sábado, 5 de junho de 2010

ÔNIBUS DA TRANS1000 SÃO A VERGONHA DA BAIXADA



Alguém tem que fazer alguma coisa para tirar a desastrosa Trans1000 de suas linhas. Por que a mesma pressão feita nas empresas cariocas Feital, Ocidental e Oriental não foi feita na empresa de Mesquita? Por que as queixas feitas contra as empresas cariocas não foram levadas em conta em relação à Trans1000 (ou Transmil, escrita por extenso)?

A Trans1000, na sua linha 479B Mesquita / Praça Mauá, serve de forma vergonhosa. A única ressalva é que seus rodoviários são bem simpáticos e prestativos, mas eles sentem o drama da empresa mal-administrada e devem sofrer também no que se diz aos salários e nos ônibus velhos e mal-conservados que são obrigados a dirigir ou cobrar passagem. Isso quando os ônibus operam com cobrador, porque há ônibus que têm até banco do cobrador, mas é o motorista que cobra as passagens. É o que os busólogos chamam de ônibus-gasparzinho, com o banco do cobrador que deve ser reservado por algum espírito de rodoviário desencarnado que embarcou no veículo.

Meus pais encanaram de pegar a baldeação desse ônibus na volta de Mesquita para Niterói, pegando primeiro o 479B e depois o 100D Niterói / Praça 15 da Viação Mauá (este excelente, mas nos domingos fica lotado e alguns carros tocam a horrorosa Nativa FM), porque o 140C Nova Iguaçu / Niterói rodoviário da Rio Minho é muito caro.

Tamanho é o constrangimento de pegar um ônibus da Transmil, com seus carros velhos e desgastados. Até uns carros da Marcopolo Torino 99 são usados para esse percurso longo. E, quando colocam-se carros com ar condicionado, o ar simplesmente não funciona. Não bastasse isso, a linha passa por dois "bailes funk" de rua no seu percurso, aos domingos.

O percurso também dá muita volta. Acho que nem precisa ter esse percurso longo, a linha poderia ter um percurso expresso via Nova Iguaçu e passando regularmente pela Via Dutra e pela via expressa da Av. Brasil. Seria bem melhor.

Melhor ainda seria se a Transportes Blanco tirasse a Transmil de Mesquita e trocasse os calhambeques desta pelos novíssimos ônibus que a Blanco possui. A Blanco já tirou algumas outras linhas da Transmil e pôs no lugar ônibus novíssimos, sobretudo rodoviários recentes, com ar condicionado novinho, limpinho e que funciona.

A Trans1000 ainda é tratada com cordialidade pelo DETRO. Não deveria. Empresa que serve mal suas linhas tem que ser pressionada pelas autoridades, e se a empresa não tomar jeito, ela tem que deixar de servir suas linhas. A Transmil é a grande vergonha na Baixada e na pracinha de Mesquita onde param seus ônibus dá nojo ver sua frota com sua pintura enjoada e seu estado lastimável. Lixo puro.

CLÁSSICOS, QUE CLÁSSICOS?



Desde quando o grupo Bon Jovi é "clássico do rock"? Não é mesmo! Quem gosta do grupo, tudo bem, goste, ouça, cantarole seus sucessos até cansar, mas pare de falar besteira! O máximo de clássicos que apareceu no show da banda farofeira são covers de autores como Doors e Leonard Cohen!

O grupo não é mais do que uma banda de poser metal que nunca foi levada a sério por quem realmente entende de rock. Ou será que essas menininhas que adoram até "sertanejo universitário" e "pagode mauricinho" acham que sabem de rock? Escrevem mensagens muito mal-escritas, mas querem entender de jornalismo? Falem sério!

Elas têm o direito de gostar de Bon Jovi, Alexandre Pires, João Bosco & Vinícius, Banda Calypso, Michael Sullivan, MC Leozinho, José Serra, Diogo Mainardi, Bóris Casoy, Emílio Garrastazu Médici, Golbery do Couto e Silva e o escambau. Só não têm direito de achar que são superiores por causa disso.

O tempo que essas pessoas perdem escrevendo mensagens contra este blog elas aproveitariam conversando com os amigos sobre as virtudes desses ídolos acima citados.

