terça-feira, 24 de agosto de 2010

ENCONTRO DOS BLOGUEIROS: MISSÃO CUMPRIDA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Altamiro Borges é um dos mentores do Encontro dos Blogueiros Progressistas, cuja primeira edição foi realizada no último fim de semana, com direito até a prêmio para o Sr. Cloaca, do Cloaca News. Publicou muitos textos sobre o evento, sejam dele, sejam de outros autores.

O evento teve muitas palestras e debates, teve também Luís Nassif fazendo música além de participar das palestras, e muita gente na plateia. Teve até comida a quilo, além da promessa de que o minguado espaço de 300 participantes - por conta das limitações do lugar escolhido, no Sindicato dos Bancários - poderá triplicar ou ser ainda maior, nas próximas edições.

O presente blogueiro não pôde ir porque as restrições orçamentárias e a espera da convocação da Infraero não permitiram. Meus pais (sim, ainda vivo com eles) não me dariam cem reais e outros tantos cem para ir de Niterói a São Paulo só para um encontro de blogueiros.

Selecionei um texto que parece ser uma síntese do encontro. Na foto acima, Luís Nassif tocando sambas e chorinhos.

Encontro dos Blogueiros: Missão cumprida

Por Eduardo Guimarães - Blog Cidadania - Reproduzido também no Blog do Miro

Devo aos leitores um relato muito pessoal e despretencioso sobre o 1º Encontro Nacional dos Blogueiros progressistas. Optei por não tirar fotos para que o relato substitua a imagem e por não especificar os pontos dos quais tratamos porque isso será feito depois de compilado tudo o que foi discutido.

Na sexta-feira, na “Regional” do Sindicato dos Bancários, em uma travessa da avenida Paulista, a quatro quadras de casa, encontrei o local da canja que Luis Nassif e seu grupo musical dariam.

O sobrado azul com um jardim na frente tem um corredor amplo que dá para um salão de cerca de 200 metros quadrados em que foi montado um palco em que Nassif e seu grupo aguardavam, sentados, pelo momento de iniciar o show.

Mal cheguei e já vi amigos da comissão organizadora, leitores e blogueiros que reconhecia aos poucos. Não conseguia dar dois passos sem que me abordassem. Alguns timidamente, outros efusivamente, mas todos com carinho e respeito.

A música de Nassif e seus companheiros era agradável, bem tocada e servia como trilha sonora em um ambiente em que as pessoas estavam alegres, entusiasmadas, cheias de gentileza e sorrisos.

A sensação que tive foi a de estar entre velhos amigos, ainda que muitos dos que ali estavam só conhecesse pela internet. Mas, claro, havia vários companheiros do Movimento dos Sem Mídia e os amigos da comissão organizadora.

O que me encheu de alegria foi o carinho daquelas pessoas. Sério, era carinho. Perguntavam da Victoria, cada um deles. Mulheres e homens de várias partes do país, de várias faixas etárias. Pessoas de diversas classes sociais. Da periferia, dos bairros “nobres”, de cidades de todos os portes.

Que diversidade. Todos juntos como amigos de longa data. Na diferença o cerne da idéia que nos reuniu, de aproximar pessoas diferentes, mas iguais. Idealistas. Pessoas que acreditam que estão fazendo alguma coisa boa e importante pelo país, que apenas estão defendendo o que acham que seja o certo.

Por volta das 23 horas, vários de nós, como bons blogueiros “sujos”, decidimos terminar a noite jantando no lendário restaurante “Sujinho”, que tanto da intelectualidade boêmia paulistana viu passar por ali na segunda metáde do século passado. Lotamos o restaurante. Éramos dezenas.

No sábado, chego ao Sindicato dos Engenheiros em cima da hora de início dos trabalhos – às 9 da manhã. O local está lotado. Mais de 300 pessoas. Em frente ao prédio de cerca de dez andares, várias delas conversavam animadamente. No hall de entrada, garotas trabalhando freneticamente para emitir crachás de identificação após localizarem a inscrição de quem chegava.

Para ir da entrada até o primeiro andar do Sindicato, no auditório de cerca de 300 lugares, demorei, pelo menos, uns vinte minutos. Não conseguia dar dois passos sem ter que parar para conversar e tirar fotos. Mais carinho, mais sorrisos, mais pedidos de informação sobre a Victoria.

Logo se formou a mesa com o Luis Nassif, o Paulo Henrique Amorim, o Leandro Fortes e a ativista Débora Silva, de uma entidade autodenominada “Mães de Maio” que luta por justiça para filhos vitimados por violência policial.

