segunda-feira, 9 de agosto de 2010

CRUELDADE TUCANA: ALCKMIN CORTOU RECURSOS PARA APAES EM SÃO PAULO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Neoliberalismo se compromete com o desenvolvimento econômico, com a geração de riquezas para serem divididas entre empresários, fazendeiros, políticos e tecnocratas em geral, com as migalhas deixadas para o povo. Mas, às vezes, nem o povo têm direito a benefícios, como os alunos da APAE, que necessitam de toda ajuda da sociedade, sobretudo das autoridades.

Mas o tucanato não se compromete com a sociedade? O que é a sociedade, senão apenas um detalhe, um gado eleitoral que os tucanos querem mover para levar Zé Chirico, como é simpaticamente chamado o presidenciável José Serra, para o Planalto Central.

CRUELDADE TUCANA: ALCKMIN CORTOU RECURSOS PARA APAES EM SÃO PAULO

Do site Assembleia Permanente - Reproduzido também no blog Cloaca News

Instituições privadas sem fins lucrativos – como as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) – que oferecem atendimento educacional especializado para alunos tiveram recursos cortados durante a gestão do tucano Alckmin no governo de São Paulo (2003-2006).

Mais de R$ 12 milhões previstos, entre 2004 e 2006, não foram aplicados em educação a alunos com deficiência e foi descumprida a meta de ampliar o número de atendimentos em 18% - 42.863 crianças deixaram de obter benefício. Nos Orçamentos de 2003 a 2006 a previsão de atendimento era para 239.925 crianças. O governo estadual, no entanto, cumpriu apenas 197.062.

A gestão Alckmin caminhou no sentido contrário à política de inclusão do governo federal, que aumentou o repasse de recursos federais destinados a melhorar as condições das instituições especializadas em alunos com deficiência. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) passou a contar em dobro as matrículas das pessoas com deficiência que estudam em dois turnos, sendo um na escola regular e outro em instituições de atendimento educacional especializado.

Este ano, o valor total repassado por meio do Fundeb ao atendimento educacional especializado em instituições privadas será de R$ 293.241.435,86. Em 2009, foram encaminhados R$ 282.271.920,02. O número de matrículas atuais nessas unidades conveniadas é de 126.895.

Além disso, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) envia recursos às instituições filantrópicas para merenda, livro e aqueles originários do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Nos últimos três anos, foram repassados R$ 53.641.014,94 destinados a essas ações.

SERIADO ALINE TERÁ NOVA TEMPORADA EM JANEIRO PRÓXIMO



Os fãs do seriado Aline, como eu, podem comemorar. A produção tem sua volta anunciada para janeiro próximo. E serão dez episódios, no lugar de sete, como foi a primeira temporada. O elenco original será mantido, e as histórias contarão com participações especiais, como ocorreu na primeira temporada.

Aline é baseada nas hilárias histórias em quadrinhos de Adão Iturrusgarai, cartunista gaúcho. É a história de uma jovem que vive com dois namorados. O seriado de TV adapta perfeitamente a linguagem das tirinhas de Adão, mantendo até mesmo o ritmo ágil das histórias em quadrinhos dentro do estilo de seriado cômico.

A grande façanha de Aline também é a linguagem, que põe o seriado no status de uma produção praticamente independente na grade da Rede Globo. Sua linguagem é claramente vinculada ao espírito underground paulista, de grupos que pouca gente conhece, como Fellini (dos jornalistas Cadão Volpato, hoje na SESC TV, e Thomas Pappon, da BBC Brasil), Voluntários da Pátria e Mercenárias.

O espírito alternativo é tal que, numa cena de um leilão de um vestido de noiva supostamente usado por Rita Lee nos tempos dos Mutantes (e que contou com a participação especial do próprio filho dela, o guitarrista Beto Lee), até o micro-empresário Luiz Carlos Calanca, o produtor musical e dono da Baratos Afins que, na intimidade, é um modesto farmacêutico, fez uma ponta.

A volta de Aline é resultante de um movimento discreto na Internet, de pessoas mandando mensagens para a Globo apoiando o seriado e seu brilhante elenco - e que mostra o quanto a bela Maria Flor, que faz a protagonista, também é uma garota legal, engajada nesse trabalho de vanguarda - , o que sensibilizou os produtores a continuarem o seriado.

