quarta-feira, 25 de agosto de 2010

TICIANA VILLAS BOAS SE CASOU! BUÁÁÁÁ!!!!



A jornalista da TV Bandeirantes, Ticiana Villas Boas, 30, se casou com o economista Fábio Malheiros, da mesma idade que este humilde blogueiro que lhes escreve, 39 (mas certamente já vivendo como um quarentão, como reza o estilo de vida sisudo dos profissionais liberais - enquanto eu, com os mesmos 39 anos, ainda moro com meus pais e tenho um estilo de vida bem mais jovem).

É outra jornalista baiana que se casa, sabendo que Rosana Jatobá, da Rede Globo, e ex-coleguinha deste mesmo blogueiro que lhes escreve, casada com um empresário de 42 anos, espera uma dupla de gêmeos. E Elaine Bast sumiu, porque agora vive com os filhos e o marido...economista.

Ticiana e seu lycky bastard - legal, estou indo no clima do Popoholic - foram viajar para Grécia, Turquia e Itália na sua lua-de-mel.

Enquanto isso, a "jornalista" Priscila Pires se limita a dizer que está com um affair (que a mídia de celebridades pronuncia como se fosse namorico sem importância).

Alguém tem uma dica de skate rock para eu ouvir no YouTube?

A CARTA DE LÚCIO FLÁVIO PINTO AOS BLOGUEIROS


JORNAL O LIBERAL, EXPRESSÃO DAS OLIGARQUIAS DO PARÁ

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Não dá para acreditar em dois Parás, o "Pará-paraíso" do tecnobrega e o Pará explosivo dos conflitos sociais. Os dois não passam de um só, porque o entretenimento do brega-popularesco é financiado claramente pelas elites. Mas isso é uma outra história, que no entanto faz parte do contexto de poder midiático e oligárquico do Estado nortista, conforme denúncia de Lúcio Flávio Pinto em carta enviada para o Encontro dos Blogueiros Progressistas. A leitura da carta recebeu aplausos entusiasmados da plateia solidária.

A carta de Lúcio Flávio Pinto aos blogueiros #blogprog

Do blog Viomundo

O jornalista Lúcio Flávio Pinto, de Belém (PA), é ganhador dos principais prêmios de Jornalismo no Brasil. É um exemplo de ética, coragem, competência e dignidade para todos nós que atuamos na imprensa.

Por falar a verdade contra os poderosos do Pará, responde a vários processos. Desde que eles começaram, Lúcio Flávio procurou oito escritórios de advocacia de Belém. Nenhum aceitou defendê-lo.

A sua participação estava prevista no 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressitas. No entanto, não pode comparecer, pois na segunda-feira teve de apresentar agravo a um dos processos.

Para representá-lo, veio o filho Angelim Pinto. Em nome de Lúcio Flávio, leu esta mensagem aos participantes do encontro. Palmas da plateia interromperam-na várias vezes (Conceição Lemes):

"Caros amigos blogueiros Sinto-me muito honrado pelo convite, que devo ao Azenha e à Conceição Lemes, para participar deste encontro. É uma iniciativa generosa e gentil para com um analfabeto digital, como eu. Garanto que sou capaz de ligar e desligar um computador, de enviar e receber mensagens. Não garanto nada a partir daí.

Como, então, estou aqui? Sou – digamos assim – um blogueiro avant la léttre. Não podendo ser um tigre, posto que sou Pinto, fui precursor na condição de blogueiro de papel – e no papel. Às vezes, por necessidade, também um tigre in fólios – e nada mais do que isso.

Em 1987, eu tinha 38 anos de idade e 22 de profissão e me vi diante de um dilema.

Numa vertente, a carreira profissional bem assentada em O Estado de S. Paulo, então com 16 anos de “casa”, e também no grupo Liberal, a maior corporação de comunicação do norte do país, no qual tinha 14 anos, com um rompimento pelo meio, quando tentaram me censurar, logo superado pelo restabelecimento da minha liberdade de expressão.

