sexta-feira, 30 de julho de 2010

NOAM CHOMSKY: A ÚNICA COISA QUE MUDOU COM OBAMA FOI A RETÓRICA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Anos atrás, os chamados "líderes de opinião", a ala festiva, porém acomodada, dos jornalistas e blogueiros, acreditavam que Barack Obama, por ser negro, traria o socialismo para a Casa Branca. Quanta ingenuidade. Claro que Obama sempre foi um político direitista, apenas de uma corrente moderada, que é do mesmo Partido Democrata de John Kennedy e de Bill Clinton.

Quem entende das coisas, portanto, nunca teve ilusões com a política do atual presidente dos EUA. Como eu, você, caro leitor, e pessoas como o conceituado professor Noam Chomsky.

Chomsky: A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.

O intelectual estadunidense, pai da linguística e polêmico ativista por suas posturas contra o intervencionismo militar dos Estados Unidos, visitou a Colômbia para ser homenageado pelas comunidades indígenas do Departamento de Cauca. Confira a entrevista dada a Luis Angel Murcia, do jornal Semana.com.

Extraído do Portal Vermelho - Também reproduzido no portal da Revista Fórum

O morro El Bosque, um pedaço de vida natural ameaçado pela riqueza aurífera que se esconde em suas entranhas, desde a semana passada tem uma importância de ordem internacional. Essa reserva, localizada no centro da cidade de Cauca, muito próxima ao Maciço colombiano, é o cordão umbilical que hoje mantêm aos indígenas da região conectados com um dos intelectuais e ativistas da esquerda democrática mais prestigiados do planeta.

Noam Chomsky. Quem o conhece assegura que é o ser humano vivo cujas obras, livros ou reflexões, são as mais lidas depois da Bíblia. Sem dúvida, Chomsky, com 81 anos de idade, é uma autoridade em geopolítica e Direitos Humanos.

Sua condição de cidadão estadunidense lhe dá autoridade moral para ser considerado um dos mais recalcitrantes críticos da política expansionista e militar que os EUA aplica no hemisfério. No seu país e na Europa é ouvido e lido com muito respeito, já ganhou todos os prêmios e reconhecimentos como ativista político e suas obras, tanto em linguística como em análise política, foram premiadas.

Sua passagem discreta pela Colômbia não era para proferir as laureadas palestras, mas para receber uma homenagem especial da comunidade indígena que vive no Departamento de Cauca. O morro El Bosque foi rebatizado como Carolina, que é o mesmo nome de sua esposa, a mulher que durante quase toda sua vida o acompanhou. Ela faleceu em dezembro de 2008.

Em sua agenda, coordenada pela CUT e pela Defensoria do Povo do Vale, o Senhor Chomsky dedicou alguns minutos para responder exclusivamente a Semana.com e conversar sobre tudo.

- Que significado tem para o senhor esta homenagem?

Estou muito emocionado; principalmente por ver que pessoas pobres que não possuem riquezas se prestem a fazer esse tipo de elogios, enquanto que pessoas mais ricas não dão atenção para esse tipo de coisa.

- Seus três filhos sabem da homenagem?

Todos sabem disso e de El Bosque. Uma filha que trabalha na Colômbia contra as companhias internacionais de mineração também está sabendo.

- Nesta etapa da sua vida o que o apaixona mais: a linguística ou seu ativismo político?

Tenho estado completamente esquizofrênico desde que eu era jovem e continuo assim. É por isso que temos dois hemisférios no cérebro.

- Por conta desse ativismo teve problemas com alguns governos, um deles e o mais recente foi com Israel, que o impediu de entrar nas terras da palestina para dar uma palestra.

É verdade, não pude viajar, apesar de ter sido convidado por uma universidade palestina, mas me deparei com um bloqueio em toda a fronteira. Se a palestra fosse para Israel, teriam me deixado passar.

- Essa censura tem a ver com um de seus livros intitulado "Guerra ou Paz no Oriente Médio"?

É por causa dos meus 60 anos de trabalho pela paz entre Israel e a Palestina. Na verdade, eu vivi em Israel.

- Como qualifica o que se passa no Oriente Médio?

Desde 1967, o território palestino foi ocupado e isso fez da Faixa de Gaza a maior prisão ao ar livre do mundo, onde a única coisa que resta a fazer é morrer.

- Chegou a se iludir com as novas posturas do presidente Barack Obama?

Eu já tinha escrito que é muito semelhante a George Bush. Ele fez mais do que esperávamos em termos de expansionismo militar. A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.

- Quando Obama foi galardoado com o prêmio Nobel de Paz, o quê o senhor pensou?

