sábado, 7 de agosto de 2010

DA NECESSIDADE DE ELEGER UMA BANCADA DE ESQUERDA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Texto faz uma análise crítica e objetiva ao PT, sobretudo no seu distanciamento aos movimentos sindicais.

Da necessidade de eleger uma bancada de esquerda

Desalojados do poder

Maria Cristina Fernandes, no Valor Econômico - Reproduzido também no blog Viomundo
06/08/2010

Ao deixar o Planalto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desalojará do poder o movimento sindical. É muito pequena a chance de o sindicalismo manter com o eleito, seja qual for, a interlocução e o peso alcançados neste governo. Nas duas candidaturas de oposição o afastamento é explicitado pelas alianças partidárias e programáticas que os sustentam. Na campanha petista o estranhamento vai desde os desacertos em torno do programa de governo do partido à ausência de qualquer interlocutor do movimento entre seus estrategistas.

Ao longo de sua carreira no serviço público, Dilma Rousseff, apesar de egressa do trabalhismo, nunca se aproximou do movimento sindical. Como ministra da Casa Civil, foram encontros majoritariamente empresariais que pautaram sua agenda apesar da tentativa das centrais de marcar presença. Como candidata, trata com desenvoltura da abertura de capital de estatais como a Infraero e os Correios, tema que, nas campanhas presidenciais de Lula, os sindicatos fizeram de cavalo de batalha contra tucanos inertes à estratégia da mistificação.

Esse afastamento é uma sinalização de que, no próximo governo, a retomada de propostas como a desoneração da folha ou a reforma da Previdência encontrará menos resistências internas, ainda que seja cedo para supor que a divisão de cadeiras no Congresso lhe seja favorável.

Ao se iniciar, este governo tinha ambas as propostas entre suas prioridades. Chegou a propor, sem sucesso, o fim da multa de 40% do FGTS, mas conseguiu aprovar mudanças tão ou mais significativas que as do governo anterior na Previdência, como a cobrança dos inativos, a instituição do redutor do benefício e a elevação da idade mínima.

A pauta foi suspensa com o mensalão, cujo enfrentamento levou o governo a convocar as centrais sindicais para a comissão de frente. Só seria retomada em 2007 com a apresentação pelo Executivo do projeto que institui a previdência complementar para o funcionalismo.

Pela proposta, todo servidor que ingresse no setor público depois da aprovação da lei teria direito a um teto previdenciário equivalente ao da iniciativa privada (hoje R$ 3,4 mil). Quem quisesse ganhar mais que contribua com um fundo de pensão. O projeto parte do pressuposto de que o Estado não deve ser onerado pelas aposentadorias mais altas.

Em mesa de debates durante o 10º encontro da Associação Brasileira de Ciência Política que acontece esta semana no Recife a professora da USP Marta Arretche mostrou como as desigualdades no mercado de trabalho são a principal agenda social que este governo deixou inacabada.

Ao longo do governo Lula programas sociais como o Bolsa Família permitiram acesso de milhões a conta bancária e a um mínimo de consumo. O crescimento da economia elevou o nível de emprego a patamares históricos. Mas na população em idade de trabalhar não são poucas as diferenças no acesso à cidadania.

Um fosso separa o trabalhador informal de um celetista com férias e repouso semanal remunerado, vale transporte, seguro desemprego e contribuição previdenciária do empregador e de um estatutário que tem estabilidade, licença, direito à greve paga pelo erário e aposentadoria acima do teto do INSS.

Marta Arretche reconheceu que a legislação é insuficiente para explicar disparidades aprofundadas ao longo de ciclos econômicos que sempre contaram com grandes exércitos de reserva de mão-de-obra. Da mesma forma, o pleno emprego na Europa tem que considerar as levas de imigrantes que deixaram o continente nos últimos séculos e as baixas ocorridas com a Segunda Guerra Mundial. Mas em lugar algum do mundo a redução das desigualdades foi alcançada sem mudanças legais.

