quinta-feira, 29 de julho de 2010

EMPREGADOS DA INFRAERO CONSIDERAM DECLARAÇÕES DE SERRA MENTIROSAS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Independente de qualquer posição minha em relação a Lula ou Dilma, essa nota me interessa, na medida em que eu, um dos 15 aprovados no concurso da Infraero, aguardo convocação. E, em solidariedade aos meus futuros colegas, também mostro minha indignação quanto às declarações desrespeitosas do candidato à presidência pelo PSDB, José Serra.

Eis o texto abaixo que publico, em apoio, admiração e respeito que eu tenho à Infraero.

Empregados da Infraero consideram declarações de Serra MENTIROSAS

Do Blog Amigos da Presidente Dilma

A ANEI (Associação Nacional dos Empregados da Infraero) emitiu nota contra as declarações de José Serra (PSDB/SP). Segue a íntegra:

A ANEI além de lamentar a atitude antiética do presidenciável José Serra na sua campanha "política", REPUDIA as declarações MENTIROSAS e DESRESPEITOSAS do candidato. O que necessita esclarecer é se o candidato é MAL INFORMADO ou MAL INTENCIONADO...

A ANEI lamenta que um candidato à Presidência da República fale sobre o setor de infraestrutura aeroportuária, principalmente sobre a estatal 100% brasileira - INFRAERO, 2ª maior empresa operadora de aeroportos do mundo, que há 37 anos administra os principais aeroportos do país, sem um mínimo de coerência em seu discurso. Afirmar que a Infraero está toda loteada politicamente é faltar com a verdade, é desrespeitoso ao corpo gerencial da empresa, à sociedade brasileira, além de revelar despreparo do aspirante que seja.

A INFRAERO é uma Empresa Pública de direito privado, dotada de patrimônio próprio, autonomia administrativa e financeira, vinculada ao Ministério da Defesa, atua na construção, implantação, administração, operação e exploração industrial e comercial de aeroportos, apoiando a navegação aérea e realizando atividades correlatas atribuídas pelo Governo Federal. Assim, no intuito de atualizar as informações para os candidatos e para os críticos, pontuamos o seguinte:

Primeiro:

O Estatuto da INFRAERO admite contratos, a termo e demissíveis "ad nutum", profissionais para exercerem funções de assessoramento totalizando um limite máximo de doze Assessores. Desta forma, a estatal NÃO possui um Diretor sequer, um Superintendente sequer, um Gerente sequer que não sejam orgânicos. Portanto, a infeliz declaração do candidato não espelha a verdade sobre uma gigante empresa que tem dado bastante orgulho aos brasileiros.

Ademais, os cerca de 11.500 empregados concursados (não apadrinhados ou eleitos), que ao longo de quase quatro décadas, ajudaram no desenvolvimento sustentável do país com a infraestrutura aeroportuária - transformando uma empresa PÚBLICA brasileira na 2ª maior operadora de aeroportos do mundo em passageiros e 3ª em número de terminais, dos quais há previsão de investimento para ampliação e modernização na cifra dos bilhões para os próximos anos, dignam-se o respeito e consideração dos falaciosos.

O Brasil continua sendo considerado SEGURO para voar, porque a INFRAERO tem honrado todas as Recomendações de excelência em SEGURANÇA AEROPORTUÁRIA e NAVEGAÇÃO AÉREA ao longo de anos com a OACI (Organização da Aviação Civil Internacional). Caso não haja esse comprometimento e fiel cumprimento das Recomendações, o Brasil a qualquer tempo pode ser desconsiderado como país seguro para voar e, consequentemente, dezenas de Cias Aéreas poderiam(ão) deixar de operar no país. Isso significaria desemprego e retrocesso para a aviação.

Incrível que nos últimos anos os "especialistas" do Brasil só apontam críticas negativas à Infraero, mas a ICAO e a TSA (norte americana) apenas elogios.

Segundo:

A ANEI tem acompanhado o debate de perto sobre o tema privatização/concessão e a insistência de alguns "especialistas" no modelo único de aeroportos como solução para os problemas de um país continental que agoniza há décadas por falta de gestão pública continuada, melhores estradas, portos, hidrovias, trens, metrôs e outros modais, para darem melhor fluidez a passageiros e cargas.

