domingo, 1 de agosto de 2010

MICHAEL SULLIVAN: MPB FM UNE JABACULÊ E MEMÓRIA CURTA



Só a memória curta para fazer com que o grande artífice da música brega, Michael Sullivan, trabalhe agora a falsa imagem de "gênio da MPB", através de um evento promovido, lamentavelmente, pela MPB FM, o "Palco MPB", no Teatro Rival Petrobrás.

É como se fizesse um seminário sobre cidadania e convidasse o Paulo Maluf. Michael Sullivan hoje se diz "injustiçado", mas em outros tempos ele governava, com gosto, o mainstream do establishment musical brasileiro, até mesmo com mãos de ferro.

Michael Sullivan é, numa comparação aproximada, uma espécie de "Tom Jobim" do Instituto Millenium. Ou então é, com impressionante exatidão comparativa, o "Roberto Campos" da música brasileira.

Protegido das Organizações Globo, Michael Sullivan dispõe de um lobby suficiente para reabilitá-lo sem deixá-lo no ostracismo. E como virou mania os ídolos popularescos fazerem muito sucesso e depois desmentirem tudo isso, se passando por "injustiçados", "discriminados" e outras queixas dignas de quem reclama de barriga bem cheia, é claro que o grande formatador do brega-popularesco dos últimos 25 anos não ficaria de fora dessa manobra demagógica.

É lamentável que a MPB FM perca um tempo num jabaculê desses, porque, com uma boa vontade, até a (quase extinta) FM O Dia poderia reabilitar Michael Sullivan. Ou então a Nativa FM. E Sullivan seria jogado diretamente no Vibe Show, se apresentando para uma plateia jovem que ouviu as músicas dele, cantadas por nomes como Xuxa, José Augusto e Leandro & Leonardo, na infância.

Mas tratar Michael Sullivan como se fosse um grande nome da MPB é ridículo. Considerar ele MPB é a mesma coisa que dizer que George W. Bush foi um grande líder das esquerdas bolivarianas da América. Não faz sentido algum. E, um lembrete: "sentido" não rima com "perigo" nem com "motivo".

ENSAIOS PATRIMONIAIS DE ENDEREÇO NOVO


LOGOTIPO DO SITE ENSAIOS PATRIMONIAIS NO ANTIGO ENDEREÇO

Estamos realizando a transferência do site Ensaios Patrimoniais do antigo endereço para o atual. Ele vai integrar nossa família de blogs, junto a O Kylocyclo, Menos Automóveis nas Ruas, Doces Musas e outros.

O endereço é este: http://ensaiospatrimoniais.blogspot.com/. O site já aguarda novos visitantes e novos seguidores.

Ensaios Patrimoniais se dedica a analisar as Ciências Sociais num enfoque que a comunidade acadêmica, salvo exceções, não se encoraja a trabalhar. O site também se dedica a divulgar as principais atividades do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), entidade que mereceria um reconhecimento maior pelo grande público devido aos seus mais de 70 anos de trabalho.

Sem sucumbir a um rigor acadêmico que torna as abordagens temáticas ao mesmo tempo prolixas e acríticas, Ensaios Patrimoniais serve para arejar as mentes, recuperando, para as ciências sociais, uma visão crítica e analítica que significa produção social de conhecimento, conhecimento vivo que não se torne prisioneiro do rigor acadêmico que, posteriormente, sempre aprisiona as teses acríticas no mofo das estantes abandonadas de pós-graduação.

Aos poucos, os textos antigos vão sendo transferidos para o atual endereço, assim como a partir de agora os textos novos passam a ser publicados no mesmo, e dentro de algum tempo todos os textos estarão publicados no novo Ensaios Patrimoniais.

PRISCILA FANTIN VENCE XARÁ BOAZUDA EM VOTAÇÃO DO PORTAL EGO


PRISCILA FANTIN VERSUS PRISCILA PIRES - Até os leitores do Ego preferem a atriz classuda à BBB rejeitada até por pagodeiro.


Não tem boazuda que vença uma mulher legal. O portal Ego, das Organizações Globo, teve a "genial" ideia de comparar as duas Priscilas, a atriz Priscila Fantin e a ex-BBB Priscila Pires, na votação para ver quem é a melhor entre as duas.

Pois não é que Priscila Fantin venceu a consulta, para desespero do portal Ego que queria proteger a ex-BBB da decadência (afinal, a ex-BBB é tão vazia que levou fora até do cantor do "rebolation").

