sexta-feira, 18 de junho de 2010

SOLANGE GOMES DIZ QUE ODEIA LEITURA



Mais uma boazuda reprovada energicamente pelos caras legais. Depois da ex-Mulher Caviar Elisa Pereira e de Renata Frisson, a Mulher Melão, mais uma boazuda terá que chupar dedo se espera caras bem legais para namorar.

Pois Solange Gomes, outra boazuda balzaquiana, pisou no tomate e afirmou que não gosta de ler. E ainda esnobou aqueles que admiram o escritor português José Saramago, falecido hoje de manhã, achando que eles só o "conheceram" através do "tio Google". Ainda por cima, ela parece que disse com certa satisfação que não conhece José Saramago.

Além disso, ela, tirando onda, diz que "aprende muito com a vida". Então tá. Noitadas, noitadas, noitadas. O corpo é tudo. A mente, nada, é apenas uma biruta que segue o caminho do vento.

Quem lê livros não deixa de aprender com a vida. Aumentamos os conhecimentos, e isso fortalece até na nossa vivência cotidiana. Com a leitura, falamos melhor, escrevemos melhor, até podemos lidar melhor com a vida, com o simples contato com as pessoas. E rende mais assunto para as conversas do dia-a-dia.

Bom, se um dia eu andar pelas ruas e Solange Gomes ter o atrevimento de me paquerar, é bom deixar claro que ela não é do meu tipo, e além disso eu sou um sujeito muito complicado para ser namorado de mulheres assim.

Além disso, leio muitos livros, e ainda vou ler muito mais. Li um livro de Saramago, lerei mais e conheço bem e venero o genial escritor. E não vou parar de ler livros. Sobretudo nas noites dos fins de semana, quando essas boazudas saem à noite à procura dos "caras legais" que, evidentemente, não estão lá.

No fim, mulheres como Solange Gomes, Renata Frisson, Priscila Pires, Elisa Pereira, Lia Khey, Nicole Bahls e outras acabam ficando com os mesmos valentões de sempre. Que a impaciência impulsiva delas só aceita para namoricos de poucas horas ou, no máximo, poucas semanas.

BARÕES DA MÍDIA QUEREM CENSURAR BLOGS



Não sou petista, mas sabemos o quanto a mídia golpista age de forma totalmente destrutiva quando o assunto é combater o atual Governo Federal, na gestão de Lula, e no direito dos simpatizantes do PT em manifestar apoio à candidatura de Dilma Rousseff.

O Tribunal Superior Eleitoral, ontem, por pressão dos barões da grande mídia e dos envolvidos na campanha eleitoral de José Serra, moveu um processo contra os blogs Os Amigos do Presidente Lula e Blog da Dilma, por fazerem propagandas em prol da candidata petista e de divulgar documentos sobre irregularidades do rival José Serra.

A procuradora que participou da iniciativa, Sandra Cureau, no entanto, havia participado anteontem de um encontro da ANJ - Associação Nacional dos Jornais - , ligado ao baronato da grande imprensa nacional, e disse ser contra censura a órgãos de mídia que dão mais espaço a candidatos que exerçam maior atração sobre a grande imprensa.

Em outras palavras, a Madame Cureau move ação contra blogs petistas que naturalmente apoiam a campanha de Dilma Rousseff - puxa, eles são petistas e defendem uma petista! - , mas defende o direito de uma Folha de São Paulo e O Globo de fazer campanha escancarada de José Serra, como se fossem, praticamente, meras assessorias de imprensa do PSDB!

Repito que não sou sectário, não vou votar no PT, não faço campanha pró-Dilma, mas esse caso estarrece porque vai contra a coerência e os princípios realmente democráticos. E vai a favor da famigerada prepotência dos barões da grande mídia.

MORRE ESCRITOR JOSÉ SARAMAGO



Morreu o escritor português José Saramago, que ganhou o prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Havia tomado o café da manhã em sua casa, nas Ilhas Canárias, junto com a esposa, a tradutora Pilar del Rio, quando passou mal. O editor Zeferino Coelho disse que Saramago estava doente, mas parecia estável.