Quem sabe, se houver manifestações semelhantes pela volta do também excelente SOS Emergência, o seriado volte em breve para uma nova temporada.

BOMBA: TV CULTURA VAI CORTAR PROGRAMAS E DEMITIR ATÉ 1.400


JOÃO SAYAD, O ATUAL PRESIDENTE DA TV CULTURA.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: A TV Cultura começou a marcar minha vida quando eu, na minha infância (1972-1975), assistia ao programa Vila Sésamo, feito em parceria com a Rede Globo. A TV Cultura, que curiosamente surgiu há 50 anos como uma emissora dos Diários Associados, foi assumida em 1969 pela Fundação Padre Anchieta (entidade privada sem fins lucrativos), com o compromisso de desenvolver uma programação educativa.

A TV Cultura se empenhou em transmitir cultura e conhecimento, em sua programação. É claro que eventualmente descambou para o popularesco, mas não deu para esquecer um Marcelo Tas constrangido que, no programa Vitrine, apresentava a dupla breganeja Zezé Di Camargo & Luciano. Mas, na maioria das vezes, sempre primou em mostrar valores realmente culturais de nosso país.

Via programas como Metrópole, Vitrine, Musikaos, Jornal da Cultura, X Tudo e Roda Viva, e em tantos momentos pude admirar musas como Lorena Calábria, Maria Cristina Poli e Valéria Grillo. Curiosamente, sempre que posso vejo a nova versão de Vila Sésamo, que não fica a dever à versão que eu vi na minha tenra infância.

Pena que a TV Cultura atravessa uma crise e que isso influirá na programação. Segue aqui o texto do blog de Daniel Castro, descrevendo o triste destino da emissora educativa.

Bomba: TV Cultura vai cortar programas e demitir até 1.400

Do Blog de Daniel Castro - Portal R7

Ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad assumiu a presidência da TV Cultura em junho com a missão de reduzir a TV pública paulista a uma simples TV estatal. Com o aval do ex-governador José Serra e do atual governador, Alberto Goldman, Sayad pretende reduzir ao máximo a produção de programas e cortar o número de funcionários em quase 80%, dos atuais 1.800 para 400.

Sayad pensa até em vender o patrimônio da TV Cultura. Já encomendou aos advogados da emissora um estudo sobre a viabilidade de a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV, se desfazer de seus estúdios e edifícios na Água Branca, em São Paulo.

Em reuniões com diretores da emissora, Sayad tem dito que a Cultura não precisa ter mais do que 400 funcionários, que ficariam, segundo ele, muito bem instalados em um andar de um prédio comercial. A postura evidencia que a TV Cultura deixou de ser uma questão de política pública. Passou a ser um "pepino", um problema a ser eliminado pelo governo do Estado.

Fontes ouvidas pelo blog informam que Sayad vive dizendo que irá transformar a Cultura, hoje produtora de programas, em uma coprodutora. Ou seja, ela deixará de produzir programas de entretenimento. Passará a encomendá-los a produtoras independentes e a comprá-los no mercado internacional. Atrações como o Metrópolis podem estar em seus últimos dias.

O jornalismo da Cultura deixará de investir no noticiário do dia a dia, caro e mais bem produzido pelas redes comerciais. A partir de setembro, o Jornal da Cultura, com Maria Cristina Poli, passará a ser um jornal mais de debates, de discussão sobre o noticiário, do que de notícias.

Corte de receitas

A TV Cultura tem hoje um orçamento de cerca R$ 230 milhões. Desse total, R$ 50 milhões vêm da venda de espaço nos intervalos dos programas para anunciantes privados. Outros R$ 60 milhões são oriundos da prestação de serviços, como é chamada na emissora a produção de programas e vídeos para instituições como o Tribunal Superior Eleitoral, a Procuradoria da República, a TV Assembleia (do Estado de S.Paulo) e a TV Justiça.

Pois a gestão de Sayad já iniciou o desmonte dessas duas fontes de recursos. Até o ano que vem, a TV Cultura não terá mais nenhuma publicidade comercial em seus intervalos nem produzirá mais programação para órgãos públicos (a publicidade institucional, irrisória, será mantida). Dessa forma, reduzirá uma boa parte do seu número de funcionários.

