terça-feira, 31 de agosto de 2010

SESSÃO NINGUÉM MERECE: MULHER CLASSUDA CASADA



Já que o assunto é o fim do Jornal do Brasil, vamos lembrar também de um fato ocorrido há cerca de um ano, mas também causa tristeza em muitos: o casamento da maravilhosíssima jornalista Antônia Leite Barbosa, que escrevia para a revista Domingo JB.

Ninguém merece. Mais uma mulher fascinante casada. E o que sobra, em maioria, são as boazudas e marias-coitadas. Blah!

BIOGRAFIAS DE PRISCILA PIRES (OU ANAMARA, ETC.)?



Mal estar nos bastidores das Organizações Globo. O papel de Erika Mader no seriado Na Lama e Na Fama, do canal Multishow, teria sido copiado da personagem de Deborah Secco para a novela Insensato Coração, da Rede Globo, que irá ao ar em janeiro próximo.

Ambas as personagens são inspiradas em casos de moças ex-integrantes de riélites tipo Big Brother Brasil que tentam a todo custo se manter em evidência na mídia. O autor Gilberto Braga, no entanto, afirmou que vai manter o perfil de Natali, personagem de Deborah.

Mas a gente pergunta se realmente isso é um plágio ou é mera coincidência.

Afinal, é preocupante que personagens que simbolizam o vazio existencial humano, como Priscila Pires e Anamara, que são umas grandes nulidades, se mantenham na mídia de tal forma. Sobretudo Priscila Pires, que se afirma "jornalista", mas nem de longe fez uma atividade parecida com o ramo (e olha que eu disse uma atividade parecida com jornalismo).

Enquanto isso, a "Rosa do comercial da Ford" apareceu em vários comerciais e até no Telecurso 2010, e ninguém se preocupa em divulgar quem é ela e o que mais ela faz como atriz.

INTERNAUTAS DO R7 DÃO RECADO A EDUARDO MENGA



Repaginar é bom. O que é um homem de 57 anos ouvindo rock nacional, fazendo lipo no abdome, usando tênis e camisetas, fazendo zoeira com rapazes da idade de sua jovem esposa, dando gargalhadas nos momentos de lazer? Um crianção? Errado. Trata-se de um homem que não tem medo de viver.

Em 1968, Eduardo Menga era um adolescente de 15 anos quando titios como Abbie Hoffman, nos EUA, e Ezequiel Neves, no Brasil, não tinham medo de terem um espírito jovem. A máxima entre os jovens de então era a imaginação do poder, o ideal do Poder Jovem.

Lulu Santos também era um garotão de 15 anos, mas ele não é o tipo que espera que um Gabriel O Pensador lhe chame pelo vocativo de "senhor" para fazer uma parceria. Pelo contrário, os dois se entrosam como se fossem ainda dois colegas calouros da faculdade. E Serginho Groisman, em 1968, já havia entrado na maioridade. Não podia votar (vivíamos na ditadura militar), mas podia assumir certas responsabilidades na vida.

As coisas mudaram e, se a Contracultura não conseguiu transformar o mundo numa Woodstock Nation, pelo menos provocou vários abalos no modo de vida do homem adulto. Hoje não dá mais para pensar o homem de 40 ou 50 anos como há 40 ou 35 anos atrás (nos anos 70 a burguesia ainda resistia com sua caretice), aquele homem taciturno, sisudo, apegado a formalidades, obrigações e regras de etiqueta ou elegância rijas.

A votação dos internautas do R7 elegeu Bianca Rinaldi como atriz mais bela. Como ator mais belo, elegeram Reinaldo Giannechini. A edição do portal R7, aqui reproduzida, colocou lado a lado Bianca e Reinaldo, algo que poderia constranger o citado marido de Bianca, também pai de Vanessa Menga e outros trintões, além de duas gêmeas da relação atual.

Serginho Groisman, Carlos Alberto Riccelli (galã injustiçado, espécie de Giannechini dos anos 70, é surpreendentemente jovial aos 64 anos!), Kid Vinil, Lulu Santos, Evandro Mesquita e outros alertam para a gravidade da situação em que uma geração de empresários e profissionais liberais sisudos, nascidos entre 1950 e 1955, estão vivendo.

Estes, isolados num padrão de sisudez que eles entendem, erroneamente, como "comportamento maduro e sofisticado", a cada dia veem o fracasso desse padrão de vida, temperado por eventos formais e pelo uso de sapatos que lhes dõem nos pés mas aconchegam o ego nostálgico de antigas elegâncias, por uma personalidade que se estressa nas horas de lazer porque é apegada ao rigor das normas sociais mais caretas, moralistas e paranoicamente "profissionais". Nem a recente moda das camisas abotoadas para fora e do uso de calças jeans para "quebrar" a formalidade dos ternos consegue dar resultado, diante da obsessão, ainda, da elegância forçada e sisuda e do uso dos desconfortáveis e sem graça sapatos de couro ou de verniz.

