quinta-feira, 1 de julho de 2010

A POLÍTICA TRABALHISTA DA BAND NEWS FLUMINENSE



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Band News Curitiba despedindo profissionais que não apoiassem Roberto Requião. Bóris Casoy xingando lixeiros na TV Band, mas ele também trabalha na Band News FM. Agora é a política trabalhista da Band News Fluminense. Justamente a Bandeirantes, que tanto vendia a imagem de "defensora da cidadania", anda mostrando a que veio.

Além disso, o Grupo Bandeirantes - que acha que vai fazer "Revolução Francesa" no Brasil com jornalismo e esportes - demonstrou ser amigo dos latifundiários e seu jornalismo caminha mais para o puro showrnalismo. Segue o texto que meu amigo Marcelo Delfino publicou no Tributo ao Rádio do RJ e no Brasil Um País de Tolos.



A política trabalhista da Band News Fluminense

Fonte: Dial AM e FM do Rio de Janeiro.

Ricardo Gomes

Amigos da comunidade mais democratica em informações do orkut, lembro que me equivoquei ao falar sobre a saida da Liane Borges da Bandeirantes, mais quem tirou ela da TV bandeirantes foi o diretor XICO VARGAS. Vou transcrever o que uma pessoa de nome Marcelle disse na comunidade da Band News Fluminense FM sobre algumas saidas dos profissionais da rádio Band News FM para poder aqui debater com os amigos



Verdades e mentiras sobre as saídas

Gente, tem muito dito pelo não dito aqui. Tenho o conhecimento de certos fatos e gostaria de compartilhá-los.

Rodolfo Schneider tem a sua parcela de culpa, mas não é esse mosntro que todos estão pichando. Primeiramente, ele não teve parcela alguma de culpa na saída da Liane Borges.

A Liane saiu porque na Band Rio existe a política: engravidou = demissão. Foi assim com a Liane, Kelly Muniz, na rádio, e, pasmem, duas vezes com a Aline Pacheco. Isso fora outras funcionárias da parte administrativa. ABSURDO TOTAL!!!

Quanto às saídas na rádio, a história é comprida:

Ela começa com o seguinte problema: vocês sabiam que os repórteres da BandNews ganham cerca de R$ 600 por mês?

Tirando a chefia (Rodolfo, Thais e Mario Dias) e mais dois repórteres, o restante dos profissionais ganha R$ 600. Dá pra acreditar? E os estagiários, que fazem o mesmo trabalho dos repórteres ganham a metade disso: R$ 300.

Esse salário é o menor do Grupo Bandeirantes. Os auxiliares de serviços gerais ganham mais que os repórteres.

Em maio do ano passado, o repórter Flavio Trindade foi demitido sem qualquer motivo e explicação. O próprio Boechat tentou interferir e pedido do Rodolfo para reverter, mas não conseguiu. A decisão partiu do Luiz André Costa, em SP, do Xico Vargas e do setor Comercial do Rio, que é quem manda mesmo na Band-Rio.

O pior se seguiu depois. O repórter foi avisado do seu desligamento por Rodolfo Schneider por meio de telefone, na rua, quando participava de um reportagem para a emissora. E ainda teve a dignidade de terminá-la.

Vejam bem, profissionais entram e saem a todo momento de veículos de comunicação, é normal. Mas o problema dessa demissão é que os próprios colegas tinham o Flavio como o repórter mais dedicado à empresa entre eles. A demissão provocou o mesmo pensamento entre todos eles: "Se demitiram o Flavio, que era o mais dedicado daqui, ganhando 600 reais, ninguém vale nada pra eles".

Isso afeta o moral de uma equipe. E a BandNews tinha a melhor equipe de repórteres do Rio.

Na sequência disso, o comercial tomou outra decisão. Demitiu todos os locutores da emissora, entre os quais Rafaela Ferraz e Cristian Ferraz, que não são parentes, e obrigou os repórteres a se tornarem operadores de mesa. Ou seja desvio de função, sem nada a acrescentar no salário. Mais do que propenso a processo trabalhista.