Afirmar que o TAV em São Paulo não saiu do papel por culpa da Infraero, beira ao delírio e não merece comentários por inconsistência e quiçá seria o mesmo discurso de que o Rio de Janeiro poderia não sediar as Olimpíadas por culpa do Aeroporto do Galeão... mesmo o Rio perdendo feio para as outras candidatas em quesitos como metrô, hotelaria, infraestrutura urbana e etc.

Para se ter uma ideia, em 31 anos de existência o metrô do Rio tem apenas 42 km de extensão e com 36 anos em São Paulo são 62,3 km; em Londres são 408 km, em Paris são 213 km e em Moscou são 276 km... Enfim, não executaram ainda o TAV por outros motivos menos por culpa da Infraero, uma vez inclusive, que por décadas os governos têm se mostrado ineficientes para ampliar significativamente a extensão dos metrôs de nossas capitais.

Terceiro:

Apesar de técnicos verdadeiramente especializados e empresários brasileiros que lidam dia a dia no macroprocesso da aviação se posicionarem contrários a privatização/concessão - por ser um modelo muito mais caro e malsucedido em diversos países, têm nos causado estranheza a forma agressiva e predatória como alguns "especialistas" têm proposto o tema se de fato a maioria dos mais importantes aeroportos da Europa e dos EUA não são privados.

Insinuar que os técnicos da Infraero, uma empresa pública com status, respeitabilidade e história internacional, não possuem capacidade para modernizar e ampliar os aeroportos é jogar em vala comum um trabalho de excelência e comprometimento de décadas no desenvolvimento sustentável do país. Infelizmente o histórico brasileiro não pode validar a declaração do candidato sobre multa ou perda de concessões...

Para finalizar, soa como contradição que os "aeroportos" administrados pelo governo do estado de São Paulo – DAESP não são privatizados.

Apenas para constar, se privado fosse sinônimo de milagre, os Tribunais de Justiça de todo o país não registrariam ex-estatais, hoje empresa privatizada, no rol das mais reclamadas. ISTO É FATO!

- INFRAERO, uma empresa que precisa ser respeitada nacionalmente -
Porque o Brasil não precisa voar mais alto, precisa continuar voando bem.

Pela transparência e ética,
Diretoria Executiva da ANEI

UNESCO CONDENA CONCENTRAÇÃO DA MÍDIA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Engole, essa, Rede Globo!! Logo a UNESCO, que estabelece parcerias com a rede no projeto Criança Esperança, que por sinal comemora 25 anos, deu um puxão de orelhas na grande mídia, sobretudo na corporação dos irmãos Marinho, tão famosa entre nós nos episódios de concentração de poder, desde o apoio à ditadura militar, a eleição de Collor, a participação na Aemização das FMs, sua atuação mafiosa nos bastidores do futebol, a defesa da música brega-popularesca e a desmoralização dos movimentos sociais.

Unesco condena concentração da mídia

Agência Câmara - Agência Carta Maior - Também reproduzido no Blog do Miro

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), lancou o estudo “Indicadores de desenvolvimento da mídia: marco para a avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação”. Segundo o documento da Unesco o Estado deve impedir a concentração indevida no setor de mídia e assegurar a pluralidade. “Os governos podem adotar regras para limitar a influência que um único grupo pode ter em um ou mais setores”, diz o estudo.

A organização afirma que os responsáveis pelas leis antimonopólio precisam atuar livres de pressões políticas. “As autoridades devem ter, por exemplo, o poder de desfazer operações de mídia em que a pluralidade está ameaçada”, destaca.

O estudo recomenda ainda a divisão equitativa das frequências de rádio e televisão entre as emissoras públicas, privadas e comunitárias, e entre as estações nacionais, regionais e locais.

Para a Unesco, a distribuição de concessões deve ser transparente e aberta ao público. “O processo deve ser supervisionado por órgão isento de interferência política ou interesses particulares”, afirma.

Na primeira categoria de indicadores proposta para avaliar a mídia de um país, a Unesco questiona se a liberdade de expressão e o direito à informação são garantidos por lei e respeitados na prática.

A publicação ressalta ainda a importância de se preservar a independência editorial e o sigilo das fontes jornalísticas. Além disso, conforme o texto, é preciso averiguar se a população e as organizações da sociedade civil participam da formulação de políticas públicas relativas à mídia.