Envergonhados, uns até fogem das colunas sociais, antes suas maiores vitrines midiáticas, em vez de se adaptarem para os novos tempos. A vida grita para eles só que eles, aos 50 e tantos anos, acham que não podem sofrer pressões na vida. Mas sofrem e sofrerão em dobro, sobretudo quando estão casados com moças bem mais jovens, o que exige a eles responsabilidades sociais que o padrão conservador de cinquentões não oferece. Mas que a realidade torna a cada dia muito, mas muito mais urgente.

Afinal, há mais de 50 anos, Norman Mailer havia escrito The White Negro, que fazia sérias críticas ao perfil submisso, careta e forçado do homem, que o autor batizou de square. Almir Ghiaroni, sisudo oftalmologista carioca e aspirante a romancista, afirmou ter lido Mailer, sem se dar conta que ele se enquadra perfeitamente no perfil square descrito pelo autor.

Roberto Justus teve que recorrer a um ex-integrante do Dominó e também publicitário para, pelo menos, se tornar bastante descontraído nos programas de TV. Certamente não tem a desenvoltura da jovialidade natural de Evandro Mesquita e Serginho Groisman, mas isso diz muito de como as pressões sociais agem e continuam agindo na vida.

Ingênuo é quem acredita que as pressões da vida terminam com a meia-idade. Se os presidentes da República, em sua maioria idosos, são os que mais são pressionados pela vida, mais do que qualquer cidadão comum, mesmo jovem.

E também é tolice dizer que o homem cinquentão não pode se tornar jovial pelo pretexto da "ditadura da eterna juventude". O ser humano amadurece e o corpo envelhece, é verdade. Mas a verdade é que é muito mais imaturo um homem de 55 anos querer parecer mais diferente do que ele mesmo era aos 22, como se "ele mesmo" aos 55 e 22 fossem pessoas diferentes e inimigas, do que um homem que permanece com sua personalidade jovial o tempo todo.

Não é à toa que, por mais que Almir Ghiaroni, Eduardo Menga e similares tentem carregar na sua sisudez "adulta" e "madura", Serginho Groisman sempre está na frente deles, seja na idade, seja, em contrapartida, no espírito naturalmente jovem e, por isso mesmo, verdadeiramente maduro.

CAMPANHA POR 'MANOS E MINAS' REÚNE OUTROS MANOS



É certo que o assunto é outro que não o brega-popularesco. Mas a campanha para a manutenção do programa Manos e Minas, na grade da TV Cultura, voltou a reunir verdadeiros brothers, legítimos manos da mídia neoliberal de São Paulo: o articulista da Folha, Gilberto Dimenstein, e o crítico musical Pedro Alexandre Sanches, por enquanto passeando pelas redações da mídia esquerdista.

A adesão conjunta dos dois dá esperança de que Pedro Sanches volte, feito um filho pródigo, para as páginas da Folha de São Paulo, sua grande escola de "jornalismo", lugar certo para ele falar bobagens como dizer que "Fábio Jr. é legal", "Calcinha Preta e Parangolé têm valor artístico" e "Tecnobrega aplica lições da antropofagia modernista (sic)".

Portanto, só Manos e Minas para promover a confraternização de antigos manos.

DEFESA DO BREGA-POPULARESCO ADOTA DISCURSO CONFUSO


OSWALD DE ANDRADE - Público de brega-popularesco nunca ouviu falar do escritor modernista, mas ideólogos mesmo assim o associam a seu universo.

O discurso que os intelectuais que defendem a música brega-popularesca é confuso. Desprovido da visão objetiva e analítica necessária à abordagem da cultura brasileira, todos os discursos apologéticos em prol de estilos como axé-music, "funk carioca", tecnobrega, brega dos anos 70 e outros, apelam para um engodo teórico claramente publicitário, mesmo sob a roupagem ou mesmo a condição formal de teses de pós-graduação e artigos acadêmicos.

Seria alongar demais mostrar uma por uma as provas desse discurso confuso, mas as fontes indicadas, quando lidas com muita atenção, sempre apontam para uma retórica confusa, em que o discurso faz verdadeiros malabarismos para se tornar mais convincente do que coerente. O que mostra o quanto nossa intelectualidade está em crise, porque a elite docente da pós-graduação brasileira, salvo exceções, é tão cheia de frescuras em vetar anteprojetos sérios porque "não são muito científicos", mas aceita publicar textos que não passam de verborragia publicitária.

Mas podemos dizer os textos, para nossos leitores pesquisarem. Tem o texto "Esses Pagodes Impertinentes..." do baiano Milton Moura, na revista Textos de Cultura e Comunicação, de 1996. Tem o texto de Bia Abramo, "O funk e a juventude pobre carioca". Tem o texto de divulgação do programa "Central da Periferia", de Hermano Vianna, disponível na Internet. Tem o texto de Pedro Alexandre Sanches sobre o tecnobrega, "A índia negra branca do Pará". Tem o livro História Sexual da MPB, de Rodrigo Faour, no capítulo sobre "funk carioca". Tem o livro Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César Araújo.

