sábado, 24 de julho de 2010

PORTAL EGO TENTA DISFARÇAR CRISE DOS BBB'S



A crise do Big Brother Brasil, que faz com que vários de seus integrantes veja perder a efêmera fama na medida em que deixam de receber convites para aparecer em eventos, é tão evidente que mesmo a "badalada" Priscila Pires sofre o peso da decadência, recebendo um "fora" do pagodeiro Léo Santana, durante o Salvador Fest.

No entanto, as Organizações Globo, por razões óbvias, tenta dissimular a crise, acionando o portal Ego para divulgar as badalações das "musas" do Big Brother Brasil, e mesmo omitiu o "fora" que Priscila Pires recebeu do cantor do rebolejo.

Se verificar o portal Ego hoje - http://ego.globo.com - , dará de cara com várias notícias sobre os "astros" do Big Brother Brasil na sua maior especialidade, noitadas. Sobretudo encontros de ex-colegas do BBB em eventos de "téquino", para não dizer as gandaias brega-popularescas.

Só hoje houve várias notas envolvendo Lia, Anamara, Fani e outros.

ALCEU VALENÇA FEZ DURAS CRÍTICAS AO BREGA-POPULARESCO



Esta entrevista ocorreu há um ano e meio atrás, mas vale a pena trazê-la para nossa discussão sobre a crise vivida pela música brasileira.

Enquanto há reacionários que reagem furiosamente aos que criticam seus ídolos popularescos (só porque eles lotam plateias e vão ao Faustão, não significa que eles sejam deuses para que nunca os critiquemos), e há intelectuais deslumbrados que fazem propaganda dos mesmos ídolos sob uma roupagem discursiva intelectualóide, quem reclama pela qualidade da nossa música sofre por não ter espaço na mídia.

As verdadeiras vítimas de preconceito somos nós, que não podemos falar daquele cantor de sambrega, daquela dupla de "sertanejo universitário" e daquela "diva" da axé-music sem que algum engraçadinho nos espinafre. Nós somos desprezados até mesmo pela claque pretensamente esquerdista, que mal havia trocado a assinatura da Folha de São Paulo pela Caros Amigos, que não estranha que um Pedro Alexandre Sanches amamentado pela mídia golpista escreva naturalmente, na imprensa esquerdista, os mesmos pontos de vista veiculados na Folha de São Paulo e Bravo, esta do Grupo Abril.

Pois a verdade machuca todo mundo, cantava Sting há 32 anos atrás, com a banda The Police. Ou então, como diz o ditado popular, a verdade dói. Animais ferozes, quando feridos, dão ainda seus gritos, desesperadamente. Mesmo que sejam gritos do silêncio, da omissão de certos fatos. Para que a "esquerda ilustrada" que assinava a Folha para ler a Ilustrada e Mais! e agora assina Caros Amigos, sonhar com uma periferia de conto de fadas depois de ler horrores sobre os conflitos no Oriente Médio.

"Quem é Alceu Valença?", perguntaria um desavisado pernambucano acostumado aos forró-brega e tecnobrega que consome pelo rádio. Certamente ele deve pensar que é um titio com nome e sobrenome engraçados, sem qualquer serventia alguma para ele.

Mas Alceu é um dos grandes artistas da Música Popular Brasileira autêntica, um dos mestres da música pernambucana, em particular, e da música brasileira, em geral, e um dos grandes seguidores da lição antropofágica de Oswald de Andrade. De origem hippie e influenciado pelo rock, Alceu no entanto é um profundo conhecedor de música de raiz pernambucana, tanto que, certa vez, quando convidado a tocar uma música para o veterano Jackson do Pandeiro, assim que desempenhou a tarefa conquistou de forma entusiasmada o compositor, que antes havia visto Alceu com desconfiança.

Alceu havia criticado, numa entrevista, a atuação do então ministro da Cultura do governo Lula, o também cantor-compositor-músico Gilberto Gil, pelo fato dele não ter abraçado um projeto em prol da verdadeira MPB (fala-se verdadeira MPB mesmo, e não nos lotadores de plateias do brega-popularesco).

PARA ALCEU, BREGA-POPULARESCO TERIA SIDO TRAMADO PELOS EUA

Na entrevista, sobrou até críticas para a megalomaníaca axé-music (que Alceu apelidou como "fuleiragem music"), e também para a destruição da música brasileira pós-1986, através de "um tipo de música canalha". Embora Alceu dê ênfase à axé-music na sua crítica, ele deixa subentendido no seu depoimento que se trata do brega-popularesco como um todo, dessa suposta "música popular" dominante nas rádios FM e na TV aberta.

Alceu atribui a hegemonia da música brega-popularesca à influência do Departamento de Estado e Propaganda dos EUA. Embora a acusação pareça sempre "paranóica", para quem acredita na cultura popular como um fenômeno sempre inofensivo às pessoas em geral (e por isso acha natural um Pedro Alexandre Sanches invadir as redações de esquerda no nosso país), ela faz muito sentido.

