sexta-feira, 28 de maio de 2010

ALHOS COM BREGALHOS



Alhos com Bugalhos. O joio como parte integrante do trigo. Separar o joio do trigo é uma atitude "elitista", de proteção ao trigo, e separar os bugalhos dos alhos é uma atitude "preconceituosa".

Tão sabidos são os intelectuais etnocêntricos. Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches, Milton Moura, Paulo César Araújo, Rodrigo Faour, entre tantos outros. Uns, apenas por saber de tudo o que acontece na música brasileira, defende uma gororoba que eles chamam de "diversidade".

Sim, eles ouviram Alaíde Costa, Banda Black Rio, Azymuth, Ednardo, Sérgio Ricardo, Diana Pequeno, Toninho Horta, Tincoãs, Renato Borghetti, Edu Lobo, Turíbio Santos, Sílvia Telles, Dick Farney, Quinteto Violado. Só que o grande público, não. Mas fica aquele discurso demagógico dos intelectuais etnocêntricos, de palavras tão sedutoras, por vezes desesperadas, falando do "preconceito" que nós temos contra a música brega-popularesca de Banda Calypso, Zezé Di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, É O Tchan, Tati Quebra-Barraco, Waldick Soriano e muitos outros.

Quer dizer, o grande público não ouve a MPB autêntica, que Pedro Alexandre Sanches tão esnobemente chama de "condomínio blindado", e ouve o que as rádios apadrinhadas há 25 anos por José Sarney e Antônio Carlos Magalhães determinam que o povo ouça. O povo vira marionete da mídia, mas como o espetáculo, para muitos, parece muito bonito de se ver, os intelectuais etnocêntricos entendem isso como "cultura espontânea do povo".

Quanta preocupação de Pedro Alexandre Sanches pelo fato de um banco ser sócio da gravadora Biscoito Fino, sem perceber quantos latifundiários estão por trás das "inocentes" rádios que primeiro divulgaram a música brega "de raiz" e hoje divulgam o tecnobrega!!

Quanta preocupação de Hermano Vianna em falar mal dos "grandes centros" que ignoram as tendências populares(cas) que ele tanto exalta, quando a própria Rede Globo, seja no plano nacional, seja no plano de suas afiliadas, difunde essas mesmas tendências praticamente no nascedouro, na primeira hora, através sobretudo de entrevistas em telejornais locais!!

Eles, "inocentes", querem isentar de sua culpa pela propaganda da degradação cultural com a bagagem de conhecimentos que eles, de fato, possuem. Mas eles são culpados, não pelo fato de não saberem de cultura, mas pelo fato deles misturarem o joio do trigo, supostamente em defesa da inclusão social, mas agindo em prol de uma exclusão social cada vez mais perversa.

Bonito é defender o tecnobrega, o "pagode mauricinho", o breganejo e a axé-music invadindo as universidades, as rádios alternativas e todos os espaços de MPB. Bonito é inserir o "funk carioca" (FAVELA BASS) e o "rebolation" (REBOLEJO) no gosto da classe média. Mas ninguém pensa em mostrar Jacob do Bandolim para um jovem favelado, ou estimular uma moça da periferia a trocar Tati Quebra-Barraco por Sílvia Telles.

Os intelectuais etnocêntricos criam um discurso que muita gente, indefesa, desprevenida, acaba aplaudindo sem saber por quê. E toda a retórica "socializante" que agora atinge todos os fenômenos da Música de Cabresto Brasileira, sobretudo com a choradeira "contra o preconceito", acaba legitimando o que os veículos da mídia dominante divulgaram ao longo de 46 anos sob o rótulo de "música popular".

Esse discurso é tão hipócrita que tenta ocultar a grande mídia que respalda os ritmos e tendências do brega-popularesco. O tecnobrega, da noite para o dia, saltou das páginas da revista Fórum para a Rede Globo, a Vênus platinada do Instituto Millenium, sem escalas. Com muito apetite, a Rede Globo jogou o tecnobrega no Domingão do Faustão, no Mais Você e até no Jornal da Globo, e não foi nas mãos da graciosa Elaine Bast (que deu um sumiço para cuidar dos filhos), que como exceção é independente da linha tendenciosa da emissora, e sim por Nelson Motta, que participa do banquete midiático dos barões eletrônicos do Instituto Millenium.

