sábado, 15 de maio de 2010

TECNOCRACIA É ISSO AÍ - SERRA ERRA NA MATEMÁTICA



Os tecnocratas que apostam na curitibanização dos ônibus - sobretudo no que diz à redução de frotas e na padronização das pinturas - e em coisas delirantes como o fechamento da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, para veículos sobre rodas, realmente compartilham da "sabedoria" do seu "mestre" José Serra, ele mesmo um tecnocrata, porque é formado em Economia e adepto do neoliberalismo (mas, pelo menos, ele é do PSDB, não se camufla em partidos como PDT, PTB e PSB).

Os tecnocratas são bastante alienados em matéria de interesse realmente social, mas às vezes também patinam quando o assunto é Matemática. Vejam o vídeo.

RIDE E OS VINTE ANOS DE "NOWHERE"


COMENTÁRIO DESTE BLOG: O álbum Nowhere, do grupo inglês Ride, comemora 20 anos este ano, e vale aqui relembrarmos a trajetória desta maravilhosa banda em texto que eu escrevi há cerca de sete anos.

Biografia do grupo inglês Ride

Na primeira metade dos anos 90, uma banda inglesa dava preciosas contribuições à história do rock mundial, embora as atenções da mídia estavam voltadas para o outro lado do Oceano Atlântico, devido ao hype de Seattle. O Ride, banda que fez a cidade de Oxford, famosa por sua Universidade, entrar no mapa da história do rock, tinha uma genialidade que nem os grandes nomes do considerado "revolucionário" grunge (tal classificação, além do mais, é discutível) possuíram, em seus poucos anos de existência e quatro álbuns gravados provocou um impacto que, se não saiu das fronteiras do Reino Unido e Eire, causou apreensão tanto entre aqueles que defendiam a fórmula "sex, ecstasy & indie dance" como entre os que apostam na barulheira pura e gratuita.

A origem do Ride remete ao final dos anos 80. No final dos anos 80 os músicos ensaiavam na garagem da casa de Lawrence, conhecido como Loz, que na época morava com seus pais. Eles estavam entre 18 e 20 anos quando começaram. Andrew, Mark e Loz eram colegas de escola, enquanto que Steve trabalhava numa loja de discos e era conhecido dos três tempos antes. Curiosamente, começavam tocando covers do conjunto new wave norte-americano Blondie.

A princípio, o som do Ride se aproximava do estilo do My Bloody Valentine, que era referência para as bandas alternativas inglesas dos idos de 1988-1998. Em 1990 o Ride foi contratado pela Creation Records, de Alan McGee (recentemente desligado de sua "criação"), gravadora do MBV e decidiu produzir seus primeiros discos. São EPs como o Fall e oPlay. Naquele ano o Ride lança seu primeiro álbum, Nowhere (anos depois aparece uma edição "demo" do mesmo álbum, ou seja, a mesma gravação só que sem mixagem, mais crua - esta edição é uma raridade).

Nos EUA há a prática comum das coletâneas das bandas inglesas especialmente produzidas para o público deste país. A Sire Records (selo atualmente extinto e cujo acervo foi para os selos Warner e Reprise, exceto os discos dos Ramones, que foram para o selo Radioactive, de outra gravadora, a Universal), divisão do grupo Warner e representante dos selos independentes ingleses, assim como produziu a coletânea Louder than bombs (1986) dos Smiths, que acabou fazendo parte da discografia do grupo de Manchester, a Sire também produziu a coletânea Smile, em 1990.

Em 1991, o Ride não lança álbum. Nowhere continua sendo trabalhado. Lançam EPs com músicas inéditas, entre os quais o excelente Unfamiliar. Em 1992 lançam o álbum Going blank again, o segundo de inéditas, mas, se incluirmos o Smile como álbum, Going blank again passa a ser o terceiro.

