quarta-feira, 30 de junho de 2010

CAROS AMIGOS ERRA AO APOIAR MÚSICA BREGA


Quanta ilusão da imprensa escrita de esquerda em cortejar a ideologia brega. Todos acham que assim o povo conseguirá realizar sua rebelião cultural, enquanto todo o oba-oba brega-popularesco vai terminar mesmo no palco do Domingão do Faustão ou na primeira página de Ilustrada, enquanto ruídos de gargalhadas ecoam nos corredores e salões do Instituto Millenium.

Mais uma vez, Caros Amigos decepciona aqueles que buscam uma cultura popular de verdade. Mais uma vez, através do menino de ouro de Otávio Frias Filho, Pedro Alexandre Sanches, faz-se a mesma choradeira de "preconceito" e o mesmo apelo desesperado de desprezo à estética.

Desta vez, Pedro Alexandre Sanches, num artigo cujo título ironiza a canção de Belchior celebrizada por Elis Regina - "Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais" - com um ponto de interrogação, entrevista os integrantes de um grupo de tributo à música brega, chamado Conjunto Vazio, Thadeu Meneghini e Adalberto Rabelo Filho.

O artigo todo é uma militância em prol da música brega, não somente a antiga, como a de raiz. Também apela para bodes expiatórios, como confundir Jovem Guarda com brega, e dizer que todo bolero é brega. Ou mesmo mencionar Genival Lacerda, que na verdade era o Falcão dos anos 70, ele fazia uma breguice humorística, não era um cafona querendo levar-se a sério.

A reportagem-artigo, tanto pelos depoimentos pró-brega dos entrevistados, quanto pela solidariedade opinativa de Pedro Sanches, investe nos mesmos clichês da apologia brega-popularesca. Lendo o texto, dá para perceber quanto entrevistador e entrevistados se sentem aliviados porque o brega não é mais "ridicularizado", que Eu Não Sou Cachorro, Não de Paulo César Araújo abriu as mentes para a música "Popular com P maiúsculo" (sic), que Waldick Soriano, Odair José e Diana são "injustiçados" e que Fábio Jr., Calcinha Preta e Parangolé (do rebolejo) possuem "valor artístico".

Claro, esse discurso aparentemente maravilhoso esconde a preocupação, realmente preconceituosa, da classe média paternalista, etnocêntrica e pequeno-burguesa da qual pertence Pedro Alexandre Sanches, em manter uma "cultura popular" caricatural, estereotipada, artificial e artisticamente duvidosa.

Pedro Sanches não quer que surjam novos Ataulfo Alves, Cartola, Tião Carreiro, Marinês, Jackson do Pandeiro, Pixinguinha, João do Vale, Luís Gonzaga. Ele quer, não se sabe se é por cinismo burguês ou por boa-fé ou por mero paternalismo etnocêntrico, que perpetuem na "cultura popular" seja a pieguice estereotipada de Fábio Jr. e seus verdadeiros "filhos" - Alexandre Pires, Daniel, Zezé Di Camargo, Exaltasamba, Ivete Sangalo, Luan Santana, Vítor & Léo - , seja o grotesco gratuito de Calcinha Preta, Gabi Amarantos, Parangolé, MC Créu e tudo mais, sem falar do ancestral de todos eles, Waldick Soriano.

Só que esse etnocentrismo "do bem", supostamente generoso e cordial, não vai salvar a verdadeira cultura popular, mas condená-la eternamente a ser uma Porcaria com P maiúsculo. O povo faz cultura de baixa qualidade e nós fingimos que essa cultura é de alta qualidade, que o problema está no nosso julgamento, nós é que somos preconceituosos, moralistas, puristas, saudosistas e tudo de ruim.

Só que, no plano político, isso equivale exatamente a dizer que Paulo Maluf foi um combatente do mesmo valor que Ernesto Che Guevara e, para citar um brasileiro, Carlos Lamarca. Não, a pregação de Pedro Sanches NÃO vai salvar a cultura do povo.

