quinta-feira, 8 de julho de 2010

OI FAZ PROPAGANDA ENGANOSA



No comercial de TV, a empresa de telefonia OI é uma beleza. Desbloqueio de chip de celular, maior saldo para ligações locais e de longa distância, nenhuma cobrança extra além das taxas normais cobradas. Sobra até alfinetadas às concorrentes, sem "dar nome aos bois".

No entanto, a empresa de telefonia tornou-se, nos bastidores, uma das grandes vilãs do setor. Paranóica por ter perdido quatro afiliadas de sua rede de rádios FM - sim, a OI é dona de uma rede de FMs até com uma programação simpática, reconheçamos - , reduzindo de onze para sete emissoras, a empresa de telefonia anda fazendo mecanismos estranhos para arrecadar mais dinheiro.

Primeiro, faz cobranças abusivas de ligações telefônicas. Como é que um minuto de ligação local, de bairro a bairro, pode custar no mínimo R$ 0,72?

Segundo, como é que, numa inocente sintonia, pelo celular, de uma emissora de rádio FM, até mesmo a própria OI FM, é acionada automaticamente uma ligação para o telefone residencial fixo do portador do celular, que, mesmo não atendida, de todo modo resulta no preço computado de pelo menos R$ 1,15?

Terceiro, como é que, mesmo sem realizar uma única ligação, às vezes o celular do portador computa do nada uma conta de R$ 0,72?

Por outro lado, meu celular deixou de funcionar porque fiquei um tempo sem fazer ligações. No final do ano passado, eu me dediquei a estudar para um concurso e fiquei sem usar celular.

Quando voltei a usar, meu telefone não fazia mais ligações, também não recebia ligações, tentava ligar para a OI falando do problema e, quando fui a um posto da empresa no centro de Niterói, fui informado que meu número ficou inutilizado e voltou para o mercado, para um outro celular à venda. Isso porque não fiz ligação alguma durante um mês, e também não realizei recarga, que custa, no mínimo, R$ 10.

Também não me incomodei muito com isso. Afinal, fui o primeiro da família a dar ADEUS para a OI. Estamos estudando a utilização de outra empresa de telefonia.

A OI faz propaganda enganosa. Vende a imagem de "simpática" nos comerciais de televisão, rádio, jornal e Internet, para depois cobrar por fora, desrespeitando os fregueses, além de não dar o serviço que preste (não raro, certas ligações possuem péssima qualidade de áudio).

Certamente, a OI deve pensar que seus fregueses são OTÁRIOS e IDIOTAS.

PORTAL DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO COMEMORA ONDA "SERTANEJA" NO RIO



É certo que nem a "mídia fofa" dirá que a tal "música sertaneja", braço melódico da UDR, é a música dos "sem-terra", já que estes são vilões de quase toda a grande imprensa brasileira. Mas o lobby em torno dos ídolos "sertanejos" é tal que a mídia agora empurra o breganejo até mesmo para mercados antes hostis ao gênero, como no caso do Rio de Janeiro.

As Organizações Globo andam fazendo campanha pela entrada do "sertanejo" no Rio de Janeiro, aproveitando que o coronelismo fluminense é um mistério que até agora nenhuma mídia de esquerda teve a coragem de investigar, talvez esperando algum cadáver aparecer pelas bandas de Campos, Miracema, Magé ou Vassouras que possa revelar algum esquema coronelista no Estado do Rio de Janeiro.

Mas o coronelismo fluminense existe, e, no âmbito do entretenimento, se associa ao coronelismo do interior de São Paulo (com ramificações no Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás), num acordo que permite mandar para o mercado paulista ídolos do sambrega (diluição brega do samba, patrocinada pelos "coronéis" fluminenses) e receber de troca a entrada do breganejo em terras fluminenses.

