domingo, 13 de junho de 2010

QUESTÃO DE COERÊNCIA


NANA GOUVEIA (E) VERSUS DAKOTA FANNING - Advinhem quem leva a melhor na personalidade e no comportamento.

Quem é, de fato, a mulheraça das duas?

Nana Gouveia, uma balzaquiana de 35 anos que se comporta como uma menininha boazuda de 18, ou Dakota Fanning, uma garota de 16 anos dotada de muita beleza, charme e que que sempre tem muito o que dizer?

Quem apostou na atriz norte-americana que em outros tempos era uma das promissoras estrelas mirins do mundo, acertou. De fato, Dakota Fanning é uma mulheraça. Com todo o respeito à sua personalidade marcante e de grande talento.

ROBERT PATTINSON PARECE ROQUEIRO INGLÊS



Sabemos que Robert Pattinson, um dos galãs do momento, é um ator inglês, e tem todos os trejeitos do típico jovem britânico. Mas no fundo ele também é nerd, e que também tem um jeitão dos músicos alternativos do Reino Unido.

E só comparar o visual do astro de Crepúsculo com o do cantor Morrissey:



Ou então com o cantor e guitarrista do Wedding Present, David Gedge:

FUKUYAMA E A MÚSICA BRASILEIRA



Qual a relação entre as duplas "sertanejas" da Era Collor e o historiador Francis Fukuyama? Qual a relação entre o historiador estadunidense e toda a música brega-popularesca que toma conta das rádios e TVs de todo o país?

Com a máxima segurança, ambas as coisas têm TUDO A VER entre si.

Francis Fukuyama foi um dos intelectuais que cercaram o governo de Ronald Reagan, no final dos anos 80. E sabemos que todo o cenário mainstream do hit-parade dos EUA, nessa época, inspirou decisivamente a hegemonia da música brega-popularesca em voga no Brasil.

O filósofo e economista Fukuyama, um dos entusiastas da visão capitalista da globalização, tornou-se famoso por ter lançado a tese do "Fim da História". Inspirado, por um lado, pela queda do Muro de Berlim e pela decadência irreversível dos regimes comunistas do Leste Europeu (que ainda não haviam se extinguido completamente quando a tese foi lançada) e, por outro, pela globalização econômica, Fukuyama afirmou, na época (1989-1990) que a história da humanidade chegou ao seu fim, cumprindo seu papel no planeta Terra, uma vez que a humanidade chegou ao seu mais avançado estágio, através da democracia liberal.

A tese irritou os críticos e, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 - como o do World Trade Center, em Nova York - , Fukuyama admitiu que exagerou, diante das novas questões acerca do Oriente Médio.

Na mesma época de Francis Fukuyama lançar a tese do "Fim da História", a música brasileira, principal modalidade da cultura do Brasil, sofria sua deturpação mais definitiva, quando uma nova geração de ídolos bregas, emulando clichês de sambas, música caipira e Tropicalismo, desenvolveu as linhas do neo-brega já esboçadas por Sullivan e Massadas. São os hoje medalhões da "música sertaneja", do "pagode romântico", da axé-music, pretensamente "populares" e "sofisticados" ao mesmo tempo, e que durante a Era Collor, eram apenas artistas emergentes no sucesso comercial.

A própria tese de Francis Fukuyama de "Fim da História" acabou adaptada, sutilmente, pelos intelectuais que defendem o brega-popularesco e que, nos últimos anos, estabeleceram a visão oficial de "cultura popular" a ser adotada pela intelectualidade.

Assim como a História cumpriu seu papel, a MPB também, segundo o raciocínio de Fukuyama traduzido para a "análise" de nossa música. As melodias não mais valem, todo o legado dos cantores populares do passado, conhecedores e criadores de ritmos os mais diversos, como Jackson do Pandeiro, Cartola, Luís Gonzaga, Cornélio Pires, Chiquinha Gonzaga e outros, encerrou seu ciclo, o mesmo ocorrendo com o legado de Tom Jobim e discípulos.

Segundo a visão fukuyamiana da música brasileira, a vez agora é sucumbir a cultura popular a um internacionalismo confuso, tido como "mais democrático e globalizado", onde os critérios de criação e recriação, de criação inédita ou cópia, de estética musical e estética visual, não são claramente delimitados, tudo isso defendido sob o pretexto de que a cultura popular brasileira "ficou mais pop".

Dessa forma, ninguém tem ideia, mas são as ideias da democracia liberal, cujos princípios são delimitados mundialmente através do projeto ideológico do Fundo Monetário Internacional, aplicadas na música brega-popularesca brasileira, em todas as suas tendências, em todos os seus ritmos.

Submetendo-se à tese de Fukuyama, a música brasileira que conhecemos até 30 anos atrás acabou sendo jogada para dois fossos: a música de qualidade produzida pelos morros e pelos sertões do passado foi condenada à fossilização museal do "folclore", enquanto a música sofisticada da Bossa Nova e dos militantes dos CPC's da UNE, ambos responsáveis pela fase da MPB de 1965-1976, foi condenada à apreciação restrita da classe média esclarecida.

Quem diria, Francis Fukuyama fez a alegria dos rodeios, das micaretas, dos "bailes funk" e até de tendências como o tecnobrega, por exemplo.