Ou seja, de que adianta Nelson Motta, na Rede Globo, e Pedro Alexandre Sanches, na revista Fórum, falassem a mesma coisa? Se a mídia esquerdista identifica neoliberalismo até nas ações políticas de Israel contra o povo palestino, seria mais adequado que enxergue também vestígios de coronelismo nas tendências brega-popularescas do Pará.

Ou será que a farra de concessões de rádios FM de Sarney e ACM foi apenas uma "marolinha" superada? Se fosse superada, nosso cenário político teria sido muito melhor, quando na verdade piorou completamente. São os políticos corruptos fazendo mensalão no Congresso Nacional, são as rádios popularescas se multiplicando no país através do esquemão milionário do jabaculê.

Mas o jabaculê que produziu gerações de cantores cafonas, bregas e neo-bregas em 46 anos, com o apoio de um poderoso empresariado, agora não é mais levado em conta, e de repente fomos transportados, de um estalar de dedos, para o "paraíso calipígio" da dita "cultura popular". A ditadura do mau gosto faz o seu discurso choroso, "vítima de preconceito", "escorraçado pela mídia", seja com Waldick Soriano ou Tati Quebra-Barraco, seja com Alexandre Pires ou Michael Sullivan, seja com Chiclete Com Banana ou Gabi Amarantos.

É inútil fazer o brega-popularesco se misturar à MPB autêntica porque os bugalhos não se parecem com os alhos, os joios não se parecem com os trigos. Só serve para atender aos orgasmos discursivos dos intelectuais etnocêntricos, nas suas masturbações verborrágicas pretensamente "sociológicas".

Mas isso em nada contribui com o enriquecimento da cultura, só compensa a queda de qualidade com quantidade. Será uma geleia-geral transformada em gororoba, com todos os coliformes fecais que se "tem direito". Que dará no mesmo, ou seja, será toda uma retórica "socializante" que só confirmará e reforçará o poderio dos barões da mídia nacionais e regionais que investem na Música de Cabresto Brasileira.

ESCORREGADAS DO "LÍDER DE OPINIÃO"



Creio que muita gente não entendeu ainda o que é um "líder de opinião", e não se prepara diante da imensa blogosfera para avaliar o perfil de figuras badaladas mas essencialmente inexpressivas, que prometem derrubar os poderosos da grande mídia e da política, mas se afrouxam quando põem suas ideias em prática.

Durante anos o "líder de opinião" predominava na primeira fase dos blogs, sendo gente que, situada ideologicamente entre a segunda divisão da grande mídia (aquela que parece mais "imparcial") e a facção acomodada da mídia esquerdista, pouco cumpria na sua promessa em exercer o senso crítico em prol da verdadeira informação.

Com a atual fase dos blogs mais voltada ao senso crítico e ao desconfiômetro das armadilhas do jogo político-midiático, soam hoje ridículos muitos dos procedimentos do "líder de opinião", que costumam enfeitar seus blogs com fotos de autoridades, sindicalistas e professores universitários, de preferência em trajes paisanos para não assustar, acham que fazem bom jornalismo assim, sobrecarregando o aspecto formalmente político.

Selecionamos aqui alguns dos procedimentos dos "líderes de opinião", que até pouco tempo atrás arrebanhavam multidões de internautas, que eram atraídos para seus blogs menos pelas ideias apresentadas e mais pelo cartaz e pela visibilidade que os responsáveis destes blogs possuem na sociedade. Ei-los, então:

1) Consumidor de informação, ele se comporta feito criança que vê o Papai Noel toda vez que uma emissora de rádio FM cria um novo programa de falatório prolongado ou de debateboca esportivo.

2) Copia textos de outros blogs não por questão de necessidade ou contexto, mas porque quer se apropriar do prestígio da fonte original do texto copiado, por pura vaidade.

3) Odeia os políticos corruptos, até o momento em que qualquer um deles adquira uma frequência em rádio FM para implantar uma programação "informativa". Aí o "lider de opinião" vai exaltar o corrupto até quando for possível, ansioso por mais uma arena de visibilidade para aquele.

