sexta-feira, 4 de junho de 2010

CINQUENTÕES, SESSENTÕES E F. SCOTT FITZGERALD


FRANCIS SCOTT FITZGERALD - Importante escritor dos EUA dos anos 1920.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Este é um texto para a geração de Almir Ghiaroni, Eduardo Menga, Malcolm Montgomery, Roberto Justus e outros pensarem e verem que os tempos mudam não só nas suas profissões, mas também no lazer.

Cinquentões, Sessentões e F. Scott Fitzgerald

Décio Baptista Pizzato - Gramado Notícias

Recentemente li um artigo de Mario Prata onde mostrava que hoje jovens e adultos se vestem iguais na forma esportiva, tênis, bermudas e camisetas no verão e moletons no inverno. No texto, dizia o autor, que no seu tempo de juventude, os mais velhos se vestiam de forma austera. A conquista dessa igualdade era da geração que hoje está na casa dos cinqüenta anos. Vou mais além, acrescentando também os sessentões como também participantes desta vitória. Nos anos 50 e 60 do século passado, o máximo de esportividade usada como indumentária de verão, era uma camisa branca de manga curta. Todos eram sisudos no vestir. O tempo foi ajustando a todos, de tal forma que em qualquer loja o vestuário à venda é igual para todas as idades. Houve um rejuvenescimento geral, ao menos no vestuário.

Curiosamente esse aspecto de ser jovem fez com que me lembrasse de uma história que é narrada no livro” Seis contos da era do jazz” de F. Scott Fitzgerald. O autor fez parte de uma geração de escritores americanos que floresceram nos chamados golden twenties. Considerado por muitos como a fabulosa década de 1920 que teve seu término com a quebra da Bolsa de Nova York em outubro de 1929. Foi o período em que se operou uma verdadeira revolução nos hábitos e costumes americanos.

Só para lembrar é tambem o autor de "O grande Gatsby", "Suave é a noite" e "O Último Magnata". Voltando a Fitzgerald que conta “O curioso caso de Benjamin Button”, onde o personagem nasce em Baltimore no verão de 1860, tendo a aparência de um homem de 70 anos. Com o passar do tempo vai ficando a cada dia mais jovem. Chegando a uma determinada época que pai e filho têm a mesma aparência, como se fossem irmãos. Enquanto o pai envelhece o filho vai ficando cada vez mais jovem. Próximo aos seus 70 anos é um bebê. Muita gente talvez gostasse de estar no papel do personagem deste conto de Fitzgerald, mas a minha opção foi outra.

Tanto que dentro dos meus propósitos para 2006 estavam os de dar continuidade em escrever meus artigos e comentários. Os publico em jornal, neste hotsite iniciado em 2005, ainda assim não me era suficiente. Tanto que criei neste mês de janeiro um blog, onde estou colocando meus comentários sobre o que está acontecendo no dia nas áreas de economia e da política. O uso do computador e da Internet me obrigaram dar uma reciclagem mental, me adaptando aos tempos atuais. O que me leva a escrever, e a ler cada vez mais. Com isso oxigeno, rejuvenesço e exercito o cérebro.

Como vêem, não é só a ficção e o uso de roupas modernas o que nos tornam jovens.

O ÔNIBUS DA COPA É QUE NEM EU



Está cheio da Seleção Brasileira de Futebol.

MÚSICA BREGA-POPULARESCA NÃO ESTÁ ACIMA DA MÍDIA



ROBERTO MARINHO, histórico barão da mídia brasileira.

Muitos incautos pensam que a música brega-popularesca não tem a ver com grande mídia. Que a presença de ídolos como Zezé Di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Banda Calypso, Exaltasamba e DJ Marlboro na Rede Globo é puramente acidental. Acham absurdo dizer que Waldick Soriano foi apoiado pela grande mídia e que, no final de sua vida, foi socorrido pelas Organizações Globo e pelo Grupo Folha na tentativa de recuperar sua popularidade.

Tão ingênuas, mas mesmo assim arrogantes, essas pessoas não conhecem metade do processo que está por trás da música brega e de todos os seus derivados. Quem lê este blog consegue entender, muito bem, que a verdadeira cultura popular, sucateada pelo golpe de 1964 depois de ser revigorada pelos Centros Populares de Cultura da UNE, até agora não foi devolvida ao grande público, que é obrigado a consumir uma música caricata, esquizofrênica, medíocre, de gosto bastante duvidoso.