Pelo contrário, todo esse oba-oba nas páginas de Caros Amigos, Fórum, Carta Capital e outros veículos só vai realimentar o sucesso dos ídolos da Música de Cabresto Brasileira, e toda essa pregação na imprensa de esquerda cairá no conjunto vazio, porque seus ídolos vão comemorar a reputação conquistada nas plateias do Domingão do Faustão e nas páginas de O Globo, Época e Folha de São Paulo.

Um dia, o Instituto Millenium ainda vai dar uma medalha para Pedro Alexandre Sanches, pelos serviços que ele prestou em prol da mídia golpista.

TUCANOS E DEMOS ESTÃO AGORA CONTENTINHOS



O DEM conseguiu manter a parceria com o PSDB e pôs o jovem deputado Índio da Costa como vice de José Serra na chapa para a Presidência da República.

CANTOR DE AXÉ-MUSIC ATACA ED MOTTA NO TWITTER



A arrogância da axé-music ataca de novo. Em mensagem postada no Twitter, foi a vez do cantor Netinho fazer xingações ao músico Ed Motta, assim que soube que o sobrinho de Tim Maia fez duras críticas a axé-music na revista Contigo.

Netinho chamou Ed Motta de idiota e invejoso, além de disparar, irritado, o seguinte comentário: "Ed Motta é um mal criado e idiota falando mal assim do axé. Um cara que nunca criou nada, apenas tentou copiar a soul music americana: Tim Maia sim era original!".

Olhe só quem fala. É bem conhecida a extrema arrogância e a megalomania que marcam a axé-music, ritmo da Música de Cabresto Brasileira famoso por sua pretensão em ser "dona da Música Popular Brasileira". A axé-music se apropria de tudo, do baião ao Rock Brasil, passando pela Bossa Nova e até mesmo a música caipira (seja ela autêntica ou bastarda). A axé-music é a forma piorada do tão discutido processo de apropriação musical de Caetano Veloso, afinal este pelo menos procura ter conhecimento de causa.

A axé-music é que nunca criou coisa alguma, não passa de um amontoado de restos deixados pelo frevo, reggae, merengue, salsa, samba, baião e Jovem Guarda, algo como uma colcha de retalhos musical e muito ruim.

No comentário de Netinho, a apropriação musical se evidencia quando ele elogia Tim Maia em detrimento do sobrinho-discípulo do cantor de "Você". Puro oportunismo de quem quer se aproveitar de um artista prestigiado que já morreu. É mais ou menos, no sentido da herança artística, como baixar a lenha em Marcelo Nova e fazer louvores a Raul Seixas.

A mediocridade imperialista da axé-music é tanta que Luan Santana ainda era criança quando Ivete Sangalo despejava sua milícia talifã, uma espécie de Comando de Caça aos Comunistas com abadá, para expressar sua ira contra qualquer um que criticasse a "diva". Se alguém notar uma tosse da cantora em um show, era crucificado na Internet.

Acusam os irmãos que desfizeram o Oasis, Liam e Noel Gallagher, de arrogantes, o mesmo para a seleção argentina de futebol. Nada disso. Perto da axé-music, Maradona e Noel Gallagher são a mais elevada expressão da humildade e da modéstia humanas. Daí reações como a de Netinho, como a dos fãs de Ivete Sangalo e da fúria de Bell Marques contra o publicitário Nizan Guanaes. Axé-music não tolera críticas. Ritmo turrão e, isso sim, mal-criado.

Fica minha solidariedade ao cantor Ed Motta, esforçado em traduzir a soul music numa linguagem brasileira. Até arranjos bossa-novistas ele fez em várias gravações e Ed também é dedicado instrumentista.

MPB NAS ESCOLAS MUDARÁ, AOS POUCOS, O MAPA CULTURAL DO PAÍS



O projeto "MPB nas Escolas", organizado pelo Instituto Cravo Alvim e que será ensinado nas escolas de todo o país a partir de 2011, é, sem dúvida, uma luz no fim do túnel. O projeto certamente irá mudar o mapa cultural do Brasil, mas essa mudança, mesmo inevitável, acontecerá aos poucos.