Claro que os antigos breganejos continuam indigestos para o público fluminense, e por isso veio a tal farsa do "sertanejo universitário" para introduzir a juventude urbana fluminense no consumo desse pastiche de música caipira. Consome-se primeiro os tais "universitários", mais "moderninhos" e emergentes no mercado, para depois empurrar os veteranos. Enquanto isso não acontece, o jabaculê acontece até no Viola Minha Viola, com o cantor brega Daniel brincando de cancioneiro caipira (enquanto seu repertório "autoral" é de uma cafonice de doer os tímpanos).

O G1 publicou hoje uma reportagem sobre a "onda sertaneja" no Rio. O Globo já mandou no Segundo Caderno uma reportagem de primeira página sobre o "fenômeno". O hype breganejo no Grande Rio é tal que já existe um cantor de "sertanejo universitário" que se apresenta regularmente numa boate em Icaraí, Niterói.

Acredita-se que há até "duplas sertanejas" que, por conta da tal geração "universitária" (certamente merecendo um "zero" do MEC, se o governo petista não apreciasse o breganejo), sendo inventadas nos condomínios da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. Que duplas devem ser essas? Renato Russo & Cazuza? Zeca Baleiro & Lenine? Ezequiel & Neves? João & Gilberto? Tom & Jobim? Chico & Buarque? Maria Rita & Simoninha? Taliban Santana?

HÉLIO FERNANDES FAZ DENÚNCIA GRAVE CONTRA UPP'S



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O blogueiro da Tribuna da Imprensa, o veterano jornalista Hélio Fernandes, faz uma denúncia grave de que as Unidades de Polícia Pacificadora serviriam não para combater o crime organizado, mas como um acordo do Governo do Rio de Janeiro com os próprios criminosos, que envolve fins eleitoreiros.

A “pacificação” das favelas do Rio não passa de um acordo feito entre o governador e os traficantes, que podem “trabalhar” livremente, desde que não usem armas nem intimidem os moradores das comunidades

Por Hélio Fernandes - Blog Tribuna da Imprensa

Em dezembro do ano passado, publiquei aqui no Blog um importante artigo de denúncia, mostrando que a política de “pacificação” das favelas não passa de uma manobra eleitoreira do governador cabralzinho, que inclui um incrível e espantoso acordo entre as autoridades estaduais e os traficantes que atuavam (e continuam atuando) nessas comunidades carentes.

O acordo está “firmado” sob as seguintes cláusulas:

1 – Os traficantes somem com as armas da favela, com os “soldados” de máscaras ninjas, com os olheiros e tudo o mais.

2 – A PM entra na favela, sem enfrentar resistência, ocupa os pontos que bem entender, mas não invade nenhuma casa, nenhum barraco, e não prende ninguém, pois não “acha” traficantes ou criminosos.

3 – A favela é tida como “pacificada”, não existem mais marginais circulando armados, os moradores não sofrem mais intimidações, não há mais balas perdidas.

4 – Em compensação, o tráfico fica liberado, desde que feito discretamente, sem muita movimentação.

Até o Blog publicar esses artigos, ninguém havia tocado no assunto. A implantação das chamadas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) vinha sendo saudada pela imprensa escrita, falada e televisada como uma espécie de panacéia na segurança pública. Era como se, de súbito, as autoridades estaduais e municipais tivessem conseguido “colocar o ovo em pé”, resolvendo de uma hora para outra o maior problema da atualidade: a violência e o tráfico de drogas nos guetos das grandes cidades.

Não há dúvida, esse é UM DOS MAIORES DESAFIOS DA HUMANIDADE. Como todos sabem, em praticamente todos os países do mundo, governantes e autoridades da segurança pública continuam sem saber como enfrentar e vencer o problema da criminalidade e do tráfico. Menos no Rio de Janeiro. Aqui, houve uma espécie de “abracadabra”, um toque de varinha de condão, e num passe de mágica, as favelas foram “pacificadas”, que maravilha viver.

