sábado, 4 de setembro de 2010

CAMPANHA PARA LIMITAR A PROPRIEDADE DE TERRA



O coronelismo é o mais grave problema do Brasil. A concentração de terras é um fenômeno que acontece desde os tempos do Brasil colonial, e está relacionado direta ou indiretamente aos mais diversos problemas vividos pelo país, e que impedem que sua condição de país terceiro-mundista seja superada.

O Brasil é considerado o segundo país com maior concentração de terra do mundo, com 44% de todas as terras do território nacional controladas por 1% dos proprietários rurais. Há também claras associações de latifundiários com o imperialismo estrangeiro, o que faz com que nossas riquezas não nos pertençam, mas sejam entregues a grupos "transnacionais".

Há o estímulo governamental ao agronegócio - que na verdade é uma tradução moderna do latifúndio, através do novo coronelismo - e às monoculturas em grande escala (cana, soja, pecuária, eucalipto), que provocam sérios danos ambientais e que já afeta seriamente a meteorologia do Brasil, provocando até mesmo a incidência de ciclones e no prolongamento de climas secos em certas áreas e em chuvas prolongadas e trovejantes em outras.

A expansão do latifúndio empobrece a população rural, e, em certos casos, transforma várias cidades do interior em verdadeiras "cidades-fantasmas", como já está ocorrendo no interior de Estados como a Bahia. A violência do campo se agrava, os problemas ambientais se tornam cada vez mais preocupantes e o desemprego atinge índice alarmante.

O êxodo rural torna-se a consequência natural dessa tirania coronelista que tanto mancha a nossa história. A questão agrária torna insuportável a sobrevivência no campo. Mas os problemas das populações rurais que migram para as cidades só pioram, como o crescimento de favelas e outras moradias precárias, o aumento do desemprego, a decadência salarial e o aumento da violência urbana.

Até mesmo a cultura brasileira está sendo degradada pelo poder latifundiário, porque quase todas as tendências supostamente associadas à "música popular brasileira" (breganejo, sambrega, "funk carioca", forró-calcinha, axé-music, "funk carioca", brega setentista, tecnobrega, "sertanejo universitário", porno-pagode) contam com o mais aberto apoio dos latifundiários, que chegam até mesmo a financiar diretamente as primeiras apresentações de seus ídolos, como se vê no breganejo, no forró-calcinha e no "sertanejo universitário" (este uma clara expressão das elites do agronegócio).

Junto a isso, há todo um processo de domesticação cultural das classes populares, como forma de explícito controle social, claramente financiado pelas elites latifundiárias, com o claro objetivo de criar um grande consentimento popular com os privilégios estratosféricos dos grupos de poder que controlam o Brasil.

A Reforma Agrária tem como finalidade criar emprego e renda e reduzir a saída da população rural para as cidades. E por isso que o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) realiza este mês um plebiscito de iniciativa popular pelo limite de propriedade de terra no país. O projeto visa fortalecer o debate sobre a Reforma Agrária.

A votação acontece até o próximo dia 07, Dia da Pátria, durante o evento Grito dos Excluídos.

O site da campanha tem todos os detalhes sobre ela e sobre outros eventos relacionados:

http://www.limitedaterra.org.br.

INTERNAUTAS FAZEM MALDADE COM MARIANA GROSS



Como existe crueldade e reacionarismo em nosso país. E não é só esse blog ou outras pessoas e entidades progressistas que são vítimas de ataques ou ameaças.

Mesmo jornalistas como a doce e graciosa Mariana Gross, a linda repórter da TV Globo do Rio de Janeiro, são vítimas de atos grotescos e violentos.

Andam espalhando na Internet que Mariana morreu drogada, depois de internada num hospital. Alguns caluniadores estão fazendo essa campanha contra a bela jornalista, que, sabemos, está muito bem de saúde e fez uma simpática reportagem sobre borboletas no RJ TV.

Só porque Mariana Gross é magra, não significa que ela seja uma pessoa doentia e mórbida. Tais mensagens, aparentemente motivadas pelo falecimento de uma homônima da repórter, atuam com o fim de causar danos morais a ela, além de demonstrar um grave preconceito contra pessoas magras.

Isso é muito grave, porque existem pessoas invejosas, agressivas e arrogantes, que exibem seu reacionarismo porque não têm o que fazer. Porque querem zoar, mesmo, sem respeito ao ser humano.