Na outra vertente, uma matéria pronta, importante, mas que não encontrava quem a quisesse publicar. Era o desvendamento do assassinato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles, por morte de encomenda, executada na área metropolitana de Belém, o primeiro crime político em muitos anos na capital do Pará. O Estadão publicara todas as matérias que eu escrevera até então sobre o tema. Mas aquela, que arrematava três meses de dedicação quase exclusiva ao assunto, era, segundo o editor, longa demais.

Já O Liberal a considerava impublicável porque ela apontava como envolvidos ou coniventes com a organização criminosa alguns dos homens mais poderosos da terra, dois deles listados entre os mais ricos. Eram importantes anunciantes. Ao invés de me submeter, decidi ir em frente.

Aí, há 23 anos nascia o Jornal Pessoal, sem anunciantes, feito unicamente por mim, assemelhando-se aos blogs de hoje. Um blog impresso no papel, que exerceu na plenitude o direito de proclamar a verdade, sobretudo as mais incômodas aos poderosos.

Em janeiro de 2005, depois de muitas ameaças por conta desse compromisso, fui espancado por Ronaldo Maiorana, um dos donos do grupo do grupo Liberal, que na época era simplesmente o presidente da comissão em defesa da liberdade de imprensa da OAB do Pará. Eu estava almoçando ao lado de amigos em restaurante situado num parque público de Belém, quando agressor me atacou pelas costas, contando com a cobertura de dois policiais militares, que usava – e continua a usar – como seus seguranças particulares.

Qual a causa da brutalidade? Um artigo que publiquei dias antes sobre o império de comunicação do agressor. O texto não continha inverdades, não era ofensivo, nem invadia a privacidade dos personagens. Mas desagradava aos senhores da comunicação. Embora tendo a emissora de televisão de maior audiência do Estado, afiliada à Rede Globo, o jornal que ainda era o líder do segmento (já não é mais) e estações de rádio, não usaram seus veículos para me contraditar ou mesmo atacar com o produto que constitui seu negócio, a informação.

O que resultou dessa agressão? Da minha parte, a comunicação do fato à polícia, que enquadrou o criminoso na forma da lei. Mas o agressor fez acordo com o Ministério Público do Estado, entregou cestas básicas a instituições de caridade (uma delas ligada à família Maiorana) e permaneceu solto, com sua primariedade criminal intacta. Já o agressor, com a cumplicidade do irmão mais velho e mais poderoso, ajuizou contra mim 14 ações na justiça, nove delas penais, com base na Lei de Imprensa da ditadura militar, e cinco de indenização.

O objetivo era óbvio: inverter os pólos, fazendo-me passar da condição de vítima para a de réu. Em quatro das ações eu era acusado de ofender os irmãos e sua empresa por ter dito que fui espancado, quando, segundo eles, eu fui “apenas” agredido. Mais um dentre vários absurdos aviltantes, aos quais a justiça paraense se tem prestado – e não apenas aos Maiorana, já que me condenou por ter chamado de pirata fundiário o maior grileiro de terras do Pará e do universo, condição provada pela própria justiça, que demitiu por justa causa todos os funcionários do cartório imobiliário de Altamira, onde a fraude foi consumada, colocando ao alcance do grileiro pretensão sobre “apenas” cinco milhões de hectares.

Os poderosos, que tanto se incomodam com o que publico no Jornal Pessoal, descobriram a maneira de me atingir com eficiência. Já tentaram me desqualificar, já me ameaçaram de morte, já saíram para o debate público e não me abateram nem interromperam a trajetória do meu jornal. Porque em todos os momentos provei a verdade do que escrevi. Todos sabem que só publico o que posso provar. Com documentos, de preferência oficiais ou corporativos. Nunca fui desmentido sobre fatos, o essencial dos temas, inclusive quando os abordo pioneiramente, ou como o único a registrá-los. Não temo a divergência e a contradita. Desde então, os Maiorana já me processaram 19 vezes.

Nenhuma das sentenças que me foram impostas transitou em julgado porque tenho recorrido de todas elas e respondido a todas as movimentações processuais, sem perder prazo, sem deixar passar o recurso cabível, reagindo com peças substanciais. O que significa um trabalho enorme, profundamente desgastante.