Algumas dessas fontes podem ser obtidas nas bibliotecas (inclusive as universitárias, como no caso do texto de Milton Moura, na da UFBA) e livrarias. Mas, é bom tomar muito cuidado: esses textos seduzem o leitor do começo ao fim.

Afinal, apesar da roupagem formalmente intelectual, esses textos NÃO SÃO textos científicos. São verdadeiras mensagens publicitárias. As argumentações neles contidas são desprovidas de sentido real e coerente. Afinal, como atribuir ao tecnobrega uma suposta antropofagia, como escreve delirantemente Pedro Alexandre Sanches no referido texto? O público do tecnobrega não conhece Oswald de Andrade, o pensador da antropofagia cultural. Seria preciso uma minissérie de verão da Rede Globo, para dar uma vaga noção do poeta modernista para o grande público que consome popularesco. Vaga, porque o pessoal, no fim de um dia de Big Brother Brasil, estará com muito sono para acompanhar a hipotética biografia de Oswald na Globo.

As abordagens em prol do brega-popularesco seguem um discurso apelativo. Em primeiro lugar, justificam o sucesso dos estilos brega-popularescos com a alegação de que é "a verdadeira cultura popular", tentando trabalhar a abordagem do hit-parade brasileiro como se fosse um "novo folclore", quando sabemos ser isso impossível, diante de inúmeros mecanismos de mercado que seria cansativo mencionar aqui, mas que já escrevi numa e noutra ocasião (como o texto sobre os donos da música brega-popularesca).

Em segundo lugar, há o recurso etnocêntrico que visa associar os ritmos popularescos (na prática produtos da grande mídia regional, depois difundidos pela mídia nacional de uma forma ou de outra) às tendências folclóricas similares, tal qual se associa um doce enlatado com sabor artificial à fruta que resultou desse produto. Como por exemplo creditar o porno-pagode baiano ao samba-de-roda do Recôncavo Baiano, no texto de Milton Moura, supra citado.

Em terceiro lugar, há o recurso do marketing da exclusão, usando e abusando da ideia de "vítimas de preconceito", e a abordagem discursiva, em todas as fontes indicadas, é defendida da forma mais subjetivista possível, por vezes panfletária (como no livro de Paulo César Araújo), por vezes ofensiva, como na acusação jocosa e esnobe de Milton Moura, que atribuiu o rótulo de "elitista" a quem rejeita o porno-pagode baiano puxado pelo É O Tchan. Mas em uma passagem ou outra, seja no texto de Hermano Vianna, seja no de Bia Abramo, sempre tem uma choradeira contra o dito "preconceito" aos estilos popularescos, e nota-se facilmente um tom de irritação em certas passagens.

Em quarto lugar, é a vez de pincelar o discurso com alegações surreais. Como o tratamento "diferenciado" dado ao "funk carioca", que em várias de suas abordagens apologéticas, não só a de Bia Abramo como a de qualquer outro a falar bem do ritmo brega-popularesco carioca, foi tratado como se fosse uma mistura de Semana de Arte Moderna, Revolta de Canudos, movimento punk/new wave e Tropicalismo. As comparações podem não ser explícitas, mas no decorrer do discurso, são sutilmente trabalhadas, o que torna o discurso surreal, na medida em que a gente, quando toca um CD de "funk carioca", não vê um pingo sequer dessas referências tão ricas supostamente atribuídas ao dito "movimento".

Com essas quatro etapas, trabalhadas não necessariamente nessa ordem - elas dependem do sabor da abordagem feita por cada autor - , resta também certas mentiras, como creditar os estilos brega-popularescos como "discriminados pela grande mídia", quando eles ganham acesso na grande mídia até com extrema facilidade, com as portas escancaradas e tapete vermelho incluídos. É o caso do "funk carioca" e do tecnobrega, trabalhados retoricamente como se fossem "fenômenos sem-mídia", mas que tão rapidamente foram adotados pelas Organizações Globo como seus filhos adotivos tão queridos.

Infelizmente, a frase de Chacrinha - "vim para confundir, e não para explicar" - se aplica a esses defensores da Música de Cabresto Brasileira, na forma mais nociva. São retóricas que não esclarecem, apenas servem para persuadir a opinião pública. O que mostra o quanto muitos de nós se tornam indefesos diante de abordagens tão confusas, onde os argumentos não servem para buscar a verdade nem para resolver contradições. Antes essas retóricas reforçam as contradições, em vez de resolvê-las. As retóricas mais parecem discursos publicitários disfarçados de teses científicas, de reportagens ou manifestos culturais. Só servem para "vender o peixe com mais categoria".

Esses "cientistas sociais" e jornalistas que defendem o brega-popularesco podem ser ruins de fazer teses com honesta objetividade. Mas pelo menos já passaram do teste para, quem sabe, fazer um novo comercial de sabão.