sexta-feira, 16 de julho de 2010

ABERTA INSCRIÇÃO PARA ENCONTRO DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS


APPARÍCIO TORELLY, O BARÃO DE ITARARÉ, PATRONO DOS BLOGUEIROS PROGRESSISTAS.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Eu adoraria ir, mas por restrições orçamentárias, não poderei. Mas a taxa é até bem barata, se comparar com os R$ 500 do espetáculo palestrante do Instituto Millenium. São R$ 100, para cobrir as despesas. Mas quem não for pode aguardar que o encontro estará disponível na Internet.

Aberta inscrição para encontro de blogueiros

Conceição Lemes - site Viomundo

O 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas acontecerá nos dias 21 (sábado) e 22 (domingo) de agosto em São Paulo. O objetivo é contribuir para a democratização dos meios de comunicação e fortalecer as mídias alternativas. As inscrições já estão abertas.

Nós nos esforçamos ao máximo para viabilizá-lo em Brasília, mas o elevado custo de auditórios, acomodações e refeições e o prazo exíguo nos forçaram a rever o local. Tentaremos fazer o segundo em Brasília.

A programação está sendo montada. Por enquanto, temos apenas as linhas gerais. Na próxima semana, ela será concluída e divulgada.

O encontro começará no sábado às 9h com debate sobre o papel da blogosfera na democratização dos meios de comunicação. Participarão Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Eduardo Guimarães, Rodrigo Vianna e Leandro Fortes.

À tarde ocorrerão sessões com palestrantes para se discutir as questões legais: orientação jurídica para atuar na web, medidas contra ameaças, cerceamento à liberdade de expressão. Também ocorrerão oficinas sobre twitter, videoweb, rastreamento de trolls e debates sobre a sustentabilidade financeira dos blogs.

No domingo das 9h à 12 h, em reuniões em grupo, blogueiros dos vários estados trocarão experiências e discutirão os desafios da blogosfera. À tarde, plenária para apresentação, discussão e aprovação da Carta do 1º Encontro Nacional dos Blogueiros.

O evento será gravado e, depois, disponibilizado na rede.

Inscrições, passagens, acomodação e refeições

As inscrições custam 100 reais. Quanto mais rápidas, melhor para a organização do evento. Basta enviar e-mail para contato@baraodeitarare.org.br ou telefonar para (011)3054-1829. Falar com a Daniele Penha.

Para se inscrever, serão necessários os seguintes dados

* Nome/nicknane

* E-mail

* Endereço do blog

*Twitter ou outra rede social, caso participe. Preencha com a URL completa

* Telefone

* Cidade/Estado

A comissão organizadora está buscando patrocínios para garantir a gratuidade da hospedagem. Está em contato com uma empresa aérea para garantir desconto nas tarifas. Dependendo dos recursos levantados, o Encontro também arcará com as despesas de refeições e parte das passagens para os blogueiros de outros estados.

Daremos total transparência à origem dos recursos e à prestação de contas. Os blogueiros poderão acompanhá-la online.

Amigos da blogosfera

Para custear a participação de palestrantes e parte das despesas de blogueiros de outros estados, lançamos a campanha Amigos da Blogosfera. São 20 cotas de 3 mil reais.

Já confirmaram a compra de uma cota: Apeoesp, Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Viomundo , Conversa Afiada e Seja dita a verdade.

Se quiser ser mais um dos Amigos da Blogosfera, ligue para (011)3054-1829 .

* Comissão Organizadora: Luiz Carlos Azenha, Altamiro Borges, Conceição Lemes, Paulo Henrique Amorim, Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira, Antonio Arles, Renato Rovai, Rodrigo Vianna e Diego Casaes.

Apoio institucional: Centro de Estudos Barão de Itararé, Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom) e Movimento dos Sem Mídia (MSM).

PRECONCEITO DE CLASSE MÉDIA PROLONGA HEGEMONIA DO BREGA-POPULARESCO


FUNK CARIOCA E TECNOBREGA - Caricaturas estereotipadas e esquizofrênicas de cultura popular.

Já nos é conhecida por aqui a hegemonia extrema da música brega-popularesca, que boa parte das pessoas não consegue entender. Pior é a discrepância existente entre a abordagem política da mídia de esquerda - que tem o mérito de analisar aspectos da Guerra Fria até mesmo na política do Oriente Médio, o que eu acho positivo - e a abordagem cultural nessa mesma mídia.

Chega a ser até grotesco, ver que argumentações típicas do neoliberalismo, mas temperados de uma retórica falsamente "militante" e intelectualóide, que dão uma falsa ideia de que as tendências da Música de Cabresto Brasileira, mesmo aquelas que aparecem toda semana no Domingão do Faustão, não contam com o espaço da grande mídia.

As argumentações são grotescas, não bastasse a música brega-popularesca representar, por si só, uma caricatura de cultura popular, pois expõe um comportamento patético, ao mesmo tempo resignado e medíocre, do povo pobre, transformado pela grande mídia como caricatura de si mesmo.

DISCURSO INTELECTUALÓIDE - Em vez de analisar as questões sociológicas e psicológicas a respeito das contradições e equívocos que estão por trás da música brega-popularesca, os intelectuais fazem uma propaganda enrustida da mesma, sempre com aquela choradeira que ninguém aguenta mais, falando sempre em "preconceito", "rejeição" e "horror".

Os ídolos fazem sucesso comercial, vendem CDs, lotam plateias, e seus ideólogos sempre tentam dizer o contrário, num discurso que agora torna-se manjado até demais. Criam-se arremedos de abordagem sociológica, abusando de recursos como a História das Mentalidades (abordagem histórica que privilegia personagens anônimos) e New Journalism (reportagem narrada como se fosse um romance).