O Ride já havia firmado seu estilo. Tendo parentescos com a psicodelia dos Beatles de White album (1968), a lisergia rural dos Byrds sobretudo no LP Younger than yesterday (1967), a poesia do Velvet Underground e o lirismo excêntrico de Syd Barrett, fundador do Pink Floyd, o Ride não se restringe ao desfile de influências, traduzindo-as num som próprio, peculiar, como se o Ride existisse não nos anos 90, mas nos anos 60 mesmo. É um grupo que pode fazer frente, tranquilamente, aos grandes nomes do rock.

Going blank again, aparentemente, parece ser mais pop. Mera impressão. É o álbum com canções assobiáveis como "Twisterella", diferente da introspecção de Nowhere. Curiosamente, a música que leva o título deste álbum não se encontra nele. A música "Going blank again", notável pelo brilhante coro vocal feito pelos dois guitarristas, se restringiu a ser um complemento do compacto Twisterella. Em outro compacto, Leave them all behind, tem como complemento a canção instrumental "Grasshopper", de cerca de onze minutos (!).

Em 1994 o Ride chama George Drakoulias, produtor do grupo Black Crowes e discípulo de Rick Rubin, para produzir parte do terceiro álbum gravado pela banda, Carnival of light. Outra parte foi produzida por John Leckie, que trabalhou com o XTC e os Stone Roses. É considerado um disco psicodélico do Ride, que estava evoluindo para um estilo próximo ao rock setentista. A música "Birdman", no entanto, ainda remete aos anos 60, sobretudo a psicodelia de 1967.

Um destaque de Carnival of light é a cover da música "How does it feel to feel", do grupo psicodélico dos anos 60, The Creation. Ainda em 1994, os integrantes do The Creation se encontraram com o Ride e decidiram se reunir especialmente para excursionar com a banda.


Da esquerda para a direita, temos a formação do Ride:
Mark Gardener, voz e guitarra
Andrew Bell, voz e guitarra
Steve Queralt, baixo
Lawrence Colbert, bateria.


Os membros do Ride são músicos que conciliam a habilidade técnica com a energia das bandas de garagem. São instrumentistas disciplinados e bastante sóbrios ao vivo. Sua grande virtude é valorizar o processo de ensaios e composições, sua busca em produzir grandes canções, sem ter a pretensão para isso. Para que, aliás, a pretensão, se o talento faz a sua parte?

Andrew Bell - chamado pelo apelido, Andy, ele se torna homônimo ao vocalista do grupo de pop dançante Erasure, portanto, cautela - e Mark Gardener usam guitarras Rickenbaker, as mesmas utilizadas por Roger McGuinn nos Byrds e Johnny Marr nos Smiths. Compare os rífes de guitarras de "Eight miles high" dos Byrds e "Paralysed" do Ride (álbum Nowhere) e se verá o mesmo som de distorção das guitarras.

Como o que é bom dura pouco, a situação do Ride se complica em 1995. Estava sendo feito o quarto álbum, Tarantula. Mark Gardener estava estressado com a banda e Andrew passa a ser o principal letrista. O LP ainda está no processo de mixagem quando Mark decide sair do grupo. Os outros três, se achando incapazes de prosseguir, sem ele, o conjunto Ride, decidem extinguí-lo. Tarantula é lançado no início de 1996, a princípio em tiragem limitada. Com a Internet, o álbum permanece procurado por seus fãs até hoje.

Ainda no final de 1995, é lançada uma coletânea especial do jornal New Musical Express com várias bandas gravando, cada uma, uma música de outro artista. Curiosamente o Ride aparece interpretando "The model", o mesmo clássico do conjunto eletrônico Kraftwerk que integrou o repertório do álbum Man Machine, de 1978.

Ainda em 1996, um fã organizou um CD ao vivo, Live night, uma coletânea das apresentações ao vivo do grupo, lançado pelo pequeno selo Mutiny Records.

