sábado, 3 de julho de 2010

RESUMO DO JOGO ARGENTINA x ALEMANHA DA COPA DE 2010



Esta foi a seleção de futebol da Argentina, no jogo de hoje.



E esta é a seleção de futebol da Alemanha, no mesmo jogo.

PHA VERSUS PAS - DOIS CASOS DE EMIGRADOS DA GRANDE MÍDIA



Dois casos de jornalistas egressos da grande mídia adotam posturas diferentes. Um tem uma postura crítica e autocrítica da grande mídia, e demonstra sinceridade na sua posição. Outro apenas migrou, de forma omissa, da grande mídia para a mídia de esquerda, sem demonstrar qualquer postura crítica nem autocrítica.

Torna-se admirável o exemplo de Paulo Henrique Amorim, ex-jornalista da Globo que hoje trabalha na Rede Record (da qual, no entanto, PHA não reflete o perfil ideológico) e é um dos membros-fundadores do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Paulo Henrique adota uma postura crítica. Ele não deve ser amaldiçoado por ter trabalhado na Rede Globo. Nem todo profissional de lá é boneco ideológico da corporação. Até o humorista Aparício Torelly, o Barão de Itararé, trabalhou para a família Marinho, no começo da carreira. Paulo Henrique fazia seu trabalho normalmente, e hoje adota uma postura crítica da grande mídia que vivenciou, dos pecados que, isso sim, seus colegas cometeram.

Por isso é coerente que Paulo Henrique Amorim participe do Centro de Estudos Barão de Itararé, como um jornalista de visibilidade que representa a luta contra o império da grande mídia, que Paulo oportunamente denominou de Partido da Imprensa Golpista, em alusão à politização e ao reacionarismo da grande imprensa brasileira.

Já Pedro Alexandre Sanches, não. Embora a princípio cultura e política nada têm a ver, o poder dominante politiza a cultura como meio de manobrar o povo. Isso é lei em todos os regimes totalitários ou até mesmo em democracias neoliberais em países emergentes (que, na prática, soam como ditaduras de grupos oligárquicos, aristocráticos e tecnocráticos).

Pedro, já inclinado, nos seus últimos anos de Folha de São Paulo, a defender um modelo caricato e estereotipado de "cultura popular", realimentando o sistema de sucessos popularescos comandado pela Rede Globo de Televisão e pelas mídias oligárquicas regionais (beneficiárias da politicagem de ACM, Sarney e Collor poucas décadas atrás), passou a fazer a mesma tarefa de Ilustrada em periódicos como Caros Amigos, Carta Capital e Fórum.

Pedro Alexandre Sanches deveria ser apelidado de "cozinheiro da Rede Globo", no sentido que o crítico musical sempre renova o cardápio que, dentro de alguns meses, irá ao ar no Domingão do Faustão, Caldeirão do Huck, Mais Você e até Jornal da Globo. Foi assim com o "funk carioca", é assim com o tecnobrega, será assim com outro cafona de plantão, a serviço sempre da domesticação e da estereotipação da cultura popular.

O que Pedro Sanches defende em seus artigos acaba inevitavelmente ganhando o apoio, entusiasmado, das Organizações Globo. O tecnobrega que ele defendeu na revista Fórum não demorou a ser cortejado até pelo reacionário Jornal da Globo. Mas Pedro está na imprensa de esquerda e ninguém nota, ninguém diz, ninguém estranha.

Mas também Pedro não adota postura crítica nem autocrítica. Ele não demonstra remorso nem autocrítica por ter trabalhado na imprensa direitista. Os leitores de Caros Amigos, talvez antigos viúvos do Projeto Folha (quando esta se passava por "moderna") e leitores de primeira viagem da imprensa esquerdista, colocam até o blog de PAS sem qualquer estranheza.

Pedro não demonstrou remorso, não declarou sua autocrítica em relação à imprensa direitista, mais parece um jagunço de aluguel que faz seu serviço sem dar satisfações.

Isso é muito grave, para a imprensa de esquerda, porque Pedro Alexandre Sanches, com suas defesas ao brega-popularesco, acaba contribuindo para interromper a luta das classes populares contra a opressão política das elites.

Porque essa opressão, no âmbito cultural, se expressa justamente na música brega-popularesca como um todo, seja nos medalhões da axé-music, seja nos funqueiros, nos cantores românticos do sambrega e breganejo, nos "emergentes" do tecnobrega e tudo o mais.

As rádios que lançam esses ídolos, como lançaram, em outros tempos, Gretchen, Waldick Soriano e Odair José, são ligadas aos mesmos grupos oligárquicos que promovem a fome, o desemprego, isso quando não exterminam manifestantes sem-terra ou ativistas sociais de qualquer ordem, sejam seringueiros, sindicalistas, missionárias estrangeiras ou mesmo padres de inclinação socialista.