Desde 1992, quando a família Maiorana propôs a primeira ação, procurei oito escritórios de advocacia de Belém. Nenhum aceitou. Os motivos apresentados foram vários, mas a razão verdadeira uma só: eles tinham medo de desagradar os poderosos Maiorana. Não queriam entrar no seu índex. Pretendiam continuar a brilhar em suas colunas sociais, merecer seus afagos e ficar à distância da sua eventual vendetta. Contei apenas com dois amigos, que se sucederam na minha defesa até o limite de suas resistências, de um tio, que morreu no exercício do meu patrocínio, e, agora, com uma prima, filha dele.

Apesar de tantas decisões contrárias, ainda sustento minha primariedade. Logo, não posso ser colocado atrás das grades, objeto maior do emprenho dos meus perseguidores. Eles recorrem ao seu cinto de mil utilidades para me isolar e me enfraquecer.

Não posso contar nem mesmo com o compromisso da Ordem dos Advogados do Brasil. Seu atual presidente nacional, o paraense Ophir Cavalcante Júnior, quando presidente estadual da entidade, firmou o entendimento de que sou perseguido e agredido não por exercer a liberdade de imprensa, o direito de dizer o que sei e o que penso, mas por “rixa familiar”.

No entanto, dos sete filhos de Romulo Maiorana, criador do império de comunicações, só três me atacam, com palavras e punhos. Dos meus sete irmãos, só eu estou na arena. Nunca falei da vida privada dos Maiorana. Só me refiro aos que, na família, têm atuação pública. E o que me interessa é o que fazem para a sociedade, inclusive no usufruto de concessão pública de canal de televisão e rádio. E fazem muito mal a ela, como tenho mostrado – e eles nunca contraditam.

Crêem que, me matando em vida, proibindo qualquer referência a mim e meus parentes, e silenciando sobre tudo que fazem contra mim na permissiva e conivente justiça local, a história dessa iniqüidade jamais será escrita porque o que não está nos seus veículos de comunicação não está no mundo. Não chegaria ao mundo porque o controlam, a ponto tal que tem sido vão meu esforço de fazer a Unesco, que tem parceria com a Associação Nacional de Jornais, incluir meu caso na relação nacional de violação da liberdade de imprensa.

O argumento? Não se trata de liberdade de imprensa e sim de “rixa familiar”. O grupo Liberal, por mera coincidência, é um dos seis financiadores do portal Unesco/ANJ.
Após os Maiorana, o dilúvio. A maior glória do Jornal Pessoal é nunca ter sido derrotado no terreno que importa à história: o da verdade. Enquanto for possível, as páginas do Jornal Pessoal continuarão a ser preenchidas com o que o jornalismo é capaz de apurar e divulgar, mesmo que, como um Prometeu de papel, o seu ventre seja todo extirpado pelos abutres.

Eles são fortes, mas, olhando em torno, vejo que há mais gente do outro lado, gente que escreve o que pensa, apura sobre o que vai escrever e não depende de ninguém para se expressar, mesmo em condição de solidão, de individualidade, como os blogueiros, que hoje, generosamente, me acolhem nesta cidade que fiz minha e que tanto amo, como se estivesse na minha querida Amazônia."

TV CHILENA SE RENDE AO CAPITAL ESTRANGEIRO



A TV privada chilena Chilevision, do empresário e atual presidente do Chile, Sebastián Piñera, será vendida para o grupo Time Warner, anunciou comunicado da filial chilena da empresa. A emissora chilena, com isso, se entregará completamente ao capital estrangeiro, coisa que, se fosse no Brasil, seria considerada ilegal.

A aquisição da emissora chilena pelo grupo norte-americano foi confirmada e poderá ser feito um acordo de US$ 140 milhões de dólares para a aquisição total da emissora, o que fará com que a Time Warner assuma o controle total da emissora chilena.

A Chilevision é considerada uma das mais fortes do país e sua aquisição pelo grupo Time Warner fortalecerá o poder da empresa estadunidense na América Latina. Quando complear a aquisição, a emissora passará a ser operada pela Turner Broadcasting System Latin America.

