quarta-feira, 14 de julho de 2010

COMISSÃO DA CÂMARA APROVA PEC QUE OBRIGA DIPLOMA DE JORNALISMO


COMENTÁRIO DESTE BLOG: A fonte consultada pode não ser lá essas coisas, mas a notícia é boa e é um soco no estômago da ANJ (e, por conseguinte, pelo próprio jornal que publicou tal nota). O diploma de jornalismo não é um meio de restrição da democracia, mas um meio de comprovar que um jornalista teve um aprendizado responsável.

Afinal, existe uma grande diferença entre um cidadão que manifesta sua livre opinião e uma pessoa que exerce função de jornalista. Achar que ser jornalista não precisa de diploma é confundir jornalismo com opinião pura e simples. O jornalista, além disso, precisa de uma formação que o faça discernir vários tipos de textos (como diferir crônica de resenha, por exemplo, ou então diferir texto de revista semanal com texto de jornal diário) e que tenha um saber mais crítico e responsável, além de mais abrangente.

Em outros tempos, havia gente que fazia bom jornalismo sem ter diploma. Mino Carta é dessa geração. Mas era um tempo em que os próprios cursos de jornalismo eram raros e, por sorte, essa geração, dotada de uma inteligência e compromisso social peculiares, fez escola até para os cursos de jornalismo de hoje. Mas essa gente é mais exceção do que regra.

Afinal, a dispensa do diploma de jornalismo sempre privilegia, na maioria, os chamados "aventureiros" da opinião, que não sabem a diferença de crônica e resenha, opinam na base do "achismo", possuem uma consulta midiática bastante restritiva e previsível, e escrevem como se não conhecessem a fronteira entre uma redação de jornal e uma mesa de botequim.

Comissão da Câmara aprova PEC que obriga diploma de jornalismo

Da Folha On Line - Brasília

A volta da obrigatoriedade do diploma para jornalistas foi aprovada pela comissão especial da Câmara dos Deputados que analisou o assunto. Em votação simbólica, os parlamentares ratificaram o parecer do relator Hugo Leal (PSC-RJ).

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição), de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), é uma resposta à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de junho de 2009 que revogou a exigência do diploma para jornalistas.

Os ministros consideraram que o decreto-lei 972 de 1969, que exige o documento, é incompatível com a Constituição, que garante a liberdade de expressão e de comunicação.

O relatório acrescenta um parágrafo ao artigo 220 da Constituição Federal. Pelo novo texto, a necessidade do diploma em jornalismo e do registro profissional nos órgãos competentes não representam uma restrição às liberdades de pensamento e informação jornalística.

Para o deputado Hugo Leal, a nova redação evitará interpretações de inconstitucionalidade. "Ser jornalista exige qualificação. A graduação universitária é instrumento imprescindível de qualidade e democratização da informação e do acesso à profissão, não de restrição", defendeu o relator.

A proposta aprovada diz que os profissionais que tiraram o registro no período entre junho de 2009 até a promulgação da PEC poderão atuar na área.

A aprovação da proposta foi criticada pelo diretor-executivo da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Ricardo Pedreira. "Entendemos que a decisão do STF foi adequada. Precisamos de boas escolas de jornalismo, não de regulamentação da profissão", disse. Pedreira afirmou que, caso o projeto seja promulgado, a entidade acionará o Supremo.

O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murilo, comemorou o resultado dos debates na comissão, criada no começo de junho. "Hoje não há critérios para o exercício da profissão, é uma situação absurda para a categoria. Agora adequamos o texto da Constituição à decisão do Supremo."

O texto aprovado ontem na comissão especial ainda terá de ser votado em dois turnos pelo plenário da Câmara e, depois, pelo Senado. Caso sofra alterações, retorna para a análise dos deputados. Como é uma PEC, não passa por sanção presidencial.

Há outro projeto, em tramitação no Senado, que restabelece a volta do diploma. Proposto pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), o projeto aguarda para ser votado pelo plenário.

CPMI FRUSTRA A RURALISTA KÁTIA ABREU


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Os latifundiários, "carinhosamente" apelidados de "ruralistas", tentaram investir numa Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para criminalizar os movimentos dos trabalhadores rurais. Sobretudo bem representados pela traiçoeira gata do "demo", a senadora Kátia Abreu, que ficou decepcionada com os resultados da investigação. Bem feito.

CPMI frustra a ruralista Kátia Abreu

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) conclui hoje (14) seus trabalhos sem atingir os objetivos espúrios para a qual foi convocada pela da bancada ruralista. A estridente senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), não logrou arrancar as provas que sonhava para criminalizar os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária. O relatório do deputado Jilmar Tatto (PT-SP) afirma que a investigação provou que “não há desvio de dinheiro público para as ocupações de terra”, o que enterra as mentiras dos ruralistas.