A Unesco recomenda que o Estado não imponha restrições legais injustificadas à mídia e que as leis sobre crimes contra com a honra (como a difamação) imponham restrições o mais específicas possível para proteger a reputação dos indivíduos.

“Restrições à liberdade de expressão, o discurso do ódio, a privacidade, o desacato a tribunal e a obscenidade têm de ser definidas com clareza na lei e devem ser justificáveis em uma sociedade democrática”, diz o estudo.

Segundo o documento, a mídia não pode estar sujeita à censura prévia – ou seja, qualquer violação às regras para o conteúdo da mídia deve ser punida apenas após sua publicação ou divulgação.

Além disso, o Estado não deve tentar bloquear ou filtrar conteúdo da internet considerado sensível ou prejudicial. “Os provedores, sites, blogs e empresas de mídia na internet não têm a obrigação de registrar-se em um órgão público ou obter uma permissão dele”, informa.

Com relação ao sistema de rádio e televisão, a Unesco recomenda que haja às emissoras garantias legais de independência editorial contra interesses partidários e comerciais. O órgão regulador do setor também deve ser composto por integrantes escolhidos em processo transparente e democrático, e deve prestar contas à população.

Na terceira categoria de indicadores prevista no documento, a Unesco questiona se o conteúdo da mídia – seja ela pública, privada ou comunitária – reflete a diversidade de opiniões na sociedade, inclusive de grupos marginalizados.

A Unesco também considera essencial para o fortalecimento da democracia o desenvolvimento da mídia comunitária; a capacitação dos profissionais da área; e o avanço da infraestrutura de comunicação, para recepção da radiodifusão, acesso a telefones e à internet.

ENCONTRO DE BLOGUEIROS TERÁ ATÉ LUÍS NASSIF COMO MÚSICO


SIM, LUÍS NASSIF, ALÉM DE FAZER PALESTRAS, MOSTRARÁ BOA MÚSICA.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: O Primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, promovido pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, que acontecerá em agosto, até no preço mostra um custo benefício muito maior do que aquele encontro do Instituto Millenium.

O encontro do IM custou R$ 500 e durou só um dia. O do Centro Barão de Itararé, com taxa de R$ 100, será em dois dias, mais palestras, terá desconto para quem for de avião para o local (detalhes no texto abaixo) e crê-se que até as refeições serão bem melhores que a do encontro burguês do Millenium, que além de tudo aconteceu num grande hotel que bancou todas as despesas para aquela rapaziada direitista.

Além do mais, o encontro do Centro Barão de Itararé terá apresentação musical de Luís Nassif. Isso mesmo. Nassif, além de jornalista econômico, é músico e estudioso de música brasileira. E mostrará seu talento de brinde para quem estiver lá. Já no encontro do IE, nem para contar piada o Marcelo Madureira serviu, pois ele estava muito mal-humorado no evento.

Portanto, o evento dos blogueiros progressistas é um grande presente que Altamiro Borges, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha e seus colegas dão para o público que os prestigia.

Infelizmente não poderei ir, mas fica para a próxima.

Show de Nassif abre encontro de blogueiros

Conceição Lemes - Blog Viomundo

É definitivo. O 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas será em São Paulo nos dias 21 (sábado) e 22 (domingo) de agosto no Sindicato dos Engenheiros, à rua Genebra, 25, ao lado da Câmara Municipal da capital.

Na sexta à noite (20), Luis Nassif, seu bandolim e grupo fazem show de boas vindas no Sindicato dos Bancários**. Será regado a chorinho, samba, MPB e cerveja caseira (haverá outras) feita especialmente por Hans Bintje (querido leitor) para celebrar esse encontro histórico. Nassif aguarda sugestões para o repertório.

Já estão inscritos 152 blogueiros de 15 unidades da Federação: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Passagem aérea e hospedagem solidária

Um acordo fechado com a Gol barateará as passagens. Para saber quanto custará o bilhete, verifique a menor tarifa do seu trecho. Aplique 20% de desconto sobre o valor. É quanto custará.

O objetivo da comissão organizadora é garantir hospedagem gratuita ao maior número possível de participantes de outros estados e do interior de São Paulo.