MARÉ NEGRA NO GOLFO DO MÉXICO CAUSA TRAGÉDIA AMBIENTAL



O mundo tecnocrático, em tese, é uma beleza. Tecnologia de ponta, riqueza financeira, Estado mínimo, destruição de tradições sociais em nome de uma modernidade, mais interatividade, menos esforço físico, o pensamento crítico reservado apenas a uma minoria de privilegiados.

Na prática, porém, o mundo tecnocrático é cheio de problemas. Até mesmo na ecologia, tema considerado tabu por uma mídia que chama os defensores da Natureza de "chatos".

Pois há deslizamentos de terras, vendavais indo onde antes não havia, terremotos atingindo solos subnutridos, desastres ambientais como este na foto, onde um derramamento de petróleo atinge seriamente o ecossistema do Golfo do México, nos EUA. Este pobre pelicano, enxarcado de óleo, mostra um drama que as autoridades deveriam ter maior atenção. Em vez de chamar os defensores da ecologia de "politicamente corretos".

MÚSICA BREGA-POPULARESCA SEGUE A LÓGICA DO NEOLIBERALISMO


WALDICK SORIANO, DJ MARLBORO E GABI AMARANTOS - Exemplos de como a música brega segue a cartilha do neoliberalismo internacional.

A música brega-popularesca viola os princípios da soberania brasileira. Cultura esquizofrênica, ela se limita a uma mera brincadeira que simula uma "cultura pop" produzida no Brasil. As lições, no entanto, do hit-parade de revistas como a Billboard - espécie de Forbes musical - , são levadas a sério, sempre de forma não assumida.

A grande imprensa conservadora (Globo, Veja, Folha, Estadão etc) não assume suas tendências reacionárias? Não assume, ainda que as expresse da forma mais explícita. Mas o modelo de país que essa imprensa e seus famosos porta-vozes (Miriam Leitão, Diogo Mainardi, André Petry, Carlos Alberto Sardenberg, Arnaldo Jabor, Gilberto Dimenstein, William Waack e outros) mostra-se claramente subordinado ao poderio do G-7. Como cita Altamiro Borges, esse modelo de país se define pela "ideia de Estado mínimo, do Brasil sem fronteiras, onde não há a defesa da soberania".

Como a cultura é o meio de transmissão e perpetuação de valores sociais, de geração em geração, a música brega-popularesca é a quadra de Ases que a mídia grande despeja para o país, e que procura se salvar diante do naufrágio da mídia reacionária e seus porta-vozes.

Daí o alívio que a direita brasileira sente, quando a mídia de esquerda, por ingenuidade, abraça a música brega-popularesca como um menino que, vendo os ovos de um ninho de serpentes, pensa não haver ali senão um belo espetáculo de filhotes inofensivos e mãe inocente.

Criam-se toda sorte de apologias, e o discurso é produzido pela mídia de direita. Se a mídia de esquerda abraçou esse discurso, é porque desconhece as armadihas discursivas. A ideia de que os ídolos musicais, mesmo ocupando posições privilegiadas no mercado da música e na indústria fonográfica, ainda são "vítimas de preconceito", ou que os mesmos representam a "cultura da periferia", tornou-se uma retórica politicamente correta que convenceu por tocar em pontos emocionalmente fracos de muita gente.

Também a "exportação" de jornalistas culturais da mídia golpista, a exemplo de Pedro Alexandre Sanches, que de sua confortável posição de crítico da Folha de São Paulo foi posto para passear pelas redações da mídia esquerdista, permitiu que o mesmo discurso pró-brega e pró-popularesco defendidos pelas Organizações Globo, Grupo Folha e Grupo Abril (este, através da revista Contigo), fosse reproduzido fielmente pela mesma mídia de esquerda que se opõe a mídia golpista.

A música brega-popularesca, em todas as suas tendências, dos primeiros ídolos cafonas (Waldick Soriano, Odair José) até tendências recentes, como o "funk carioca" e o tecnobrega, passando pelos hoje medalhões do "pagode mauricinho", da "música sertaneja" e da axé-music, sempre se preocupou em reduzir o povo a um estereótipo patético, tornando-o domesticado e dócil para o poderio da grande mídia e para a hegemonia capitalista em geral.