Priscila Pires ainda pôde se consolar com a magra votação de 36% até o fechamento deste tópico, contra 64% de Priscila Fantin (que avisou que fez roteiro para documentário sobre alienação política, uma prova do que uma mulher legal é capaz). Isso porque, como "queridinha" do portal Ego, Priscila Pires conta ainda com uma torcida de tarados desesperados que parecem que nunca viram mulher na vida e, dotados de baixa auto-estima, só conseguem observar uma mulher a partir dos glúteos.

Além do mais, Priscila Pires disse que perdeu cinco quilos e que está em forma. Mas o que se viu, nas fotos recentes, é a mesma calipígia de traseiro gordo que as boazudas sempre são, e que por isso ganham de muitos internautas sensatos o apelido de "gorduchas", sem dó.

INTELECTUAIS PRÓ-BREGA TÊM MEDO



Os intelectuais que falam bem da música brega-popularesca não sentem o medo diferente de Regina Duarte (que também é o mesmo medo sentido por José Serra). É o mesmo medo elitista, aplicado à música brasileira.

Medo de que surja um novo Ataulfo Alves, um novo Donga ou um novo Cartola no lugar dos cantores sambregas que se limitam a diluir a música de Lionel Richie e similares e a de Luiz Miguel e similares em batidas fajutas de pandeiro e cavaquinho mal tocado.

Medo de que surja um novo Cornélio Pires contar causos e reviver a verdadeira música da roça, no lugar de cantores breganejos que se limitam a diluir a música de Bee Gees em arranjos orquestrais piegas ou, pelo menos, em violas e violões mal tocados.

Medo de que surjam ritmos populares em que a música está acima do marketing e cujos músicos não se comportam de forma ingênua, tola e resignada. Medo que nos morros e sertões voltem a soar fortes os sons das melodias genuínas e expressivas, das letras intuitivamente inteligentes e com dignidade, em vez do espetáculo gratuito do mau gosto de hoje.

Esse medo já falamos. Mas é um medo que se dilui em sonho, em "centrais da periferia" e "paçocas" que mostram uma periferia domesticada, ingênua, patética, numa ignorância convertida no laissez-faire da cafonice reinante, que não tarda a aparecer no Domingão do Faustão depois de tentar ludibriar os leitores da imprensa de esquerda. Por isso temos que falar desse medo novamente.

É o medo que se esconde no sonho da cafonice triunfante. Sonho que já se realizou, mas seus defensores fingem crer que não. Já chegam a acreditar, tão tolamente, que o brega-popularesco está fora da mídia. Coitados, talvez não prestem atenção mesmo às armadilhas da grande mídia. Talvez não saibam da existência do Domingão do Faustão, que a Rede Globo dá de presente aos Pedro Alexandre Sanches que tentam nos convencer de que o brega-popularesco é "a nova MPB".

Ou talvez seja o medo. Medo. Medo. Medo. O medo da realidade da periferia sofredora. O medo de que seus preconceitos de elite venham à tona. O medo deles decepcionarem suas próprias empregadas domésticas.

É o medo desses intelectuais de que a revolta popular volte a soar alto sobre seus ouvidos, mostrando não o povo dócil, inocente e domesticado dos tecnobregas, "funks", bregas de "raiz", axés, forrós-calcinhas ou os grandes ídolos neo-bregas que visitam o Faustão todo domingo. Mas mostrando, isso sim, o povo de cabeça erguida, de voz firme, de real sabedoria de povo pobre, não a pseudo-sabedoria do espetáculo brega-popularesco, mas a sabedoria da fome, da injustiça, da miséria, da carência, a sabedoria do sofrimento que desperta em vez de resignar.

Pois o medo é este, de que venham à tona os problemas do povo pobre, sem retoques nem maquiagens. Medo de ver um povo que não brinca de Madonna, Michael Jackson, de Bat Masterson, que não é o "Frank Sinatra do Agreste", "Beyoncé do Pará", "Lady Gaga dos Pampas".

Medo de ver um povo que, por outro lado, leva a cidadania a sério.

Esse medo muita gente não percebe, porque está escondido num véu de sonho. Mas é o medo desses intelectuais que os faz cozinhar as "paçocas" culturais que Ana Maria Braga servirá semanas depois. A mesma Ana Maria Braga que estava de mãos dadas com Regina Duarte e - tcharam! - Ivete Sangalo nas passeatas do Cansei, movimento que preparou o país para a grande instituição do medo chamada Instituto Millenium.