Os palestrantes, jornalistas eminentes, despertaram muita atenção e interesse, tudo regado às tiradas espirituosas de Paulo Henrique, um mestre na arte de seduzir platéias.

Chega a hora do almoço. Caminhamos alguns quarteirões a um restaurante “por quilo” de boa qualidade – com destaque para uma mousse de maracujá que, confesso, tive que repetir algumas vezes.

Um pensamento: fiquei imaginando como a turma do instituto Millenium julgaria brega o nosso almoço “por quilo”, e foi aí que me deu mais fome.

À tarde, novas mesas temáticas de acordo com a programação do evento amplamente anunciada. Participei como moderador de uma mesa que contou com Luiz Carlos Azenha, Conceição Oliveira, Emerson Luis e Guto Carvalho.

Ao fim da tarde, aparece o ator José de Abreu para alegrar o fim do primeiro dia de trabalho com o seu bom humor e a sua simpatia.

No domingo, chego tarde ao Encontro. Perto das 11 horas da manhã. Acontecem diversas oficinas, conforme a programação anunciada. Tentei acompanhar um pouco de cada uma. Mais carinho, mais simpatia, mais gente pedindo notícias de Victoria.

Para encerrar o evento, Altamiro Borges me convoca para leitura do documento final, que redigi e foi difundido em vários blogs, inclusive no site do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé.

O documento foi modificado, recebeu contribuições e supressões. Atingiu consenso depois de quase duas horas de debates e de uma saudável divergência. Ao fim, aplaudimos uns aos outros, abraçamo-nos, despedimo-nos. Alguns, como eu, ainda esticaram até um boteco qualquer para uma rodada de cerveja.

Esta é uma homenagem às pessoas, suas diferenças e a incrível coincidência de ideais que as reuniu. De astros do jornalismo – se é que se pode chamá-los assim – a pessoas simples da periferia de várias partes do país, todos com os mesmos propósitos e se tratando como iguais que são.

Só me resta agradecer a todos os que honraram com as suas presenças àqueles que se reuniram no Sujinho há alguns meses e engendraram aquela festa de três dias da qual tantos pudemos desfrutar.

Concluo com meus cumprimentos a Altamiro Borges, Conceição Lemes, Conceição Oliveira, Diego Casaes, Luis Nassif, Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Renato Rovai e Rodrigo Vianna. Foi um privilégio ter participado da elaboração e execução desse projeto com pessoas tão especiais.

MEGAZINE CHAMOU MICHAEL JACKSON DE "ROQUEIRO"



Eterna criancice da mídia confundir pop com rock. Eterno cacoete de chamar Michael Jackson de "roqueiro", por conta de duas musiquinhas parecidas com rock que ele gravou, que na verdade eram canções de funk autêntico com alguns segundos de solo de guitarra, "Beat it" (tão funk quanto "Superfreak" de Rick James) e "Black or White" (tão funk pós-80 quanto Full Force e DeBarge, por exemplo).

O único sucesso de Michael Jackson mais próximo do rock, todavia, é "Rockin' Robin", do seu grupo Jackson Five. Mas nada que possa inseri-lo numa rádio de rock, afinal rock não é brincadeira de criança. Ou então rolaria até Zezé Di Camargo & Luciano e Dominó nas rádios rock. Há gente que quer ouvir Lady Gaga em rádios de rock, mesmo ela não adotando guitarra alguma! Vá entender...

Chico Buarque gravou mais sambas do que Michael Jackson gravou rock (isto é, coisa parecida com rock) e mesmo assim o compositor de "A Banda" e "Paratodos" não é considerado sambista. "Beat it" é um funk autêntico com solo de guitarra. "Vai Passar" é um legítimo samba-enredo.

Mas esse vício, importado de setores pedantes e desinformados da (decadente) grande imprensa dos EUA, não vê o rock como música, acha que ser rock está ligado tão somente a visual, a moda, a marketing, a fofocas, ou a um comportamento supostamente agressivo. O som nada importa,

Há os burros que pensam que ser rock é fazer música jovem e ser malcriado. Há os pedantes querendo encontrar a tal "atitude rock" onde não tem, como quem procura cabelo em ovo.

Dos primeiros, atribui-se nomes como Britney Spears, Madonna, Michael Jackson e Backstreet Boys como "roqueiros". Ou mesmo bobagens como Double You. Dos segundos, credita-se 50 Cent, Black Eyed Peas, Prodigy e, hoje em dia, Lady Gaga, como "roqueiros". Em um e outro caso, a incoerência é grande.