Espero que Mariana - que também tem um blog, Suspirada e, assim como eu, nasceu sob o signo de Áries - tome conhecimento dos tristes boatos a seu respeito e reúna artifícios legais para processar quem quer que seja. Eu já enviei mensagem para o portal G1 denunciando esse lamentável ato.

Sou solidário a essa figura admirável e simpática que é a dedicada profissional Mariana Gross. Desejo muito sucesso a ela e muita superação diante desse lamentável incidente.

ATÉ QUANDO SE DESPREZARÁ O CONTRASTE ENTRE BREGA-POPULARESCO E MOVIMENTOS SOCIAIS?



MÃES DE MAIO - Os movimentos sociais não dançam o "rebolation" nem o "funk", tecnobrega e similares.

Quem lê este blog sabe muito bem que a "paçoca" servida por Pedro Alexandre Sanches tem um gosto azedo de artigo folhista. A análise da música brega-popularesca, mesclada apenas com informações da Música Popular Brasileira do passado - numa abordagem que lembra bem a análise histórica de Francis Fukuyama, que também cita os movimentos sociais isolados no seu contexto passadista, "ultrapassado" - , invade a mídia de esquerda sem que qualquer pessoa desconfie da manobra. Já foi escrito aqui sobre isso várias vezes, mas o problema é que ninguém até agora caiu na real.

A música brega-popularesca, que historicamente está ligada sempre ao poderio da grande mídia, se alimentou por décadas e décadas da indústria do jabaculê. É uma música que, em seus vários estilos (que são mais fetiches do que "linguagens regionais", "diferentes" sabores de um mesmíssimo produto), é tendenciosa, medíocre, apátrida e simboliza uma visão domesticada e estereotipada do povo pobre, trabalhada com mal disfarçado paternalismo por uma intelectualidade que tenta dominar até mesmo o pensamento cultural de esquerda.

Mas hoje, como a música brega-popularesca, nos últimos dez anos, ameaça desaparecer e colocar seus ídolos no ostracismo, foi lançada uma campanha dotada de um discurso confuso e ideologicamente esquizofrênica. Fala-se de forma tão hipócrita em "movimentos sociais da periferia", quando entre uma e outra abordagem encontram-se conceitos tipicamente neoliberais, mesmo entre uma e outra discurseria pretensamente pós-moderna e pseudo-militante.

Dessa maneira, o tecnobrega, trabalhado por Pedro Alexandre Sanches como uma suposta "antropofagia", dentro de uma visão claramente etnocêntrica de um crítico paulista que quer julgar a periferia do Pará sob o ponto de vista de paulistano zona-sul, esconde todo um arsenal teórico neoliberal, como é o caso da ideia de "globalização" aplicada à cultura. Da mesma forma que, no discurso neoliberal, "não temos" mais nacionalismos, mas os "novos" conceitos de "democracia" defendidos pelo capitalismo atual, "não temos" mais o antigo nacionalismo musical, mas o "moderno" conceito de "diversidade cultural" defendido pela cultura pop (na prática "cultura pop" é o equivalente lúdico da ideologia capitalista).

Ninguém percebe o contraste que se tem entre o brega-popularesco, e seu entretenimento caricato e conformista, e os movimentos sociais que acontecem no país e no mundo. O contraste é gritante, é chocante, porém mais chocante ainda é o desprezo que a própria opinião pública de esquerda tem por esse contraste.

De um lado, é a luta autêntica das classes populares contra a opressão do poder dominante. É o lado dos movimentos sociais, da busca do povo pela qualidade de vida, pelas melhorias sociais, pelo fim das injustiças e do sofrimento.

De outro, porém, é tão somente o entretenimento caricato, estereotipado e claramente medíocre. Dá para ver a diferença dos ativistas sociais e os ídolos brega-popularescos, porque estes soam tão tolos, risíveis e patéticos, em nada lembrando a dedicação séria daqueles, que, mesmo agindo com humor e até mesmo algazarra, nunca sucumbiriam ao tolo nem ao grotesco nem ao piegas.

O problema é que vivemos a ditadura da intelectualidade etnocêntrica. Gente que se diz de esquerda, mas se observarmos o passado de Pedro Alexandre Sanches, por exemplo, verá que ele estava do lado de José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Pedro Malan, Gilberto Dimenstein etc.

