sexta-feira, 2 de julho de 2010

O ENCONTRO SONORO DE FATS DOMINO E NEW ORDER



As gerações mais recentes conhecem a música "Blue Monday", sucesso do New Order lançado originalmente em 1983. Mas, quase três décadas antes, outra canção com o mesmo título tornava-se célebre.

Trata-se de "Blue Monday", um blues em arranjo bem "primitivo", como na transição entre o auge do blues e os primórdios do jazz. Seu cantor, Fats Domino, é um grande nome do blues e dos primórdios do rock'n'roll dos EUA, que fez muito sucesso na década de 50.

Ironicamente, quando "Blue Monday" de Fats Domino tornou-se sucesso, em 1956, dois integrantes do New Order, Bernard Sumner e Peter Hook, haviam nascido, no outro lado do Oceano Atlântico.




Que relação a cidade de New Orleans, de onde veio Fats Domino (Antoine Dominique Domino), com a Manchester de New Order possuem pode ser um bom tema para redação escolar.

Eu mesmo juntei as duas versões, como forma de prestar uma homenagem a nomes tão diferentes mas igualmente importantes, e que gravaram músicas com o mesmo título.

Espero que gostem.

A DERROTA DO "BRASIL" DA REDE GLOBO



Não foi o povo brasileiro que perdeu com a derrota, por 2 X 1, pela seleção holandesa, na partida de hoje da seleção brasileira de futebol.

O "Brasil" que estava em campo era o da Rede Globo, dos dirigentes esportivos, dos barões da mídia gorda e da mídia fofa, dos empresários das multinacionais que investem no Brasil no afã de um lucro maior do que o investido, entre outras elites detentoras do poder político, econômico, midiático e lúdico de nosso país.

Mas o Brasil do povo que luta por reforma agrária, que perde suas casas sob as chuvas, que é vítima da violência, que luta por uma cultura popular de qualidade, esse Brasil estava fora da copa de 2010 desde o começo. Aliás, é um Brasil que já foi eliminado pelos chefões da política, da economia e do entretenimento.

O Brasil que perdeu a partida de hoje, portanto, não é o nosso Brasil. Não. Como a maioria dos parlamentares do Congresso Nacional não nos representa, como os ídolos popularescos que aparecem no Domingão do Faustão ou nos textos oportunistas dos intelectuais etnocêntricos. Nada disso nos representa.

Pois o país da especulação financeira, do "jeitinho brasileiro", da impunidade política, da corrupção e do crime, dos abusos contra o meio ambiente, do brega-popularesco se achando acima da MPB, do machismo agonizante querendo usurpar para si as mulheres realmente emancipadas, esse país foi derrotado de forma brilhante pela veloz e ágil seleção holandesa.

Na Rede Globo, acusada indevidamente de ser contra a "seleção", pintou um clima de luto. Até o superanimado Thiago Leifert, apresentador do Globo Esporte, apresentava ares de tristeza profunda. E Galvão Bueno, indignado, perguntava o porquê de tal derrota.

O império maior da mídia golpista queria o hexa, mas a falsa impressão de que se empenhou contra tal finalidade foi por causa do clima de saia justa causado pelo técnico Dunga, que vetou às Organizações Globo o privilégio exclusivo das entrevistas a ele e sua equipe.

Afinal, o clima todo da Rede Globo e seus satélites midiáticos era de repetir a "façanha" da copa de 2002, quando a seleção brasileira de futebol, insegura e instável desde as eliminatórias em 2001, venceu todas as partidas mais pela brecha dos times adversários do que pelo talento (medíocre) dos jogadores. Esse clima estava todo em 2010, e nos jogos anteriores ao de hoje, contra a seleção holandesa.

Mas a desilusão tomou todo mundo de surpresa. A Globo esperava que a seleção da Holanda fosse enfraquecer igualmente à do Chile, no jogo anterior. Tanto que o primeiro gol, que durante alguns minutos garantiu vantagem da seleção brasileira, foi comemorado com euforia além da conta pela mídia e pela torcida simpatizante e adepta.

Só que a virada holandesa devolveu ao Brasil a razão. Deixou a Rede Globo e toda a mídia esportiva perplexos. A doutrina da "emoção" sucumbiu ao fracasso, não bastasse o desempenho terrível que as emissoras FM com roupagem de AM do Brasil estão tendo, com Ibope em queda livre.

É certo que a Holanda não tem mais rádio AM e que lá também existe "Aemão de FM". Mas essas emissoras, além de não posarem de "campeãs de audiência", também não promovem o cafajestismo midiático que se faz na terra brasilis.

E da Rede Globo não adiantou os amigos de Galvão Bueno lançarem o "Fala, Galvão". Com a derrota de hoje, o "Cala Boca Galvão" falou muito mais alto. Com um doce gostinho de laranja da Holanda.