Rodolfo Schneider aos poucos foi perdendo o controle sobre sua equipe. Marcia Martins foi mandada embora também sem justificativa. A repórter mais experiente da casa e uma referência para os mais jovens. Sem justificativa, mas com motivo. Simplesmente dois chefes não gostavam da independência de Márcia, que mais experiente e melhor repórter, geralmente procurava suas próprias pautas.

A partir de então foi debandada geral. Thiago Feres, que é o melhor amigo do Flavio, chutou o balde e pediu as contas dele, indo embora também.

Polyana Bretas recebeu uma proposta da CBN e não quis nem saber de ouvir contraproposta da Band e foi para o SGR.

Gabriela Hilário recebeu proposta para trabalhar na assessoria de imprensa do estado, assim como Juliana Dargains, e ambas foram embora. Faço uma pausa para explicar que trabalhar com assessoria é um último recurso para quem gosta de reportagem. A opção das duas profissionais mostra o quanto o desgosto tomou conta do time.

Leonardo Monteiro que havia voltado para a Band, depois de temporada na Tupi, pouco depois recebeu proposta da Radio Globo e também largou a BandNews pra lá. Diga-se que Leonardo é outro profissional bastante dedicado e pouco valorizado em suas duas passagens pela Band.

A partir de então Xico Vargas, cuja esposa é professora da PUC, começou a escolher indicados pela sua mulher para atuarem na Band, que passou a ser uma sala de aula da Puc, ao invés de uma rádio.

Mas um golpe bem dado em Xico veio de sua pupila favorita Gabriela Ferreira. A mesma recebeu uma proposta para trabalhar no jornal de Bairros do Globo e foi embora, mesmo com Xico oferecendo mais dinheiro.

Vejam bem. Mesmo com proposta maior uma profissional preferiu abandonar o barco. Pouco depois, ela recebeu proposta da CBN e foi para o SGR.

Depois dela, Erika Rosental também optou por seguir para uma assessoria de imprensa e Flavia Milhorance foi para o jornal o Globo.

A última a chutar o balde foi Juliana Ramos, que foi trabalhar na Paradiso FM. E o mais engraçado é que depois de penar durante três anos com o salário minguado, é que a Band tentou fazer uma proposta maior para a profissional para ela não sair. Aconselhada pelos amigos Flavio e Thiago, que estão novamente trabalhando juntos no jornal O DIA e por Gabriela, ela optou por sair que era o melhor e se fazer. Vejam de novo, ela preferiu trabalhar em uma emissora musical, mas que ofereceria melhores condições de trabalho.

E a próxima a deixar a casa provavelmente vai ser a âncora Mariana Rozadas, única remanescente da antiga equipe.

Rodolfo Schneider tem sua parcela de culpa, tem. Mas não é culpado direto pelas demissões. O problema é sempre se curvar e aceitar as imposições do comercial da emissora, que utiliza o dinheiro da rádio, que dá lucro sim, para pagar as besteiras da TV, que só produz dois jornais porcarias e para isso emprega um bando de incompetentes e fazem nadas no segundo andar.

Boechat por sua vez peca por não se envolver com os problemas da equipe no Rio. Como está sempre em SP não sabe o que acontece aqui, mas poderia se inteirar.

E Xico Vargas é uma pessoa cuja biografia suja mostra seu caráter.


A BandNews está com uma equipe que não é ruim atualmente, mas não é sombra da anterior. Há quanto tempo não ouvimos uma operação policial ou algum acontecimento em tempo real?

A emissora era a primeira a chegar nos locais e trasmitia tudo. Hoje, isso acabou.

Ricardo Boechat é o melhor âncora de rádio, e sempre vai ser líder. Mas fora isso, a audiência despenca e vai continuar. A matriz em São Paulo por sua vez, caga para o Rio. A falta de confiança é tanta, que na época das chuvas, mandaram Sheila Magalhães e Guilherme Caliu para o Rio, porque os repórteres aqui não dariam conta.


E assim segue a BandNews, um barco que tem um bom capitão, mas não tem quem reme direito.
Como disse o amigo que abriu o tópico e mandou muito bem:

"O último apague a luz".