Afinal, os EUA, desde 1951, sempre se empenharam para destruir o projeto nacional-popular que se tornou independente até mesmo dos propósitos políticos do Estado Novo. A cultura popular autêntica fluiu de forma tão consistente que, através da literatura, da pintura, do teatro, do cinema e sobretudo da música, entre outras modalidades artísticas, o povo passou a compreender criticamente a realidade da vida, de forma até mais intensa do que nos tempos em que a cultura popular não era manipulada ao bel prazer das elites dominantes.

Juntando a cultura popular original, de raiz, e seu apogeu nos anos 50 e 60, sobretudo com o apoio da UNE e seus Centros Populares de Cultura acionados quando o latifúndio do Norte/Nordeste despejava os primeiros ídolos cafonas, a música brasileira autêntica, realmente popular e não essa cafonice "popularizada" de hoje, ficou associada às lutas populares e aos movimentos sociais de esquerda.

É certo que nos últimos anos tenta-se inverter o discurso, associando a MPB autêntica, mesmo a música de raiz dos antigos mestres dos morros e sertões, a um elitismo de direita, enquanto o brega-popularesco, só por causa do seu histórico de rejeições (na verdade dados não por avaliações preconceituosas, mas pela falta de qualidade artística e cultural de seu cancioneiro), é associado, de forma tão falsa, à intelectualidade de esquerda.

Só que existe a ortodoxia das elites, que não vai ouvir um Jackson do Pandeiro ou Luís Gonzaga, mas, no máximo, Tom Jobim e Chico Buarque, e ainda assim nem tudo. Mas é uma elite que prefere mais ouvir música clássica, mesmo. E existe também, por outro lado, o fisiologismo político e midiático, a indústria do jabaculê movida por redes de televisão concorrentes da Rede Globo e que respaldam, por isso, um mercado falsamente anti-mídia do brega-popularesco.

Por isso, faz sentido a declaração de Alceu Valença, que sente o quanto a MPB autêntica hoje é a verdadeira discriminada, e não os "injustiçados" ídolos popularescos, que tanto posam de "ignorados pela grande mídia" mas no dia seguinte aparecem triunfantes na tela da Rede Globo e nas páginas da Folha de São Paulo.

Faz sentido porque os EUA querem transformar o Brasil em um país mentalmente apátrida, subordinado, sem referenciais, sem ética, sem cultura. Tudo para impedir que a nação sul-americana se torne uma potência, com um povo culturalmente forte e um cenário político transparente, insubordinado e atuante.

Não é por acaso que a ditadura militar intensificou a divulgação, agora em plano nacional, dos ídolos cafonas patrocinados pelo latifúndio, gerando no brega-popularesco que originou diversos derivativos tendenciosos. E que todas as teses que tentam desvincular música brega e ditadura militar soam confusas, contraditórias e de nível argumentativo fraco e duvidoso.

AS FRASES DE ALCEU VALENÇA

“Gil não fez absolutamente nada pela MPB. O ministério dele foi melhor do que o de Weffort, Ponto de Cultura é um negócio bacana. Mas música brasileira nada. Não vi nem uma vez ele fazer um esforço e levar todo mundo lá para fora. Houve esforço para levar ele. Eu tentei levar, fiz um projeto para levar todo mundo, o Brasil Novo Tempo, mas não deu certo. O Brasil está sendo divulgado lá fora por um tipo de música canalha! Mas pense o Brasil divulgado pela coisa bonita brasileira, pela sua identidade. Porque os gringos são apaixonados pelo samba, pelo choro. O mundo gosta do Brasil, mas o Brasil não gosta de se mostrar pro mundo”.

“Tenho quase certeza de que a destruição da música brasileira foi um movimento que veio do Departamento de Estado e Propaganda dos Estados Unidos. Não posso entender, como é que você pode destruir uma indústria de um bilhão de dólares? A MPB dava 800 bilhões de dólares. A MPB de qualidade era detentora de 80% do mercado de música brasileira. Os caras chegaram e trocaram Chico Buarque por Ursinho blau blau. Em 1986, tudo acabou. Dentro da minha loucura eu digo o seguinte: isto se deve à queda da ditadura. A MPB era contra a ditadura. Então ficaram com medo de uma nova Cuba, pela influência desses artistas de esquerda. Quem ouviu Bethânia, Chico, Milton tocar depois de 86? Tudo isso podia até ter acontecido, de uma maneira mais vagarosa. De repente caiu tudo, e veio outra coisa”.

“Eles são absolutamente negociantes. A fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora, porque o axé destruiu a imagem de música de qualidade que se tinha do Brasil. Existia na Europa a boa música brasileira. Só iam para Europa os tampas de crush, Caetano, Chico, Gil, Milton. O besta aqui
(NOTA DESTE BLOG: o próprio cantor) foi muitas vezes. Tinha um tipo de público do cacete. Aí, quando entrou o axé, a fuleiragem, sabe qual o público desta música? Quenga. A fuleiragem aconteceu, mas será que são os músicos que fazem a música? Quem faz é o cara que não gosta de música, mas sabe trabalhar a coisa, contrata uns caras, o jabaculê come por todos os lados, mas não se faz arte”.