Se o plano for executado, a TV Cultura sobreviverá apenas dos R$ 70 milhões que o governo do Estado aporta diretamente todos os anos, além de outros R$ 50 milhões que ela recebe pela produção de conteúdo para as secretarias estadual e municipal de Educação.

Demissões em massa

O plano de demissões de Sayad é mais complexo. Por causa das eleições de outubro, ele não pode demitir funcionários contratados em regime de CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) até dezembro. A Cultura tem entre 1.000 e 1.200 funcionários celetistas. Esses trabalhadores têm emprego garantido até janeiro. Depois, dependem da postura do novo governador do Estado. Para demitir funcionários celetistas, Sayad precisará do apoio do futuro governador, porque terá de contar com verbas extras para pagar as indenizações.

Já os profissionais contratados como pessoas jurídicas (os PJs, pessoas que têm microempresas) podem ser "demitidos" a qualquer momento. Eles seriam de 600 a 800. Os cortes devem ser feitos à medida que contratos de prestação de serviços, como o da TV Assembleia, forem vencendo e não renovados.

Outro lado

O blog tentou ouvir o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, sobre as mudanças que ele pretende implantar na TV Cultura. Na última segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa da emissora, pediu uma entrevista. Ontem à tarde, a TV Cultura informou que Sayad não falaria com o R7.

As informações aqui publicadas foram relatadas previamente à assessoria de imprensa da TV Cultura. Nada foi negado.

PARA DILMA E SERRA LEREM


Estão rindo de quê? Governar o Brasil não é tarefa fácil.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Este recado é de autoria do experiente Hélio Fernandes, que vivenciou os dois governos de Getúlio Vargas e a ditadura militar, entre outros cenários republicanos marcados por tensões políticas e controvérsias diversas. É um texto ponderado sobre o que é mesmo ser presidente da República, uma tarefa que, sabemos, está a mercê das mais diversas e violentas pressões sociais, políticas e econômicas.

Para Dilma e Serra lerem. ENTENDERÃO? A dilacerante, angustiante e asfixiante missão de um governante. Seja como presidente, imperador, ditador, todos esses títulos se entrelaçam e se confundem.

Por Hélio Fernandes - Blog Tribuna da Imprensa

Governar não é fácil. Governar nunca foi fácil. Governar também não é tão difícil. Em tempos de crise, (quase sempre), é praticamente impossível governar qualquer país, em qualquer época, em qualquer lugar. E os tempos de agora são tempos de crises, e pior: de crises acumuladas pelo desperdício dos recursos do cidadão-contribuinte-eleitor. E essas crises dão a impressão de terem vindo para ficar, somar ou multiplicar.

Em todos os países, em todos os continentes, a todas as horas, assistimos presidentes fazendo discursos, declarações, entrevistas, doutrinando como se soubessem de todas as coisas. Como se fossem autênticos donos da verdade, porta-vozes dominadores das mais diversas soluções.

Está faltando humildade aos governantes. E todos ou quase todos, sempre sozinhos, arrogantes mas isolados, tristes, praticamente desligados de tudo. Não vão a lugar algum, a um cinema, teatro, não andam nas ruas. (Com exceção para Serra, Dilma e outros, quando estão “em campanha”).

Abandonam seus palácios deslumbrantes, suas casas oficiais, dão fugazes passeios, por ruas que antigamente frequentaram.

Uma vez escrevi sobre o já então presidente Vargas, em 1951, quando voltou ao Catete: “Está tentando praticar o exercício solitário do Poder”. Não conseguiu, não sabia governar, a não ser ditatorialmente.

Agora, revendo ou relembrando minhas conclusões e comparando-as com afirmações presidenciais que inundam órgãos de Comunicação do mundo inteiro, voltam as dúvidas, meu pavor se acentua, sinto a necessidade ou a obrigação de reafirmar toda a incredulidade expressa nas análises que já fiz. De todas as falas dos mais diversos (e medíocres) presidentes, reis e rainhas, primeiros-ministros, ditadores, aprendizes de governantes.

Esses governantes insistem na teoria, se encharcam dela em doses cada vez mais embriagadoras mas inúteis, não parecem sequer perceber que é tempo de realizar, de aplacar, de decidir, de transferir (recursos). Tempo de curar feridas de todos os tipos, provocadas pela omissão deles mesmos, todos eles.

