sexta-feira, 6 de agosto de 2010

EMMA WATSON MOSTRA O QUE É UMA GAROTA LEGAL



O que é uma garota legal? É aquela que dá mole fácil, fácil? Não exatamente. Também não é a que diminui o tamanho do shortinho para agradar ao pretendente de plantão, nem aquela que empina o traseiro a pedido do freguês (eu falei freguês e não "cliente"). Nem tampouco a que vai para tudo quanto é noitada ou marca ponto em toda vaquejada ou micareta ou nos "bailes funk" das boates Zona Sul.

Não mande pergunta para o Yahoo! Respostas nem para qualquer comunidade "popular" do Orkut perguntando o que é uma garota legal porque sempre vai aparecer algum imbecil mandando um asneirol como se fosse "dica de sabedoria". Esqueça tudo isso, senão você vai fundir e confundir sua cuca (e, certamente, ninguém vai lhe dizer que exemplo de mulher legal é a publicitária e ex-MTV Cuca).

Pois existem grandes exemplos de mulheres legais, no Brasil e no exterior. Além da citada Cuca (Regina Lazzarotto), há a Leandra Leal, Rachel Bilson, Kristen Bell, as atrizes de Smallville Kristin Kreuk e Allison Mack, e por aí vai. Até a saudosa e injustiçada Brittany Murphy também é um bom exemplo de garota legal que os homens tanto gostariam de ter.

Mulher legal é aquela que rende uma brilhante conversa, possui bons referenciais culturais - pode até ser pobre, desde que não seja escrava do mau gosto e ter um mínimo de decência e inteligência - e faz com que alguém que a tivesse como companhia se enriqueça espiritualmente. Melhor dizendo, se alguém sai com uma mulher e ela lhe mostra coisas bacanas, e a saída rende uma grande experiência social, é porque essa mulher é uma mulher legal.

Um bom exemplo de mulher legal é Emma Watson. Seu brilho próprio foi tal que se desvinculou rapidamente do estigma de atriz infanto-juvenil da série de longas Harry Potter.

Emma Watson demonstrou ser bem charmosa, tanto que ela encantou de imediato nomes de prestígio como o estilista Karl Lagerfeld, que a elegeu sua musa.

Emma também demonstrou inteligência nas suas entrevistas, além da dedicação que ela dá ao seu curso universitário nos EUA, onde ela mora atualmente (ela é franco-inglesa). E, discreta, não aparece na mídia de maneira exibicionista nem se envolve em escândalos. E ainda por cima ela mostra que gosta de música de qualidade e é capaz de ir a eventos bacanas como o festival Glastonbury, ocorrido todo ano na Inglaterra.

Agora, Emma mostra também que pode cuidar do visual, usando um cabelo curto tipo joãozinho que, há 55 anos atrás, a saudosa atriz Jean Seberg adotou para fazer Joana d'Arc no cinema e provocou um grande impacto. O cabelo joãozinho tem esse nome porque é um corte mais típico de homens jovens, mas que cai muito bem nas mulheres, dando um outro significado, pois apesar do cabelo tipicamente masculino, fica bem feminino nas mulheres.

As boazudas não gostam muito de usar cabelos curtos. Acham que somente os cabelos longos são "mais sensuais", dão a elas uma aparência de "guerreiras nórdicas", ou talvez um poder de Sansão que, ao menos, domine os editores do portal Ego, que se derretem todos por essas moças de traseiros exagerados (Priscila Pires não é exceção, ela mais parece uma mulher-fruta que virou BBB e que, como "jornalista", não disse até agora a que veio). Ora, se algumas dessas boazudas acreditam que derramar sal de cozinha na piscina vai trazer a praia para as lajes das casas, acreditar na força dos cabelos de Sansão deve lhes parecer mais nobre ainda!