Quando eu cito que Pet Shop Boys tem mais atitude rock do que Bon Jovi (uma grande palhaçada!), é porque a dupla inglesa na verdade faz parte de um cenário musical que inclui o New Order, é claramente influenciada pelo Kraftwerk (um dos poucos nomes eletrônicos vinculados musicalmente com o rock) e teve um disco com a participação do guitarrista Johnny Marr, um dos maiores do mundo.

Mas fazer como o Megazine (suplemento teen de O Globo), que disse que Michael Jackson é "um nome fundamental para o rock", é um grande exagero. Lembra um idiota do Orkut que disse que "o rock tem dívidas a prestar com Michael Jackson". Michael Jackson não é rock coisa alguma, e ainda por cima os roqueiros têm que pagar alguma dívida a ele?

Houve também outro idiota que disse que Michael Jackson fazia fusão de rock com blues. Deve ter bebido muito e errou o artista negro. Quem fez, de fato, essa visão, foi o grande guitarrista Jimi Hendrix.

Não, nada disso. Chega de pretensão. Michael Jackson foi apenas um notável ídolo de funk autêntico, que nada tem a ver com rock. Foi até um artista promissor, mas nos últimos discos ele andava menos inspirado e mais apegado a escândalos e esquisitices.

Afinal, Michael foi uma vítima do show business e sua obsessão em ser branco e eternamente infantil se deu por conta de uma infância desajustada e das pressões do mundo do estrelato, que, insensível e bruto, faz suas vítimas para depois transformá-las em totens.

A vida de Michael Jackson não foi uma vida rock'n'roll. De jeito nenhum. Foi apenas a vida de uma celebridade com seus acertos, seus erros, pressões, dramas e tragédias.

PAULO MALUF TEM CANDIDATURA IMPUGNADA PELA LEI DA FICHA LIMPA



O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, por 4 votos a 2, impugnou a candidatura de Paulo Maluf (PP-SP) à reeleição como deputado federal, com base na Lei da Ficha Limpa, que determina a impugnação de candidatos com passado relacionado à corrupção.

Maluf não pode ser candidato porque tem condenação no Tribunal de Justiça por improbidade administrativa. Mas continuará fazendo campanha até que os recursos enviados pelos advogados do ex-governador paulista forem julgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Se for o caso, o Supremo Tribunal Federal pode também julgar os mesmos recursos.

Se a sentença for mantida, Maluf será banido da corrida eleitoral.

Agora, uma pergunta relacionada à Bahia: será que a alma gêmea baiana de Paulo Maluf, o pseudo-radiojornalista Mário Kertèsz, da Rádio Metrópole, tem moral para veicular essa notícia? Que consciência pesada não pode ter o ex-prefeito de Salvador, com um passado político bem parecido com Paulo Maluf, quando anuncia (não se pode dizer "quando noticia", porque a Metrópole não faz jornalismo de verdade) e comenta um fato desses? O ex-prefeito de Salvador não tem direito de falar mal de alguém que fez a mesma coisa do que ele.

Aliás, se nos basearmos no princípio da Ficha Limpa, a audiência da Rádio Metrópole, na boa, não seria além de ZERO. Queiram ou não queiram os esquerdistas de foice mole da capital baiana, que em nome da visibilidade fácil endeusavam a lamentável rádio.

PEDRO ALEXANDRE SANCHES, FUKUYAMA E A MPB DE "OUTRORA"



Na edição de Caros Amigos deste mês, Pedro Alexandre Sanches, no artigo intitulado O clamor do voto nos festivais de música, analisa o documentário Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil, tendo entrevistado os dois cineastas, que resgataram o Festival da Canção da TV Record, de 21 de outubro de 1967, que teve Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Elis Regina, até Sérgio Ricardo jogando o violão contra a plateia vaiante.

Como todo ideólogo do brega-popularesco, Pedro Sanches elogia o documentário, a época da MPB e mesmo a qualidade da música brasileira. Da mesma forma que os historiadores Francis Fukuyama e Paul Johnson elogiam as revoluções liberais de nossa história, ou mesmo as manifestações humanistas ocorridas em nossa História.

Nota-se, no entanto, que o artigo-reportagem de Sanches, estranhamente, reconhece como único grande legado do festival de 1967 o voto dado às músicas, e em dada passagem o colunista tenta associar a MPB ao impensável reduto da TV Fama e da revista Caras. Isso além de lançar uma pérola verdadeiramente fukuyamiana, definindo a MPB daquela época como "algo que não tivemos mais (ou nunca tivemos, no caso das gerações mais recentes)", numa claríssima influência do "fim da História" defendida por Fukuyama na abordagem da música brasileira.