Saramago tinha 87 anos e 63 de carreira literária. Era um pensador da ficção. Era um cidadão de esquerda, com expressivo senso crítico, expresso em muitos livros, como O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Ensaio Sobre a Cegueira, este último recentemente adaptado para o cinema, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles.

Aliás, eu havia lido Ensaio Sobre a Cegueira, em 1996, nos meus inocentes 25 anos de idade. Havia comprado o livro, quando eu trabalhava na redação do IRDEB, em Salvador. A obra é genial e sua narrativa surreal não pode ser interpretada ao pé-da-letra.

Afinal, a história de uma cidade que é tomada por um fenômeno de cegueira que só não atinge o protagonista da obra é, na verdade, uma crítica à alienação, ao conformismo, à falta de senso crítico que atingiu a sociedade contemporânea, sobretudo nos anos 90 marcados por um conformismo doentio, marcados pelo medo do senso crítico, que no Brasil atingia níveis assustadores.

A obra veio como um alerta diante da euforia da sociedade globalizada, no auge do capitalismo tecnocrático, num clima de entusiasmo neoliberal que ainda comemorava, em idos de 1995-1996, a queda do Muro de Berlim e do Leste Europeu e ao estabelecimento de uma economia "mundializada", na verdade a expansão de uma lógica do capital e de desenvolvimento tecnocrático ditadas pelo G7 (grupo dos países mais ricos do mundo) através do Fundo Monetário Internacional.

Com isso, quando a Internet ainda estava no nascedouro de sua popularização, quando a rede virtual de computadores começava a deixar de ser privilégio de militares e pesquisadores universitários, José Saramago antecipou os blogueiros atuais na crítica feroz à alienação social, ao conformismo, a valores retrógrados ainda vigentes em nossa sociedade.

Saramago foi um dos importantes intelectuais contemporâneos. Foi o único escritor de língua portuguesa a ganhar um prêmio Nobel. Faleceu idoso, é verdade, mas é menos uma figura a iluminar, como farol, os rumos culturais da sociedade.

PEDRO ALEXANDRE SANCHES, O BOM GAROTO DE OTÁVIO FRIAS FILHO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Recordar é viver. Quem imagina Pedro Alexandre Sanches hoje, como paladino da imprensa de esquerda, mal pode imaginar os serviços que ele fez na Folha de São Paulo, como um verdadeiro pupilo de Otávio Frias Filho. Este texto ele escreveu há seis anos.

Pedro Sanches já elogiava a música brega-popularesca, com o mesmo discurso "sociológico" que gente como Hermano Vianna, Rodrigo Faour e outros fizeram e fazem. E aqui vai uma amostra do que Pedro escreveu sobre Tati Quebra-Barraco, no tenebroso periódico da família Frias, família que integra o PiG e milita no Instituto Millenium.

É de deixar a imprensa de esquerda envergonhada com tanta apologia à Música de Cabresto Brasileira que as elites empurram para o povo sob o rótulo de "cultura popular".

O texto é meio pesado nas suas apologias, sendo pouco recomendável para mentes pouco críticas. Preparem o remédio contra enjoo.

"Sou feia, mas tô na moda" traduz a funkeira Tati Quebra Barraco

PEDRO ALEXANDRE SANCHES - da Folha de S.Paulo - 20.06.2004

"Sou feia, mas tô na moda." A autodefinição, em forma de funk carioca, é de Tati Quebra-Barraco. O Brasil ainda desconhece a estrela pop Tatiana dos Santos Lourenço, 24, mas a frase se torna mais verdadeira a cada dia.

É que Tati se move entre guetos, os mais variados deles. Veja só. Mora na Cidade de Deus, desde que nasceu. Antes de ser artista, foi cozinheira de creche. Canta suas letras de funk pornográfico nos bailões cariocas de periferia.

