quarta-feira, 23 de junho de 2010

O TRISTE DRAMA DAS CHUVAS EM ALAGOAS E PERNAMBUCO

Essa visão dramática, trágica, com tanta angústia e tanta dor que somente suas vítimas podem sentir com tamanha intensidade, mostra o quanto o Brasil deveria ver sua situação ambiental.

Essas fotos mostram um Nordeste e suas comunidades pobres que não correspondem à paradisíaca "disneylândia" da cafonice que etnocêntricos como Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Milton Moura e quejandos narram das populações pobres.

Também essa tragédia não conta sequer nas músicas dos grupos de forró-brega e, se aparece na música "Firme e forte" do Psirico, é só para manter o povo na eterna imobilização social, sem lutas, sem ajuda senão do inimaginável acaso.

Pois as fotos que colhi da Internet mostram a dura realidade que nada tem a ver com o "mundo de sonhos e fantasia" da periferia idealizada pela intelectualidade etnocêntrica.

Deve-se pensar o povo como gente que precisa de ajuda, e não como bobos-alegres que gostam de viver sofrendo.








QUESTÃO DE COERÊNCIA


SOLANGE GOMES VERSUS MIRANDA COSGROVE - Advinha quem é que leva a melhor?

Qual dessas duas é a mulheraça?

Solange Gomes, boazuda de 36 anos e bibliófoba assumida, que chega a constranger com sua vulgaridade extrema e vazia?

Ou a atriz teen Miranda Cosgrove, de 17 anos, estrela do seriado iCarly (Nickelodeon) e também presente no filme Escola do Rock, que surpreende não só por seu rosto sensualmente encantador, mas também por sua inteligência e doçura?

Quem apostou na estrela da Nick, acertou.

MÍDIA APÁTRIDA, CULTURA APÁTRIDA



Mídia apátrida, manipuladora, defensora de interesses anti-nacionais, inimiga dos movimentos sociais, deturpadora da cultura brasileira.

Mídia gananciosa, que defende um Brasil de uns poucos ricos, fortalecido às custas da pobreza e do sofrimento do povo pobre.

Mídia imperialista, não só por defender o imperialismo, mas por defender o seu imperialismo doméstico, se julgando acima até mesmo da autoridade específica de um técnico de futebol.

Mídia mercenária, tendenciosa, que manipula a verdade, que mexe com a História como se fosse uma massa de modelar, como se a mídia grande tivesse também controle sobre o passado da humanidade.

Mídia que domestica o povo através do entretenimento e não assume a responsabilidade por tamanha manobra.

Mídia que deturpa a Música Popular Brasileira, destruindo suas raízes, "saudavelmente" misturadas com tendências estrangeiras que não complementam nem enriquecem, mas dominam e enfraquecem.

Mídia que deturpa os valores culturais de nossos povos, dissolvendo o trabalho social de gerações, destruindo a ética, desqualificando a ecologia, distorcendo as relações interpessoais, pervertendo a infância, deturpando o respeito aos mais velhos (de preferência, mantendo apenas o respeito aos maus velhos).

Mídia que transforma os manifestantes sem-terra, que apenas querem lugar para plantar, escola para estudar, bons hospitais e qualidade de vida, em criminosos.

Mídia que transforma criminosos passionais, que tão fria e brutalmente transformam suas próprias companheiras em cadáveres, em coitadinhos sofredores, numa impunidade que não é mais só a da lei, mas a impunidade do consentimento, da passividade com as injustiças que beneficiam quem não merece.

Mídia que reclama a sua liberdade de expressão, mas condena a liberdade de expressão de todos aqueles que se comprometem pelo verdadeiro interesse público.

Mídia que ataca os outros, seja com ironias, desaforos e chantagens, mas que não quer que seja críticada por uma vírgula sequer.

Mídia que invade espaços críticos para impor seu ponto de vista dominante, quando nenhum de seus opositores invade a mídia dominante para espinafrá-la gratuitamente.

Enfim, mídia golpista, que não faz apenas o golpe político, faz o golpe social. Seu golpe é contra a sociedade brasileira, contra os movimentos sociais, contra o desenvolvimento autônomo de nosso país.

Mídia golpista. Mídia apátrida. Mídia anti-patriota.

Mídia que trabalha CONTRA o Brasil.

Mídia que trabalha CONTRA o povo brasileiro.