A venda faz parte dos planos de Piñera de vender parte de seus ativos. No entanto, o presidente chileno manterá sua participação acionária no Colo Colo, principal clube de futebol do Chile.

A Time Warner prometeu manter a equipe que atualmente trabalha na Chilevision.

A MÍDIA E O NOVO ANALFABETISMO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Venício Artur de Lima, autor do livro Liberdade de Expressão X Liberdade de Imprensa, fala do fenômeno do novo analfabetismo, caraterizado pela incapacidade de discernimento da maioria das pessoas que, diante da overdose da informação, tendem a assimilar dados e abordagens incorretos, equivocados e até confusos.

A mídia e o novo analfabetismo

O principal problema provocado pelo excesso de informação tem sido identificado como a incapacidade do cidadão comum de "compreensão da realidade como uma totalidade". Há, todavia, outro aspecto pouco lembrado: a informação que está disponível não é nem mesmo a correta sobre fatos e dados de grande interesse público.

Por Venício A. de Lima - Observatório da Imprensa - Publicado também no site da Revista Fórum

Faz tempo que os estudiosos chamam a atenção para o problema do excesso de informação nas sociedades contemporâneas. Em precioso artigo intitulado "O novo analfabetismo", publicado no Jornal do Brasil, há exatos seis anos, Emir Sader lembrava que:

"Até um certo momento, a capacidade de compreensão do mundo, e de nós dentro do mundo, esbarrava na falta de informações. Mais recentemente, passamos a sofrer o fenômeno oposto: excesso de informações. Nos dois casos, o que sofre é a capacidade de compreensão, de apreensão dos fenômenos que nos rodeiam, que produzem e reproduzem o mundo tal qual é e nós dentro dele. (...) A informação contemporânea, massificada, fragmentada, atenta contra a capacidade de compreensão da realidade como uma totalidade. Os noticiários de televisão enunciam uma enorme quantidade de informação, sem capacitar para sua compreensão, com um ritmo e uma velocidade que impedem sua assimilação e o questionamento do sentido proposto" (íntegra aqui).

Já tive a oportunidade de argumentar neste OI que informação não é conhecimento e que o excesso de informação passou a ser sinônimo de desinformação [cf. "Internet, informação e conhecimento" in OI nº. 297 de 5/10/2004]. Além disso, o principal problema provocado pelo excesso de informação tem sido identificado como a incapacidade do cidadão comum de "compreensão da realidade como uma totalidade".

Há, todavia, outro aspecto pouco lembrado: a informação que está disponível "em excesso" nem sempre é aquela que permite a "compreensão da realidade como uma totalidade". Ou ainda: não é nem mesmo a informação correta sobre fatos e dados de grande interesse público.

Presidente muçulmano em país antimuçulmano?

Parte dos resultados de uma pesquisa nacional realizada nos Estados Unidos pelo conceituado Pew Research Center, agora divulgados, dramatiza essa nova realidade.

O número de americanos que acredita que o seu presidente é muçulmano tem aumentado ano a ano e chegou a 18% da população, em agosto de 2010. Se somados àqueles que declaram "não saber" ou que ele é de "outra religião" que não a sua, 63% dos americanos desconhecem que Barack Obama, na verdade, é cristão [ver quadro].



Quando perguntados como souberam qual a religião de Obama, 60% daqueles que acreditam que ele é muçulmano citam a mídia. Dezesseis por cento mencionam a televisão como sua fonte.

Alguns ainda podem acreditar que não se deva atribuir maior significado aos dados revelados pelo Pew Center. No entanto, bastaria lembrar a crescente onda anti-islâmica que varre os Estados Unidos [por exemplo, "The US blogger on a mission to halt `Islamic takeover´"], ou mencionar a manchete de capa da revista Time desta semana [vol. 176, nº. 9] que pergunta "A América é islamofóbica?" e publica os assustadores resultados de outra pesquisa nacional:

** 25% consideram os muçulmanos americanos não patriotas;

** 28% dos americanos afirmam ser contra um muçulmano integrar a Suprema Corte (nunca houve nenhum); e

** 33% se opõem a um muçulmano concorrendo à presidência.

E o dever de informar?