Veja mais. Na última quarta-feira, passeou, em seu moleton rosa da Gang, pelos pavilhões da São Paulo Fashion Week. À noite, cantou na boate gay, simpatizante e underground A Lôca, para uma platéia que incluía profissionais "da moda", drag queens, o roqueiro septuagenário Serguei e o jovem galã Erik Marmo.

Dá volta ao mundo, permanece no gueto. "Do mundo, o mais longe que cheguei foi Mato Grosso", diz. Seu irmão, co-autor e anjo da guarda, Márcio, 28, ex-vendedor de "quentinhas" e ex-operário de lavagem a seco, conta que há negociações para que vá tocar na Europa, reduto já dominado pelo papa do funk, DJ Marlboro.

Não adianta tentar contrariar sua auto-imagem de "feia". "Até melhorei um pouquinho, mas acho que sou feia, sim", avalia, no carro que a leva ao pavilhão da Bienal, na mão um pacote de batatas fritas que comprou no pipoqueiro do aeroporto de Congonhas. "Quando comecei, as pessoas diziam: 'Ah, é essa que canta essa música? Mas ela é feia!' Aí falei: 'Sou, mas estou na moda'."

O som que faz é cru, sintético, sem acabamento. Lembra mais Miami bass que música brasileira. Mas os artistas preferidos de Tati são os pagodeiros Travessos e Belo ("Zeca Pagodinho não é para a minha idade", delimita).

Fala com o desprendimento de quem não compreende que está ajudando a moldar um novo tipo de feminismo --o mesmo de Preta Gil, a filha do ministro, sua versão rica, que posa nua no CD multinacional reivindicando respeito às suas "imperfeições" físicas.

Conversa com a timidez doce de menina suburbana, de alto contraste com a cantora agressiva de "não adianta, de qualquer forma eu esculacho/ fama de p... só porque como teu macho".

A veiculadora dos versos de sexo livre e mais que explícito afronta regras de conduta social por minuto; atinge sem controle crianças, jovens e adultos de seu gueto e de outros guetos.

A moça por trás da estrela suburbana é mãe de Mila Cristina, de três meses, já apelidada de Mila Quebra-Berçário. Seu marido é o segurança Fábio, 32. Ela descreve a relação: "Ele me conheceu assim. Pode até ter ciúme, mas esconde. Mulher é que costuma ter mais ciúme. Homem, não".

Jesus Cristo é presença constante em suas letras, mas de novo em tom de afronta aos costumes: "Se tem amor a Jesus Cristo/ bota tudo, sangue bom", ou "quando leva no [motel] Carícia/ faz amor que é uma delícia/ Jesuuuus!".

"Deus é nosso pai. Se estivesse zangado comigo, eu não estaria onde estou. E esses crentes de hoje em dia, fala sério, estão piores que a gente que é do mundo --roubam, mentem", Tati cospe fogo.

Não "esquenta" com quem se ofende por seus modos. "Sei que muita gente não gosta, mas é gente que não me veste, não me dá nada. Não estou roubando nem traficando, estou trabalhando."

Da televisão, respeita Gugu Liberato e acha que a Globo não gosta dela. "Lá não gostam de favelado, preto, pobre, polêmico. Têm preconceito, mas, se estoura, eles chamam, como aconteceu com o Bonde do Tigrão."

É consciente do sucesso que faz à margem, sem tentar ser darlene, quase sem aparecer em TV, rádio ou CD (tem só um oficial, em julho sai o segundo; é mais fácil achá-la na internet do que nas lojas). "Hoje tenho meu nome, mas sei que isso vai acabar. O sucesso não me sobe à cabeça, nem vai subir", Tati fecha questão.

Seu habitat é violento, mas ela se inclina a abordar o lado mais leve da violência. "Se falar durante meu show, eu xingo. Se tiver que bater, bato. Se me xingam, bato com o microfone na cabeça."

É hora de ela esboçar outra autodefinição, compartilhada com estardalhaço por funkeiros, darlenes e pretas gil --ou em silêncio por magras modelos, maquiadores de moda e "fashionistas" em geral. "Sou sofredora, né?"