O mais interessante: não foi disparado UM ÚNICO E ESCASSO TIRO, os traficantes e “donos” das favelas não lançaram uma só granada, um solitário morteiro, não acionaram seus lanças-chamas, seus mísseis portáteis, seus rifles AR-15 e M-16, suas submetralhadoras Uzi, nada, nada.

No artigo-denúncia que publiquei no final de dezembro e nos outros que se seguiram em janeiro, chamei atenção para esse fato espantoso: ninguém reparou que a tal “pacificação” foi fácil demais, não houve uma só troca de tiros?

O pior foi a atitude do governador cabralzinho, que deve pensar (?) que os demais cidadãos são todos imbecis e aceitam qualquer “explicação” que lhes seja fornecida pelas autoridades. Recordemos que foi ele quem teve a ousadia e a desfaçatez de vir a público e proclamar, textualmente: “DEI PRAZO DE 48 HORAS PARA OS TRAFICANTES DEIXAREM O CANTAGALO-PAVÃO-PAVÃOZINHO”.

Como é que é? O governador esteve como os traficantes, “cara-a-cara”, e fez o ultimato? Ou mandou recado por algum amigo comum? Como foi o procedimento? Ninguém sabe.

O que se sabe é que o governador alardeava (e continua alardeando) que, em todas as favelas onde a Polícia Militar instalou as UPPs, os traficantes e criminosos simplesmente sumiram, assustados, amedrontados, apavorados.

Seria tão bom se fosse verdade. Mas o que é a verdade para esse governador enriquecido ilicitamente, cuja mansão à beira-mar em Mangaratiba virou ponto de atração turística? Para ele, a verdade é a versão que ele transmite, por mais fantasiosa que seja, como se fosse um ridículo Pinóquio de carne e osso (aliás, muito mais carne do que osso, já caminhando para a obesidade precoce), a inventar contos da Carochinha para iludir os eleitores.

Quando escrevi a série de artigos desmascarando a “pacificação das favelas”, houve tremenda repercussão (como ocorre com tudo que sai publicado nesse Blog ou na Tribuna da Imprensa). Mas a maioria das pessoas se recusava a acreditar. Não podiam aceitar que um governante descesse a nível tão baixo, criasse tão estarrecedora mistificação, tentasse manipular tão audaciosamente os eleitores.

Mas meus artigos plantaram a semente da dúvida. Nas redações, os jornalistas começaram a questionar a veracidade do sucesso dessa política de segurança pública. Até que, há dois ou três meses, O Globo publicou uma página inteira em sua seção “Logo” (que é uma espécie de “pensata”), ironizando a facilidade com que as favelas teriam sido “pacificadas”. (Não me deram crédito nem royalties, é claro, mas fico esperando o pré-sal).

Agora, no dia 2 de julho, mais uma vez O Globo, em reportagem de Vera Araújo, comprova que meus artigos de denúncia estavam corretos. Sob o título “FEIRÃO DE DROGAS DESAFIA UPP”), com fotos impressionantes feitas em maio na Cidade de Deus, a matéria mostra que o tráfico de drogas está e sempre esteve liberado, exatamente como afirmei.

Ao que parece, a repórter nem chegou a ir à Cidade de Deus. As fotos na “favela pacificada” foram feitas por um morador do local, que as enviou ao jornal. Foi facílimo fazer a matéria, as imagens dizem tudo.

No dia, seguinte, mais um repique em O Globo, mostrando que, assim com o tráfico de drogas, também a exploração de caça-níqueis está liberada na comunidade “tomada” pela PM. As fotos, novamente, são de um morador da favela, que o jornal, obviamente, não identifica.

***

PS – Isso não está acontecendo somente na Cidade de Deus. Em todas as favelas pacificadas, ocorre o mesmo.

PS2 – Aproxima-se a eleição e, na campanha, o governador vai massacrar a opinião pública com a divulgação do êxito da “pacificação das favelas”. Este é ponto mais forte de sua “plataforma” eleitoral, ao lado das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).