Podiam mudar o slogan da rádio. Em 20 minutos, um repórter pode se danar.

O VOCABULÁRIO DO PODER DO BRASIL



Há alguns dias, eu escrevi um texto sobre as palavras do poder analisadas pelo jornalista inglês Robert Fisk. No Brasil, também existe um vocabulário do poder, mas ele não se limita tão somente ao âmbito político, afinal é pelo âmbito sócio-cultural que manipula-se mais as multidões do que a pregação político-ideológica do baronato da grande mídia.

Mas o vocabulário do poder mostra o quanto o baronato da mídia brasileira exerce também seu poder de ferro, manipulando até mesmo a forma de falar da juventude do país.

Selecionamos as palavras mais frequentes no vocabulário do poder da mídia brasileira:

ALIENADO - A pregação pró-popularesca da mídia, sobretudo no que diz a ideia de "preconceito" (ver abaixo), usa a expressão "alienado" para definir quem rejeita as tendências e modismos em evidência. O "alienado" seria então um estereótipo que mistura moralismo com saudosismo, ou então uma espécie de chato reacionário, purista paranóico ou coisa parecida.

ANTENADO - Termo antes atribuído a um estereótipo de juventude alternativa - ou seja, a juventude educada à base de Menudo, Xuxa, Dr. Silvana, Michael Jackson e Steven Spielberg que na faculdade foi obrigada a encarar Sonic Youth, Billie Holiday e Jean-Luc Godard - , o termo hoje é usado pelo vocabulário do poder para as pessoas que se encontram sempre "atualizadas" com as tendências "culturais" do momento. O antigo sentido de "antenado" passou a ser conhecido como "descolado" (ver abaixo).

BALADA - Originária do jargão próprio de DJs e publicitários paulistas, a gíria "balada" está ligada ao universo da dance music. Mas a mídia manipulou a gíria de tal forma que tentou-se ultrapassar a fronteira do pop dançante e ir até mesmo para os bailes da terceira idade ou mesmo para o segmento roqueiro (normalmente hostil ao universo do pop dançante). A grande mídia queria usar a gíria "balada" como substituta para a palavra "festa", mas a coisa chegou-se a tal ponto que até qualquer reunião num bar ou restaurante à noite ficou conhecido como "balada".

BANDA - Deturpando o sentido de boys bands (na verdade, "grupos de garotos") e pegando carona no jargão roqueiro (que credita cantores e grupos como bandas, até porque no rock até cantor solo tem uma banda por trás), passou a chamar qualquer conjunto de "bandas". Grupos apenas com cantores-dançarinos eram creditados como "bandas", ofendendo a classe dos músicos. Chegou-se ao ponto de chamar de "banda" um grupo com uma cantora e várias dançarinas-vocalistas de apoio chamado Pussycat Dolls. A expressão entrou em desuso, diante das reclamações de muita gente, até no Big Brother Brasil (!).

CIDADANIA - Não se sabe o que é pior, a "cidadania" da Antiguidade grega, que excluía mulheres e escravos, ou a "cidadania" burocrática que os detentores do poder reservam para o povo brasileiro, que no fundo não é mais do que a "cidadania clássica" grega adaptada para o contexto politicamente correto. Normalmente, a ideia distorcida de "cidadania", no vocabulário do poder, está associada a um mero comportamento de obediência sócio-política e no atendimento às exigências burocráticas.

CIDADÃO - Esta palavra também tem um sentido próprio no vocabulário de poder, com vida própria em relação ao derivativo "cidadania". O "cidadão" é, para o vocabulário de poder, uma espécie de boneco ventríloquo dos interesses dominantes, sobretudo tecnocráticos, e tornou-se o "sujeito" da retórica demagógica moderna. Antes o discurso demagogo falava em "povo", mas como isso significou uma inclinação populista que tornou-se pejorativa, o novo demagogo não fala mais em "povo", fala agora em "cidadão". É mais personalizado e pomposo para iludir as massas com mais eficiência.