Antes que alguém veja minhas críticas ao jornalista como vazias de sentido, reproduzimos as palavras do próprio Pedro Sanches, para confirmar a tese deste blog. Primeiro, a hilária ideia de que a MPB agora aparece em Caras, TV Fama e similares:

"O abismo que nos separa de 1967 foi cavado em grande medida pela indústria cultural que ali ia se constituindo da maneira como nos acostumamos a conhecê-la - e que hoje dá sinais evidentes de putrefação. Com exceção do 'rei' Roberto, os artistas da dita MPB não são mais funcionários assalariados das TVs e não cumprem tabela sorridente como cumpriam então - ou cumprem, mas em veículos de "celebridades" como TV Fama e/ou a revista Caras.

Como assim? O que se vê na TV Fama e na revista Caras não são os artistas da MPB dos anos 60 (e 70, como herdeiros da Era dos Festivais, seja Djavan, Ivan Lins, Ednardo, Fagner, Diana Pequeno, Gonzaguinha), mas os ídolos neo-bregas que hoje representam a pseudo-MPB das grandes gravadoras: ídolos da dita "música sertaneja", "pagode mauricinho" e axé-music que aparecem todo domingo no programa do Fausto Silva.

Alguém viu Marília Medalha mostrando sua cobertura em Caras? A TV Fama fez reportagem relembrando Sílvia Telles? Alguém viu Edu Lobo entrevistado por Sônia Abrão? Leão Lobo publicou alguma nova fofoca sobre João Donato? A Hola Brasil vai botar o Carlinhos Lyra na capa da próxima edição? A Isto É Gente vai de Ednardo na reportagem principal? Nada disso!

Quando muito, o que vemos é Gilberto Gil em casa com sua esposa Flora ou com qualquer de seus filhos (sobretudo Preta Gil, que por sinal irmana em causa com Pedro Alexandre Sanches). Ou Belchior, em mais um suposto desaparecimento. Ou Chico Buarque, na companhia de uma amiga ou tomando água de coco em Ipanema ou Leblon.

Outro trecho do artigo-reportagem mostra de forma contundente o Francis Fukuyama que está dentro de Pedro Alexandre Sanches:

Se o prumo saudosista persiste, mudemos de rumo. A espontaneidade das cenas de bastidores de 1967 é útil para não trazer nostalgias do que já não temos mais (ou nunca tivemos, no caso das gerações mais recentes). Se admiradas com inteligência, tais imagens fornecem farto material para a invenção dos novos modelos que imploram por nascer, mas que ainda não conseguiram palpar, nós que somos consumidores, jornalistas, artistas ou isso tudo ao mesmo tempo.

O grande problema é que Pedro não diz que "novos modelos" são esses. O que será? Será a tal "cultura de massa" que hoje busca um domínio totalitário no nosso país? Será que o Brasil, tão metido a socialista, no entanto deve ter uma postura acrítica em relação à indústria cultural, enquanto a maior meca do capitalismo neoliberal, os Estados Unidos da América, já possui uma tradição crítica da análise da indústria cultural há mais de 80 anos, reforçada ainda pelos professores europeus, sobretudo da Escola de Frankfurt, que foram viver nos EUA devido aos movimentos fascistas e à invasão de tropas nazistas em vários países europeus?

Mesmo na admirável soul music, vários filmes a respeito mostravam os mecanismos de jabaculê e de star system que muitas vezes tentavam corromper os artistas envolvidos. Mas na lamentável música brega-popularesca, temos que acreditar, neste Brasil varonil, que tudo reina na santa paz, no mais paradisíaco cenário, e temos que creditar que até os chamados "grupos com dono" (ou seja, literalmente comandados pelos seus empresários), como é o caso de muitos grupos de forró-brega, tecnobrega, "pagodão" baiano, axé-music e "funk carioca" (e nesse elenco todo incluímos É O Tchan, Parangolé, Gaiola das Popozudas, Cheiro de Amor e Calcinha Preta), como "legítima e espontânea expressão do povo pobre das periferias". Tenha dó!!!!!!

Certamente, Pedro Alexandre Sanches, acomodado no seu apê em São Paulo, quer julgar a cultura popular pelo olhar etnocêntrico que ele faz das periferias brasileiras, vistas pela distância, com os binóculos pedantes do jornalista. Ele aparentemente acha lindo a Era de Ouro da MPB, como Francis Fukuyama declara amores por vários episódios da história da humanidade. Em ambos os casos, porém, um e outro declaram que esses tempos de ouro acabaram, e que agora só resta à humanidade consumir o que está aí no mercado, os valores do circo neoliberal globalizado que, no entretenimento brasileiro, é representado de forma bem explícita pela música brega-popularesca, a suposta música popular que rola nas rádios e TVs mais influentes de nosso país.