A imprensa de esquerda tem que estender à música toda a abordagem crítica que faz da mídia, da política internacional, da política nacional, da economia. Senão deixa de cumprir o principal na sua missão de defender as lutas populares: que é a defesa da cultura popular autêntica, na sua identidade nacional, no seu valor ético e artístico, na produção de conhecimento e transmissão de valores sociais.

Não será o brega-popularesco de funqueiros, axézeiros, sambregas, breganejos, tecnobregas etc que irá legitimar a luta das classes populares. Pelo contrário, essa "cultura" apátrida, esquizofrênica, medíocre, mais preocupada em brincar de pop norte-americano do que de produzir uma cultura realmente brasileira e realmente popular (popular sem "p" de porcaria), ela combate as lutas populares, na medida em que a cultura popular se torna subordinada pelo que as rádios dominadas pelo latifúndio decidem o que se deve tocar.

Pedro Alexandre Sanches devia voltar para a Folha de São Paulo e se associar ao Instituto Millenium, que é a melhor coisa que ele deve fazer.

BREGA-POPULARESCO FAZ DISCURSO NEOLIBERAL


SEM SE DAR CONTA, O CRÍTICO PEDRO ALEXANDRE SANCHES SEGUE AS LIÇÕES DOS PAPAS DO NEOLIBERALISMO, JOHN MAYNARD KEYNES E MILTON FRIEDMAN.


Ninguém percebeu. Sobretudo a imprensa de esquerda. Mas a defesa que os intelectuais fazem da música brega-popularesca, embora se baseie numa hipotética solidariedade com a luta do povo pobre, adota princípios que, no plano político-econômico, equivalem ao ideal do neoliberalismo.

A Música de Cabresto Brasileira, que é a suposta "cultura popular" tocadas nas rádios, boates, TV aberta e camelôs do Brasil inteiro, ela em si é a aplicação de lições neoliberais que as elites conservadoras pensaram para a cultura popular, como forma de controlar o povo pobre através do entretenimento.

Tanto isso é verdade que hoje são os donos das rádios locais e da TV aberta que transmitem os supostos valores sócio-culturais, não mais as gerações mais velhas das famílias pobres. É só comparar a música de Waldick Soriano com o projeto econômico dos ministros Otávio Bulhões e Roberto Campos no governo Castello Branco (1964-1967) que se verá uma analogia assustadora entre ambos.

A música brega-popularesca é apátrida, sem identidade real, sem moral, sem ética, sem estética. Obriga o povo a viver sempre da baixa qualidade artístico-cultural, enquanto somos obrigados a fingir que isso é bom, que é "o que o povo sabe fazer". Enquanto olhamos para a cultura pobre do passado e víamos grandes artistas, cuja produção era de imenso valor artístico-cultural. E, mesmo na escravidão, os negros faziam uma produção artística de arrepiar. Nada de bobagens tipo "rebolation".

A imprensa de esquerda abre as portas para Pedro Alexandre Sanches - ex-crítico musical da Folha de São Paulo - sem se dar conta da armadilha que traz para suas redações. O discurso que Pedro, o mesmo de Hermano Vianna, Bia Abramo, Milton Moura, Rodrigo Faour e que até mesmo Nelson Motta, hoje sócio do temível Instituto Millenium, defende no igualmente temível Jornal da Globo, é o mesmo discurso neoliberal aplicado à música brasileira. As mesmas perspectivas, os mesmos conceitos, as mesmas alegações.

Por isso fico alertando para os adeptos de Caros Amigos, revista Fórum, Carta Capital e Brasil de Fato, ou de qualquer outro veículo similar, que prestem muita atenção a esse problema, em vez de ficarem indiferentes a ele. Sau indiferença pode custar caro amanhã.

A analogia da defesa do brega-popularesco feita por gente como Pedro Alexandre Sanches com o discurso neoliberal é de uma semelhança de sentido assustadora. Faço aqui uma citação de ideias-síntese normalmente apresentadas por esse discurso de defesa:

"A música (brega-popularesca) aposta num princípio de que não temos mais fronteiras claras entre o regional e o internacional, entre o global e o local. A periferia mantém contato permanente com o mundo, e por isso estabelece um diálogo entre o regional e o mundial, sem escalas".

As belas palavras, no entanto, expressam um ideal neoliberal de que "não existem mais fronteiras". No discurso político-econômico, essa ideia equivale exatamente à de que "as democracias agora superaram seus paradigmas de nacionalismo, tornando-se democracias mundializadas, interligadas com a política e economia global, associadas ao conceito internacional de modernidade e progresso".

"Convivência pacífica dos gêneros musicais" (lema da coluna Paçoca, de Pedro Alexandre Sanches, na revista Caros Amigos)

Desde o golpe de 1964 a direita civil-militar, político-econômica, faz um discurso parecido, promovendo a "paz social de nosso Brasil". É uma ideia associada a um conceito conservador de "paz", que é deixar tudo como está.