CLIENTE - Poderia ser apenas um marketing pomposo usado pelo comércio, mas a coisa andou, ou melhor, desandou a ponto da mídia não falar mais "freguês". Agora, todo mundo é cliente, até freguês de barbearia de subúrbio. Cria uma impressão de pompa, sem a simplicidade natural da palavra "freguês", cujo derivativo, "freguesia", inspirou nome de dois bairros do Rio de Janeiro, um em Jacarepaguá, outro na Ilha do Governador.

DEMOCRACIA - Evidentemente, para a grande mídia dotada de ideias conservadoras, o conceito de "democracia" só pode ser associado a regimes capitalistas liberais, que não são, necessariamente, democráticos, principalmente numa época em que as decisões acerca da política salarial, da função do Estado nos serviços diversos, ou mesmo do urbanismo, são privilégio de tecnocratas sem qualquer identificação com os interesses de fato públicos. A "democracia", em diversos momentos da História recente, serviu de pretexto para governos de interesses oligárquico-empresariais derrubarem governos com projeto político voltado para os interesses populares.

DESCOLADO - Anos atrás, havia um estereótipo caricato do jovem intelectualizado e vanguardista que no Brasil denominava-se "antenado". Desde que veio o grunge, a mídia grande brasileira adorou brincar de "cultura alternativa" e até programas horrendos da Rede TV!, por exemplo, passaram a mostrar esportes radicais. O alternativo estereotipado era normalmente um rapaz ou moça que haviam tido uma "educação cultural" conservadora pela mídia, voltada ao pop descartável e ao populismo televisivo. Mas, quando chegava a faculdade, esses jovens eram "estimulados" a adotar um perfil alternativo caricato, cheio de clichês. Imagine um sujeito acostumado com filmes de Spielberg e comédias infanto-insossas da Sessão da Tarde nos anos 90 ter que conhecer, de uma hora para outra, os filmes alternativos europeus? É isso. Com o tempo, o termo "antenado" foi substituído por "descolado", e o estereótipo ganhou um toque fashion.

EDUCAÇÃO - A palavra "educação", que poderia naturalmente se referir a um âmbito geral de qualquer tipo de ensino, instrução e mesmo atividades sócio-educativas destinadas a desenvolver valores sociais elevados, é usada vagamente pelo vocabulário de poder como sinônimo de instrução. A própria ideia de educação escolar, trabalhada pelos barões da grande mídia, é de uma superficialidade tragicômica. Limita-se a ensinar a ler, escrever e fazer contas. De resto, apenas jogar bola (alusão ideológica ao futebol). A grande mídia transforma a Educação num processo extremamente fácil e tolo, esvaziando o sentido de qualquer abordagem que aprofunde os reais problemas que envolvem o tema. E tivemos grandes pensadores como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire, e hoje temos Cristovam Buarque. Só que o grande público não sabe disso, pensa que Educação é criança jogar bola.

ECOLOGICAMENTE CORRETO - Antes a mídia grande adotava o termo "politicamente correto" para definir aquele que se preocupa com a ecologia. Mas como a expressão pegou mal, muitos achavam a denominação muito pesada, a mídia grande resolveu amenizar e substituir "politicamente correto" por "ecologicamente correto". O que não deixa de ser uma provocação com quem se preocupa verdadeiramente com o meio ambiente, em detrimento do desejo de "progresso" das grandes corporações, responsáveis diretas do efeito estufa e dos desastres ambientais do planeta.

EMPREENDEDOR - A expressão "empreendedor" é usada no vocabulário do poder para "humanizar" a figura naturalmente fria e sisuda do grande empresário, principalmente em revistas, páginas de jornais e sites dedicados ao mundo dos negócios. Não há mais "executivo", agora é "empreeendedor", palavra que manipula a ideia de "empresário" como se ele fosse um idealista corajoso e perseverante, fundou e mantém a referida corporação citada pela imprensa. A palavra tenta apresentar uma ideia de "altruísmo" e "aventura", criando uma visão romantizada do homem de negócios.

