domingo, 5 de setembro de 2010

EGBERTO GISMONTI É APLAUDIDO DE PÉ EM PERNAMBUCO


EGBERTO GISMONTI - A MPB AUTÊNTICA NÃO É AQUELA QUE LOTA MICARETAS, VAQUEJADAS, "BAILES FUNK" E PLATEIAS DA TV ABERTA, MAS A QUE TEM A MUSICALIDADE COMO ELEMENTO PRIMORDIAL.

Vamos comparar duas coisas. Há o espetáculo de entretenimento, em Nova York, com uma certa cantora baiana que nada faz senão adaptar o comercialismo chocho de Beyoncé Knowles ao "padrão cultural nacional" do Brasil. Um grande hype,um grande junk food musical travestido de falso ouro, com corantes, aromatizantes e estabilizantes midiáticos, cortesia do PiG

Mas, de outro, temos o genial pianista e arranjador Egberto Gismonti, que de fato traduziu a linguagem do rock progressivo numa linguagem puramente brasileira, na fiel tradição erudita de Heitor Villa-Lobos.

Pois o músico se apresentou na seção Recife do MiMo (Mostra Internacional de Música de Olinda), ontem à noite, em companhia da Orquestra de Sopros da Pró-Arte, composta por músicos jovens, num surpreendente entrosamento artístico que se destacou também pelo talento amadurecido da orquestra, cujos músicos são de uma geração que em maioria foi desestimulada a ouvir a MPB autêntica, mas que, como exceção à regra, romperam a norma e executaram versões de músicas de Tom Jobim, Baden Powell e Hermeto Pascoal.

A apresentação, ao se encerrar, culminou nos aplausos entusiasmados da plateia, e até mesmo por pessoas que foram assistir ao evento pelo lado de fora. O que mostra que a música de qualidade, tal qual um alimento nutritivo, não é bem visto por certas pessoas, mas que certamente prevalecerá, na posteridade, sobre o entretenimento vazio em que um excedente de coreografia, visual e iluminação servem apenas para disfarçar a fragilidade artística da música apresentada, no caso da apresentação no Madison Square Garden. Apresentação de quem, mesmo? Pergunte a Acarajette Lovve.

Palmas para Egberto Gismonti e sua música original, que não depende da grande mídia para fazer sucesso e conquistar o público. E palmas para a Orquestra de Sopros da Pró-Arte, porque aposta na recuperação da imagem da MPB autêntica arranhada há anos pela mídia golpista e pela esnobe intelectualidade etnocêntrica.

Porque a Música Popular Brasileira de verdade irá sobressair a todo o sucesso desse Marketing Popular Brasileiro que por enquanto é hegemônico. Até porque música de verdade não precisa lotar vaquejadas, micaretas e "bailes funk" para ser reconhecida. Seu reconhecimento é, simplesmente, pelo valor da própria música.