Meia hora após a nomeação, a imprensa norueguesa me perguntou o que eu pensava do assunto e respondi: “Levando em conta o seu recorde, este não foi a pior nomeação”. O Nobel da Paz é uma piada.

- Os EUA continuam a repetir seus erros de intervencionismo?

Eles tem tido muito êxito. Por exemplo, a Colômbia tem o pior histórico de violação dos Direitos Humanos desde o intervencionismo militar dos EUA.

- Qual é a sua opinião sobre o conceito de guerra preventiva que os Estados Unidos apregoam?

Não existe esse conceito, é simplesmente uma forma de agressão. A guerra no Iraque foi tão agressiva e terrível que se assemelha ao que os nazistas fizeram. Se aplicarmos essa mesma regra, Bush, Blair e Aznar teriam de ser enforcados, mas a força é aplicada aos mais fracos.

- O que acontecerá com o Irã?

Hoje existe uma grande força naval e aérea ameaçando o Irã e, somente a Europa e os EUA pensam que isso está certo. O resto do mundo acredita que o Irã tem o direito de enriquecer urânio. No Oriente Médio três países (Israel, Paquistão e Índia) desenvolveram armas nucleares com a ajuda dos EUA e não assinaram nenhum tratado.

- O senhor acredita na guerra contra o terrorismo?

Os EUA são os maiores terroristas do mundo. Não consigo pensar em qualquer país que tenha feito mais mal do que eles. Para os EUA, terrorismo é o que você faz contra nós e não o que nós fazemos a você.

- Há alguma guerra justa dos Estados Unidos?

A participação na Segunda Guerra Mundial foi legítima, entretanto eles entraram na guerra muito tarde.

- Essa guerra por recursos naturais no Oriente Médio pode vir a se repetir na América Latina?

É diferente. O que os EUA tem feito na América Latina é, tradicionalmente, impor brutais ditaduras militares que não são contestados pelo poder da propaganda.

- A América Latina é realmente importante para os Estados Unidos?

Nixon afirmou: “Se não podemos controlar a América Latina, como poderemos controlar o mundo?”.

- A Colômbia tem algum papel nessa geopolítica ianque?

Parte da Colômbia foi roubada por Theodore Roosevelt com o Canal do Panamá. A partir de 1990, este país tem sido o principal destinatário da ajuda militar estadunidense e, desde essa mesma data tem os maiores registros de violação dos Direitos Humanos no hemisfério. Antes o recorde pertencia a El Salvador que, curiosamente também recebia ajuda militar.

- O senhor sugere que essas violações têm alguma relação com os Estados Unidos?

No mundo acadêmico, concluiu-se que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e violência nos países que a recebem.

- Qual é sua opinião sobre as bases militares gringas que há na Colômbia?

Não são nenhuma surpresa. Depois de El Salvador, é o único país da região disposto a permitir a sua instalação. Enquanto a Colômbia continuar fazendo o que os EUA pedir que faça, eles nunca vão derrubar o governo.

- Está dizendo que os EUA derruba governos na América Latina?

Nesta década, eles apoiaram dois golpes. No fracassado golpe militar da Venezuela em 2002 e, em 2004, seqüestraram o presidente eleito do Haiti e o enviaram para a África. Mas agora é mais difícil fazê-lo porque o mundo mudou. A Colômbia é o único país latinoamericano que apoiou o golpe em Honduras.

- Tem algo a dizer sobre as tensões atuais entre Colômbia, Venezuela e Equador?

A Colômbia invadiu o Equador e não conheço nenhum país que tenha apoiado isso, salvo os EUA. E sobre as relações com a Venezuela, são muito complicadas, mas espero que melhorem.

- A América Latina continua sendo uma região de caudilhos?

Tem sido uma tradição muito ruim, mas, nesse sentido, a América Latina progrediu e, pela primeira vez, o cone sul do continente está a avançando rumo a uma integração para superar seus paradoxos, como, por exemplo, ser uma região muito rica, mas com uma grande pobreza.

- O narcotráfico é um problema exclusivo da Colômbia?

É um problema dos Estados Unidos. Imagine que a Colômbia decida fumigar a Carolina do Norte e o Kentucky, onde se cultiva tabaco, o qual provoca mais mortes do que a cocaína.

Fonte original: Agência de Notícias Nova Colômbia. Original em http://www.semana.com/noticias-mundo/parte-colombia-robada-roosevelt/142043.aspx.