Não olham para a frente e sim para trás, não têm a menor ideia do que precisam construir ou reconstruir sobre os escombros que restaram, para que também não se transformem em escombros as raras coisas sólidas que restaram, E isso não se faz com teoria, com boas intenções, com promessas vagas e que não serão cumpridas, o que é a rotina de todas as sucessões de todos os países.

(Nestes tempos de Hiroshima e Nagazaki, quando as vítimas de um homenzinho chamado Truman, dizem que “perdoam mas não esquecem”, e quando a “indústria” mais produtiva e mais lucrativa é a da guerra, lembremos de Einstein: “Se houver a terceira guerra mundial, a quarta será travada com paus e pedras, é tudo que sobrará”. Apesar da credibilidade e da razão de Einstein, continuam se aproximando do limite).

O que é que os governantes esperam? Que o tempo passe mais devagar, para que possam realizar o milagre da fusão de uma utopia puramente literária com a realidade cada vez mais ultrajante para metade da população do mundo? (Mais de 3 bilhões de mendigos, miseráveis, desassistidos e abandonados, que não têm o direito do protesto ou da revolta?)

Quais são ou serão os verdadeiros propósitos dos governantes? Dar a impressão de que vieram para fazer, para multiplicar, para construir ou reconstruir de verdade com o dinheiro do próprio cidadão? Os presidentes (ou que títulos tenham) estão preparados para provocar mais essa ilusão no povo?

Ou pretendem sempre e cada vez mais contrariar o que recomendava Chesterton (saberão quem é? Onde Dilma e Serra, no caso brasileiro, teriam ouvido falar nele?), que ensinava sempre: “Jamais derrube uma cerca enquanto não souber a razão pela qual ela foi colocada ali”.

Todos os governantes, sem exceção, parece que só fazem cavar sem colocar nada no lugar em que cavaram. Sem substituir as cercas que removeram sem explicação e sem motivo. Me apontem um só lugar do mundo onde governar não seja o exercício do medo, da solidão, do isolamento de si mesmo, dominados pela angústia do silêncio.

No mundo de hoje, haverá alguém mais angustiado e assustado do que um chefe de Estado, tenha ele o nome que tiver, exerça as funções que exercer?

***

PS – Hoje, apenas um PS e vai para John Kennedy, pela importância da confissão, e pelo fato de representar exatamente a realidade dos governantes, dos governados e do que a Comunicação transmite para o mundo.

Conversando com seu grande amigo, o historiador Arthur Schlesinger, afirmou quase com lágrimas nos olhos: “Eu quis tanto ser presidente dos EUA. E agora descubro que sou simplesmente um teleguiado dos serviços de Informação e dos órgãos de Comunicação. Só sei o que eles querem que eu saiba. E só vou onde eles querem que eu vá”. Parou, disse o que era mais elucidativo, explicativo e definitivo: “E o mais grave, o mundo inteiro está convencido que eu mando de verdade”.

Pergunta que não pode deixar de ser feita, colocada, quem quiser que responda: existe alguma outra coisa mais DEVORADORA, DESTRUIDORA, ATERRORIZADORA?

Continuando: “Depois de assumir, tenho que garantir com a maior autenticidade. Não dormia de maneira alguma, pois sabia que tudo era da minha responsabilidade, e se acontecesse enquanto dormia?”

É possível que termine amanhã, mas desde já deixo a confissão: em matéria reflexão, ainda nem cheguei à fase da ANARQUIA, a mais pura das ideologias. E da qual tanto têm falado aqui.

A maior e mais intransponível barreira a ser ultrapassada pela ideologia chamada ANARQUIA: já que defendem o NÃO GOVERNO, como irão governar? E hoje, praticamente sem protesto, a IDEOLOGIA PURA, virou sinônimo de baderna, de desordem. O mais comum é as pessoas dizerem: “Isso virou anarquia”. Só que no sentido depreciativo.

NÃO FAZ SENTIDO APOIAR O BREGA-POPULARESCO E ATACAR A GRANDE MÍDIA


CALCINHA PRETA NA REDE GLOBO - Só os "caros amigos" não veem.