Aliás, vários leitores já se ofereceram para hospedar em casa blogueiros de fora de São Paulo, capital. Obrigadíssima. Precisamos de mais hospedagem solidária.

Quem puder, por favor,envie e-mail para contato@baraodeitarare.org.br ou telefone para (011)3054-1829. Fale com Daniele Penha, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, uma das entidades apoiadoras do encontro. Apóiam-no institucionalmente também a Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom) e o Movimento dos Sem Mídia (MSM).

Daniele Penha informará também sobre inscrições e passagens aéreas. As inscrições custam 100 reais. Estudantes pagarão 20 reais.

Já são 14 amigos da blogosfera

A campanha Amigos da Blogosfera, lançada há duas semanas, está a todo vapor. Ela ajudará a custear parte das despesas de blogueiros que virão de outros estados.

São 20 cotas de 3 mil reais. Estas 14 estão confirmadas:

Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)

CUT (Central Única dos Trabalhadores) nacional

CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo***

Federação Nacional dos Urbanitários (FNU)

Federação dos Químicos de São Paulo

Café Azul***

Carta Capital

Conversa Afiada

Revista Fórum***

Seja Dita a Verdade

Viomundo

Importante: no início da próxima semana, divulgaremos a programação completa.


* Comissão Organizadora: Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Altamiro Borges, Conceição Lemes, Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira, Rodrigo Vianna e Diego Casaes.

** O Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo fica na rua Genebra, 25. É onde ocorrerão os trabalhos dos dias 21 e 22 de agosto. O show do Luis Nassif será na Regional Paulista do Sindicato dos Bancários: rua Carlos Sampaio, 305.

*** Essas cotas vão ser pagas, respectivamente, com locação, produção de logomarca, banner para web e hotsite e confecção e impressão de cartazes.

HANS ZIMMER FAZ PARCERIA COM JOHNNY MARR NA TRILHA DE "A ORIGEM"


JOHNNY MARR - A "GALERA IRADA" QUE SÓ OUVIU ROCK ONTEM O DESPREZA.

O tecladista alemão Hans Zimmer, que tocou com os Buggles (da música "Video Killed The Radio Star") e Ultravox (de Midge Ure, co-autor de "Do They Know It's Christmas?" junto a Bob Geldof), é responsável pela trilha sonora do filme A Origem, de Christopher Nolan, estrelado por Leonardo di Caprio e Marion Cotillard.

A trilha alterna melodias eruditas e eletrônicas, que é o estilo de Zimmer, mas a novidade é que aqui o músico faz uma parceria com o guitarrista Johnny Marr. Para os mais jovens, Johnny Marr parece um músico "complicado" como outro qualquer, mas quem foi adolescente nos anos 80 pôde conferir seu trabalho como músico e compositor através de sua admirável trajetória no grupo inglês The Smiths. Eu mesmo sou fã assumido do grupo, marcado também pela poesia e pela voz de Morrissey, hoje em carreira solo.

Johnny Marr teve o infortúnio de ser guitarrista numa época em que o pop era marcado pelo sintetizador. E, como espetáculo, a música pop precisava menos de grandes canções do que de de coreografia, luzes e escândalos. Lá na Grã-Bretanha, ele tem sua reputação, pois até quem era criança nos anos 80 sabe bem mais dos Smiths do que seu similar brasileiro sabe da Legião Urbana. Mas, se no Brasil há quem não se interesse em saber quem é o Led Zeppelin, quanto mais os Smiths.

Pior disso tudo é que há o cacoete do jovem brasileiro de achar que rock dos anos 80 é o ridículo, patético, risível, incompetente e desprezível poser metal. Para o boyzinho médio que ouvia Xuxa e Trem da Alegria nos anos 80 e passou a ouvir rock (ou pelo menos, algo parecido com rock) a partir de 1995, certamente seu herói não seria Johnny Marr, mas Slash, Richie Sambora, o guitarrista do Motley Crue (que o boyzinho, tão tolo, desconhece ser o tal Mick Mars) e outros guitarristinhas de vaquejada que poderiam muito bem tocar com Zezé Di Camargo & Luciano.