Pois Emma Watson, mesmo com apenas 20 anos, não tem tempo para tais bobagens, como não tem musas como Dakota Fanning (que usa cabelos longos por opção, o que também é bom). Independente de cabelos serem curtos ou longos, as mulheres legais sempre cuidam do visual, de forma discreta e bela. Porque a graça delas não é parecer "gostosas" a todo custo, mas ser realmente interessantes, porque elas valorizam a si mesmas, e querem viver de forma mais relevante e digna. Por isso elas se preocupam mais com o conteúdo, embora também cuidem melhor da sua aparência.

HÁ 100 ANOS NASCIA ADONIRAN BARBOSA, O SAMBISTA DOS EXCLUÍDOS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Um dos notáveis sambistas brasileiros foi um paulista de ascendência italiana, cujo repertório peculiar tornou-se um clássico da MPB autêntica. Certamente não foi por causa dele que São Paulo se tornou pejorativamente conhecido como "túmulo do samba", mas por causa de cantores e grupos sambregas, de várias partes do país, que eram influenciados mais em Wando, Fábio Jr., Lionel Richie e na fase decadente do Chicago do que de qualquer nome do samba autêntico. O pior é que esses sambistas de araque também chegam a usurpar o carisma de Adoniran gravando seu "Trem das Onze".

Mas a verdadeira lição dos mestres se perpetua não através dos piores alunos, mas através do próprio legado deixado pelos próprios mestres.

Há 100 anos nascia Adoniran Barbosa, o sambista dos excluídos

Por Leonardo Freitas - Portal Terra

Nascido João Rubinato, Adoniran Barbosa tem o centenário de seu nascimento comemorado nesta sexta (6), porém a data original em que veio ao mundo difere de 6 de agosto de 1910. Na verdade, o cantor, compositor, ator e humorista paulista teve sua data de nascimento alterada para 6 de julho de 1912 para que, aos dez anos - doze, segundo a lei trabalhista permitia - já pudesse trabalhar.

Filho de imigrantes italianos, Adoniran precisou trabalhar para ajudar a sustentar os sete irmãos e, por conta disso, abandonou a escola logo cedo. Aos 22 anos, foi para São Paulo tentando ser ator, mas seu talento foi rejeitado e, "acidentalmente", seu caminho acabou se tornando o rádio. Adotou o nome artístico - mistura do nome de um companheiro de boemia e de Luiz Barbosa, cantor de sambas - e, em sua segunda interpretação, cantou Filosofia, de Noel Rosa, música que lhe abriu as portas para se tornar um dos maiores músicos e compositores brasileiros.

Em 1935, casou-se com Olga, mas o casamento durou pouco menos de um ano. Dele, nasceu sua única filha: Maria Helena. Na Rádio Record, permaneceu de 1941 a 1972, ano de sua aposentadoria, onde fez humor e rádio-teatro.

Com ritmo, letras e boemia paulistanos, Adoniran quis subir na vida e permanecer boêmio, tratando de tipos marginalizados em suas letras e canções: os pobres, a mulher submissa, o homem solitário, ou seja, retratou os excluídos, falou com samba sobre aqueles que não tinham voz.

Sempre com uma ponta do humor retirada do cotidiano e o fiel retrato do bairro do Bixiga, Adoniran compôs o seu primeiro grande sucesso, Trem das Onze, em 1951, mas que só faria sucesso na regravação de Demônios da Garoa, seguido por outras pérolas como Samba do Ernesto e Saudosa Maloca.

Atuou em A Pensão de D. Isaura, uma das primeiras novelas da TV Tupi, mas seu melhor desempenho aconteceu mesmo no cinema em O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto. Mesmo paulista, o sucesso de Adoniran, por ser tradicionalmente samba, estourou no Rio de Janeiro, sempre com uma certa instabilidade, por conta do pequeno retorno financeiro do rádio.

Em seu segundo casamento, uniu-se a Matilde de Lutiis, que se tornaria sua companheira até o final da vida, quando é diagnosticado com enfisema. E, mesmo com os fatos trágicos, levou a vida com humor tanto em seu cotidiano como em suas canções, morrendo no dia 23 de novembro de 1982, aos 72 anos.