Nos últimos anos um tipo de hipocrisia continua prevalecendo em nosso país. É o de intelectuais, jornalistas e outros que se simpatizam com a música brega-popularesca falarem mal da grande mídia, ou mesmo insistirem na absurda tese de que ela não tem acesso algum na mídia, chegando reagir com irritação quando lhe alertamos o contrário.

Pois a música brega-popularesca é essa "música popular" de mercado, caricata, apátrida e domesticada, que faz muito sucesso nas rádios que lideramo ranking do Ibope. E aparecem com muita facilidade nos principais programas da TV aberta, nas revistas de entretenimento com maior tiragem e lotam plateias com muita facilidade.

Como é que então essa música está "sem qualquer acesso na grande mídia"? Em que planeta vive essa intelectualidade, que se gaba em ser "de esquerda" mas avalia a cultura popular brasileira da mesma forma que os produtores da Rede Globo de Televisão?

Já vimos o caso de Eugênio Raggi, elogiando os ídolos brega-popularescos que apareciam no Domingão do Faustão para depois "malhar" a Rede Globo. Mas parece que, veiculadas as broncas deste blog (e na sua versão no Twitter), Raggi se envergonhou e hoje até participa de fóruns de programas esportivos da emissora dos Marinho.

Há tantos outros casos, que se tornam até risíveis. Da blogosfera ao Orkut. Gente que diz que a Rede Globo "aliena e manipula", mas fala de Calcinha Preta e Banda Calypso como se fossem produtores do TV Xuxa. Isso sem falar do caso da moda, o de Pedro Alexandre Sanches com sua interpretação neoliberal (sim, isso mesmo: neoliberal) da Música Popular Brasileira, contrastando com os enfoques políticos da revista esquerdista Caros Amigos.

Realmente não faz sentido algum essas pessoas elogiarem as tendências brega-popularescas e depois baixarem a lenha na grande mídia, ou dizer que o brega-popularesco - que eles entendem não como esse nome, mas como a "verdadeira (sic) MPB" dos lotadores de plateias - não conta com espaço algum na mídia. Alguém por acaso viu a lista das mais tocadas das rádios, segundo os índices de pesquisa? Alguém viu os CDs mais vendidos nas lojas?

Se observarmos TODAS as tendências da música brega-popularesca, ela sempre floresceu com o apoio da mídia. O problema é que o mercado é concorrido e apertado, não tem lugar para todo mundo nem para todos os ritmos ao mesmo tempo. Daí para surgir malandros que fazem o ritmo do momento mas, por não terem conseguido fazer sucesso, dizem que "não tem espaço na mídia", é cair no ridículo.

Pois a música brega-popularesca, do vovô Waldick Soriano aos netinhos MC Créu e Gaby Amarantos, sempre esteve no mainstream da mídia, mesmo se ela for apenas a regional. Sempre estiveram no establishment, sempre compactuaram com o "sistema", sempre sonharam com a grande mídia, sua filosofia de trabalho, produção, divulgação etc, sempre é de acordo com a grande mídia. E vendo o máximo de legitimidade a Rede Globo, a Editora Abril, a Folha de São Paulo e o resto do baronato nacional ou regional da grande mídia.

Tudo isso sem falar que as elites conservadoras regionais sempre apoiaram de alguma forma as tendências brega-popularescas. Se certos ídolos não aparecem na grande mídia, é porque a concorrência está apertada, não tem lugar para todo mundo, ou então porque esses ídolos estão no comecinho da carreira.

Além disso, NUNCA devemos nos esquecer que o sucesso dos ritmos brega-popularescos cresceu vertiginosamente graças à aliança de Antônio Carlos Magalhães e José Sarney na concessão de rádios para grupos políticos. A maioria das "rádios mais populares" de hoje é consequente dessa politicagem. E se tem até deputado estadual controlando rádio comunitária, como é que o pessoal vai falar de "anti-mídia" ou "mídia alternativa", quando o negócio é brega-popularesco.

Até Gaby Amarantos tem uma formação sócio-cultural que inclui Rede Globo, Xuxa, rádios politiqueiras. Por isso é que ela, na verdade, é um produto em conformidade com os interesses da grande mídia, não o contrário.

Por isso, quem acha que essa suposta "música popular" não está na grande mídia, deveria lavar a boca com sabão, daquele amarelo, de lavar roupa, que dá um gosto bem amargo na boca.