INTELECTUAIS PRÓ-BREGA SÃO COMO O MOLEIRO DO CONTO DE OSCAR WILDE



Poucos conseguem imaginar o que está por trás do discurso "etnográfico", "sociológico" ou "pós-moderno" que jornalistas, antropólogos, sociólogos e historiadores fazem em favor da ideologia brega-popularesca.

Eles estufam o peito acusando os outros (os que reprovam o brega-popularesco) de "paternalistas", "elitistas", "etnocêntricos", quando são eles - Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches, Bia Abramo, Milton Moura, Rodrigo Faour etc - os detentores de tais adjetivos nada positivos.

Esses "pensadores" do brega-popularesco exaltam a população pobre como criancinhas simpáticas, produzindo uma cultura "qualquer nota" classificada como "natural" e "espontânea" porque supostamente não encontra intervenção da mídia nem de qualquer outra elite, mesmo a intelectual. Mas, no fundo, se felicitam com a mediocridade cultural reinante, sobretudo na música, sem desconfiar num só momento da exploração ideológica que as oligarquias fazem através de todas as tendências brega-popularescas.

Para piorar, a abordagem deles acaba por parecer com o personagem de um conto do escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900). É o conto "O amigo dedicado", que se trata de uma história sobre um pobre jovem chamado Johnny que cultiva lindas flores em sua casa, enquanto o moleiro, falsamente amigável, compra suas flores e faz elogios hipócritas ao floricultor.

O moleiro vive uma vida de luxo com sua família, enquanto despreza a miséria de Johnny, que, apesar de cultivar lindas flores, vive sozinho e em séria penúria. Certa vez, Johnny pediu um carrinho de mão para carregar as flores e o moleiro, que tinha um carrinho em bom estado, preferiu entregar ao jovem um outro, velho e em estado lastimável. Dias depois, Johnny morre afogado quando voltava para casa, numa noite de temporal.

A obra critica o desprezo das elites pelo que os pobres produzem de bom. Na cultura brasileira, esse desprezo se refere à cultura de qualidade, aos valores positivos e sólidos, que o povo desenvolveu até servir de fantoche das oligarquias e dos barões da grande mídia com o golpe de 1964 e a ditadura.

As elites - não os membros do CPC da UNE, que apenas queriam um diálogo com o povo - se apropriaram da música de raiz do povo pobre, a ponto de hoje um simples baião não mais contar com um novo representante dentro do povo dos sertões.

Tínhamos um músico com a força e o talento que foi Luís Gonzaga, mas hoje nem as domésticas das zonas urbanas ouvem o cantor, senão em regravações nas festas juninas que elas nem se dão conta que canções são.

Mas hoje os baiões, quando muito, são apenas curtidos por cantores universitários de classe média, para as festas sociais de profissionais liberais sisudos. Os grupos associados ao "som nordestino" de hoje e ao povo da periferia se limitam a fazer uma mistura caricata de disco music com country e, pasmem, usando um som de acordeon da música gaúcha. E isso se vende como se fosse o "legítimo regional nordestino", pelo discurso dos intelectuais etnocêntricos.

Esses intelectuais, como o moleiro, vivem sua apreciação cultural com preciosidades. Eles usurparam, dos Johnnys brasileiros de outrora, toda a discografia e cancioneiro da MPB autêntica, todo o histórico do folclore brasileiro.

Enquanto isso, os mestres desses intelectuais, os barões da grande mídia para os quais a intelectualidade etnocêntrica trabalhou e dos quais aprenderam suas lições, empurram para o povo o mais rasteiro paradão comercial, que serve de ração cultural para as tosqueiras brega-popularescas que desde 1958 são produzidas, sob os aplausos da mídia grande que finge nada ter a ver com a breguice reinante. Assim como o moleiro acha que não tem a ver com a tragédia que vitimou o jovem e pobre floricultor.

Afinal, pouco importa para o moleiro se Johnny morreu afogado porque não tinha um bom transporte para levá-lo de volta para casa. Assim como pouco importa para os Sanches, Viannas, Mouras, Araújos da vida se existe conflitos no campo, deslizamentos de terrras dos morros, enchentes nos subúrbios, seca nos sertões. Para o moleiro, Johnny era um garoto feliz. Para os intelectuais etnocêntricos, a periferia apenas vai e vem feliz nas boates de sua cidade para ouvir o mais rasteiro brega. Visão mais hipócrita de povo do que esta, impossível. É Justo Veríssimo querendo ser Albênzio Peixoto.

Vamos ver se o projeto MPB nas Escolas tirará do povo pobre o véu de cafonice que as oligarquias e o baronato da mídia apátrida colocaram.