não gravam covers para se reciclarem artisticamente, mas como único apelo de tentarem se associar à MPB de alguma forma, mesmo sendo artisticamente muito fracos, por mais que a superprodução de suas apresentações tente mostrar o contrário.

Djavan é diferente. Ele é um artista da MPB autêntica, um compositor de primeira linha. Tão talentoso que pode, de vez em quando, gravar repertório alheio, porque sabe que trabalhará de forma bem pessoal. De fato, é um artista competente que cria suas grandes canções e recria as canções alheias no seu próprio estilo.

Sem dúvida alguma, Djavan tem uma trajetória grandiosa que certamente não se resume a "Oceano", apesar desta ser também uma de suas grandes canções. Mas "Oceano" é apenas um único exemplar de um repertório altamente respeitável e admirável. E que ficará na História, com certeza.