É imperativo, portanto, perguntar: se o grau de informação (desinformação?) dos americanos em relação à crença religiosa do seu próprio presidente expressa a qualidade da informação sendo oferecida pela grande mídia – sobretudo, a televisão –, estaria ela cumprindo sua missão fundamental na democracia que é informar corretamente ao cidadão?

A lição para nós, brasileiros, é a reiterada necessidade de se estar atento às muitas contradições das posições públicas assumidas pela grande mídia e suas entidades representativas.

A defesa da liberdade de imprensa em nome do direito de informar – que, na verdade, é o corolário do direito básico do cidadão de ser informado – não significa que a informação necessária e correta esteja disponível. Mesmo em sociedades onde, eventualmente, possa existir "excesso de informação".

Publicado por Observatório da Imprensa. Foto por http://www.flickr.com/photos/declanjewell/.

PARA ENTENDER A MÍDIA GOLPISTA DE HOJE E DE ONTEM



As questões da grande mídia, ligadas a interesses econômicos do empresariado, continuam os mesmos, já que se tratam de interesses de lucro e de dominação social.

Por isso mudam os personagens mas as artimanhas da mídia golpista são as mesmas no passado e hoje em dia. Apenas alguns detalhes mudam conforme o entrelaçado das circunstâncias.

É muito famoso, entre os blogueiros de esquerda do Brasil, o livro de Venício Artur de Lima, Liberdade de Expressão X Liberdade de Imprensa, que analisam as questões da grande mídia atual. É uma coletânea de textos que esclarece o próprio mito de "liberdade de imprensa" difundido ao grande público, muitas vezes em confusão com as ideias de "liberdade de expressão" e seu derivado direto, a "liberdade de opinião".

São confusões que, mesmo independente das discussões em torno do poderio da grande mídia, iludem muita gente e fazem com que, na boa fé, pessoas com pontos de vista muitas vezes sensatos errem em defender a dispensa do diploma de jornalista, achando que isso irá ampliar a liberdade de opinião em nosso país. Certamente, não vai. Opinar é uma coisa, exercer o jornalismo é coisa completamente diferente.

Mas o professor Venício A. de Lima apresenta também as questões do poder da grande mídia, cujo controle social põe vários veículos de imprensa em situações constrangedoras. Como a Folha de São Paulo, Veja e O Globo, na mídia impressa, e os jornalísticos da Rede Gllbo (sobretudo Jornal Nacional), na mídia audiovisual. Para defender suas claras posições ideológicas, esses veículos não raro sucumbem ao mais rasteiro tendenciosismo, onde a simples oposição política ao governo Lula se transforma numa doença, numa paranóia, é uma oposição que não é manifesta dentro dos limites institucionais do jornalismo profissional, mas numa verdadeira campanha de ataque puro e simples.

A grande imprensa também é famosa por condenar os movimentos sociais como se eles fossem criminosos. É irônico, porque é a mesma grande imprensa que tenta "discriminalizar" os criminosos passionais, vários deles assassinos cruéis, mas que chegam até a ser entrevistados, com estranhíssimo alarde na grande imprensa, e tratados sutilmente como coitadinhos tentando reconstruir suas vidas pessoais. Até porque um dos criminosos passionais mais famosos do país é, ele mesmo, um figurão da grande imprensa mais reacionária. E, tão reacionário, tentou resolver um problema amoroso com tiros de revólver.

A crise da grande imprensa se reflete até mesmo nas atitudes malcriadas de Veja, um periódico que há muito é conhecido pelo seu reacionarismo mais neurótico. Tanto que até mesmo a peça Colapso, da Hamilton Vaz Pereira - dramaturgo oriundo do grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone - , fez uma menção do poder destrutivo de Veja.