No total, foram feitas treze audiências públicas em oito meses. “Foi uma CPMI desnecessária”, afirma o deputado à jornalista Aline Scarso, da Radioagência NP. “A oposição fez carga muito grande, dizendo que havia recursos públicos desviados para a ocupação de terras. Depois de um trabalho intenso e exaustivo, verificando todas as contas de dezenas de entidades que fizeram convênio com o governo federal, concluímos que não foi nada disso. São entidades sérias, que desenvolvem um trabalho de aperfeiçoamento e qualificação técnica do homem do campo”.

Objetivos espúrios dos ruralistas

Para ele, “o que deu para perceber foi que a oposição, principalmente o DEM e o PSDB, estava com uma política de criminalizar o movimento social. Tanto é verdade que, depois de instalada a CPMI, eles praticamente não apareceram nas reuniões”. Na sessão de quarta-feira passada, Onxy Lorenzoni (DEM-RS) ainda pediu vista do relatório final, adiando enterro da CPMI. É possível que a bancada ruralista, num último suspiro, apresente relatório paralelo, mas sem valor legal.

O resultado da CPMI não deve ter agradado Kátia Abreu. Ela queria sangue, mas não obteve êxito. Mas a senadora do DEM não tem do que reclamar. Do ponto de vista prático, a CPMI conseguiu abortar o anúncio a atualização dos índices de produtividade rural, prometido pelo presidente Lula para acelerar as desapropriações de terras improdutivas. Ela também paralisou importantes convênios públicos firmados com as entidades da reforma agrária.

Contra os pequenos produtores e assentados

Como aponta Gilmar Tatto, “a oposição, em certa medida, conseguiu atrapalhar. Os convênios estavam acontecendo e, na medida em que ficam fazendo denúncias vazias em relação a estas entidades, atrapalham o seu trabalho junto aos produtores rurais assentados. Uma parte do seu objetivo a oposição conseguiu: justamente romper parte desses convênios... Isto foi um desastre, porque a CPMI veio prejudicar o campo, principalmente os pequenos produtores e assentados”.

Já do ponto de vista eleitoral, a senadora demo até que se deu bem. Ela chegou a ser sondada para ser vice do tucano José Serra, o que só não ocorreu devido às resistências do seu próprio partido – segundo garante o pitbul Reinaldo Azevedo. No final, porém, ela foi incorporada à coordenação de campanha presidencial, logo no setor de finanças, responsável por arrecadar recursos junto aos latifundiários. Esta medida do comando demotucano exala forte odor!

CPMI para as entidades ruralistas

Talvez seja o caso até de pensar numa nova CPMI, desta vez para apurar desvios de verbas das entidades ruralistas. Alguns casos escabrosos apareceram na própria comissão moribunda, com denúncias de contas irregulares de federações filiadas à CNA. Como responsável pelo setor de finanças, a senadora pode até cometer novos crimes – ela já foi acusada de usar caixa dois na sua campanha, além de grilagem de terras, devastação ambiental e exploração de trabalho escravo.

"APARELHAGENS" DE BELÉM: CORONELISMO, ELITES E LOBBY POLÍTICO



O tecnobrega aprendeu com o "funk carioca" a respeito de sua retórica demagógica.

Vende-se como fenômeno dos "sem-mídia", mesmo com o apoio mais do que explícito e com entusiasmo além da conta dos barões da grande mídia.

Seu mercado é comandado por uma elite enrustida, mas claramente detentora do poder econômico. No "funk", são os empresários-DJs das equipes de som, dos quais o DJ Marlboro é o mais famoso. No tecnobrega de Belém do Pará, são as chamadas "aparelhagens", como se denomina a elite dos empresários e DJs que são proprietários de casas noturnas e de gravadoras supostamente pequenas.

Há todo um esquema mafioso que envolve emissoras de rádio FM, oficiais ou comunitárias, ligadas a grupos oligárquicos e políticos.

E há, também, toda uma aliança com grupos latifundiários locais, que investem no mercado de entretenimento regional, esquema que deveria ser investigado. Recentemente, um DJ das "aparelhagens" foi morto depois de uma discussão.

Como é que o tecnobrega, sustentado pelas "aparelhagens", usam muita tecnologia, além de todo um cenário de muita iluminação, muita coreografia e muitos figurinos e maquiagens, pode ser considerado um fenômeno "pobre", ligado a "pequenas mídias", supostamente ignorado pelas corporações da grande mídia (enquanto, na prática, acontece o contrário).