4) O "líder de opinião" foi um dos últimos a saber que a Folha de São Paulo é, de fato, um periódico ultra-conservador. Parecia que era ontem que o "líder de opinião" se vangloriava de ter o mundo em suas mãos só porque era assinante da Folha de São Paulo, jornal que ele, de forma triunfante, ostentava feliz e altivo para os amigos.

5) O "líder de opinião" diz odiar a Rede Globo e adora escrever ou copiar textos falando mal da referida rede de televisão. Mas, na intimidade, fica feliz em assistir ao Domingão do Faustão, Fantástico, Globo Esporte e Esporte Espetacular, programas aos quais ele assiste religiosamente. No fundo, ele amaldiçoa apenas o Jornal Nacional.

6) Na mídia esportiva, quando o assunto é ufanismo esportivo, ele se limita a falar mal de Galvão Bueno, mas diante de procedimentos similares no restante do showrnalismo esportivo, ele mantém sua alegria de criança inocente.

7) Acredita que a grande mídia só existe através de mega-corporações com escritórios na Av. Paulista. Fora isso, incluídas suas afiliadas, ele acha que a mídia restante é "cidadã" e "responsável".

8) Suas abordagens críticas à grande mídia não vão além dos clichês. Até hoje ele tenta questionar Ratinho, Gugu e Tiazinha depois que nem se critica mais eles (com a ressalva de que a Tiazinha, na verdade, é uma mulher sofisticada que parodiou uma mulher vulgar), de tão apagados eles estão na opinião pública.

9) Limita-se a entender o showrnalismo apenas nos exemplos mais grosseiros, como o noticiário policial mais sangrento e as fofocas mais picantes sobre celebridades. Ele não tem ideia de que fait divers (banalidades) também podem representar showrnalismo até mesmo na grande mídia mais "informativa".

10) Também limita-se a entender o tendenciosismo da mídia da forma mais grosseira, como nos noticiários manipulativos da mídia golpista propriamente dita. Mas é incapaz de entender que mesmo a "mídia boazinha" é também tendenciosa. As "campanhas cidadãs" da Rádio Metrópole, de Salvador (BA), são o exemplo desse tendenciosismo que o "líder de opinião" não entende, já que ele entende como "tendencioso" pura e simplesmente quando a mídia abertamente reacionária, como a Rede Globo, defende determinado candidato das oligarquias.

RÁDIO METRÓPOLE SINTONIZADA COM O PiG ATÉ NA LINGUAGEM



A Rádio Metrópole é vista pelos míopes baianos como se fosse uma anti-mídia, como se não participasse do baronato da grande mídia baiana, tradicionalmente associado, tão somente, ao grupo da Rede Bahia, dos herdeiros de Antônio Carlos Magalhães (mal conseguem se lembrar de como Mário Kertèsz foi entusiasmado pupilo de ACM, apesar de eventuais e já resolvidos atritos, e o quanto MK ajudou ACM no sucateamento do Jornal da Bahia).

Mas até na linguagem a Rádio Metrópole segue fielmente os passos da mídia golpista, e se seu astro-rei não vai às reuniões do Instituto Millenium, é porque ele não tem projeção nacional para isso, e não passa de um matuto metido a ser sósia do Allen Ginsberg.

Quem ouviu uma das vinhetas irritantes da Rádio Metrópole FM, ambas soando toque de celular, uma fazendo "pim-pim-pim, pim-pim-pim" e outra fazendo "pim-piririm-pim-pim", verá que a segunda vinheta é plágio de uma vinheta que rola no programa Globo Esporte, da Rede Globo de Televisão, usada para anunciar boletim das partidas do dia anterior e que, na onomatopéia, seria algo como "Tan-tararã-tan-tan".

O jornal Metrópole, pelo menos em 2008 - já não estou mais em Salvador deade novembro daquele ano - , também imitou o projeto gráfico da Folha de São Paulo - outra colega de golpismo midiático - usado nos anos 90, com a retranca envolta num cabeçalho colorido, semelhante ao da Folha no final dos anos 90.

Até quando os críticos da grande mídia baiana ficarão cegos à participação da Metrópole e de seu astro-rei MK no baronato da grande mídia local, não se sabe. Vão pagar caro com esse pacto pela visibilidade que os faz cegos ao poderio da "mídia fofa", que cada vez mais engorda de ruim...