Pena, porque Johnny Marr é um dos maiores guitarristas do mundo. Hans Zimmer afirmou que o talento do ex-Smiths é único. Quem ouve músicas como "The Queen is Dead" dos Smiths sabe da agilidade do grande músico inglês, capaz de acordes vigorosos, mas também de acordes melodiosos de alta sensibilidade, como por exemplo em outra dos Smiths, "Back To The Old House". Johnny também é inspirado pianista e excelente gaitista, além de ser brilhante até no bandolim ("Please Please Please Let Me Get What I Want"). E ainda dá conta do recado fazendo bases de teclado no Electronic, junto ao parceiro Bernard Sumner (Joy Division, New Order, Bad Lieutennant).

Ou seja, Johnny é um músico completo. A ponto de ser convidado por um músico e arranjador alemão conceituado. Só a "galera irada" do Brasilzinho medíocre de hoje não sabe, não quer saber e tem até raiva de quem sabe da trajetória de grandes figuras como a do genial guitarrista de compositor Johnny Marr.

DIOGO MAINARDI DEIXA O BRASIL



Quando o sujeito é muito, muito reacionário, possui uma postura direitista ferrenha e um fascínio doentio pelo capitalismo, se ele é brasileiro ele certamente sairá do país.

Há um bom tempo o medieval Olavo de Carvalho vive fora do Brasil. Agora seu equivalente pop, colunista de Veja Diogo Mainardi, que já estava mais para fora do Brasil do que para dentro do país, vai definitivamente deixar a nação, sem qualquer chance de estabelecer sequer uma segunda moradia por aqui.

Diogo, conhecido como o pit-bull da sujíssima Veja, se esforçava em fazer textos provocativos e até caluniadores, chegando a golpear moralmente o jornalista Paulo Henrique Amorim, que, de forma sensata e oportuna, lançou processo judicial contra o grotesco colunista. Desmoralizado, Mainardi pretende passar mais tempo no exterior, até porque no Brasil ele era praticamente um estrangeiro, parecia mais um enfezado caçador de borboletas de Washington.

Mas outros jornalistas também decidem viver fora do país. Os chamados intelectuais etnocêntricos, que falam mil maravilhas do "rebolation" (REBOLEJO), "funk carioca" (FAVELA BASS), da axé-music, do tecnobrega, da tchê-music, do forró-brega e até do "brega de raiz", também vivem fora do Brasil.

Estes deslumbrados vivem sonhando com Santiago do Chile, e tentam procurar um Victor Jara nos cafundós de Caetité. Encontram Waldick Soriano e eles fingem que ele é o nosso Victor Jara. Vivem sonhando com o punk rock de Londres, com o hip-hop dos subúrbios de Nova York, procuram algo igual na Baixada Fluminense e só encontram o "funk carioca". E fazem de conta que sua cena é uma mistura dos subúrbios punk londrinos com o Bronx e o Brooklyn nova-iorquino.

Eles sonham com o underground paulistano dos anos 80 e tentam encontrar algo parecido no cenário brega de Belém do Pará. Não encontram, mas fazem de conta que o tecnobrega é o seu equivalente, e que aquelas gravadoras que, embora pequenas, são controladas por latifundiários, são "as Baratos Afins paraenses".

Esses etnocêntricos podem não ter a veia elitista-reacionária de Diogo Mainardi. E seu discurso, em vez de fel, tem mel, o que deixa muitos leitores desprevenidos. Mas esses intelectuais vivem fora do Brasil, pensam na periferia paradisíaca, sem problemas, sem conflitos. Ah, se os dirigentes israelenses pudessem pensar numa Palestina domesticada e adocicada, uma Palestina que não existisse como território, mas como cenário virtual midiático. Talvez nossos ingênuos caros amigos sintam menos ódio de Benjamin Netanyahu e do Departamento de Estado dos EUA.

Em ambos os casos, porém, o povo brasileiro se torna desamparado. Seja com o rancor anti-social de Diogo Mainardi, seja com o delírio brega-popularesco dos intelectuais etnocêntricos. Nenhum deles está aí para socorrer o povo sofrido pela opressão política-econômica e pelas desigualdades sociais, o primeiro porque despreza o povo pobre, os segundos porque se ocupam a sonhar com uma periferia de contos-de-fadas.

Quanto à saída de Diogo Mainardi do país, logo dizemos: já vai tarde.