segunda-feira, 28 de junho de 2010

MÍDIA GORDA CRIA O "FALA GALVÃO"



A mídia gorda, depois do jogo (de cartas marcadas) que ocorreu há pouco entre a $ele$$ão e os bonecos-de-corda do Chile, criaram o "Fala Galvão" em reação ao CALA BOCA GALVÃO.

Tudo para reafirmar o império midiático da Rede Globo.

Não adiantou eu escutar, via You Tube, o Hino Nacional do Chile, as músicas dos grupos chilenos Los Angeles Negros - uma delas, "El Rey y Yo", foi sampleada pelos Beastie Boys - e Pinochet Boys, nem mesmo os cantores de protesto Victor Jara e Violeta Parra.

Só deu $ele$$ão, que não representa o meu Brasil. Representa o Brasil das elites, da alienação, das desigualdades, do "jeitinho" e outros males e malas.

Só falta o próprio Galvão Bueno fazer seu solo de vuvuzela para a palhaçada ficar completa.

O FIM DO DEM OU A NOVA MORTE DA UDN



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A UDN terá, provavelmente, mais uma morte neste ano. A crise do DEM, sobretudo com o episódio do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, acusado de liderar um esquema de corrupção, se agravou quando o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, preferiu optar por um colega do partido para vice, em vez de manter a dupla PSDB/DEM (antes PSDB/PFL) como nas campanhas anteriores.

Fala-se no fim do DEM, mas provavelmente uma outra sigla herdará, com segurança, o programa já conhecido nos áureos tempos udenistas e que atravessou soberano toda a ditadura militar. Enquanto isso, o PTB é só um nome, por sinal apoiando a candidatura de Serra, apesar de Collor preferir puxar o saco dos petistas.

DEM já é tratado como peso morto

De Rudá Ricci - Blog de Esquerda em Esquerda

O erro de Serra é ser indeciso e grosseiramente pragmático. Mas ele sinalizou algo que todos analistas políticos já vaticinaram: o DEM (ex-Arena e ex-PFL) acabou ou está em vias de fechar as portas. Dificilmente chega às próximas eleições municipais.

A tendência é uma reestruturação geral do sistema partidário brasileiro. Já noticiei as conversas para criação de um novo partido envolvendo os democratas, parte dos tucanos não paulistas e pequenos partidos.

Luis Nassif sugere que os pequenos partidos formarão pequenos blocos nas extremidades do espectro ideológico. Se estiver certo, PMDB, PT e PSDB se aproximam, ao centro. Se o boato de formação deste novo partido for verdadeiro, a polarização PT/PSDB continuará por mais um período, tendo o PV de Marina Silva correndo por fora. O novo partido deverá agregar outras agremiações significativas, como o PPS. Este - o PPS - é um partido que me intriga.

Aliou-se de tal maneira ao serrismo que se tornou linha auxiliar dos tucanos paulistas. Acredito que mereceria outro destino, mais independente, pelo passado que carrega. PSB e PDT fizeram tanta algazarra que começam a caminhar nas trilhas do PPS.

Enfim, as opções partidárias representam mais grupos de interesses que reflexo do pensamento político ou ideais disseminados na sociedade brasileira. Os partidos nunca estiveram tão longe da política real como hoje. São ficções, do ponto de vista da representação social. Representam a si mesmos.

PEDRO ALEXANDRE SANCHES, O "CAPANGA" DA FOLHA/ABRIL?



Até agora, eu pessoalmente nunca li nem vi uma declaração do crítico Pedro Alexandre Sanches de que se decepcionou com a mídia de direita ou de que se identifica com a causa da mídia esquerdista.

Sempre achei estranho que Pedro Sanches, de uma hora para outra, saltou da Folha de São Paulo para Carta Capital e Caros Amigos assim de bandeja.

Sabemos muito bem que um grande abismo ideológico separa Folha de São Paulo e a imprensa de esquerda, e não é o tema da cultura popular que estabelecerá exceção para isso.

Também soa muito estranho que Pedro Sanches, com uma argumentação "intelectual" que já vimos em Hermano Vianna, Milton Moura e outros, vá na imprensa de esquerda defender um tipo de pseudo-cultura que transforma as classes populares em caricatura estereotipada, que é o brega-popularesco, uma pseudo-cultura que é recebida de portas abertas pelos veículos das Organizações Globo e do Grupo Folha.