Falsas abordagens etnográficas, sociológicas, falsos manifestos pós-modernos, que no discurso são muito bonitos, com alegações falsamente generosas, na verdade escondem uma propaganda para prolongar cada vez mais o sucesso do brega-popularesco, e que, apesar de reclamarem contra o "preconceito" que nós temos contra os ídolos popularescos, expressam um preconceito ainda pior, na medida em que defendem uma "música popular" estereotipada, apátrida, sem identidade regional ou nacional reais, sem qualidade artística, sem produção de conhecimento. Só música de consumo, feita unicamente para o lucro de seus empresários, mais até do que os próprios ídolos por eles sustentados.

Para piorar, esses intelectuais, em vez de questionarem, pedem para que evitemos o questionamento. Pedem para que nós desprezemos as avaliações estéticas, que esqueçamos os mecanismos da mídia, nos pedem para não raciocinarmos, não questionarmos.

O grande vício da mídia esquerdista é que seus pensadores pensam que o povo da periferia conhece Diogo Mainardi e seu mau humor reacionário. Não, não conhece. Pensam os esquerdistas que o povo da periferia identifica reacionarismo na cara de muxoxo de Arnaldo Jabor. Não, não identifica. Mas os esquerdistas falam como se eles fossem o terror, como se Mainardi, Jabor, Miriam Leitão, Carlos Alberto Sardenberg, William Waack, Gilberto Dimenstein e outros fossem o terror a assustar os lares populares. Mas nada disso acontece. Eles são totalmente estranhos do nosso povo.

BREGANEJO SEM MÍDIA? FALA SÉRIO!! - Enquanto isso, não há um questionamento real sobre as armadilhas do brega-popularesco, por parte da mídia de esquerda. Sucessivamente, ideólogos surgem para enganar a plateia indefesa, e já tivemos o charlatão Paulo César Araújo, o tendencioso Hermano Vianna e agora o oportunista Pedro Alexandre Sanches. Todos eles transformando a cultura popular em estereótipo que reúne uma esquizofrenia de referências e valores, como se a cultura do povo pobre fosse uma gororoba, uma "deliciosa" lavagem de porco que envolve tudo: caviar, feijoada, hambúrguer, macarrão, arroz, frutas, vômito, fezes e urina.

Há tantos absurdos sobre tendências recentes do brega-popularesco que a situação é de assustar. Araújo, Vianna e Sanches fazem mais estragos no imaginário popular do que o mau humor de Diogo Mainardi que, na prática, fala para as paredes. Fazem um discurso lindo para fazer não só prevalecer, mas perpetuar a hegemonia da música brega-popularesca que nunca está fora da grande mídia, até porque também existe grande mídia regional, seja no interior de Goiás, do Pará, do Paraná, de São Paulo. A grande mídia não se limita aos escritórios da Avenida Paulista, pensar assim é um grande erro.

Cheguei a ler mesmo, num blog que eu pesquisei, que há até "duplas sertanejas" supostamente sem espaço na grande mídia. Como assim? Que o mercado da música comercial é bastante competitivo, mas isso não quer dizer que aqueles que estão em desvantagem na competição pelo estrelato sejam nomes "alternativos" ou "discriminados" pela grande mídia.

Além do mais, o breganejo nunca seria excluído da grande mídia, porque essa deturpação da música caipira é seguramente a trilha sonora dos grandes proprietários rurais, os latifundiários, senhores do coronelismo de suas regiões. E pouco importa se as duplas se chamam Zezé Di Camargo & Luciano, Vítor & Léo, João Bosco & Vinícius, José e João, Mateus e Zaqueu, elas seguem uma mesma linha de montagem, pouco importa se José e João até agora não apareceram no Domingão do Faustão.

Essa pregação apologética dos intelectuais, invadindo até mesmo a imprensa de esquerda gerando um contraste entre a ótima abordagem política e a péssima abordagem cultural - na prática, Pedro Alexandre Sanches continua jogando mais pelo time de Otávio Frias Filho do que pelo de Hamilton Octavio de Souza (editor de Caros Amigos) - , impede que a verdadeira cultura popular, menos voltada para o espetáculo e mais voltada à arte, volte à tona na memória do povo.

Não é purismo algum reclamar que voltem aqueles tempos em que os morros e sertões produziam boa música. Não é purismo nem saudosismo, nem sequer moralismo. A cultura popular de verdade envolve produção de conhecimento, de valores sociais, de valores artísticos e culturais. Não é a produção de uma coisa qualquer nota para vender discos e lotar plateias.

O que temos nas rádios FM e TV aberta de nosso país não é a verdadeira cultura popular, mas uma pretensa "cultura popular" estereotipada, que adota até valores colonizados, não como soma para a cultura local, mas como elemento dominador que destrói referências locais. Brincar de Beyoncé Knowles nos bailes de Belém do Pará nada tem a ver com a verdadeira criatividade. Até porque não passa de um ato de requentar puramente o que há de fora, sem acréscimo real aos valores regionais.

Mas a classe média que corteja o brega-popularesco com uma campanha retórica com a intensidade de um IPES/IBAD nos anos 60 - Pedro Alexandre Sanches ainda deve umas boas visitas ao Instituto Millenium, o IPES/IBAD de hoje - não entende de música popular. Defendem uma visão estereotipada, achando que assim vão agradar as classes pobres. Mas não vão.

Não é à toa que não existe tradição, no Brasil, das pessoas pararem para escutar música. As pessoas tocam um disco e vão beber, jogar conversa fora, lavar carro. Ninguém presta atenção à música em si, daí as apologias aberrantes ao que as rádios e TVs despejam como "sucessos populares". Daí que o preconceito não está em quem rejeita o brega-popularesco. O preconceito está, na verdade, naqueles que mais o defendem.