quinta-feira, 27 de maio de 2010

O QUE O BARÃO DE ITARARÉ ACHARIA DO "LÍDER DE OPINIÃO"?



O que o Barão de Itararé pensaria a respeito do "líder de opinião", aquele sujeito que diz querer fazer uma devassa no poder político e midiático, mas que no fundo faz a média da mídia mais mediana?

Sabemos que o "líder de opinião", por incrível que pareça, não é o articulista da mídia golpista, mas um sujeito oblíquo, que faz a média da chamada "mídia imparcial" e, misturando trejeitos de líder sindical com a de professor universitário, apenas faz o dever de casa do mero consumidor de notícias, com um perfil ideológico que mistura a revista Isto É com Carta Capital, TV Bandeirantes com Caros Amigos. E que volta e meia corteja corruptos que investem na "mídia boazinha", como os baianos que se sentem seduzidos pela Rádio Metrópole.

Pois o Barão de Itararé, com seu humor fino mas ferino, desconfiado de certas armadilhas da vida, se não me engano talvez definiria o "líder de opinião" assim: "líder de opinião é o escritor e jornalista que quer desafiar o poder sem poder".

Não esqueçamos que Barão de Itararé ironizou o estereótipo do grande jornalista, o astro da grande imprensa, com a seguinte frase: "Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga".

Mas o "líder de opinião", além de muitas vezes brincar de ser jornalista - mesmo sendo um jornalista profissional - nunca ouviu falar de Barão de Itararé, ou, se ouviu, não prestou atenção. Estava ocupado demais com cronistas esportivos e com a crônica política que discutia o sexo do PMDB.

REVISTA VEJA FEZ PROPAGANDA VISANDO O PÚBLICO JUVENIL



Vendo as publicações da Editora Abril dedicadas ao público jovem, neste mês, nota-se que a revista Veja criou uma propaganda própria para os jovens, para o leitor "do futuro".

Quanta hipocrisia para uma revista que é, mesmo diante de seus parceiros em reacionarismo, a Folha de São Paulo e O Globo, a mais retrógrada publicação da imprensa brasileira, cujas páginas sensatas se resumem tão somente a três: Millôr, Lya Luft e Roberto Pompeu de Toledo (que, sem ser esquerdista, mesmo assim transmite boas ideias em bons textos).

É evidente que essa propaganda dará no mesmo. Nos anos 90, a juventude amestrada por É O Tchan, Chitãozinho & Xororó e Raça Negra, que cultura top models e Estado anoréxicos, que fala "balada" em vez de "festa" e "vida noturna", que acha que futebol substitui a Educação, e que, a serviço de fãs-clubes de ídolos como Alexandre Pires, Belo e Zezé Di Camargo & Luciano, perseguem, com fúria medieval, os blogs que falam mal deles, se deliciava com as páginas de Veja que seus pais assinavam com muito prazer. Hoje só não assumem que adoram Diogo Mainardi tanto quanto adoram Ivete Sangalo porque serão negativamente visados (mas que adoram, adoram).

Felizmente, porém, temos a blogosfera que serve como farol das mentes desamparadas e indefesas, expostas à hipocrisia dessa juventude que é a própria expressão do direitista enrustido. Fingem que falam mal da Rede Globo, mas exaltam seus produtos e até seus ídolos protegidos. Fingem cultuar Che Guevara, mas no fundo estão felizes por ele estar morto há muito tempo. Fingem odiar o imperialismo, mas no fundo estão gratos por tudo o que o imperialismo lhes oferece de bom. Tudo isso em comunidades do Orkut e Facebook, no Twitter, nos fóruns da Internet e até nas violentas mensagens de e-mail que eles enviam.

Isso com o cuidado de não guardarem as edições de Veja em seus quartos, para não expor seu reacionarismo para os visitantes.