GALERA - Expressão originária das navegações marítimas, foi adotada pela gíria esportiva e daí virou gíria de playboys. Mas a grande mídia empurrou a gíria para definir todo e qualquer tipo de coletivo de pessoas, geralmente num sentido afetivo. No lugar de "família", "equipe", "classe (da escola)", "(grupo) de amigos", agora é só "galera". Ficou até mais complicado, porque fulano tem que dizer qual ou de onde é a "galera" que ele fala: "galera da farmácia", "galera lá de casa", "galera lá do estúdio", "galera do Flamengo", "galera da Faculdade" etc.

GLOBALIZAÇÃO - Expressão usada pela mídia conservadora para camuflar a imagem negativa do sistema capitalista, sobretudo em relação ao imperialismo. Dessa forma, quando existem protestos contra o imperialismo em eventos como o Fórum Econômico Mundial, a grande mídia os credita como se fossem "protestos contra a globalização".

INVESTIDOR - Da mesma forma que "empreendedor" é uma visão romantizada do empresário, o capitalista - e aqui não podemos nos esquecer também dos especuladores financeiros e dos agiotas - , através da palavra "investidor", também é tratado de forma pretensamente humana. É como se o capitalista do Primeiro Mundo investisse de forma generosa nos países dependentes, ou mesmo emergentes, porque supostamente acredita no desenvolvimento das nações subordinadas. Quando, na verdade, o "investidor" investe um punhado nesses países para, no mínimo, faturar o dobro do valor investido.

JABACULÊ - Acontece tanto jabaculê na mídia - e não se trata de sucessos musicais, não, há muito mais jabaculê no jornalismo político e esportivo - que mesmo os adeptos mais fervorosos do baronato da mídia não conseguem mais desenvolver. E agora? A grande mídia resolveu apelar para o sentido eufemista, transformando a expressão "jabaculê" ou "jabá" num simpático sinônimo à brasileira da expressão mershandising, procurando acobertar o macabro sentido de corrupção da mídia associado ao termo.

LÍDER - O vocabulário do poder tenta transformar a ideia de patrão e chefe em alguém ao mesmo tempo "aventureiro", "heróico", "altruísta", "companheiro", "corajoso" e "perseverante". E define tudo isso com a palavra "líder", neutralizando qualquer reação contrária dos subordinados ao seu "patrão-companheiro".

OPINIÃO - O inocente termo, relacionado a um ato de expressar o parecer do raciocínio humano em relação a uma ideia, é usado pela grande mídia como se fosse uma moeda valiosa cuja posse é prioritariamente dos chamados grandes jornalistas, elite de editores-chefes, colunistas, articulistas e comentaristas que, na prática, privatizam a opinião pública, tornando-a um bem privado. O povo não está proibido de ter opinião, desde que se apoie seguramente no ponto-de-vista "sábio e objetivo" dos chamados "profissionais da opinião".

PATRIOTISMO - Para distrair a moçada, a mídia grande brasileira distorce o termo "patriotismo" limitando-o a um mero culto à seleção brasileira de futebol. Limita-se o conceito de patriotismo ao fanatismo "sadio" pelo futebol, enquanto a mídia grande se recusa a definir como patriotismo os protestos diversos das classes populares. Realizar passeatas protestando contra a exclusão imobiliária não é "patriotismo", é "desordem", ser "patriota" é torcer pelos jogos do futebol brasileiro, sobretudo a "seleção". Num Brasil movido pela deterioração do conceito de nacionalismo, principalmente na Economia, isso é crucial para manter as multidões distraídas.

PRECONCEITO - A palavra tornou-se o verbete preferido pelos barões da mídia para fazer a mediocridade cultural levar vantagem e se propagar acima de quaisquer modismos. Neste caso, o vocabulário do poder trabalha a ideia de "preconceito" como uma "rejeição injusta", transformando qualquer ídolo medíocre do entretenimento num pretenso "mártir" em vida, criando todo um discurso choroso e apelativo que busca se promover às custas do sentimentalismo fácil do povo. Desconfiado, o lúcido e experiente Millôr Fernandes acha que a "ruptura de preconceitos" promovida pela grande mídia - e olha que, ironicamente, ele escreve para Veja (!), numa clara exceção à linha editorial golpista do periódico abrilino - é muito mais carregada de "preconceitos" do que os ditos "preconceitos".