Será que existe muita gente bitolada no nosso país? E nossos intelectuais, será que eles se limitarão a fazer mera propaganda travestida em palavreado "sociológico-etnográfico"?

Também ninguém desconfiou das elites que investiram nos alto-falantes que tocavam os primeiros ídolos da música brega. Isso em regiões comandadas pelo latifúndio. Fica a impressão de que os empresários que investem em música brega no interior do Brasil são pessoas que não têm dinheiro para comprar um sítio, mas investem em tecnologia de som, no empresariamento de cantores e conjuntos e em todo o esquema de superprodução desses "artistas". Acreditar nisso é pura falta de coerência.

Enquanto ninguém faz um questionamento sério, dois Parás convivem lado a lado. O Pará sofredor, vítima da violência e da prepotência coronelista, e o Pará animadinho, alegrinho, dos jovens pobres que vão que nem gado para as danceterias de subúrbio, para consumirem valores e referenciais "artístico-culturais" que as rádios FM, a TV aberta e a imprensa populista-fofoqueira, sob influência dos detentores do poder econômico, determinam para o povo.

Ninguém ainda fez um questionamento profundo sobre a manipulação do povo pobre pelo entretenimento, a não ser este blog. Qual será o outro voluntário para tal iniciativa?

OLHE SÓ QUEM FALA!!



Pedro Alexandre Sanches, o crítico musical que invadiu a imprensa de esquerda para defender a mesma música brega-popularesca patrocinada pelos barões da grande mídia nacional e regional, parece se incomodar com o estigma de crítico musical na grande imprensa.

Ele diz que rejeita a ideia de crítico musical como mero propagandista, mas certamente ele não olha para o seu próprio caso, quando ele mesmo faz propaganda de ritmos popularescos que só ele e uns poucos assemelhados - Hermano Vianna é um deles - pensam que são ritmos "emergentes". Vejam a linda teoria dele, que não corresponde à prática, quando ele foi um dos primeiros a fazer propaganda do tecnobrega, com aquele discurso "intelectual pós-moderno", que só abriu caminho para a entrada triunfal do ritmo nos veículos das Organizações Globo.

Ele não questiona as armadilhas da mídia, mas aprecia os modismos popularescos de forma descritiva e apologética, o que são caraterísticas de propaganda. É como se ele recebesse um relise do tecnobrega, por exemplo, e recheasse o texto publicitário com divagações intelectualóides. É tapear propaganda com texto supostamente sociológico ou etnográfico.

Ele critica a abordagem cor-de-rosa dos demais críticos musicais, mas não observa o próprio caso, que define o cenário do brega-popularesco como um mundo cor-de-rosa, em que o povo pobre vai que nem gado para os clubes de subúrbio dançar uma música que as rádios definem que o povo deva curtir e Pedro credita como se fosse um "mundo feliz" da periferia, como se o povo, sendo ingênuo, fosse mais bonzinho. Nada mais cor-de-rosa do que isso.

Vejam a "pérola" que PAS disse na entrevista para o blog Klaxons BC, a respeito da ideia de "crítico musical".

"Pois é, que encrenca, não? O termo ultimamente me aflige, porque, com a configuração cada vez mais agressiva da cultura como indústria cultural, “crítico” também ficou cada vez mais parecido com um eufemismo para “divulgador”. Pode até ser um divulgador ao contrário, que divulga botando defeito no que divulga, mas não deixa de ser, mesmo assim, um divulgador. O que não tem nada de mau a princípio, mas é realmente estranho pensar que um jornalista, na função de “crítico”, recebe um determinado salário de seu patrão para fazer propaganda dos empregados de outros patrões. Não parece haver algo errado nesse percurso? Eu acho que tem, tanto é que, na minha opinião, a coisa não tem andado muito bem. Porque as coisas vão perdendo a graça (ou então ficam cínicas demais) conforme o sentido da palavra “crítico” se deforma, seja na exasperação do sentido negativo do conceito “crítico” (que credibilidade pode ter alguém que só encontra os “defeitos” dos objetos que admira, supostamente, por amor?), seja na entrega total ao sentido positivo, explicitamente propagandista, do conceito (quem pode acreditar para valer nas opiniões de alguém que propagandeia que tudo está o tempo inteiro cor-de-rosa?). Dá vontade de voltar à idade da pedra polida, ou viajar para algum tempo simbólico em que “criticar” fosse meramente refletir, analisar, pensar junto – o que, evidentemente, não tem (ou não deveria ter) nada a ver com a tiragem do jornal, a necessidade diária de sensacionalismo nas bancas e assim por diante".