FACEBOOK PROÍBE TERMO "PALESTINIAN" EM SUAS PÁGINAS


COMENTÁRIO DESTE BLOG: O povo palestino não tem pátria, não tem território, e nem pode ter verbete no Facebook. Que mal tem a palavra "palestino"? Que implicância têm os donos do Facebook com essa palavra? É um absurdo que um povo, dotado de sua própria cultura e suas tradições, seja discriminado de tal forma, não bastasse a opressão política e a violência que dizima vários de seus indivíduos.

Denúncia séria: Facebook PROÍBE termo "Palestinian" em suas páginas [Update]
Tradução feita por Rafael Garcia (Tsavkko - Blog do Angry Brazilian) do post de Jillian C York, autora do Global Voices Online, "Facebook: No Palestinian Pages":

Fiquei surpresa, mas um pouco cética, esta manhã, quando li um post afirmando que o Facebook está bloqueando a palavra "Palestinian" [Palestina/o] de suas páginas. Afinal, uma pesquisa por "palestinian" traz de volta um número de páginas já criadas. Aqui está o que o blogueiro escreveu:

I thought it might be a good idea to make a Facebook page for Palestinian Refugee ResearchNet—a straight-forward thing to do, right? Apparently not, since it seems the very word Palestinian may “violate o[u]r page guidelines or contain a word or phrase that is blocked”……A mistake, perhaps? Well, Afghan Refugee ResearchNet is OK. So too is DR Congo RefugeeResearchNet. No threats to innocent Facebook users lurking in those terms, it seems…
…Are Palestinians the only group so banned? Well, not really… after a little fiddling around, I discovered that al-Qaida Refugee ResearchNet and Nazi Refugee ResearchNet are banned too.
It does seem a bit odd, however, that a population of up to 12 million people, receiving more than a billion dollars in international aid, recognized by the UN, and enjoying a degree of formal diplomatic recognition from the United States—is placed in the same banned category as Nazis and al-Qaida.

Eu pensei que poderia ser uma boa idéia fazer uma página no Facebook para a Palestinian Refugee ResearchNet - uma coisa simples e direta de fazer, certo? Aparentemente não, pois parece que a palavra "palestinian" pode "violar nossas orientações de páginas ou conter uma palavra ou frase que está bloqueada" ... ... Um erro, talvez? Bem, a Afghan Refugee ResearchNet está OK. Assim também é com a DR Congo RefugeeResearchNet . Nenhuma ameaça para os usuários inocentes do Facebook espreitando nesses termos, parece...
... São os palestinos o único grupo banido? Bem, não realmente ... depois de mexer um pouco ao redor, eu descobri que a al-Qaida Refugee ResearchNet e Nazi Refugee ResearchNet são proibidos também.

Parece um pouco estranho, porém, que uma população de até 12 milhões de pessoas, que recebem mais de um bilhão de dólares em ajuda internacional, reconhecida pelas Nações Unidas, e desfrutando de um nível de reconhecimento diplomático formal dos Estados Unidos seja colocada em mesma categoria de proibidos como os nazistas e a al-Qaida.


De fato, estranho... Eu decidi tentar por mim mesma, com os termos "Palestinian Refugee ResearchNet,” “Palestinian Folklore,” e “Palestinian Music". Nada.

Claro, “Israeli Music,” “Israeli Folklore” e “Israeli Refugee ResearchNet” foram criados sem problema.O que o Facebook está tentando conseguir com a eliminação da criação de páginas para uma população marginalizada? Eu diria que eles estavam tentando impedir o abuso de algum tipo (por exemplo, as páginas criadas para rebaixar um determinado grupo), mas não posso imaginar que tipo de abuso poderia afetar os palestinos, e não, por exemplo, os israelenses.Em todo caso, como de costume, o Facebook ainda não tem uma equipe forte de apoio do cliente para lidar com reclamações sobre isso, nem parece se importar. Afinal, esta foi a sua resposta ao blogueiro que primeiro documentou o caso:

Unfortunately, we cannot process this request. Your Page name must comply with the following standards:

* Accurately and concisely represent a musician, public figure, business or other organization
* Not contain terms or phrases that may be abusive
* Not be excessively long
* Not contain variations of “Facebook”

If you believe your Page name fits within these guidelines, please respond to this email and we will re-evaluate your request.

Infelizmente não podemos processar seu pedido. O nome de sua página deve respeitar as seguintes normas:

* Representar precisa e concisamente um músico, figura pública, empresa ou outra organização
* Não conter termos e frases que possam ser abusivas
* Não ser excessivamente longo
* Não conter veriações de "Facebook"

Se você acredita que sua página se encaixa nestas regras, por favor responda este e-mail e nos iremos reavaliar seu pedido.


Novamente, ativistas, eu os recomendo que parem de usar o Facebook.