A paz não como um conceito elevado de equilíbrio social, mas de manutenção de forças de status e dominação prevalecentes. O que é pior, Pedro Sanches acaba, com essa frase, rejeitando a ideia das lutas das classes populares em prol da cultura popular, defendendo, por outro lado, a "cultura popular" que o coronelismo midiático impõe há decadas para nosso povo consumir e produzir.

"Os ídolos da música popular (brega-popularesca) sofrem de preconceito da crítica especializada, horrorizada pelo sucesso que tais ídolos fazem e pelos espaços que eles conquistam na sociedade urbana moderna".

No plano político-econômico, esse discurso equivale exatamente a isso: "Os conceitos de democracia ocidental sofrem a rejeição furiosa de grupos revoltosos, horrorizados pela ideia de progresso que a livre iniciativa exerce, conquistando novos mercados no mundo inteiro, superando fronteiras transnacionais".

"A periferia cria sua cultura a partir de referenciais que absorvem da cultura pop das rádios. Temos nossas Beyoncés e Lady Gagas, com sotaque paraense e gaúcho, fruto de nossa melting pop tropical, que remete aos velhos tempos de Waldick Soriano com chapéu de caubói, terno de detetive e cantando boleros com um leve acento country, mas com o sotaque regional de Caetité, interior da Bahia".

John Kenneth Galbraith, certa vez, afirmou que a "cultura do contentamento", ideologia promovida pelo neoliberalismo ortodoxo dos EUA, sempre empenhou em desenvolver no povo pobre a ilusão de sua autosuficiência, como meio para evitar as tensões sociais das classes populares.

Esse discurso, aplicado ao âmbito político-econômico, é o mesmo que dizer que o povo estabelece sua identidade "regional" ou "nacional" através de um ideal de consumo e prosperidade determinados por uma economia comandada pelos investidores do Fundo Monetário Internacional e pelo G-7. Curto e grosso: desenvolvimento sócio-econômico subordinado ao capital estrangeiro.

"São superados hoje os paradigmas de cultura popular que puristas e saudosistas tanto reclamam para nossa música. Hoje cada vez menos existem sambas puros, baiões puros, nossa música caipira está encharcada do melhor (sic) country, dos melhores boleros, hoje o samba é mais black, o sertanejo é mais caubói, os tempos da velha música nacionalista e pura acabaram, a música popular atual é mais pop, mais moderna, universal e plural".

Se isso for transferido para o âmbito político-econômico, é como dizer que as lutas sócio-políticas de outrora estão superadas. Ou seja, levando em conta que o discurso neoliberal se apoia sobretudo na superação institucional do Leste Europeu e nas políticas nacionalistas, essa retórica se fundamenta na ideia de que a democracia capitalista, atingindo seu grau de perfeição, invalidaria os movimentos nacionalistas e esquerdistas das classes populares, porque supostamente as instituições sociais podem representar fielmente os interesses populares, bastando integrar-se à legalidade prevista pela política capitalista.

Em outras palavras, tornaram-se inválidas as lutas e expressões comunistas, socialistas e nacionalistas, porque a democracia capitalista e o circo da globalização, segundo seus defensores, são suficientes para o atendimento aos interesses das classes populares.

"Esqueçam a estética, esqueçam o antigo moralismo ético. A música popular (brega-popularesca) desenvolve novos valores sociais, apavorando os puristas como os antigos ritmos populares apavoraram a aristocracia brasileira da virada do século XIX para o XX".

Se existe um equivalente político-econômico a este discurso, ele seria esse: "Esqueçam as lutas sociais, a democracia moderna estabelece novos valores, criando rupturas que revoltam tão somente as velhas classes ainda presas a ideais nacionalistas e marxistas já superadas no século XX e que tanto causaram conflitos sangrentos através de agitadores políticos e subversivos em geral".

"Liberdade total para a música, todos os ritmos, todos os estilos, tudo junto e misturado".

Sopa no mel. É isso que entidades "sem fins lucrativos" como o Instituto Millenium também pregam, no âmbito político-econômico-midiático. É a "liberdade da democracia" dentro dos princípios de livre-iniciativa do capitalismo, que servem de pretexto para a concentração de poder das empresas mais ricas. "Liberdade total" que permite a impunidade dos ricos, o privilégio decisório dos detentores do poder, a assepsia de valores sociais, morais e culturais para garantir a expansão do grande capital, a derrubada de fronteiras sócio-políticas como forma de estabelecerem impérios multinacionais, agora conhecidos como "transnacionais". "Tudo junto e misturado", na via política e econômica, são as empresas multinacionais derrubando empresas nacionais através da compra delas (que se tornam subsidiárias de grupos estrangeiros) e são os políticos conservadores que triunfam na corrupção.

A base do discurso de defesa do brega-popularesco, resumindo, é essa:

- Ruptura com tradições culturais de identidade nacional e de expressão cultural por valores estéticos, éticos e sociais. O mesmo que a ruptura com identidades nacionais e valores éticos e sociais da política e economia neoliberais.

Não seria bom Pedro Alexandre Sanches fazer uma visitinha aos seus amigos no Instituto Millenium?