A $ELE$$ÃO FOI EMBORA



O sossego já voltou para os verdadeiros patriotas. A $ele$$ão foi embora, dando fim à ilusão do futebol brasileiro, que nunca trouxe de concreto para nosso país.

O circo da alienação, do ufanismo barato, tudo isso acabou. Melhor do que ver notícias tipo "mesmo jogando mal, seleção vence adversário", "seleção não convence mas ganha partida por um a zero".

A copa acabou para o Brasil. Agora, com a licença do trocadilho, é erguer a cabeça e bola pra frente. Eh, eh, eh!

DEIXE A HOLANDA GANHAR, "SELEÇÃO"!!!!



De que adianta o Brasil obter vitórias no futebol se amarga derrotas em muitos pontos?

E os nossos mortos e desabrigados de Blumenau, Ilhota, Jaraguá do Sul e outras cidades catarinenses, nas terríveis chuvas de 2008 (que atingiram até minha querida Floripa onde nasci)?

E os nossos mortos e desabrigados da Baixada Fluminense e da minha querida Niterói (cidade onde me criei e onde moro atualmente) e outras cidades fluminenses, sobretudo no Morro do Bumba, nas terríveis chuvas de meses atrás?

E os nossos mortos e desabrigados das cidades de Alagoas e Pernambuco, nas chuvas de poucos dias atrás?

E as vítimas da violência, da opressão político-econômica, das injustiças que beneficiam mais quem é egoísta do que quem necessita de melhor qualidade de vida?

Esse Brasil batalhador, sofredor, está totalmente fora da copa de 2010. O "Brasil" que está jogando na copa é o Brasil da Rede Globo, das multinacionais, dos especuladores financeiros, da mídia brega-popularesca, dos dirigentes esportivos, dos barões da grande mídia.

Não, o Brasil nunca entrou em campo. O que entrou é a $ele$$ão brasileira. Não joguei na copa, nem você. E nem somos representados pela equipe brasileira.

Dunga, como técnico e jogador de futebol, não teve heroísmo algum. Mas ele teve seus méritos quando peitou a Rede Globo, porque desafiou uma das maiores responsáveis do circo ilusório do futebol, sobretudo quando a referida rede dos irmãos Marinho queria monopolizar as entrevistas exclusivas com a "seleção".

Mas de resto só temos é que nos solidarizar com os argentinos, que fizeram um site bem divertido, ALENTEMOS A BRASIL - http://www.alentemosabrasil.com.ar/ - , que pede que a "seleção" jogue mais lento e, de preferência, não faça mais gols.

Até a bandeira brasileira foi parodicamente alterada, com o losango rachado e uma das partes invertida para fazer o símbolo das duas setas para trás, que os gravadores de fita cassete indicavam voltar a fita para o começo, rodando para trás.

Neste caso, o símbolo sugere para a "seleção" regredir nas jogadas e "voltar para casa" o mais rápido possível (a "casa" não é necessariamente o Brasil, porque muitos jogadores atuam no exterior), desejo também manifesto no lema alterado "Ordem e Regresso" (escrito em português, apesar do sítio ser em espanhol).

Vamos derrubar o Brasil da Nike e da Rede Globo, torcendo pela vitória dos jogadores holandeses hoje. Para salvar o nosso tão sofrido país.

VAI, TOCA FOCUS, NIKE, TOCA!!



A indústria de tênis Nike, mui patrocinadora da "nossa" $ele$$ão, há dias veicula um anúncio publicitário com a música "Hocus Focus", longo épico instrumental do rock progressivo da banda Focus, que o autor deste blog ouvia desde pequeno (é do mesmo ano do meu nascimento, 1971), seja por algum felizardo que ouvia a Eldo Pop FM nos idos de 1974-1977, seja pelas ondas da saudosa Fluminense FM, que meu xará Alexandre Torres teve a (in)delicadeza de transformar no Aemão da Band News Fluminense e seu Ibope anoréxico.

Claro que os chatonildos brasileiros que acham que no Brasil futebol e rock são a mesma coisa - são uma minoria, mas eles fazem um barulho danado na Internet - , com seu natural pedantismo (não fosse o Wikipedia e YouTube, sua noção de "rock clássico" não ia além do Survivor e do Journey), comemoraram o comercial da Nike em que o solo de guitarra de Jan Akkerman se dá com gritos de "Goal, Goal, Goal" (o nosso "Gol, Gol, Gol").

Mas vamos pedir para que role bastante o comercial da Nike hoje de manhã.

A banda Focus é da Holanda, país cuja seleção, denominada "Laranja Mecânica" pela associação entre o uniforme e o talento dos jogadores, enfrentará os amarelados jogadores brasileiros.

O jogo não será mole, a não ser que a Nike dê uma gorjeta aos compatriotas do Focus para deixarem de jogar, como fez com os jogadores ingleses no mata-mata da copa de 2002.

Estarei torcendo com os holandeses. Para acabar a eterna ilusão do futebol brasileiro que nada trouxe de realmente bom para o Brasil.