Em meados de 1996 Andrew planejou sua carreira-solo, tendo feito algumas canções. No entanto ele acabou formando uma banda com outro vocalista, Alex Lowe, mais o baixista Will Pepper (ex-Thee Hypnotics - é assim mesmo, "Thee" - , banda inglesa que foi a primeira do país a assinar com a Sub Pop de Seattle) e o baterista Gareth Farmer. O nome da banda se tornou Hurricane Number One, e lançou em 1997, pela WEA, um álbum com o mesmo nome e cujo som remete aos últimos momentos do Ride, embora os preconceituosos tenham acusado o grupo de imitar o som do Oasis, banda de maior sucesso na época.

Ainda em 1997 Mark Gardener que, sem um resultado aparente, estava em contato com o produtor Paul Oakenfold (U2, Happy Mondays), reencontrou Loz Colbert e convidaram Sam Williams, tecladista e produtor do Supergrass, o baixista Hari Teah e o guitarrista Jason King e formaram o grupo The Animalhouse. Gardener afirma que a intenção é fazer um som baseado nos Beatles e Beach Boys e distante do que o Ride fazia.

Com os problemas corriqueiros ocorrendo no Oasis, saem dois integrantes daquela banda em 1998, Paul McGuigan, ou Guigsy, baixista, e Paul Arthurs, ou Bonehead, guitarrista. Um antigo baterista, Tony McCarroll, já havia saído do Oasis em 1994 e entrou em processo contra os irmãos Gallagher.

Diante desse clima de tensão, o Oasis tenta contornar. Para substituir Guigsy, foi convidado Gem Archer, ex-baixista do Heavy Stereo. Para substituir Bonehead, foi convidado Andrew Bell. Há uma informação de que o ex-guitarrista do Ride assumiu o baixo no Oasis, mas o correto foi que ele assumiu mesmo a guitarra, pelo menos a princípio. Especula-se que tenha havido de início um revezamento de guitarra e baixo de Gem e Andy, que nos concertos invertem as posições de suas bandas anteriores. Depois prevaleceu a posição invertida em relação às bandas de onde vieram.

Aparentemente o Oasis entrou num "mar de rosas" em 1999. Noel e Liam Gallagher, pais de família e maridos a princípio dedicados, pareciam se entender melhor e Liam até passou a tocar violão na banda e mandar uma música sua, "Little James" (para o filho de Liam com a atriz e cantora Patsy Kensit, Lennon Gallagher) para o Oasis gravar no recente álbum Standing at the shoulder of the giants, gravado em 1999 e lançado em 2000. Andrew Bell se restringe, na banda, a tocar guitarra ou baixo e fazer coro nas canções. (*)

No entanto, em 2000 as coisas pioram. Liam, alcoólatra, se separa de Patsy (lindíssima loira que chegou a ser capa da revista Bizz em 1986), que chegou a se internar para curar da depressão. Noel se irrita e briga mais intensamente com o irmão, a ponto de sair da banda durante uma turnê, sendo temporariamente substituído por Matt Deington. Além disso, Noel também se separa da mulher Meg Mathews e ameaça se lançar em carreira-solo (Liam rebateu dizendo que, se isso acontecer, o Oasis acaba). Enfim as confusões vão e vêm, vêm e vão, e o Oasis estranhamente volta ao percurso normal, mas não sem antes Noel afirmar, em entrevista, que suas relações com os outros integrantes (inclusive o irmão) são apenas profissionais.

Ainda em 2000, o Oasis lançou o disco ao vivo Familiar to millions, gravado no Wembley pouco antes de sua interdição, pois o célebre estádio de Londres seria totalmente destruído para depois ser construído um novo Wembley no lugar.

Confusões e problemas à parte, em 25 de março de 2000, na cidade de Colônia, na Alemanha, o Animalhouse abriu para o Oasis, marcando uma eventual proximidade entre os três ex-membros do Ride. A trajetória da banda parece ter ficado no passado, mas como diz a sabedoria popular, recordar é viver.

(*) Este texto foi escrito há alguns anos. O Oasis tornou-se extinto, com a saída de seu principal compositor Noel Gallagher, que está brigado com o irmão Liam, e este há um bom tempo não está casado com Patsy Kensit, que por sua vez atualmente está casada com um DJ inglês.