Até agora, a "educação" radiofônica ditava as regras e os princípios da dita cultura popular, realidade que a intelectualidade etnocêntrica ignora completamente. Até porque os antigos críticos da Bizz/Ilustrada, hoje convertidos em dublês de pesquisadores da cultura popular, não enxergavam qualquer diferença entre eles mesmos ouvindo rock na 97 Rock nos anos 80 e o pessoal da periferia ouvindo brega-popularesco nas FMs controladas por políticos ou latifundiários.

Mas, com o novo projeto, já previsto em lei federal, as rádios terão a concorrência das escolas na formação cultural dos jovens, o que fará com que, aos poucos, o mapa cultural brasileiro se altere, ameaçando a atual hegemonia dos ídolos da música brega-popularescas, confiantes que seu sucesso se prolongará por 55 anos.

O projeto "MPB nas Escolas" funde elementos do princípio da "geléia geral" e dos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Da "geléia geral" tropicalista, o projeto do Instituto Cravo Alvim herdou a exposição de tudo de bom e de ruim que a música brasileira produziu, como meio de promover o debate em torno da realidade cultural do país. Dos CPC's da UNE, a herança está na revalorização da cultura popular de raiz, e no debate de sua sobrevida diante do poder da cultura de massa que domina os referenciais do povo pobre do Brasil.

Não é um projeto que irá causar uma revolução da noite para o dia, porque é difícil romper, em muitas regiões e comunidades, o poder que a Música de Cabresto Brasileira - a suposta "cultura popular" de orientação brega-popularesca que a maioria das rádios toca e faz sucesso na TV aberta - alcançou nos últimos vinte anos, tendo já rompido os limites do público rural-suburbano e alcançando até mesmo as classes médias urbanas.

Em muitas regiões do país, a música brega-popularesca é mesmo um instrumento de poder das elites no enfraquecimento cultural do povo, para facilitar ainda mais o controle social. É uma realidade nem sempre reconhecida por todos, uma vez que normalmente música e política nada têm a ver uma com a outra. Mas a própria influência política sobre as rádios que tocam a Música de Cabresto Brasileira em todas as suas matizes, do "brega de raiz" dos anos 60-70 até o "funk carioca", deixa claro as manobras políticas em torno do tema cultura popular.

Afinal, o controle das rádios e TVs no entretenimento e no lançamento de ídolos que simbolizem a domesticação do povo pobre e a transformação de elementos culturais brasileiros em estereótipos visa dominar o povo por esse entretenimento que nada contribui na produção social de conhecimento, na transmissão de valores humanos, na qualidade da criação artística.

Além do mais, as oligarquias poderão sabotar o projeto, de todas as formas, e vemos o quanto as regiões interioranas ou mesmo as capitais socialmente atrasadas do país - como Salvador, da Bahia, por exemplo - possuem um quadro escolar deficitário, com professores mal-remunerados e um programa de ensino mal-aproveitado por diversas circunstâncias (greve por atrasos salariais, feriados "enforcados", o ensino despreparado de certos professores etc).

Seja com o grotesco explícito do tecnobrega, "funk carioca", pagodão, tchê-music, oxente-music e "brega de raiz", tão cortejada por Hermano Vianna e similares, quanto a pieguice pseudo-sofisticada dos medalhões do sambrega, do breganejo e da axé-music que aparece no Domingão do Faustão, a Música de Cabresto Brasileira sempre se empenhou em ofuscar a MPB autêntica o máximo possível.

Certamente, haverá oportunistas de plantão, como vemos nos neo-bregas Alexandre Pires, que pegou carona num evento-tributo de Wilson Simonal e num evento da MPB FM, e Daniel, que entrou numa brecha jabazeira no normalmente rigoroso programa de música caipira Viola Minha Viola da TV Cultura. Como há tantos exemplos nesse sentido, de misturar bregas e neo-bregas com MPB autêntica de qualquer maneira.