Caso recente, sabemos, foi o do tecnobrega do Pará, que pouco depois de virar capa na revista esquerdista Fórum ganhou acesso fácil nos programas da temível Rede Globo: Mais Você (cuja apresentadora, Ana Maria Braga, militou no movimento direitista Cansei), Domingão do Faustão (símbolo máximo da alienação televisiva brasileira) e Jornal da Globo (cujo âncora William Waack é uma das expressões do reacionarismo midiático).

Até os padrinhos do tecnobrega, a Banda Calypso, tornou-se exemplo porque foi tão falsamente associado às "mídias pequenas", ao "esquema alternativo e independente de divulgação", e hoje tem as portas escancaradas da Rede Globo para aparecer em todos seus programas, além de ter ganho a primeira página, uma vez, do Segundo Caderno de O Globo, a ponto de Chimbinha e Joelma praticamente virarem "astros globais" não assumidos, mas de forma bem explícita. Com direito a se "rivalizarem" com Acarajette Lovve, a cantora axézeira fictícia vivida pelo casseta Beto Silva, cujo assessor Waldeck do Curuzu é interpretado pelo Millenium boy Marcelo Madureira.

Pois de que adiantou a Fórum gastar papel para capa e páginas de pura defesa do tecnobrega - cujo status de "movimento alternativo" é muito falso, ante o apoio latifundiário na "pequena mídia" local - da parte de Pedro A. Sanches, se pouco depois o colunista de Jornal da Globo, Nelson Motta, integrante do Instituto Millenium (expressão do pensamento conservador midiático, tal qual o IPES nos anos 60), escreveu as mesmas alegações?

Em ambos os casos, as apologias de Sanches e Motta se basearam no festival de lorotas que o livro Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música, de Ronaldo Lemos e Oona Castro, que não bastasse a badalação em torno da caricata cultura brega-popularesca então representada no tecnobrega, faz uma idealização da sociedade paraense completamente diferente da Pará sofrida, lutadora e historicamente ligada aos conflitos de terra que sacrificaram muitos trabalhadores e até figuras humanitárias, devido à pistolagem.

Aliás, como um verdadeiro capanga do Partido da Imprensa Golpista, Pedro Sanches entrou na mídia de esquerda e fez lá seu trabalho. Foi fazer o que sempre fez na Folha de São Paulo, dando sua visão etnocêntrica da cultura popular brasileira.

Mas, no fundo, Sanches não se tornou mais esquerdista do que os antigos esquerdistas que hoje militam no Instituto Millenium. Mesmo num método diferente, ele acaba atingindo os mesmos objetivos que Marcelo Madureira, Arnaldo Jabor, Nelson Motta e Guilherme Fiúza alcançam no Millenium, porque defende uma música popular caricata e estereotipada, o brega-popularesco da Música de Cabresto Brasileira, que a grande mídia patrocinou e apadrinhou desde os primórdios de Orlando Dias, Waldick Soriano e Nelson Ned, há mais de 50 anos.

OBSERVAÇÃO SOBRE O TENDENCIOSISMO DA MÍDIA IMPRESSA DE ESQUERDA



Sobre a questão da pressão editorial, recebemos uma boa observação do amigo Marcelo Delfino, de Brasil Um País de Tolos e parceiro na condução do Preserve o Rádio AM, quanto à influência do mercado editorial nas pressões que fizeram a imprensa escrita de esquerda no Brasil aderir ao tendenciosismo, apoiando o brega-popularesco.

Só quero fazer uma ressalva que, evidentemente, a questão do papel existe, mas reconheço que é apenas uma pequena parte de todo um mercado mafioso, que exige que a imprensa de esquerda, para sobreviver, tenha que aceitar a colaboração do "menino de ouro" de Otávio Frias Filho, o crítico Pedro Alexandre Sanches.

Evidentemente, a pressão do mercado editorial da Dinap (de propriedade da Abril) envolve uma série de questões, que envolve a sobrevivência da imprensa de esquerda no Brasil. Vamos à mensagem:

"Não tem a ver com a questão do papel, Alexandre. Tem a ver com o fato de que a Dinap ser a empresa que domina quase todo o mercado de distribuição de jornais e revistas em todo o país. Inclusive das publicações alternativas e/ou esquerdistas.

O proprietário da Dinap é ninguém menos que o grupo Abril.

http://www.dinap.com.br/site/institucional"