Mais esclarecimentos para vocês "skimmers":
1) Isso afeta PAGES, e não GRUPOS.2) O termo que está bloqueado é "Palestinian", não "Palestine".3) Há 1.200 grupos existentes com "Palestinian", sugerindo que a palavra foi posta recentemente na lsita de banidas.


* Traduzido por Raphael Tsavkko
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Update:
Aparentemente o bloqueio acontece apenas com o termo em inglês, em português criei uma página e uma comunidade como exeplo e o termo "Palestina" foi aceito, vejam aqui e aqui.
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Update 2:
A parte final do post da Jillian, chamando para que todos parem de usar o Facebook não corresponde à minha opinião. Apenas para deixar claro, pois muitos me questionaram no Twitter ou mesmo aqui no blog.

Eu acredito que a melhor forma de luta é a que enfrentamos o inimigo e não a que fugimos. Não vejo como seria bom abandonar uma plataforma de alcance tão amplo sem lutar, pressionar e encher o saco dos responsáveis, floodando, abrindo comunidades, pressionando e militando pelas causas em que acreditamos.

O FB não pode vencer a todos. Devemos usar todas as armas, mesmo as dos inimigos, em nossa causa.
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Update 3: Mais screenshots feitos pela Jillian em diferentes horários, para comprovar o bloqueio.

Postado por Raphael Tsavkko Garcia às 12:36

KEVIN SUMBA IRÁ LONGE


O ESTUDANTE DE MEDICINA KEVIN SUMBA E O CINEASTA MILES ROSTON

Um dos brilhantes exemplos de ativismo social autêntico se encontra no Quênia, e tem como causa ajudar a diminuir o avanço e os malefícios da AIDS e de outros problemas enfrentados pela população africana.

Um desses ativistas é o jovem negro Kevin Sumba. Ele mesmo vivenciou sua tragédia, pois, ainda criança, ficou órfão de pai e mãe, ambos mortos por consequência da AIDS. Morava em condições miseráveis com outros adultos, numa comunidade pobre de Kisimu - terceira maior cidade do Quênia - e se alimentava sobretudo à base de um cozido que incluiu tomate e repolho, e que era chamado de "estica-semana" porque alimentava o organismo por mais tempo.

Kevin, vendo-se órfão, passou a frequentar, escondido, uma escola dirigida por um centro católico local, entrando na sala de aula depois que era feita a chamada. A presença de Kevin era ilegal, porque ele não podia pagar a escola, mas o menino sempre fazia questão de frequentar as aulas, porque isso ele se sentia feliz e esquecia o doloroso passado dos pais doentes.

Era assim que o cineasta norte-americano Miles Roston encontrou Kevin, quando pesquisava as comunidades quenianas para um documentário. Miles se surpreendia quando o menino afirmava seu desejo de tornar-se médico especializado em ajudar doentes de AIDS.

Depois que completou, em 2002, o documentário 14 Million Dreams, sobre os órfãos da AIDS, crianças africanas que perderam seus pais em virtude da doença, Miles voltou para rever Kevin. O cineasta havia investido dinheiro para a melhoria de vida do jovem, principalmente na educação.

Miles tornou-se praticamente um tutor de Kevin, e o levou para a Austrália para a divulgação do documentário. Aos poucos, Kevin Sumba se tornava conhecido e o jovem era convidado para realizar palestras e falar com autoridades. Seu desejo de cursar Medicina só se aperfeiçoava, criando nele uma desenvoltura nos estudos.

Kevin Sumba só teve problemas com alguns líderes católicos, que preferiam rezar e promover a abstinência sexual a apoiar o uso de preservativos. E olha que Kevin é católico, mas vê o interesse social acima dos dogmas religiosos.

O estudante então passou a visitar também outras pessoas pobres que de alguma forma sofrem as consequências da AIDS, direta ou indiretamente. Visitou cemitérios de várias vítimas, inclusive muito jovens. Kevin sente medo da AIDS, mas se encoraja de querer estudar e trabalhar para erradicar a doença. E nos últimos anos estabeleceu contatos também com instituições dedicadas a combater a doença, e em toda palestra que ele faz, é aplaudido com entusiasmo e tratado com respeito e admiração por autoridades e especialistas.

Hoje ele é universitário, e tem 22 anos. Por enquanto, ele está no começo de sua luta. Mas, pelo seu sonho, pela sua natural vocação e pela perseverança, Kevin Sumba irá bem longe, e certamente o futuro dr. Sumba trará grandes benefícios para o povo no mundo inteiro, e se tornará um respeitado médico e um dos importantes ativistas sociais do planeta.