Listou os três governos europeus mais bem sucedidos na promoção de reformas que diminuíram essas desigualdades nos anos 1990 e em todos identificou em comum uma coalizão parlamentar de esquerda. Na França de Lionel Jospin a coalizão reuniu socialistas, comunistas e verdes, na Itália de Dini a reforma aprovada pela aliança de esquerda foi a mesma que havia derrubado o primeiro governo Berlusconi e, na Holanda, a entrada do partido trabalhista no governo foi condicionada ao apoio às mudanças.

Marta credita a paralisia das reformas em parte às incertezas em relação à viabilidade eleitoral da bancada do PT na disputa pós-mensalão. Na eleição de 2006 as pesquisas indicavam que o grau de identificação com a legenda tinha sofrido um baque, mas isso não impediu que o partido fizesse uma bancada maior.

As mudanças ocorridas na bancada do PT em 2006 – a redução de parlamentares da região centro-sul ligados a bandeiras sindicais e o aumento na proporção de cadeiras do Norte e Nordeste conquistadas pela associação com programas sociais e emendas parlamentares – devem se intensificar na eleição de outubro.

O novo perfil da bancada do PT pode indicar uma maior permeabilidade às propostas de redução das desigualdades no mercado de trabalho. Além da previdência complementar dos servidores há uma infinidade de projetos que foram contidos no Congresso, como a criação das fundações estatais, a limitação do gasto com pessoal e a regulamentação do direito de greve.

Entre os sindicalistas, a aposta é outra. Como não haveria no mercado eleitoral proposta que afugente o de capitais, restaria ao partido radicalizar ao lado das bandeiras do movimento. De acordo com essa tese, isso não teria sido possível no governo Lula pelo compromisso com a Carta aos Brasileiros. O PT não poderia afugentar os mercados que o presidente, a muito custo, havia acalmado. Desta vez, não há fios desencapados na sucessão, o que liberaria o PT a agir em favor das teses que o movimento acredita serem de esquerda.

Se a tese parece razoável num cenário de vitória tucana, as chances de que vingue num eventual governo Dilma estão diretamente associadas à crença de que Lula continue bancando o movimento mesmo longe do Planalto. A pergunta que fica é por que Lula, se estivesse interessado na permanência da hegemonia sindical, teria escolhido uma candidata que não soma meia dúzia de horas de assembleia.

Sindicalistas e empresários passaram a travar uma batalha pela prioridade das reformas trabalhista e sindical. O mensalão jogou Lula no colo de sua base social e as centrais acabaram descolando seu reconhecimento legal. O crescimento acelerado da economia e a fartura do crédito aquietaram o patronato.

PARA EDITORA ABRIL, PROFESSOR BOM É AQUELE QUE LEVA "FUNK CARIOCA" PARA A SALA DE AULA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Já dá para perceber porque o lobby pseudo-esquerdista do brega-popularesco migrou do "funk carioca" para o tecnobrega. Primeiro, porque o "funk carioca" se superexpôs na Rede Globo, e isso pegou mal. Segundo, porque a apologia ao brega-popularesco tinha que reciclar seu discurso, através de outro ritmo "excluído". E, terceiro, porque a mídia golpista, a exemplo da revista Sou+Eu, da Contigo, da Folha de São Paulo (seja Ilustrada ou colunistas tipo o inimigo dos professores Gilberto Dimenstein), para não dizer a corporação dos irmãos Marinho, anda defendendo abertamente o ritmo carioca.

Para a Editora Abril, professor bom é aquele que leva FUNK CARIOCA para a sala de aula!

Por Humberto Capellari - Blog Encalhe

Bom, essa história eu li numa revista estilo “Eu casei com o namorado da minha filha”, chamada Sou+Eu, da Editora Abril. Essa revista, de apelo popular-feminino tem o costume de pagar pelas histórias que as pessoas enviam, desde algo curioso, até algo como uma simples receita, além de casos “picantes” de suas leitoras.