Dessa forma, a música brega-popularesca é a trilha sonora de um complexo midiático liberal-populista, que envolve musas calipígias (como as mulheres-frutas), um ideal vazio de curtição e banalidades (Big Brother Brasil), noticiários policialescos, bate-bocas familiares, e ídolos musicais submissos às regras do mercado, que aparecem triunfantes no Domingão do Faustão.

POVO DOMESTICADO E SUBMISSO: A LEI MÁXIMA DA IDEOLOGIA BREGA

A própria origem da "cultura" brega torna-se um acinte para as classes trabalhadoras. Joga o povo para o subemprego. Mulheres que poderiam ser professoras, costureiras, cozinheiras, secretárias etc, eram condenadas à prostituição. Idosos que poderiam ter uma aposentadoria digna eram condenados à mendicância e o alcoolismo. O povo em geral, condenado também à bebedeira ou, quando muito, para o mascatismo, para o comércio clandestino, para o emprego informal, sem carteira assinada.

O "funk carioca", espécie de "neto" mais atrevido da música brega, também fez das suas para transdormar o povo numa massa subordinada e conformista. Com o ritmo, foi criada uma ideologia de "orgulho de ser pobre" que permite o povo de obter "benefícios sociais" sem alterar o sistema de dominação social.

O "Rap da Felicidade" é um dos hinos de afirmação desse "orgulho", que não traz transformações sociais reais, apenas desenvolve, de um lado, um conformismo social das classes pobres e, de outro, a tolerância social frente aos estereótipos estabelecidos das classes populares. O refrão do sucesso funqueiro de MC Cidinho & MC Doca é bem claro:

"Eu só quero é ser feliz / Andar tranqüilamente na favela onde eu nasci, é / E poder me orgulhar / E ter a consciência que o pobre tem seu lugar."

Em outras palavras, a ideia da letra quer dizer o seguinte: "Que a sociedade aceite minha pobreza e me deixe em paz, enquanto isso eu nada faço para melhorar minha vida, só quero ser incluído na sociedade de consumo".

Se, no aspecto ideológico, a música brega e todos os seus derivados deixam o povo pobre numa massa conformada e passiva, enquanto produz eventuais milionários como pretensa vitória sócio-cultural dos pobres - que são os medalhões do "pagode mauricinho", "música sertaneja", axé-music etc que aparecem no Domingão do Faustão e depois se ostentam até em Caras - , no aspecto musical a concepção do modelo brega-popularesco também segue a cartilha do neoliberalismo, parece um modelo de "música brasileira" estabelecido pelo Fundo Monetário Internacional. Esse modelo se divide em duas abordagens:

1) Reprodução ipsis litteris de tendências comerciais estrangeiras no auge ou fora-de-moda, associadas a uma interpretação por ídolos locais em sotaque puramente provinciano, geralmente sob um comportamento patético e arranjos musicais malfeitos. Quase todas as tendências grotescas do brega seguem esse modelo subordinado, que é a aplicação à música brasileira do modelo de desenvolvimento dependente de Roberto Campos, com o uso de tecnologia obsoleta (no caso da música, de tendências de sucesso superadas ou em vias de se desgastarem). Exemplos: Waldick Soriano, Odair José, Gretchen, Fernando Mendes, Calcinha Preta, Tati Quebra-Barraco, Gabi Amarantos, Banda Calypso.

2) Simulação de uma pseudo-brasilidade que mal consegue disfarçar a submissão às tendências estrangeiras. Cria-se uma falsa regionalidade, uma falsa brasilidade, dentro de uma perspectiva de desenvolvimento sócio-cultural subordinado ao poderio imperialista, mas dentro de um estabelecimento de uma "identidade nacional" que satisfaça os interesses turísticos. São exemplos dessa abordagem os medalhões da axé-music, do breganejo ("música sertaneja" de mercado) e do sambrega ("pagode mauricinho").

Não se trata de uma bronca saudosista e nem um purismo nacionalista quando constatamos que a música brasileira aparentemente produzida pelas classes populares não tem mais a força artística de outrora. Irmos dos grandes sambistas do passado aos atuais imitadores de Lionel Richie que se passam por "grandes sambistas", e irmos dos grandes violeiros do passado aos atuais imitadores de Bee Gees que se passam por "grandes músicos caipiras" é um sintoma de um problema que não pode ser subestimado.

