terça-feira, 20 de julho de 2010

UM HOSPÍCIO FEZ FECHAR O HOSPITAL ISAAC ROSEMBERG



Midiazinha de bosta. O público está tão acostumado com humorismo besteirol de baixíssimo nível que as boas comédias fracassam por baixa audiência.



Pois o hospício degradado do Pânico na TV, com seu sensacionalismo pedante e pseudo-arrojado, derrotou, infelizmente, o excelente hospital cômico do seriado SOS Emergência.

PROGRAMA DE "ÍNDIO"



Gaby Amarantos, a "índia negra branca" do Pará paradisíaco fantasiado pelo sonhador Pedro Alexandre Sanches (e pela Folha e pelas Organizações Globo).



Índio da Costa, o "índio negro branco" do Planalto paradisíaco fantasiado pelo sonhador José Serra (e pela Folha e pelas Organizações Globo).

Programas de "índio" promovidos pela mídia neoliberal de nosso país. Cafonice pura. E contra os verdadeiros povos índios, negros e brancos que nada têm a ver com isso.

O QUE UMA ABORDAGEM PRÓ-TECNOBREGA PODE SIGNIFICAR...



NO ALTO, A EQUIPE DO MANHATTAN CONNECTION (CANAL GNT), COM NELSON MOTTA E O FALECIDO PAULO FRANCIS; ACIMA, A ATUAL EQUIPE, SEM MOTTA, MAS COM DIOGO MAINARDI (DE CAMISA PÓLO).

É muito complicado a imprensa de esquerda ter as pregações pró-brega de Pedro Alexandre Sanches (ou qualquer outro similar), porque é uma visão de "cultura popular" mais próxima do padrão dos barões da grande mídia.

Eu escrevo isso e mandei até mensagem do Twitter para os microblogs da revista Fórum e Caros Amigos lá e ninguém quer ouvir. Todos estão surdos e cegos. "Não, não querooooo ouviiiiiiirrrrr, eeeeeeeeeuuu nããããããoooooo queeeeeeeeeeeroooooo...".

O problema é que, enquanto todos alegremente leem Pedro Alexandre Sanches falando de uma periferia estereotipada em Caros Amigos e Fórum, num claro contraste contra a realidade explosiva das crônicas políticas de esquerda, é que tudo que Pedro Sanches defende em seus artigos vai parar, sem escalas nem intermediários, na mesma mídia golpista hostilizada pela imprensa de esquerda.

E aí, de que adiantou Pedro Alexandre Sanches escrever tantas "maravilhas" sobre o tecnobrega se Nelson Motta comentou algo parecido no Jornal da Globo (comandado pelo mesmo William Waack já espinafrado por um colunista de Caros Amigos, Milton Severiano)?

Nelson Motta, apesar do passado de letrista e agitador cultural moderno, até hoje lembrado por "Como Uma Onda", musicado e cantado por Lulu Santos, no entanto está atualmente ligado ao Instituto Millenium e fez parte da primeira fase do programa Manhattan Connection do canal pago GNT.

E o que é o Manhattan Connection? Espécie de papo de botequim de luxo, de pessoas sonhando com Nova York, até válido, não fosse o conservadorismo reinante. Tinha até o Paulo Francis, reacionário, mas de uma inteligência fina e até admirável.

Mas hoje o Manhattan Connection tem até o Diogo Mainardi, o chamado pit-bull de Veja. Mal-humorado, pedante, reacionário até a medula.

O que uma abordagem pró-tecnobrega na revista Fórum pode causar. Pouco tempo depois, o tecnobrega, tão alardeado como "fora da mídia", entrou pelas portas da frente das Organizações Globo, que estendeu tapete vermelho aos neo-cafonas do Pará. E pintou até no Jornal da Globo, de William Waack espinafrado por Caros Amigos, em resenha de Nelson Motta que foi do Manhattan Connection do qual hoje faz parte Diogo Mainardi da infame revista Veja.

Sim, o bailão do tecnobrega agora acontece nos salões da grande mídia. Queiram ou não queiram os caros amigos.

AUTORA ASSOCIA CULTURA BREGA À CULTURA DE MASSA



escrevemos sobre o livro Do Brega ao Emergente, de Carmen Lúcia José.

Comprei o livro porque sua abordagem sobre a cultura brega é bastante diferenciada, sem aquela choradeira apologética do tipo "vamos perder o preconceito, o Brasil todo é brega".

Embora o prefácio, feito por Waldenyr Caldas, cite o brega como "um assunto positivo", o livro de Carmen Lúcia José nada tem a ver com a abordagem apologética e até panfletária e propagandista do livro Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César Araújo.

Nas primeiras páginas, dá para perceber que a abordagem objetiva de Carmen, para desespero da atual tendência apologética, define a cultura brega não como uma autêntica cultura popular, mas como uma cultura de massa que usa valores ultrapassados a partir de referenciais dominantes nas elites.

Alguns trechos merecem ser citados. Vamos por dois, neste tópico. Um deles certamente causaria mal estar até no Pedro Alexandre Sanches, o "Hermano Vianna" da vez:

Enquanto a midcult toma emprestado os procedimentos da cultura superior, facilitando-os (nota deste blog: Exemplos na música são Maria Gadu e Jorge Vercilo), o brega toma emprestado procedimentos da cultura popular, estandartizanto-s e expondo-os a partir de um modelo que organiza os dados num padrão médio de informação. Para a composição da mercadoria brega, os elementos são buscados na cultura popular, trazidos ao ponto médio de informação e, aí, arranjados no interior da estrutura modelar da elite.

Em outras palavras, a mercadoria brega utiliza elementos associados à cultura popular, transformados em clichês e estereótipos - o tal "ponto médio de informação" difundido pela grande mídia - e depois são retrabalhados pelo esquema de produção midiática das elites (os empresários de entretenimento, sobretudo).

Outro trecho fala da suposta sofisticação da música brega - que eu defino como neo-brega e se observa em nomes como Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano, Belo, Chitãozinho & Xororó, Daniel, Ivete Sangalo e até Banda Calypso - , algo que já se observava a partir de Michael Sullivan & Paulo Massadas, nos anos 80.

(...) o brega poderia ser visto como o filho sequestrado da cultura popular e adotado para ser "refinado" pela cultura de massa. Sequestrado, porque originalmente os elementos selecionados não apresentavam valor positivo para os segmentos sociais que produziam expressões artísticas para seu próprio uso. Adotado, porque esses elementos são organizados a partir da forma de sucesso da cultura industrializada. E, finalmente, refinado, porque esses elementos tomam um banho de loja para sae parecerem com o modelo estético da elite ou para serem apresentados ocmo tendência, como quer a moda.

Neste trecho, podemos interpretar que o brega resulta na exploração parcial de elementos regionais da cultura pobre, trabalhados de forma debilitada. Os valores não positivos correspondem justamente aos valores impostos pela miséria em que os pobres vivem, pela falta de referenciais de identidade social e moral.

A indústria cultural retrabalha esses valores, criando o brega, que, quando refinado, é reformulado no visual, na tecnologia e na técnica, tentando parecer "sofisticado", conforme os valores da elite (no caso, a MPB pasteurizada), vide o caso de Alexandre Pires e Chitãozinho & Xororó, por exemplo, ou transformando-o em tendências da moda, como no caso da Banda Calypso e de Gaby Amarantos a tal Beyoncé do Pará.