E essa história “Ensino matemática como funk” parece que ganhou R$ 200 pilas, sendo publicada nas páginas desta publicação, mas com a menção ao “Educar para crescer”, uma “iniciativa educacional” da Editora Abril. E, afim de não ter de copiar da revista, descobri que o site do “Educar…” tem o tal texto. Só que não está como na revista. Foi limada a parte, por exemplo, em que a mestra narra o seguinte:


” ( … ) Subi nas cadeiras e cantei com eles. A animação foi tanta que esqueci que a sala da coordenadora pedagógica ficava embaixo da nossa! De repente, ouço a coordenadora: ‘Cadê a professora desta classe?’. E eu EM CIMA DA CADEIRA COM AS MÃOS NOS JOELHOS…Depois, ela disse que tinha adorado! ( … )”

Entendam o que quiserem. Esse tipo de “iniciativa” é boa, por parte da professora? Se uma professora quiser ensinar, Ciências, por exemplo, o “buraco negro”, talvez já tenha encontrado a fórmula para fazer a “galera” ficar ligada nos ensinamentos. Os alunos poderão fazer aulas em casa sobre isso e aprenderão até Biologia, por tabela.

"PEDAGOGIA

Ensino matemática com funk

Rute percebeu que os alunos gostavam do ritmo e, então, passou a criar músicas para ajudá-los a decorar fórmulas

A professora de matemática tentou várias técnicas para ajudar os alunos com fórmulas, inclusive a de colar cartazes na sala, antes de finalmente inventar o funk

A professora Rute Correa Cardua, 30 anos, sempre tentou criar novas técnicas para ajudar os alunos da 8ª série a decorarem fórmulas matemáticas. Ela fazia cartazes, prova oral e até poesia, mas todo esse esforço era em vão. Então, passou a prestar atenção no comportamento dos adolescentes e percebeu que eles se interessavam por música. Mas não era qualquer música: andavam com walkman ou tocadores de MP3 ouvindo funk pela escola.

Rute não pensou duas vezes e criou o Funk da Equação do Segundo Grau – mais conhecido como Bhaskara – usando o ritmo da música Glamurosa, do MC Marcinho. “Tomei coragem e cantei para a classe. Foi aquela decepção… Perguntei se eles tinham gostado e responderam: ‘Ah, professora, só o refrão é bom’. Eu pensei: ótimo! O refrão era exatamente a fórmula!”, conta Rute.

Ela fez da aula uma verdadeira oficina de música, onde uns cantavam e outros faziam os batuques. Quem passava pela porta, como foi o caso da coordenadora pedagógica, não entendia nada. Mas depois que ficou sabendo do que se tratava, adorou a ideia. Nos outros dias, Rute via os alunos cantando baixinho a música pra lembrar.

A coisa se espalhou pela escola, e os alunos da 7ª série iam perguntar se ela ia dar aula para eles no ano seguinte. A professora percebeu que aquilo tinha dado certo e repetiu a dose. “Ver a meninada cantando as músicas me deixava realizada. O mais gratificante aconteceu ano passado, na formatura da turma. Quando me chamaram, todas as 8ªs séries cantaram, ao mesmo tempo, o funk que inventei, como homenagem. Vou levar essa experiência para todas as escolas por onde eu passar!”, completou.

Fórmula de Bhaskara (Em ritmo de Glamurosa, do MC Marcinho)

Matemática pode ser legal
Equações do segundo grau
Também podem ser legais
Se você decorar essa fórmula
Tã… tãrã… tãtã… (3 X)
Xis é igual a menos B
Raiz de delta sobre 2A (Refrão) Everybody! Xis é igual a menos B Raiz de delta sobre 2A (Refrão) E o delta? Como é?
Delta é igual a B ao quadrado Menos quatro AC
Vamos no refrão, galera"