FALSA "MÚSICA POPULAR"

Tornam-se falsas as alegações de que a música brega-popularesca é a "verdadeira música popular", geralmente usando como pretexto o fato de que tais ídolos lotam plateias com facilidade e são ouvidos em qualquer lugar nas ruas das cidades. Como também é falso usar como desculpa para a prevalência de influências estrangeiras o uso das lições "antropofágicas" pensadas por Oswald de Andrade em 1928.

"CULTURA DE CABRESTO"

O falso caráter de "cultura popular" é desmentido pela minha denominação de Música de Cabresto Brasileira. Ela vem da ideia de "cultura do cabresto" da República Velha. Cabresto é um termo que, originalmente relacionado aos arreios colocados sobre cavalos ou jumentos, é associado metaforicamente ao domínio de animais rebeldes, por conseguinte ao de pessoas inconformadas.

A "cultura do cabresto" se define pelo conhecido sistema de dominação coronelista que se conhece no interior do país, quando as massas populares são exploradas e intimidadas pelo poder de fazendeiros ou delegados que controlam as regiões interioranas do Brasil, geralmente uma região de cidades pobres, ou uma região rural, ou então um subúrbio. O "voto de cabresto", principal expressão desse domínio, é um mecanismo eleitoral artificial, onde cabe o povo tão somente em votar nos candidatos previamente escolhidos pelo senhor que domina a região.

A Música de Cabresto Brasileira é a "cultura de cabresto" na música brasileira. Se é para o samba ser representado pelo imitador de Lionel Richie que seus ricos empresários investem para se apresentar até nos EUA, somos obrigados a aceitar. Se o empresário do Pará inventa uma cantora de tecnobrega ou um grupo de forró-brega, temos que aceitar. É a mesma lógica do voto de cabresto de cento e tantos anos atrás. Se reclamarmos, vem a ação dos "talifãs", os jagunços cibernéticos da atual "cultura de cabresto".

No "funk carioca", a exploração de empresários-DJs aos intérpretes desmente totalmente a "iniciativa popular" tão associada ao ritmo. O empresário-DJ inventa ou recruta um novo MC, trabalha seu sucesso e estereótipo, define sua temática e lança o intérprete ao mercado. Ou então é uma mulher-fruta, ou um grupo de "popozudas". Em muitos casos, o empresário compõe os sucessos e as "popozudas" assinam como "autoras".

Por trás da "linda imagem" de "iniciativa popular", está um empresariado que controla e manipula a população pobre e joga a ela o que ele quer que seja a "cultura popular", explorando a periferia ao bel prazer, sem medir escrúpulos para transformar o povo pobre em estereótipos e caricaturas de si mesmo, patéticos, submissos, conformistas e culturalmente esquizofrênicos, cujos únicos referenciais de "formação cultural" que possuem está nas rádios controladas por grupos oligárquicos.

No caso do "funk carioca", por exemplo, as rádios são emissoras FM controladas por famílias oligárquicas, como FM O Dia, FMs comunitárias controladas por deputados ou vereadores locais e até a infame corporação dos irmãos Marinho, as Organizações Globo, participam do embuste através da rádio Beat 98 e da retórica apologética reciclada pelo canal de TV paga Multishow e pela revista Quem Acontece.

PAULISTOCENTRISMO - Diante dessa realidade, os ideólogos que se apressam em defender, com discursos ao mesmo tempo apelativos e ameaçadores, a música brega-popularesca em geral, também se preocupam em esconder a realidade dramática do povo do interior, limitando-se a reconhecer o esquema da "grande mídia" somente no "corredor midiático" Avenida Paulista-Projac-Jardim Botânico (via Al. Barão de Limeira).

Eles buscam ocultar que existe também grande mídia regional - que não se limita às afiliadas das grandes redes, embora esse dado seja um grande fator - , que o poderio oligárquico das zonas rurais e suburbanas dos Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste não foi superada e que em nenhum modo as tendências brega-popularescas dessas plagas é resultante da "pura iniciativa popular" manifesta por "pequenas mídias". Até porque muitas das rádios que lançam modismos como o tecnobrega são controladas por grupos oligárquicos locais, cujo poderio independe, muitas vezes, do poderio federal representado pelos QGs midiáticos da Avenida Paulista.