PS3 – Aliás, UPPs e UPAs, tudo a ver. As UPAs também são um golpe de marqueting político-eleitoral, conforme iremos demonstrar neste Blog.

PS4 – O desgoverno de cabralzinho é um tema longo, do tipo “E o vento levou”. E seria bom, perdão, seria ótimo, se o vento o levasse permanentemente para longe de nós.

O GOLEIRO BRUTO



De que adianta ser um excelente goleiro, como de que adianta fazer um bom trabalho em qualquer área, se ele não passa de um mau caráter?

O goleiro Bruno, que meses atrás justificou seu machismo da idade da pedra - o de Doca Streeet pelo menos é um machismo do século XIX - com a frase "qual homem não sentou a mão numa mulher", foi preso acusado de envolvimento com o desaparecimento de sua amante Eliza Samudio, mãe de um filho da relação extra-conjugal do goleiro.

As investigações, a não ser que haja uma reviravolta, tendem a confirmar o crime que Bruno e seus comparsas - entre eles um adolescente - cometeram contra a vida de Eliza, que, como o goleiro, é oriunda de famílias pobres da Grande Belo Horizonte.

O episódio faz agravar a crise e o inferno astral do machista brasileiro, cada vez mais perdendo lugares na sociedade moderna em que vivemos. E cada vez mais reconhecendo o repúdio de outros homens, que também são lesados quando os machos, em nome de uma suposta defesa de sua honra, dizimam suas mulheres com fúria intransigente, enquanto depois, diante do juízo dos homens, se comportam como coitadinhos chorando lágrimas de crocodilo.

Homens anti-machistas como eu repudiam pessoas desse tipo. Mesmo que determinadas mulheres errem, por serem interesseiras e infiéis, nada justifica tamanha vingança. Mesmo resultando em impunidade, a vingança sanguinária dos machistas sempre os põe em situação de perigo, de consciência pesada.

Afinal, as pressões sofridas por esses machistas vingativos, consequentes do ódio que outras pessoas sentem por eles, faz com que cada machista sanguinário, muitas vezes, tenha que viver escondido para evitar desafetos, e, por outro lado, tenha que ir para o hospital porque as pressões emocionais fazem até os mais mauricinhos dos criminosos passionais sofrerem mais riscos de contrair doenças graves ou cometerem desastres de trânsito, oscilantes estão entre o nervosismo, a depressão e o medo. Há poucos meses, um machista deu sete tiros na ex-mulher, que sobreviveu, enquanto ele acabou morrendo num acidente de carro.

Em Minas Gerais, é lamentável a fama do machista mineiro. A brutalidade de homens valentões, o caráter vingativo deles, é notória. Mas isso, em vez de os vangloriar e os favorecer, só os prejudica seriamente. Só os faz encerrar numa vida de prantos, de medo, de horror para consigo mesmos. O machismo triunfante de outrora acaba fazendo com que eles tenham medo até de se olharem no espelho.

O goleiro Bruno do Flamengo acabou levando um "frango" na sua vida de "galinha". Pelas acusações, ele quis se livrar de uma relação extra-conjugal da forma mais bruta possível. Agiu de forma burra, imprudente, e agora pode ser demitido do Flamengo. E o caso acabou tendo mesmo repercussão no exterior.

Apesar de ter sido bom goleiro, certamente ele não fará falta aos torcedores. Haverá outros goleiros com mesmo talento, mas com um perfil moral bem melhor.

Cartão vermelho para o goleiro Bruno, pela maior falta cometida em sua vida.

DESILUSÕES HISTÓRICAS DA MÍDIA



Nos últimos 25 anos, a desilusão pública em relação à grande mídia aumentou consideravelmente e o nível de desconfiômetro se ampliou e se atualizou consideravelmente. Felizmente somos menos ingênuos do que há duas décadas e meia atrás, quando o Brasil voltou a exercer a legalidade democrática.