ROLANDO BOLDRIN, GUARDIÃO DA MÚSICA CAIPIRA


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Infelizmente os guardiões da música caipira são idosos: Inezita Barroso, José Hamilton Ribeiro e Rolando Boldrin. Gente veterana, que sabe distinguir a verdadeira música caipira do breganejo. Enquanto muita gente acredita, ingenuamente, que o breganejo irá salvar a música caipira apenas gravando covers do cancioneiro rural original, eles lutam para nos chamar a atenção da verdadeira música rural brasileira, que corre o risco de desaparecer no nosso país.

Afinal, queiram ou não queiram os "caros amigos da paçoca", a questão da música caipira e do breganejo revela um conflito entre essas duas forças que equivale, exatamente, ao conflito entre os agricultores sem-terra e os latifundiários. Assim como os "coronéis" do latifúndio agora se autoproclamam "ruralistas", seus equivalentes musicais, o breganejo (incluindo o "agronegócio" musical dos "universitários"), se autoproclamam "música sertaneja". E não tem essa lorota de haver breganejo sem mídia, porque em suas violas eletrificadas rola o toque do plim-plim.

Guardião da música caipira

Entrevista // Cantor Rolando Boldrin defende a sonoridade da viola caipira e diz que estranha as duplas que acham chique dizer que cantam country

Por José Carlos Vieira e Severino Francisco - Diário de Pernambuco - 04.07.2010

A música sertaneja está em extinção?

Música sertaneja, pra mim, é a música feita no Sertão do Nordeste. Agora existe uma nomenclatura de "música sertaneja" que é a de alto consumo, gravada por duplas com canções românticas. Esse tipo de música é rotulado de sertaneja, mas o termo sertanejo é para música nordestina.

E a música comercialmente rotulada como sertaneja, a das duplas atuais?

Essa não está em extinção, mas deveria estar.

A invasão da cultura de massa, das novelas, dos valores urbanos, como o uso de um tênis de marca, não está matando a cultura do interior do país?

A novela é uma coisa de modismo, de folhetim, eu mesmo fiz 35 novelas. As novelas globais têm muita força para impor moda... Mas o importante é mexer o corpo e trabalhar em prol da verdadeira cultura brasileira. Se existe um tênis norte-americano que vende muito, o brasileiro deveria fazer um tênis melhor. A cultura brasileira, essa que eu defendo, é muito prejudicada porque existe muita conivência do grande público com produtos que são oferecidos a ele. O público aceita tudo.

E com relação ao sotaque, ao linguajar do povo do interior?

O brasileiro, nesse ponto, tem um jeito muito próprio de se comunicar, apesar da influência da mídia, da televisão. Mas o modismo é sempre passageiro. O brasileiro é muito forte nesse sentido. O interior do país ainda conserva muita coisa boa, pura. Viajo muito e vejo essa pureza de costumes.

Por que as atuais duplas caipiras ou "sertanejas" se denominam como pop. A dupla Chitãozinho e Xororó, por exemplo, não se considera mais caipira e sim pop. É uma estratégia de mercado?

Honestamente, eu não sei o que é pop. Não uso palavreado de fora. Pop me parece que é uma coisa norte-americana, eu não sei o que quer dizer (risos). Eles falam que são pop, porque é chique falar "pop", é chique falar que cantam Beatles, é chique falar que veste roupa do Texas, é chique falar que canta country. Parecem que são mais modernos. O termo caipira fica parecendo que é uma ofensa, quando não é verdade.

Há pesquisadores, como o violeiro Roberto Corrêa, que lutam para preservar o som que vem do campo, um exemplo foi a "descoberta" do gênio Badia Medeiros, de Formosa.

Você acha que o estado deveria ter uma política mais honesta voltada ao resgate da nossa tradição musical?

Hoje em dia, nós temos muitos músicos maravilhosos. Antigamente, a tendência era ser violonista, da escola de Baden Powell, por exemplo, assim também como das escolas de Canhoto, de Dilermando Reis... Hoje, o segmento de viola está na moda. Existem muitos violeiros clássicos que são estudiosos. Também acho que o estado deveria sim ter uma ação mais concreta em relação à cultura tradicional. O meu programa, o Sr. Brasil (TV Cultura), - como nos tempos do Som Brasil - foi criado por mim para isso, para a gente valorizar o que é nosso.