Essa ocultação é muito grave, e mostra o quanto o discurso de pessoas como Hermano Vianna e Pedro Alexandre Sanches torna-se hipócrita, produzindo um ideal de "periferia paradisíaca" que em nada ajuda na recuperação social das classes pobres. Esse discurso acaba se limitando a ser pura propaganda dos ídolos popularescos, além de ocultar o sofrimento das classes populares numa hipócrita contemplação etnocêntrica dos ritmos popularescos, meramente descritiva e apologista.

"ANTROPOFAGIA" NÃO SE EXPRESSA NA SUBORDINAÇÃO CULTURAL

A ideia de "antropofagia" de Oswald de Andrade não pode jamais se expressar nos ritmos popularescos. Nem no tecnobrega, nem no breganejo, nem em qualquer outra tendência.

A ideia de "antropofagia" de Oswald se baseia na crença de antigas tribos indígenas canibais que, ao devorarem seus prisioneiros, acreditavam absorver suas virtudes. E quando o escritor modernista usou essa metáfora, levou em conta de que a influência estrangeira era assimilada, sim, mas sem se sobressair sobre os elementos culturais populares.

Os modismos do brega-popularesco, conforme as duas abordagens acima descritas, contam sempre som a supremacia da influência estrangeira. Não há informação musical local relevante, do contrário que vemos no Rock Brasil que, embora abrace um ritmo estrangeiro, carregou-se fortemente de identidade local, de força artística própria.

Já ritmos como o sambrega, breganejo, tecnobrega, axé-music e "funk" possuem uma brasilidade fraca, confusa, esquizofrênica. Elas, na prática, seguem a cartilha neoliberal, reproduzindo com fidelidade o ideal neoliberal de "globalização": "sem fronteiras, sem soberania, mas subordinados ao 'mundo'". E o "mundo", para o neoliberalismo, é a "civilização" prepotente e dominadora das potências imperialistas do Primeiro Mundo.

Em outras palavras: a pregação que nomes como Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches e outros fazem da "antropofagia" de Oswald de Andrade, na verdade, reduzem o conceito do escritor modernista a um mero parágrafo da cartilha neoliberal, com seu sentido totalmente distorcido.

Já expliquei o que é "antropofagia" antes, por isso cabe comparar seu sentido de forma rápida numa metáfora. A "antropofagia" cultural equivale a uma visita de um amigo a uma casa. Ele se sente à vontade nela, mas quem faz as regras da casa é o dono dela, seu hospedeiro. O entreguismo cultural, que é a tônica da música brega-popularesca, corresponde à invasão de uma casa por um ladrão, que leva para si o que lhe interessar e pode mesmo fazer os ocupantes da casa como reféns, para não dizer coisa pior.

Que brasilidade tem, por exemplo, o forró-brega nortista-nordestino, que se reduz a uma mera gororoba de ritmos caribenhos e disco music mal assimilados, e quando adota o acordeon, é da forma como os músicos gaúchos tocam? No aspecto estético, poético, temático, a música brega-popularesca nunca representa "antropofagia" cultural, seu foco é a subordinação ao hit-parade estrangeiro, ao poderio nas rádios, na TV aberta. Mesmo a falsa brasilidade do breganejo acústico, da "baianidade" da axé-music ou do "tamborzão" do "funk carioca", é muito inexpressiva diante da perspectiva de seus ídolos em aqui traduzir tão somente a filosofia "irrit-pareide" dos gringos.

Tudo isso sem falar que 99% dos ídolos de toda a música brega-popularesca praticamente não conhecem Oswald de Andrade, nem Mário de Andrade e nem qualquer outro pensador da verdadeira cultura brasileira. O discurso dos intelectuais pró-popularesco cai no vazio. O que eles pensam e julgam do povo não é o que o povo manipulado pela mídia pensa.

O povo explorado e dominado pode gritar mil vezes por socorro que intelectuais como Pedro Alexandre Sanches não vão ligar. "É grito de orgasmo", pensam esses intelectuais. Sanches continua garantindo o sono tranquilo do seu mestre e ex-patrão Otávio Frias Filho.