Imagine o que considerávamos então a mídia golpista? Ela era tão somente as Organizações Globo e o grupo Estadão. Somente tais veículos eram a meca do tendenciosismo midiático e do sectarismo conservador ao regime militar e aos políticos civis que sustentavam a ditadura.

De resto, o que havia era "mídia cidadã". A grande mídia já exercia o quarto poder, mas esse quarto poder nem sempre era visto, mesmo por cidadãos considerados "bem informados" de classe média. Para estes, o quarto poder não existia em si próprio, mas se confundia com a própria sociedade, e mesmo um jornalista engravatado era visto como se fosse um proletário da informação.

Veículos como a Folha de São Paulo e o Grupo Bandeirantes de Comunicação tornaram-se os "heróis" da novela político-midiática porque contavam com profissionais de oposição à ditadura militar. Uma geração de intelectuais de esquerda já trabalhava, desde os anos 70, nestes veículos, o que fazia com que os adeptos dessas duas corporações de mídia as subestimassem no perfil aparentemente progressista.

A Isto É mal havia surgido das cinzas da antiga e histórica revista Senhor. E Veja já era conservadora naquele 1985, mas sua postura era bem menos rancorosa que a de hoje, e era mais profissional.

As primeiras desilusões em torno da mídia, que tornaram mais rigorosos os critérios de avaliação da mídia conservadora, vieram na década de 90. A mudança de orientação de Veja para uma linha não só conservadora, mas rancorosa e radicalmente reacionária, fez a revista semanal do Grupo Abril entrar para o "pequeno monastério" da mídia golpista simbolizado até então pela dupla Globo/Estadão.

Mas o clube tornava-se pequeno, ainda, e havia dois blocos da mídia conservadora que polarizavam o olimpo midiático numa mídia abertamente reacionária e numa mídia aparentemente "cidadã". De um lado, havia a mídia golpista, mais tarde chamada também de "mídia gorda". De outro, havia a mídia boazinha, ou "mídia fofa", em contraposição à "mídia gorda".

Por questões de polarização concorrencial, criava-se uma mídia vilã, a golpista, e outra, supostamente cidadã, sua concorrente direta, era a "mídia mocinha". Ainda no começo do século XXI, essa polarização deslumbrava a opinião pública e era festejada pelos "líderes de opinião" (primeira geração acomodada e subserviente de blogueiros e críticos da mídia).

Desta maneira, se havia uma reacionária Veja, havia a boazinha Isto É. Se havia o ranzinza Estadão, havia a ensolarada Folha. Se havia a rabugenta Globo, tinha a corajosa Bandeirantes. Até em outros Estados brasileiros, a polarização iludia a todos. A Rádio Metrópole de Salvador (Bahia), por exemplo, era usada para polarizar com a Rede Bahia, grupo dos herdeiros de Antônio Carlos Magalhães.

Mas essa ilusão, há pouco tempo, começou a ruir. Já em 2004 a Folha de São Paulo mostrava ser tão vilã quanto O Estado de São Paulo, além de com o tempo nos recordarmos que o grupo Folha tem um passado bastante sombrio, pois, durante o regime militar, havia colaborado com um órgão de tortura através do fornecimento de carros para transportar presos e material de tortura. Foi preciso a Folha adotar uma campanha difamatória contra o governo Lula para que esse passado voltasse à tona em nossa memória.

No Sul do país - Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná - a corporação midiática Rede Brasil Sul até que era vilã entre os críticos da mídia na região. Mas nos últimos anos, a postura conservadora da rede tornou-se mais evidente e isso fez com que as críticas tornassem ainda mais rigorosas contra a corporação sediada no Rio Grande do Sul e que envolve emissoras de TV, rádios e jornais como o gaúcho Zero Hora.