Gente, Pedro Alexandre Sanches é cria da FOLHA DE SÃO PAULO e ninguém desconfia de coisa alguma!! Ele é tratado como se, antes de passear pelas redações esquerdistas, ele só trabalhou em zines universitários ou em jornais sindicalistas. Balelas! Quando lhe convinha, Pedro Sanches trabalhou na Folha e na Abril todo feliz da vida, fazendo o jogo da grande mídia. E quem vê seus artigos na sua fase "esquerdista", sabe muito bem que sua abordagem cultural mantém totalmente a abordagem neoliberal que ele aprendeu na Ilustrada.

É um grande absurdo creditar como "movimentos sociais" um simples ato de jovens pobres irem que nem gado ao clube suburbano da moda só para ouvir os sucessos brega-popularescos que rolam no rádio (dominado por oligarquias regionais, diga-se de passagem). É rir da cara do povo, e rir da cara do povo com o rosto coberto da bandeira do socialismo é até pior do que um neoliberal condenar o povo. Porque, neste caso, o neoliberal assumido é um reacionário sincero, assumido, é verdadeiramente cruel, enquanto o neoliberal enrustido vê o povo de forma domesticada mas tenta posar de socialista só para dizer que gosta de pobre.

Só que não se gosta de povo pobre adotando essa postura cinicamente paternal, obrigando o povo a sucumbir ao padrão medíocre de "sua" cultura. É muito fácil também, para intelectuais que, de repente, passaram a odiar a MPB autêntica dos anos 60/70 - que aparentemente não cumpriram a revolução cultural que prometiam - e querem transformar Waldick Soriano, Odair José, Benito di Paula, Michael Sullivan e o que vier na cola em "subversivos" e "revolucionários".

Repetindo: isso é um grande absurdo. É tratar a opinião pública como trouxa. Evidentemente, música de qualidade não está relacionada com sofrimento e dor, mas também não é essa alegria ao mesmo tempo patética, chinfrim, estereotipada, apátrida e domesticada do brega-popularesco. Até porque a música brega-popularesco é apoiada claramente pela Globo, Folha e Abril (esta através das revistas Contigo e Tititi e, às vezes, por Caras), com um entusiasmo que não dá para desmentir.

Além do mais, a defesa intelectualóide ao brega-popularesco, seja a música, sejam os valores associados, como se fosse um substituto brasileiro dos movimentos sociais, acaba sendo uma cruel repressão à verdadeira iniciativa das classes pobres, na medida em que a verdadeira revolta popular incomoda não somente os editores de Veja, Folha de São Paulo, O Globo e similares, mas também os adeptos da cafonice dominante que se escondem em blogs pseudo-progressistas ou nas páginas de Caros Amigos e outros veículos da mídia esquerdista.

Porque o terror de Gilberto Dimenstein, de André Petry, de William Waack, de Marcelo Madureira, de que venham novos Pixinguinhas, novos Jacksons do Pandeiro, novos Sinhô, novos Cornélio Pires, novas Marinês, novos Gonzagões, é o mesmo terror de Pedro Alexandre Sanches, Sakamoto, Patolino, Paulo César Araújo, Eugênio Raggi e outros.

A formação burguesa não mente, e deixa-se vazar mesmo na mais neurótica pretensão esquerdista. O medo de ver os verdadeiros movimentos sociais florescerem de verdade no Brasil os faz atribuir como "movimentos sociais" a mera expressão subordinada de uma pseudo-cultura estereotipada, apátrida, medíocre e caricata. Povo domesticado é bom para a suposta "paz social" que garante os privilégios dos donos do poder.

Por isso essa intelectualidade pró-brega é bem suspeita, porque suas pretensões "socialistas" não os impedem de expor seus preconceitos que definem o povo como uma massa ingênua, subordinada e domesticada, os mesmos preconceitos defendidos pelos barões da mídia golpista.

Para esses intelectuais, é bom deixar que os movimentos sociais ocorram bem longe daqui, lá pelos arredores de Caracas, Cuba e Tel-Aviv, e deixar o povo brasileiro à mediocridade patética do "rebolation", do "funk", do tecnobrega, axé-music e outras cafonalhas.

A VERDADEIRA CARA DO ENTRETENIMENTO POPULARESCO É ESSA



Essa é para quem se prepara para fazer um ensaio intelectualóide sobre as popozudas, lançando mão de todo um arsenal discursivo antropo-sociológico-pos-moderno-militante-concretista com direito a narrativas imitação de new journalism e arremedos de abordagem com base na História das Mentalidades.

Quando se trabalha com entretenimento brega-popularesco sem ver sua verdadeira cara, eis que a direita neoliberal tira sua máscara e, olhe só o que vemos. Cliquem na foto para ver a mensagem com mais clareza.