O reacionarismo de Veja - periódico que, mais do que os outros, é o que mais condena os movimentos sociais, atacando até mesmo as populações indígenas - é tanto que a revista é alvo de inúmeros processos judiciais, e vários deles na pessoa de seus articulistas, como o bravateiro Diogo Mainardi que, como uma espécie de Olavo de Carvalho mais pop, teve que deixar definitivamente o país diante para fugir dos recentes processos judiciais. Diogo já morava no exterior, mas ainda passava uns dias no Brasil. Hoje, nem mais isso. O próprio Olavo também vive no exterior, pelo mesmo motivo de reacionarismo apátrida.

Se Venício A. de Lima descreve as questões da grande imprensa de hoje, para entender as manobras da Veja, Globo (TV e jornal) e Folha, ou da existência de "espécimes" como Pimenta Neves e Diogo Mainardi, Aloysio Castello de Carvalho descreve as questões da grande imprensa na Era Jango (cujo projeto político era parecido e até mais ousado do que o do governo Lula de hoje), através do livro A Rede da Democracia.

A Rede da Democracia foi uma cadeia de rádio, TV e jornais que, numa resposta à Rede da Legalidade de Leonel Brizola lançada em 1961, que garantiu a posse de Jango, defendia já em 1963 a derrubada do gaúcho. A cadeia foi organizada pelas Organizações Globo (O Globo e Rádio Globo), pelos Diários Associados (TV Tupi, Rádio Tupi, O Cruzeiro e os jornais associados como O Estado de Minas e Correio Braziliense), Jornal do Brasil e Tribuna da Imprensa.

Naquela época havia toda uma frente ampla revoltada com o projeto audacioso de João Goulart, formada por vários grupos direitistas, como a Campanha da Mulher pela Democracia (CAMDE), o Grupo de Ação Patriótica (GAP), o Comando de Caça aos Comunistas, os grupos direitistas que articulavam estudantes e operários reacionários, e a temível dupla de "institutos" IPES/IBAD (dos quais sobrou o IPES, diante de uma CPI que derrubou o IBAD em fins de 1963).

Além dos notáveis Roberto Marinho, Antônio Carlos Magalhães e Assis Chateaubriand - com o apoio de Victor Civita, da Abril, e Otávio Frias de Oliveira, da Folha, figuras então apenas de âmbito regional paulista, menos famosos que os Mesquita do Grupo Estadão - , os inúmeros manifestantes anti-Jango incluiam até mesmo o então empresário Paulo Maluf, o general Jurandir de Bizarria Mamede (que, nos funerais do general Canrobert da Costa, questionou a vitória eleitoral de Juscelino Kubitschek em discurso furioso em 1955) e o casal Arnon de Mello e Leda Collor, pais de um Fernando Collor adolescente que assistiria feliz à queda de Jango, sem cogitar na época qualquer chance de se filiar um dia ao PTB.

Todos se reuniram na colaboração com o IPES, com o apoio de grupos religiosos conservadores, que financiaram a vinda até mesmo do padre de sobrenome engraçado, Patrick Peyton, do movimento católico Cruzada do Rosário, para a grande Marcha da Família com Deus pela Liberdade no Vale do Anhangabaú, São Paulo, quase uma semana depois de Jango fazer um comício na Central do Brasil, Rio de Janeiro, prometendo a realização plena das prometidas reformas de base.

A Rede da Democracia fazia a pregação com base nesse grande movimento (CAMDE, CCC, GAP, IPES, Marchas, Rosários etc), sempre em textos "opinativos", "palestras" e "análises científicas" falando da necessidade de um golpe militar que (supostamente) disciplinasse o país. Era um braço midiático da campanha já feita pelo IPES com toda a sua roupagem "intelectual".

O livro de Aloysio Castello mostra todo o histórico dessa rede, além da reprodução de artigos nas páginas do livro e na relação de todo o acervo relacionado no CD-Rom que acompanha a publicação.

Dessa maneira, Aloysio Castello e Venício Lima trazem valiosas contribuições para estudarmos e analisarmos o poderio da grande mídia, e entendermos melhor como um grupo de empresários se empenha em transformar a opinião pública num bem privado desse empresariado.