E o que você acha da moda do "sertanejo universitário"?

Não consigo nem saber o que é "sertanejo universitário" (risos). Nunca fui numa universidade para ver o que eles fazem com a música caipira. Se estudam, se pesquisam. Não conheço nenhum artista desse segmento musical. Me parece que esse rótulo vem em cima do sertanejo comum: música romântica, que fala de vaqueiro, de peão de boiadeiro... mas que não rende nada. Universitário deveria estar preocupado com seu estudo, com a música de raiz brasileira. O que eles fazem não é música brasileira, não tem nada a ver com a nossa cultura.

Defina, por favor, o que significa música caipira?

É aquela tradicional cantada em duetos simples, sem muita sofisticação, violão e viola e um raríssimo instrumento a mais, que pode ser uma sanfoninha, uma gaitinha, um violino. Os ritmos têm que ser brasileiros, como moda de viola, cateretê, cururu, batida, enfim, esses tipos. Passou disso aí para rasqueado paraguaio, corrido mexicano e batida de country norte-americano... saiu da nossa cultura.

Você saiu do circuito das grandes gravadoras, do showbusiness... Qual foi o preço que o senhor pagou?

Eu não paguei nada, só ganhei. Eu tenho um grande arquivo de músicas que até hoje vende bem. Nunca fui refém de gravadora. Sempre gravei o que quis, quando quis e a gravadora tinha que aceitar isso. E tudo que gravei está aí no mercado, está vendendo. Ainda encontro disco de 1985 sendo oferecido nas lojas. Qualquer loja muito boa que você for, você encontrará cinco a seis CDs meus.

Os jovens acompanham sua carreira?

Têm muitos jovens que gostam do meu trabalho. A minha plateia é misturada, de ancião de 90 anos a criança de 15, 16 anos. Estudantes também gostam muito do meu trabalho desde o tempo da Globo.

Viola caipira e guitarra podem conviver juntas?

De jeito nenhum! A sonoridade da viola caipira é uma coisa intimista, de porta de casa, de sala de visita, não é uma coisa pra você tocar para cinco mil pessoas.

Como você analisa o futuro do Brasil caipira?

Sou otimista. Trabalho para preservar o futuro da nossa música. Devagarinho, a gente vai se impondo. Temos grandes compositores, grandesintérpretes. As músicas de alto consumo se renovam de artista para artista, mas são passageiras. Quem gosta de música bem brasileira torce para que esse gênero canse o público.

Você foi ator de novela, participou da primeira exibição da novela O bem amado, de Dias Gomes, e também das Pupilas do senhor reitor. Como foi essa experiência?

Sou ator até hoje. Se aparecer uma grande oportunidade de fazer um personagem numa novela ou num filme - já fiz dois filmes (Doramundo, de 1978, foi o principal, o outro foi Tronco, de 1999) - estou pronto. O que eu faço hoje é um trabalho de ator também. Fiz 35 novelas, 15 peças de teatro. Me satisfaz ser ator, é prazeroso subir no palco. Também gosto muito de contar histórias de tipos humanos brasileiros. É isso que faço desde garoto.

Você ainda aprecia uma cachacinha?

Muito de leve. Tudo tem seu tempo. Curto um golinho de cachaça, mas quando era mais jovem eu bebia muito. Essa coisa bem interiorana de boteco. Porém o tempo vai passando, a idade vai chegando e você vai modelando a comida, vai comendo melhor e menos, vai bebendo menos também. Hoje, bebo uma cervejinha, um bom vinho. Mas não sou mais um caboclo ligado a bebida alcoólica não. Larguei de fumar faz 30 anos e foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Com 45 anos, eu era um velho de tanto fumar e, hoje, com 73, me sinto um jovem de 45.