Estamos numa democracia, mas vivemos a ditadura do mau gosto em nossa cultura. E ninguém sabe o quanto o povo é tratado como uma caricatura, como um estereótipo, graças a essa música e seus ídolos facilmente empurrados goela abaixo pela mídia.

Alguém acredita mesmo que o sucesso da Banda Calypso, por exemplo, surgiu de forma "independente"? Ou que o grupo tornou-se sucesso em todo o país porque Joelma e Chimbinha cantaram e pediram esmola de ônibus em ônibus na viagem de Belém para São Paulo? Não sabem eles o quanto a indústria fonográfica regional do Pará e a mídia local de lá são controladas pelos mesmos donos do latifúndio que espalham o terror no interior do Estado, que mantém sua hegemonia e controle social sobre as multidões.

TODA a música brega-popularesca, dos primeiros ídolos cafonas até os funqueiros, tecnobregas e afins, passando pelos medalhões do sambrega, do breganejo e da axé-music, são tutelados pela grande mídia. Que os defensores batam seus pés, gritem "que absurdo", espalhem suas lorotas no Orkut, Twitter e Facebook, que não adianta. O apoio da grande mídia é explícito, é mais do que evidente.

As primeiras rádios a tocar a música cafona eram ligadas a grupos oligárquicos do interior do país, ou então a grupos aristocráticos da Grande São Paulo (que difunde os ídolos em escala nacional).

As rádios que promoveram a primeira onda da música cafona no Brasil, a partir de 1964, defenderam a queda de João Goulart, a instauração da ditadura militar e o seu prolongamento pelo Ato Institucional Número Cinco.

As emissoras de TV que divulgaram primeiro os ídolos cafonas eram ligadas a grupos conservadores, como os Saad (ligados a Adhemar de Barros) e, mais tarde, o próprio Sílvio Santos. E seus apresentadores também eram associados a uma ideologia conservadora, conforme os próprios especialistas em Comunicação reconhecem. Só para se ter uma ideia, Sílvio Santos, na sua breve tentativa de ser candidato à Presidência da República, em 1989, se filiou ao PFL (Partido da Frente Liberal), atual DEM.

As emissoras de rádio que impulsionaram o crescimento e a multiplicação de tendências e ídolos derivados da música brega foram beneficiadas politicamente pelo então presidente da República, José Sarney, e seu ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, através do favorecimento político dessas rádios. A politicagem estimulou o surgimento de redes radiofônicas que dizimaram as programações regionais, padronizando o conteúdo, enquanto, por outro lado, fez decuplicar as rádios popularescas em todo o país, até mesmo no Sul e Sudeste. E essas rádios apoiaram decisivamente os governos dos Fernandos, Collor e Henrique Cardoso, enquanto se infiltraram no esquema mensaleiro que desgastou o governo presidencial do PT.

Finalmente, a música brega-popularesca se infiltrou nos lares da classe média e invadiu até universidades às custas de toda uma pregação ideológica dominada pelo Grupo Folha e pelas Organizações Globo. Juntos, os veículos tão bem nutridos e fortalecidos pelo poderio econômico de Otávio Frias de Oliveira e Roberto Marinho, transformaram a música brega-popularesca em fenômeno nacional, reembalando seus ídolos com um visual mais chique, para assim impulsionar a música brega e fazer extinguir, aos poucos, o poder de fogo da verdadeira Música Popular Brasileira, acusada de "elitista" pelos pregadores da mídia gorda.

Daí não fazer sentido dizer que a "música popular" que se toca nas rádios e TVs se propagou sem o apoio da grande mídia ou com a "inocente" e "acidental" divulgação pela mesma. Também não faz sentido achar natural que, na prática, a Folha de São Paulo e a Rede Globo atuem como verdadeiros ghost writers em artigos sobre cultura publicados em veículos como a revista Fórum e a Caros Amigos, com as mesmas alegações e pregações expressas pelos veículos dos Frias e dos Marinho.

A grande mídia quer estabelecer um controle social pela diluição da música brasileira. Cultura esquizofrênica confunde o povo, engana, explora e domina as multidões com maior facilidade. Tudo para enfraquecer o povo e garantir a hegemonia política das elites associadas ao imperialismo internacional.