Na Bahia, a Rádio Metrópole, nascida em consequência de um esquema de corrupção do ex-prefeito de Salvador Mário Kertèsz - que deixou a vida política para virar um suposto radiojornalista, por sinal incompetente - , chegou a iludir a esquerda baiana como a Folha de São Paulo chegou a iludir a esquerda paulista. Conhecidos jornalistas de esquerda da capital baiana chegaram mesmo a elogiar a Rádio Metrópole, de forma bastante ingênua. Mas Mário, ofendido com as críticas que esses jornalistas fizeram ao jornal Metrópole, da mesma empresa da rádio, disparou críticas difamatórias contra os jornalistas, e o reacionarismo da rádio e do jornal tornaram-se evidentes. Rádio e jornal Metrópole disparavam ofensas contra toda a esquerda, seja PT, PC do B, PSTU, PSOL e PCO, e por aí vai.

O Grupo Bandeirantes, que chegou a vender a Band News FM como se fosse uma "mídia de vanguarda", deixou vasar seu conservadorismo em reportagens nos seus veículos que defendiam os interesses dos latifundiários, seja no rádio e na TV. Para piorar, um deslize de operadores fez com que o jornalista Bóris Casoy - de cujo reacionarismo as pessoas não mais suspeitavam - fizesse comentários grotescos contra a dupla de garis que mandou mensagem de Ano Novo para os espectadores da TV Band.

A Band ficou do lado de Casoy ao demitir os operadores, e isso vasou o passado sombrio do jornalista, que havia sido integrante do Comando de Caça aos Comunistas. Casoy foi retratado numa antiga reportagem de O Cruzeiro, em 1968, e, como aluno da Universidade Mackenzie, participou do histórico conflito contra os alunos da USP, na rua Maria Antônia, em São Paulo. Não participou da morte de um aluno da USP, mas era cúmplice da "quadrilha".

Mas também sobrou para a Band, cujo dono, João Carlos Saad, é grande fazendeiro e, por parte de mãe, é descendente do corrupto conservador Adhemar de Barros, que era governador de São Paulo quando, em 1964, defendia o golpe militar a ponto de financiar a gigantesca manifestação no Vale do Anhangabaú, a Marcha da Famíia Unida com Deus pela Liberdade, o evento que pediu a derrubada do progressista João Goulart do poder.

A Isto É, vista erroneamente por uns como "mídia de esquerda", apoiou a candidatura de Fernando Collor de Mello, ex-presidente da República, ao Senado Federal, sem que a opinião pública despertasse qualquer suspeita. Esquecido, Collor aproveitava a situação para vender a imagem de "injustiçado" e, no Orkut, houve um tempo em que só havia comunidades que defendiam ele. Isto É e Collor viveram seus breves tempos de reputação pseudo-progressista, até que fatos pudessem depois desqualificá-los.

Fernando Collor tornou-se um senador medíocre, um político poser que nada fazia de relevante mas adotava bafos de pseudo-estadista. Isto É passou a fazer oposição a Lula, passando a defender José Serra, enquanto que adotava a mesma postura pró-latifundiária do Grupo Bandeirantes.

Mas os viúvos de Isto É não precisavam chorar por muito tempo, já que uma terceira revista semanal, Carta Capital, cosneguiu assumir uma postura que os leitores de revistas semanais tanto procuraram em Isto É e nunca acharam. Carta Capital é comandada por Mino Carta, jornalista que havia trabalhado tanto em Veja quanto em Isto É nos seus respectivos períodos não-reacionários.

Muita coisa ainda está para ser esclarecida, no jogo midiático. Mas, felizmente, com o avanço da blogosfera e os progressivos esclarecimentos difundidos sobre a mídia, cada vez mais as antigas ilusões acabam sendo derrubadas. Os antigos "líderes de opinião", que atraíam centenas de seguidores por um único dia, tornam-se desacreditados diante do medo que eles têm da revelação total do jogo midiático. Parcialmente críticos, eles são deixados para trás por uma outra geração mais enérgica, que não teme criticar até mesmo a "mídia boazinha" no que ela tem de conservadora.

Por isso, novas luzes serão acesas na avaliação crítica da mídia.