Sem falar do fenômeno que chamo de "Música Paralizada Brasileira", na tendência terrível dos medalhões do neo-brega gravarem sucessivos DVDs ao vivo, discos de duetos, covers e tudo mais, num claro processo de paralisia artística, misturado com o oportunismo de realimentar o sucesso às custas de disquinhos com plateias alucinadas ou duetos e covers que supostamente associem os ídolos neo-bregas a referenciais mais nobres ou bem-sucedidos (se fazem duetos com outros neo-bregas).

Por isso, o projeto "MPB nas Escolas" não será ainda a ruptura imediata com a hegemonia brasileira. Primeiro, porque as oligarquias não vão deixar vão sabotar o projeto nas escolas de sua região. Segundo, porque os ídolos da música brega-popularesca vão se autopromover às custas da redescoberta da MPB.

Só isso representa um grande conflito entre o renascimento da cultura popular de qualidade e o hegemônico império do entretenimento brega-popularesco, que tal qual lobo em pele de cordeiro, fará mil manobras para sobreviver mesmo diante da retomada da MPB autêntica ante o grande público.

Mas, com o tempo, a MPB autêntica prevalecerá, mesmo com mil oportunismos dos neo-bregas. Isso porque os futuros alunos das aulas de MPB nas escolas irá avaliar, por comparação, entre a "música popular" de gosto duvidoso (mesmo quando pseudo-sofisticada por Daniéis, Belos, Chitões e Ivetes) e a música popular autêntica que aprenderá nas aulas.

Com a comparação, o aluno verificará, criticamente, a esquecida música boa do Brasil e a música não tão boa que ouve nas rádios e vê no Domingão do Faustão. Certamente ele será tentado, pela força natural das melodias, a ficar sempre com a MPB autêntica, e ele, tão jovem, certamente não associará o brega-popularesco a supostos momentos felizes. Porque sua felicidade futura terá uma trilha sonora bem mais edificante.

ROSANA JATOBÁ FOI COLEGA MINHA



Há 20 anos, essa maravilhosa morena era minha colega na minha primeira turma da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia.

É sério. Formamos até um grupo juntos, na matéria Publicidade e Propaganda, e realizamos trabalho sobre a antiga fábrica de chocolates Chadler, situada em Salvador.

Rosana sempre foi gentil comigo, mas só como mera colega. Mas até que nos dávamos bem, nesse limite de relação, no segundo semestre de 1990. E eu sempre procurei ser legal com ela.

Ela só se tornou colega minha novamente em 1995. Ela havia trancado a UFBA para se dedicar ao direito na Universidade Católica do Salvador (UCSal). E foi numa matéria sobre Rádio que Rosana começou a sua trajetória para a fama, se reunindo num grupo de trabalho para visitar a TV Bandeirantes de Salvador. Eu não fiquei no grupo dela, fiquei em outro, que visitou o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), que possibilitou eu trabalhar como redator da Rádio Educadora da Bahia (FM e OC).

Resultado: Rosana Jatobá tornou-se repórter da TV Bandeirantes Bahia - anos depois, sua conterrânea Ticiana Villas-Boas (que não acompanhei na FaCom, porque eu já havia me formado antes, mas acho que cheguei a vê-la pessoalmente quando revisitava a faculdade à procura de novos eventos ou cursos de extensão) faria o mesmo.

Anos depois, Rosana foi para São Paulo e em seguida foi contratada pela Rede Globo de Televisão. Passou a fazer reportagens e tornou-se a "garota do tempo" do Jornal Nacional, sendo suplente na posição em outros telejornais. E também está entre os apresentadores suplentes do Jornal Hoje.

Em Salvador, Rosana Jatobá sempre foi namoradeira. Em São Paulo até passou algum tempo solteira, mas atualmente está casada com um empresário (sempre os empresários, né?!).

E hoje ela está num universo social para o qual eu não passo de um zero à esquerda. À esquerda, mesmo.